Hope
17 Apenas um sonho
Notas iniciais
Cecília dormiu profundamente, pois seus olhos já estavam cansados de tanto trabalharem pela maior parte da noite. O sol iluminava o quarto da garota que havia esquecido de acionar a cortina. Cecília despertou com a claridade do quarto, eram 08:30 de uma quinta-feira. Ela coçou os olhos e foi até o banheiro fazer sua higiene matinal, trocou de roupa, escovou os dentes, e lavou o rosto várias vezes com água fria, numa tentativa de melhorar sua aparência pois ela estava completamente arrasada, ao se olhar no espelho Cecília encarou o reflexo que nele estava e respirou fundo contendo as lágrimas que já queriam dançar em seu rosto. Rapidamente a moça fez um rabo de cavalo alto, e vestiu um vestido soltinho, calçou suas sandálias e saiu do quarto sabendo que poderia encontrar Pedro pelo caminho, mas para seu alívio ele havia saído para faculdade e depois iria trabalhar, provavelmente Cecília não o veria tão cedo.
_Oi amiga, bom dia! O que aconteceu com você? –perguntou Olívia olhando Cecília dos pés a cabeça.
_Nada demais, está tudo bem, preciso te contar uma coisa. –disse apenas.
_O que houve? –perguntou a moça endireitando-se na cadeira para ficar de frente para Cecília.
_Amanhã vou para Iguaí, e pretendo terminar as férias lá. –disse enquanto enchia um copo com suco de laranja e passava geleia em seu pão.
_Mas e o natal? Achei que iriamos comemorar todos juntos. Eu queria tanto que você me ajudasse a organizar uma festinha que estava planejando... –disse fazendo bico numa tentativa de fazer a morena ficar.
_Desculpe Liv, mas eu preciso ficar um pouco sozinha, longe disso tudo, e minha família sente muita falta de mim. –disse olhando nos olhos da loira que apenas acenou positivamente entendendo que sua amiga realmente precisava de algum tempo para pensar.
_Quando é que você vai? –perguntou rapidamente.
_Amanhã a tarde. –disse calmamente.
_Já Cecí, você já ligou pra casa? –perguntou a amiga um pouco surpresa com a pressa de Cecília.
_Sim, já está tudo certo. –disse apenas.
_Tudo bem. Eu vou com você até a rodoviária. –disse sorrindo.
_Okay, muito obrigada por ser essa pessoa tão maravilhosa Liv. Sou muito grata por ter você ao meu lado. –disse sorrindo largamente e segurando as mãos da loira a sua frente.
_Eu é quem tenho sorte em ter te conhecido. –disse docemente retribuindo o sorriso.
As duas terminaram o café da manhã e foram caminhar um pouco pelo jardim da casa. Depois de algum tempo, Olívia avisou para Cecília que iria sair com Bernardo e depois os dois iriam almoçar juntos, a moça concordou e se despediu da amiga. Cecília estava completamente devastada por dentro, ela não sabia o que fazer ao certo, tudo dentro dela ansiava por Pedro, mas ela não podia simplesmente jogar-se em seus braços. A garota sentou-se na beirada da piscina e colocou os pés dentro da água, e perdida em pensamentos lembrou-se do seu primeiro final de semana naquela casa, lembrou-se do toque de Pedro em seu rosto e como ele a olhava naquele momento, seu olhos exalavam uma admiração que Cecília nunca vira antes, ela lembrou das palavras do moreno e de como ela havia gostado de ouvi-las. A morena respirou sofregamente e se abraçou sentindo saudades de Pedro e de todas as sensações que ele lhe causava. Cecília se permitiu ficar mais um pouco ali sentada e depois decidiu ir até o centro da cidade comprar algumas coisas para levar pra casa. Entrou na mansão e foi direto para o seu quarto. Colocou um pouco de maquiagem e vestiu seu cardigã, calçou suas sapatilhas e pegou uma bolsa de lado. Distraidamente ela caminhava pela rua imponente do bairro onde estava hospedada. A garota demorou um pouco para conseguir um táxi, mas assim que conseguiu pediu para que ele a deixasse na 25 de março. Cecília comprou algumas coisas, nada demais até por que o seu dinheiro não lhe permitia comprar algo que sua tia e sua avó realmente merecessem. Cecília não se importando com a distância, resolveu caminhar até o parque Ibirapuera, ela observava as crianças que brincavam ao longe e sorriu ao lembrar da pequena Larissa. Caminhou mais um pouco e sentou-se próximo a lagoa, esticou suas pernas e olhou para o céu admirando sua beleza. Cecília ficou a observar a vida ao seu redor, e por volta das 15:00Hrs voltou pra casa. Foi direto para o seu quarto notando que não havia ninguém em casa além dos empregados. Tomou um banho quente e vestiu seu velho camisão soltando os cabelos, leu um pouco e depois pegou no sono sem querer.
Cecília despertou com o som de um dedilhado perfeito e a voz que ela tanto amara lhe fez abrir os olhos, ela sentou-se em sua cama e ficou a ouvir a voz de Pedro que a preenchia por inteiro. Sem pensar duas vezes Cecília levantou-se calçou suas sandálias e caminhou pelo corredor, quando estava em frente a porta do quarto de Pedro ela hesitou, mas aí respirou fundo e bateu na porta. Pedro abriu na terceira batida fazendo Cecília vacilar por alguns instantes observando a beleza de Pedro que vestia apenas uma bermuda bege.
Penso em você
É uma canção
Que eu não consigo esquecer
Penso em você
E é o livro
De um amor que não se lê
Penso em você
E acho que nunca saberia rejeitar
Um pensamento assim
É o perfume na memória do prazer
Penso em você
Há tanto pra contar
E há tanto pra viver
_O que houve? Aconteceu alguma coisa com você? –perguntou seriamente olhando nos olhos da garota.
_Não, não, eu só precisava te ver, sei que não está certo depois de tudo o que falei pra você, mas eu volto pra casa amanhã, e queria lhe ver mais uma vez. –disse um pouco exasperada olhando para suas mãos.
_Você vai embora, vai largar a faculdade? –perguntou nervoso.
_Não, não é isso, só vou terminar as férias com minha família. –disse sorrindo com o canto dos lábios.
_Certo, você quer entrar? –perguntou sugestivo.
_Não precisa, já vou voltar pro meu quarto, queria apenas me despedir de você, e queria ter a certeza de que as coisas estavam bem entre nós, não quero te perder, digo, não quero que pare de falar comigo. –disse nervosamente olhando para o rapaz que a encarava com um olhar aflito.
_Entendo, não se preocupe, eu não consigo ficar com raiva de você, mas confesso que não posso fingir que está tudo bem. Isso é impossível Cecília. –disse segurando as mãos da moça.
_Tudo bem, então o que eu posso fazer é dar tempo ao tempo, e quem sabe com minha viagem você consiga analisar melhor as coisas... –disse calmamente retirando as mãos do toque de Pedro.
_Bom, eu não posso lhe garantir nada, mas prometo que irei tentar, você vai passar o natal lá? –perguntou curioso.
_Sim, e o réveillon também, só irei voltar em janeiro. –disse rapidamente.
_Nossa! –exclamou apenas.
_Bom, eu vou indo, até mais Pedro. –disse virando-se mas antes que ela desce o primeiro passo em direção ao seu quarto, Pedro puxou seu braço e a envolveu em um abraço forte e demorado. Cecília aconchegou seu rosto no peito de Pedro e ficou por ali, apenas sentindo o calor da sua pele em seu rosto, e o perfume amadeirado que exalava de seu corpo.
_Eu amo você, não esqueça disso! -disse num sussurro em seus ouvidos.
_Impossível esquecer, por que você está em todos os meus pensamentos, eu também te amo Pedro, e sinto muito por estarmos nessa situação. –disse com a voz um pouco embargada.
_Ahh Cecília, se você soubesse o quanto eu sonho com o dia que vou poder te abraçar e te beijar e fazer de você minha pra sempre... –disse Pedro apertando um pouco mais a cintura da morena que agora estava totalmente envolvida pelo abraço de Pedro, e nem sequer notara que estava vestindo apenas um blusão velho que ia até metade de suas coxas.
_Eu sei, eu também sonho com isso, mas é apenas um sonho Pedro, nossa realidade é completamente diferente. Eu preciso ir... –disse se afastando um pouco dos braços do rapaz que a olhava diretamente nos olhos.
_Eu sei, boa noite minha flor! –disse beijando o topo da cabeça da morena.
_Boa noite Pedro! E até breve! –disse Cecília sem conseguir encarar os olhos verdes do moreno.
_Até. –disse selando os lábios da garota com um beijo casto e carinhoso. Cecília o olhou nos olhos e abaixou a cabeça caminhando rapidamente para o seu quarto.
Pedro se sentia desolado, tudo em sua mente dizia que ele deveria lutar por Cecília, lutar pelo os dois. Ele caminhou até o violão e o guardou, depois foi até o banheiro e tomou um banho rápido vestindo apenas uma cueca box preta e deitou-se para dormir. No dia seguinte Pedro acordou atrasado para ir a faculdade, pois ainda estava pagando algumas matérias. Ele se arrumou rapidamente vestindo uma camisa de botões azul marinho e uma calça jeans com sapa tênis bege. Pedro caminhou rapidamente até as escadas mas quando passou pela porta do quarto de Cecília hesitou e lembrou que ficaria por quase dois meses sem vê-la foi então que resolveu entrar em seu quarto e beijá-la pela última vez. Pedro girou a maçaneta da porta e para sua surpresa a mesma girou abrindo e lhe dando passagem para o quarto da morena. Ele caminhou lentamente até a beirada da cama da garota que estava dormindo profundamente, ajoelhou-se ao lado da cama, admirando o rosto angelical de Cecília, e então acariciando o rosto da moça ele se aproximou e depositou um beijo suave em seus lábios que a fez despertar no mesmo instante.
_Bom dia! –disse Pedro com um sorriso largo no rosto.
_Bom dia, o que você está fazendo aqui? –perguntou confusa olhando nos olhos do rapaz.
_Eu precisava me despedir, vou ficar quase dois meses sem te ver, não podia deixar você partir assim... –disse rapidamente sentando ao lado da moça que também se endireitou e sentou-se em frente ao rapaz. _Por falar nisso, você quer que eu te leve até a rodoviária?
_Não precisa, a Liv vai me levar. –disse apenas.
_Tudo bem, então eu já vou. –disse levantando-se e pegando sua mochila. Pedro já caminhava em direção a saída do quarto quando num movimento impensado Cecília se levantou e correu em direção ao rapaz.
_Espera! –disse fazendo o moreno se virar, fazendo-o olhar novamente em seus olhos, ela se aproximou e abraçou Pedro fortemente pela cintura, como se não quisesse larga-lo nunca mais. _sentirei saudades. –sussurrou no ouvido do rapaz.
_Eu também já sinto sua falta. –disse apertando ainda mais a morena em seus braços.
Depois de alguns momentos abraçados, Cecília se afastou de Pedro e o rapaz saiu do quarto, ela ficou apenas observando o moreno se afastar, e de súbito um sentimento de aflição tomou conta dela. Mas rapidamente balançou a cabeça se esforçando para afastar os pensamentos que lhe vinham a mente. Após Pedro sair do campo de visão da moça ela caminhou até a porta do seu quarto e a fechou atrás de si. Notando que já passava das 08:00Hrs da manhã, resolveu arrumar suas coisas e logo depois tomar um banho. Quando terminou seus afazeres, bateu no quarto de Olívia e ouviu em “entre”, a moça abriu a porta e sentou-se na cama da amiga onde a mesma estava verificando alguma coisa em seu notebook.
_Oi, tudo bem? –perguntou Olívia desviando o olhar da tela, olhando diretamente para Cecília.
_Sim, está, é só que eu acabei de me despedir do Pedro, e senti algo diferente como se algo ruim fosse acontecer. –disse prendendo uma pequena mecha de cabelo atrás da orelha.
_Como assim algo ruim? –perguntou Olívia preocupada.
_Não sei explicar ao certo Liv, mas só sei que me incomodou muito. –disse agora massageando o peito em sinal de aflição, ao notar a expressão de Cecília, Olívia se aproximou e envolveu a amiga em um abraço terno, afim de lhe passar segurança e conforto.
_Tudo bem, se acalma tá legal!? Vai ficar tudo bem. –disse no ouvido da amiga calmamente.
_Certo, deve ser apenas um sentimento passageiro, logo irá passar. –disse afastando-se lentamente do abraço da amiga.
As duas garotas ficaram por ali conversando por um longo tempo, quando sentiram fome desceram e foram direto a cozinha almoçar, logo após Olívia foi para o seu quarto dizendo que queria terminar algumas coisas no blog antes de ir levar a amiga na rodoviária, Cecília assentiu e juntas subiram para o andar de cima indo cada uma para o seu quarto.
Cecília terminou de arrumar suas malas, e como ainda lhe sobrava tempo, resolveu tocar um pouco de violão, lembrou-se da música que embalou seu primeiro beijo com Pedro e de como as palavras eram cantadas em sua voz, fazendo Cecília mergulhar em uma atmosfera que aos pouco ela desvendara cada detalhe. Cecília sorriu ao lembrar do largo sorriso de Pedro e quase conseguiu sentir o toque de seus dedos em seu rosto. Ela não cantava dessa vez, preferiu apenas dedilhar uma melodia que lembrava o toque da música que ela tanto gostara de ouvir na voz de Pedro, e ao dedilhar aquele som era como se ela pudesse ouvir ele cantando num sussurro em seus ouvidos.
Por volta das 14:00Hrs, Cecília e Olívia estavam caminhando em direção a garagem, onde Olívia havia conseguido permissão para dirigir o porcshe da sua mãe. As duas entraram no veículo e seguiram rumo a rodoviária, Olívia esperou a amiga entrar no ônibus para poder voltar pra casa, e assim que Cecília sumiu de vista a loira caminhou até o carro e seguiu de volta para casa. A morena acomodou suas malas no compartimento acima de sua poltrona e depois sentou-se, a viagem foi tranquila, Cecília não havia sentido as horas passar e logo estava descendo do ônibus, ao caminhar rumo ao ponto de Táxi viu sua tia em pé olhando em volta à procura de alguém, a garota gritou alto o nome da tia e correu em sua direção. A saudade era tanta que as duas passaram um longo tempo abraçadas.
_Oi meu amor, como você está? Estava com tantas saudades Cecília. –disse a tia acariciando os cabelos da jovem, que sorria ternamente para a senhora a sua frente.
_Estou bem, também estava com muitas saudades. Como estão as coisas? –perguntou, agora caminhando ao lado da tia em direção a saída da rodoviária.
_Está tudo como antes, sua vó ficou em casa pois não estava se sentindo muito bem. –disse Margarida calmamente.
_Ela está doente? O que ela tem tia? –perguntou rapidamente em tom de preocupação.
_Não, é só um mal-estar que ela anda sentindo querida, mas passa rapidamente, essa não é a primeira vez que ela senti isso, mas não se preocupe. –disse passando um braço por cima dos ombros da morena.
_Tudo bem, alguma novidade por aqui? –perguntou curiosa.
_Bom, tudo continua do mesmo jeito de sempre, mas há algo que acho que vai lhe interessar. –disse rapidamente, Cecília olhou para tia e assentiu assinalando que ela deveria continuar. _O Miguel voltou de viagem, e está aqui para passar as férias ao lado da família.
_Ouul certo, isso iria acontecer a qualquer momento tia. Eu já esperava que ele viesse. –disse apenas, tentando demonstrar neutralidade.
_É que tem mais uma coisa... –disse hesitante.
_O que houve? –perguntou rapidamente.
_Ele foi lá em casa te procurar, e parecia aflito, como se realmente precisasse conversar com você. –respondeu olhando para a sobrinha, que agora parecia estar confusa ao ouvir o que a tia acabara de dizer.
_Sei... o que vocês conversaram? –perguntou esperando que a tia não houvesse dito nada demais.
_Coisas que não fugiram da normalidade, mas ele perguntou quando você voltaria e eu disse que não sabia ao certo o dia, mas que você passaria o natal e o réveillon conosco. –disse rapidamente.
_Tudo bem, não tem problema, talvez ele queira consertar o erro que cometeu, mas agora é tarde demais. –disse com o olhar baixo.
_Tarde demais? Você conheceu alguém Cecília? –perguntou rapidamente a tia olhando para a garota.
_Sim, e a verdade é que estou apaixonada por essa pessoa, então não importa o que o Miguel faça ou diga, pois não irá adiantar. –respondeu sinceramente.
_Posso saber quem é, senhorita? –perguntou curiosamente.
_Ainda não tia, mas não se preocupe, ele é um ótimo rapaz e logo logo, vocês irão conhece-lo. –disse com um sorriso no canto dos lábios.
Tia e sobrinha pegaram um táxi e foram pra casa, Cecília observava tudo a sua volta através da janela do carro, e percebeu que como de costume nada havia mudado na cidade. Rapidamente chegaram em casa, a jovem caminhou em passos largos para o interior da casa e encontrou sua avó na sala assistindo TV sentada em uma cadeira de balanço velha.
_Oi vó, como você está? Eu estava morrendo de saudades. -disse rapidamente abaixando e abraçando a avó fortemente.
_Oi minha pequena, como está linda, mas está muito magrinha Cecília, você está se alimentando corretamente? –perguntou a senhora que já beirava os 90 anos, sua voz já estava fraquinha assim como seu corpo, mas sua mente ainda não falhará em nenhum aspecto.
_É impressão sua vó, eu estou bem, e a senhora? A tia disse que você não estava se sentindo bem... –disse Cecília beijando a cabeça da idosa.
_Sua tia é muito exagerada, eu estou ótima. Venha, vamos tomar um café com torradas, quero saber tudo sobre sua estadia na cidade grande. –disse a avó de Cecília levantando-se com bastante dificuldade.
Cecília e a avó sentaram numa mesinha que havia na pequena varanda da casa e ficaram conversando por um tempo, e quando Cecília lhe contava mais alguns detalhes sobre a família de Olívia, a velha Maria Rita já estava cochilando. Ao olhar para a avó a jovem sorriu levemente e chamou sua tia para lhe ajudar a colocar a senhora no quarto.
Após deixar a avó no quarto, Cecília disse a sua tia que iria arrumar suas coisas e depois iria tomar um banho. A morena caminhou rapidamente para seu pequeno quarto e desfez suas malas, arrumando as roupas no seu guarda-roupas, assim que terminou olhou para sua pequena escrivaninha e pegou o antigo porta retrato onde estava estampado o rosto de uma bela jovem, de cabelos lisos preto e sorriso largo, Cecília juntou o porta retrato ao peito e o abraçou sorrindo levemente.
Depois que tomou um bom banho, Cecília vestiu uma saia jeans não muito curta e uma blusa de mangas compridas branca, penteou seu cabelo deixando que ele secasse naturalmente e foi em direção a sala encontrando sua tia assistindo ao noticiário local, ela foi a cozinha e tomou um pouco de sopa que a mesma havia preparado, logo após conversou um pouco com ela na sala e depois avisou que iria dar uma volta e talvez, depois passasse na casa de Juliana. Margarida assentiu e observou Cecília saindo pela porta da frente.
Cecília caminhava distraidamente pelas ruas de Iguaí, perdida em pensamentos ela mergulhou em lembranças do seu passado. Ao olhar para a igrejinha da cidade, lembrou de uma tarde que passou ao lado de Miguel e quando se sentaram nos degraus da entrada da velha igreja para tomar um sorvete, lembrou-se também de quando estudavam juntos e de como eram unidos, ela nunca imaginou que poderia viver ao lado de outra pessoa, pois sempre sonhara em envelhecer ao lado de Miguel.
Após algum tempo sentada na pracinha da cidade apenas apreciando a noite, ela decidiu ir até a casa de Juliana, ela sabia que não seria nada fácil olhar novamente para o rosto de Miguel mas em algum momento aquilo iria acontecer, então preferiu que fosse o quanto antes possível.
A morena caminhou sem pressa e em menos de 15 minutos chegou até a rua onde Juliana morava com a família, diminuiu os passos ao se aproximar da casa da amiga, e quando estava em frente a casa, respirou fundo e tocou a campainha, a casa tinha um primeiro andar, não era luxuosa porém não era num todo simplória. O negócio da família de Juliana sempre lhes rendeu um bom dinheiro proporcionando assim, um certo conforto. Cecília esperava alguém abrir a porta para ela mas ninguém veio ao seu encontro, então tocou novamente a companhia e quando ia toca-la pela terceira vez, um rapaz moreno de olhos castanhos escuros com um sorriso maroto nos lábios abriu a porta num rompante, fazendo Cecília empalidecer ao encontrar seu olhar.
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