Hope

11 Capítulo 10


10

Cinco longos dias haviam se passado. Bella passara esse tempo trancada em casa, sem contato com ninguém. Ou melhor, o único contato que tivera com alguém que não fosse sua família fora Edward. O rapaz tentara ter uma conversa com a moça, mas a mesma estava tão deprimida que mal o respondia.

Renée mentiu a todos dizendo que Bella não estava se sentindo muito bem, e que estranhamente, nesses cinco dias estava com uma dor de cabeça que não lhe deixava em paz. Logo que Edward soube disso se prontificou a examinar Isabella e foi então que ele contou que era médico.Mas como Renée disse que não havia necessidade, Edward acabou não examinando a moça.

Bella se sentia terrivelmente mal, não era uma dor física, mas ela preferia que assim fosse. Pelo menos se fosse algum tipo de doença teria remédio e então pararia de doer, mas Isabella possuía um machucado no coração e o mesmo sangrava. Sua ferida estava aberta e precisava ser fechada.

Renée fazia de tudo para que nada chegasse até Bella, cartas enviadas por qualquer remetente eram queimadas, visitas eram barradas e só Edward via Bella, a moça não podia sair de casa e até mesmo Trisha fora proibida de fazer o mesmo pois foi considerada por Renée uma cúmplice das loucuras de Bella.

Renée tornara aquela casa um quartel. Mas é claro que só Bella, Trisha e Amélia sabiam o que acontecia, já que Renée ameaçou Bella para que ela não falasse nada para ninguém, nem mesmo para Charlie.

A jovem Swan não aguentava mais aquilo, e não tinha nenhuma forma de Jacob ficar sabendo sobre o que acontecia com ela!

Bella bufa mais uma vez e se enterra mais profundamente nos seus travesseiros. Ela passara o dia inteiro naquele quarto e não aguentava mais ver o teto daquele cômodo.

– Bella?! – Trisha surrara da porta do quarto.

– Trisha? – Bella fala esperançosa, finalmente alguém que não fosse a sua mãe vinha lhe ver naquele dia.

– Não fale nada menina, sua mãe não pode saber que estou aqui. – Trisha vai até a cama onde Bella estava deitada. – Pegue isso. – a escrava tira de dentro do seu vestido um envelope.

– O que é isso? – Bella sussurra.

– Chegou essa carta hoje de manha, sua mãe estava na missa e não viu quando a deixaram aqui.

– É pra mim? – Bella pergunta em dúvida, ela não conseguia acreditar que depois de tanto tempo recebera uma carta.

– Pelo que me lembro de como se escreve o seu nome... Sim. – Trisha havia decorado como era o desenho do nome Isabella. Depois de buscar tantas cartas que Jacob mandara na casa de Alice o resultado não poderia ser diferente.

Bella puxa o envelope das mãos de Trisha e vira o mesmo em suas mãos. Na estampa do envelope ela vê Jacob desenhado com a letra perfeita que seu amado possuía, e no verso tinha Isabella com aquela mesma caligrafia.

O coração de Bella dá um salto. Talvez Jacob tentara lhe enviar uma carta durante todo esse tempo. Certamente depois de enviar tantas cartas para Alice e não ter nenhuma resposta de Bella fez com que num ato desesperado ele mandasse uma carta para a casa de Bella, correndo o risco de Renée ver.

– De quem é menina? – Trisha pergunta curiosa.

– É de Jacob. – Bella diz não contendo a emoção, ela nem lera a carta e já estava quase chorando.

Com rapidez a moça abre o envelope e pega a folha onde se encontravam as palavras de Jacob.

“Isabella,

Ontem — certamente estais lendo esta carta no dia posterior a minha ida a Alice – fui decidido até a casa de sua amiga para tomar uma decisão. Soube que sua mãe, por alguma razão desconhecida por Alice, a prendeu em casa lhe impossibilitando de receber minhas cartas e de se encontrar comigo. Mas Alice prometeu-me que de alguma forma faria esta carta chegar ao seu destino: Isabella Swan.

Pois bem, minha ida até Alice foi para pedir que lhe dissesse para se encontrar comigo, mas logo que cheguei a mesma contou-me sobre essa história de sua mãe e não vi outra alternativa a não ser esta carta.

Não vejo outra forma para lhe contar o que estou prestes a fazer: Estou desistindo.

Não quero continuar. Já vi coisas demais nesta vida, já vi mortes demais e já estou cansado.

Estou deixando o exército e estou a deixando também.

A guerra me mostrou tantas coisas ruins que espero nunca mais ter que estar numa. E por isso larguei o exército.

O que isso tem haver com a nossa história? Tem haver que, apesar de ruim, a guerra me mostrou que não posso me amarrar a alguém que nem sei se vou ter um futuro, a vida é muito curta e não posso gastar o meu tempo com aquilo que não tenho certeza. E mais, com a minha decisão de deixar o exército eu deixo a cidade, pois não tenho dinheiro ou algo do tipo para me manter aqui.

Mas acho que os dois motivos que lhe falei são apenas desculpas. Desculpas para esconder a verdade: Eu não a amo mais. Talvez nunca tenha a amado de verdade, acho que me deslumbrei por alguém superior gostar de mim... Não sei.

Desculpe. Mas estou sendo sincero, e acho que depois de tudo que passamos isso é o mínino que posso fazer: ser sincero.

Juro que não queria atrapalhar a sua vida e nemqueria destroçar as suas chances de ter um futuro com alguém melhor.

Desculpa. Mil vezes desculpa. Não queria que essa história fosse longe demais.

Nunca pretendi que nossa história fosse mais longe do que dois encontros, mas como já disse, me deslumbrei com a sua situação financeira. E só agora, lúcido novamente, percebo o meu erro, e de uma forma... Rude, talvez, tento concertar os meus atos.

Não me procure, não quero mais lhe ver. Não mande cartas, não pergunte a ninguém por mim... E principalmente, não pare de viver por mim, sua vida não merece ser parada por alguém que não a amou.

Estou voltando para a pequena fazenda que ganhei de herança com a morte de meus pais.

Não se preocupe, eu estou bem e vou ficar ainda melhor, pois finalmente estou deixando a tristeza e a escuridão para trás.

Jacob.