Hope
29 Passion
Notas iniciais
Cecília e Pedro estavam conversando com os demais próximos à piscina onde havia sido preparado um pequeno jantar para a família. Eles estavam radiantes. Cecília mal conseguia acreditar que tudo aquilo, realmente, estava acontecendo. De repente, Pedro a olhou ternamente e a chamou, ela se aproximou e ele deu um passo à frente.
—Feliz? –perguntou com a voz baixa soando junto ao seu ouvido.
—Muito! Você não imagina o quanto. –disse com um sorriso largo jogando os braços pelo pescoço do rapaz.
—Talvez eu imagine, porque estou sentindo o mesmo que você, meu bem. –disse envolvendo-a num abraço apertado.
—Vamos dar uma volta? –perguntou sorrindo.
—Claro.
Os dois desceram as escadas da entrada da mansão e seguiram pela praia de mãos dadas sem preocupação para onde aquele caminho os levaria. Cecília enroscou seu braço ao de Pedro e encostou a cabeça em seu ombro, suavemente, ele beijou o topo da cabeça morena da garota e sorriu largamente.
—Eu acho que mal consigo me lembrar de quem eu era antes de você. –comentou olhando para frente.
—Será que você, também, perdeu alguma parte de sua memória no acidente? – O sorriso de Cecília estava largo em seu rosto. A cada segundo que se passava durante aquele dia, mais ela o amava.
—Engraçadinha!- Pedro sorriu para sua noiva e deu um beijo em sua cabeça. _ Estou falando que antes de você tudo era muito confuso. Não havia sentido em nada, parecia que eu fazia as coisas por fazer, vivia por viver... Mas, agora, tudo mudou. Você me faz querer ser uma pessoa melhor. Eu sou melhor com você, Cecília. –disse calmamente parando de frente para a moça, olhando em seus olhos castanhos alegres e emocionados.
—Não sou eu, Pedro, mas sim o amor. É ele quem nos faz querer sermos melhores, e, agora, você o encontrou. _Cecília suspirou e soltou a respiração com um meio sorriso, deixando uma lágrima escorrer por seu rosto. _E pode ter a certeza de que você é o homem mais amado do mundo. –disse sorridente abraçando a cintura do rapaz.
—Eu sei. Sou o mais privilegiado também. –sorriu acabando com a distância entre os dois, calando seus lábios num beijo doce e ao mesmo tempo voraz regado de desejo e amor. Cecília concedeu passagem para que Pedro percorresse sua boca com a língua e o gosto que ela sentiu era único, um gosto diferente que pertencia apenas a Pedro. Quando o ar se fez preciso e o calor os tomou por inteiro, Cecília se afastou lentamente e sorriu para o moreno.
—Que tal um mergulho? –perguntou sugestiva.
—Sério, Cecí, Agora? –perguntou fazendo careta.
—Ahh, larga de ser molenga, Pedro! vem – A garota o chamou mais uma vez se afastou, tirando as sandálias para correr rumo às ondas que, naquele momento, já estavam um pouco violentas com o cair da noite.
Pedro seguiu Cecília com um pouco de relutância. Tirou os sapatos e a blusa que vestia. Antes de correr para encontrá-la, ele ergueu a bainha da calça cinza de tecido e entrou na água que estava um pouco fria. Com a água na cintura, ele mergulhou e nadou até Cecília. Emergindo a poucos centímetros de distância da morena, Pedro a envolveu em seus braços e acariciou seu rosto molhado, retirando uma mecha de cabelo dos olhos da moça.
—Eu ainda consigo lembrar da primeira vez que você fez isso. –disse Cecília sorrindo levemente se perdendo nos olhos expressivos de Pedro.
—Também lembra do que eu disse? –perguntou Pedro sorrindo maroto.
—Sim. Não concordei de ímpeto com seu elogio, mas lembro, exatamente, cada palavra. –Cecília estava com o rosto há pouco centímetros de distância do de Pedro. Ela conseguia enxergar o quanto ele a desejava e amava.
—Para mim, você é a mulher mais bonita do universo e não só por fora, mas, principalmente, por dentro. Você é linda em todos os sentidos, meu amor, e eu sou muito grato a Deus por ter me dado você. –disse seriamente passando o polegar suavemente nos lábios de Cecília, fazendo a mesma fechar os olhos ao sentir o toque do rapaz.
—Eu amo você. –foi tudo o que ela conseguiu pronunciar antes de sentir os lábios do rapaz novamente nos seus. Ele aprofundou ainda mais o beijo segurando sua cintura fortemente, trazendo-a para si. Cecília puxou a nuca do rapaz brincando com seus cabelos, depois desceu as mãos por suas costas, arranhando-o levemente com as unhas em resposta. Pedro soltou um gemido baixo. Cecília sentia que devia se afastar naquele momento, mas o seu corpo não obedeceu e ela continuou acariciando-o até que segurou os braços do rapaz com força, fazendo-o se afastar rapidamente.
—Precisamos nos casar! –disse passando as mãos no cabelo exasperadamente.
—Eu sei, eu sei. Me desculpe. –disse envergonhada.
—Não se preocupe. Já disse que não precisa pedir desculpas quanto a isso. Vem, vamos voltar para casa, já devem estar achando que fugimos. –disse Pedro segurando a mão de Cecília, concentrando-se para afastar todos os pensamentos que o levavam a imaginá-la em seus braços completamente entregue.
Pedro e Cecília voltaram para o jardim da mansão, onde os empregados já estavam arrumando tudo. Havia anoitecido e o relógio marcava 18:30. Eles não tinham percebido o quanto demoraram na praia. Cecília subiu, avisando que iria tomar um banho e trocar de roupas. Pedro fez o mesmo e quando a morena entrou no quarto, encontrou Olívia deitada com seu notebook no colo. A loira olhou para a garota encharcada em sua frente e sorriu com o canto dos lábios.
—Um mergulho, hã... –disse Olívia sugestiva, sorrindo maliciosamente para a amiga.
—Lív, eu não sei mais o que fazer... –disse Cecília se aproximando e passando as mãos exasperadamente nos cabelos.
—O que houve, Cecí? –perguntou Olívia preocupada.
—É que todas as vezes que eu e o Pedro nos beijamos, ele acaba ficando... Você sabe. E podemos dizer que eu não fico numa situação muito diferente. –confessou com as bochechas coradas. Olívia a olhou e a única coisa que conseguiu fazer foi gargalhar notando a expressão aflita da amiga.
—Calma, Cecí, isso é normal. Vocês se amam, e já estão há algum tempo juntos. Eu acho que não tem problema algum se algo a mais acontecer entre vocês... –disse calmamente olhando nos olhos da amiga.
—Não, Lív. Não é bem assim que as coisas funcionam. O sexo realizado antes do casamento é pecado. Sei que parece antiquado mas é no que eu acredito, não quero entristecer a Deus por não conseguir me controlar. –disse rapidamente.
—Tudo bem. Então, só temos duas opções: 1. você começa a evitar o Pedro; 2. Aceleramos os preparativos do casamento para ontem. O que acha? –perguntou já sabendo qual seria a resposta.
—Fico com a segunda opção. Poderíamos fazer a festa aqui em Angra na praia mesmo. Muita loucura? –perguntou indo até o guarda-roupas para pegar uma peça de roupa.
—Pode ser. Eu teria que fazer alguns ajustes, mas não teríamos problema algum. –disse em resposta.
—Certo. Então, vou passar a ideia para o Pedro. –falou entrando no banheiro.
—Cecí, vocês já pensaram onde irão morar? –perguntou Olívia encostando-se na porta do banheiro.
—Ouull, meu Deus! Ainda não, Lív. Droga! Precisamos organizar muitas coisas ainda... –disse impaciente.
—Não se preocupe. Mantenha a calma. Vai dar tudo certo. –disse sorrindo.
Passaram-se uma semana após a volta de Angra. Pedro e Cecília estavam no shopping comprando algumas coisas para o seu novo apartamento que ficaria há vinte minutos de distância da casa dos pais de Pedro, no centro de São Paulo. Era sábado e já passavam das 14:30min, eles estavam na fila de uma grande loja com um carrinho lotado de utensílios domésticos, quando, de repente, encontraram Rafael e Leila, e para o incomodo dos dois, Leila caminhou na direção do casal com um sorriso cínico de orelha a orelha.
—Pelo o que estou vendo, a bela adormecida acordou. –disse olhando para Cecília.
—Sim, Leila, graças a Deus eu saí do coma. O que faz por aqui? –perguntou tentando ser educada.
—Vim comprar algumas coisas, porém, já percebi que você conseguiu o que queria. E, olha só, pelo o visto, Pedro caiu direitinho no seu golpe... –disse sorrindo com o canto dos lábios.
—Pare com isso, Leila. Eu amo o Pedro, e não fui eu quem estava me agarrando com o melhor amigo dele na cozinha da casa dele. –disse Cecília rapidamente segurando a mão de Pedro.
—Querida, eu já disse que isso não passou de um mal entendido, e, sabe de uma coisa? Eu não sei o porquê que ainda estou perdendo meu tempo aqui. Sejam muito infelizes, casalzinho. Pedro acho bom você ter alguma reserva, porque essa daí não é de nada, meu bem. –disse por cima do ombro acenando em despedida. Uma raiva súbita tomou conta de Cecília. Tudo o que ela queria naquele momento era avançar no pescoço da loira que saiu caminhando na direção contrária com um ar de superioridade como se nada houvesse acontecido. Entretanto, conseguiu se conter, mesmo que uma dúvida tenha pairado em sua mente: será que ela seria suficiente para Pedro? Será que ela conseguiria lhe satisfazer?
—Chegou nossa vez, amor. Vem. Deixa a Leila para lá, ela não merece nossa atenção. –disse Pedro envolvendo a cintura da morena, conduzindo-a para o caixa.
Naquele mesmo dia, Cecília estava no jardim sentada ao lado de Pedro com os pés na piscina, ele acarinhava seu braço e ela acariciava sua mão, infelizmente, Cecília ainda estava um pouco triste com o que ouvira mais cedo.
—O que houve? Desde que encontramos a Leila, você está diferente... –disse Pedro calmamente fazendo com que ela o olhasse nos olhos.
—Não é nada demais. É só que... –sua voz sumiu no final da frase, ponderando se, realmente, deveria falar o que estava pensando.
—É só que o quê? Pode falar, Cecí. –disse Pedro gentilmente.
—Eu tenho medo de não lhe satisfazer, digo, eu nunca fiz essas coisas, e você parece ser tão experiente... Se eu lhe decepcionar? –perguntou temorosa.
—Cecília, você só pode estar de brincadeira, meu amor. É claro que você não vai me decepcionar. Eu amo você e isso já é o suficiente, o resto ensinaremos um ao outro. Por favor, pare de pensar no que aquela idiota disse. A Leila é completamente sem escrúpulos. Você não pode dar crédito ao que ela fala. –disse acariciando o rosto da morena suavemente, tentando lhe passar toda segurança possível, pois ele a amava demais, para deixar que um sentimento como esse a perturbasse.
—Tudo bem. Eu vou tentar não pensar mais nisso. –disse apenas olhando para a sua mão.
—Venha cá. _Pediu Pedro, aconchegando a moça mais perto de si. _Eu amo você, minha flor. Acredite! Você é tudo que eu sempre sonhei. –disse sorrindo, abraçando a morena que se aconchegou rapidamente nos braços do rapaz.
Cecília e Pedro ficaram ali por mais algum tempo até que subiram para os seus quartos e foram dormir, Cecília demorou um pouco mais do que o normal para pegar no sono, mas em menos de trinta minutos, ela já estava dormindo profundamente. Na manhã seguinte, Olívia a acordou para que fossem ver alguns detalhes sobre o bufê do casamento, que, depois de muita conversa, havia sido marcado para o dia 25 de outubro, data esta referente a um sábado. Cecília levantou e tomou um banho, vestindo um vestido de alças preto justo no busto e rodado na saia, colocou suas sapatilhas vermelhas e prendeu o cabelo. Olívia já estava lhe esperando na sala, mas, antes de descer ao seu encontro, ela foi até o quarto de Pedro, encontrando-o dormindo de peito para baixo, sem camisa e com o lençol envolto em sua cintura. Ela ponderou, imaginando se ele continha alguma peça de roupa por baixo do lençol, mas, tentando expulsar aqueles pensamentos, ela sentou-se ao seu lado na cama e o abraçou beijando seu rosto ternamente.
—Bom dia, dorminhoco. –sussurrou em seus ouvidos.
—Bom dia, minha flor. Bem que você poderia me acordar assim todos os dias, heim!? –sugeriu Pedro risonho ainda sem abrir os olhos.
—Ahhh, e lhe acostumar mal? Nem pensar! Eu vou ver algumas coisas com a Lív sobre o bufê do nosso casamento, mas volto antes do almoço, okay? –perguntou sorrindo. Pedro se virou e abriu os olhos acariciando o rosto da morena que sorriu fechando os olhos.
—Tudo bem. Sabe, eu venho sonhando com o dia que vou acordar ao seu lado e te preparar um café da manhã... Amor, eu não vejo a hora de te ter ao meu lado para sempre. –disse sorrindo largamente.
—Eu também, mas bem que você poderia realizar um desses desejos qualquer dia desses... –disse com um sorriso no canto dos lábios.
—Com assim? –perguntou Pedro assustado pela sugestão da noiva, será que ela estava sugerindo o que ele estava pensando?
—O café da amanhã, seu bobo. Seria perfeito receber um café da manhã preparado por você, meu melhor noivo do mundo. –disse abraçando-o de modo que estava com todo o seu tronco em cima dele.
—Certo, certo. Mas acho que sou seu único noivo, não? –perguntou risonho olhando-a nos olhos.
—Mas é claro que é! –disse se aproximando para beijá-lo.
—Opa, espera um pouquinho. –disse sorrindo levemente.
—O que foi? Vai recusar meus beijos agora? –perguntou arqueando uma sobrancelha, fingindo estar chateada.
—Mas é claro que não. É que eu acabei de acordar e preciso vestir alguma coisa. –disse sorrindo timidamente, aquela era uma das poucas vezes que Cecília o vira tímido.
—Tudo bem. Porém, por qual motivo você dorme pelado, Sr.Pedro? –perguntou risonha, observando-o levantar rapidamente segurando o lençol envolta de si meio desajeitado.
—Sempre dormi assim, desde pequeno. Espero que isso não seja um problema para você. –disse sugestivo caminhando para o banheiro.
—Pode ter certeza de que não será, meu bem. Bom, eu vou indo, vejo você mais tarde! –disse rapidamente.
—E meu beijo de despedida? –perguntou alto do banheiro.
—Pedro, eu já estou atrasada. Será que você não pode acelerar isso aí, não? –perguntou sorrindo.
Após cinco minutos, Pedro saiu do banheiro com uma bermuda Jeans caminhando em direção a Cecília que, sem querer, se perdeu no abdômen do rapaz. Quando ele se aproximou, ela mordeu os lábios e sorriu jogando os braços no pescoço do rapaz que a envolveu rapidamente juntando seus corpos. Um longo beijo se iniciou. Cecília conseguia sentir o gosto de menta que vinha de Pedro misturando-se com o seu, ela os separou quando sentiu o velho calor tomar seu corpo.
—Precisamos nos casar logo! –disse risonha e levemente corada.
—Eu sei. –disse Pedro ofegante, olhando-a nos olhos.
—Bom, agora eu vou. Se não, sua irmã vai lhe deixar viúvo, antes mesmo do casamento. –disse se afastando e pegando sua bolsa.
—Tudo bem. Eu te amo. –disse Pedro ao observar a morena sair.
—Eu também amo você. –disse virando-se para o moreno, sem conseguir conter-se ela correu até ele novamente e o beijou.
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