Notas iniciais
VOLTEI! Obrigadaaa pelos comentários e por acompanharem a história! Preciso que vocês me deem opinião sempre, pq eu acho mais dificil escrever histórias de época. Quero saber se estou acertando. Vamos para mais um capítulo, conheçam a Karina!

Era um lindo sábado.

O céu azul e limpo de Marchella cobria todos os moradores da animada Vila. Havia chovido sem parar durante a semana toda e um dia quente e seco como aquele era excelente, ainda mais em um sábado.

A feira estava animadíssima. Os mercadores gritavam aos quatro ventos seus preços e os moradores passavam por ali, comprando mantimentos e cumprimentando uns aos outros. Tudo estava tão cheio que parecia que todos da Vila resolveram estar ali naquele dia.

Mas nem todos gostariam de desperdiçar esta magnifica manhã em um lugar tão cheio quanto aquele.

Um pouco longe dali, João, Bianca e Jeff aproveitavam a manhã ensolarada em um dos campos de trigo da Vila. João, metido a aventureiro, brincava de se equilibrar em uma das grandes cercas. Ele abria os braços procurando equilíbrio e caminhava por ali, pé ante pé.

– João, você vai cair – brigou Jeff, sentado em um ponto da cerca – estou falando sério, se cair são 6 metros até o chão. Você pode se machucar.

João não queria ouvir. Continuava a caminhar ali, concentrado. Jeff suspirou e balançou a cabeça, cansado de tentar colocar algum juízo na cabeça do velho amigo. João sempre fora teimoso e nunca obedecia quando criança; Jeff sabia, que agora aos 19 anos, continuaria a ignorar.

Bianca estava alheia a tudo, sentada em uma grande pedra no chão. Com suas mãos pequenas e deliciadas, bordava uma linda toalha de mesa da cor violeta. Com cuidado, passava a linha nos lugares certos e sorria satisfeita quando terminava um desenho com perfeição.

– Para que isso, Bi? – perguntou Jeff, interessado em seu trabalho.

– Isso, Jeff, é a primeira peça do meu enxoval –respondeu ela, orgulhosa.

– Enxoval? – assustou-se Jeff – você irá se casar e não avisou seus amigos?

Bianca riu com vontade enquanto cortava mais pedaços de linha.

– Não, bobo – respondeu ela, com calma – mas isso logo irá acontecer, se querem saber. Ouvi papai conversando com Dandara há um tempo atrás.

– Sobre o que?

– Estamos todos crescendo, Jeff. Não sou mais uma criança e sim uma moça – respondeu ela, segura de suas palavras –papai disse a Dandara que logo eu deveria me casar. Na verdade, eu já deveria inclusive ter um pretendente. Já tenho 20 anos. Sei que papai tocará no assunto mais cedo ou mais tarde.

– E você está animada para se casar? – quis saber o garoto, observando com repreensão João caminhar para mais longe e subir em uma cerca ainda mais alta.

– Claro que estou. Qualquer moça deseja se casar – respondeu ela, sorrindo esperançosa – tenho certeza que papai escolherá um rapaz digno, bonito e que me ame. Estou tão animada com a ideia de me casar que já comecei a fazer meu próprio enxoval.

– Fico feliz por você – respondeu Jeff, sorrindo gentil para a amiga – estive pensando nisso esses dias também. Já estamos na idade. Logo meus pais me pedirão para eu procurar uma pretendente.

Bianca parou seu trabalho para olhar com malícia para Jeff, que ficou vermelho no mesmo instante.

– Não é como se já não tivesse uma, meu velho amigo – respondeu Bianca – e um passarinho me contou que Mari adoraria ser sua noiva.

Jeff sorriu com o comentário. Desde crianças, ele e Mari tinham uma conexão diferente. Sempre juntos, sempre se ajudando. Quando cresceram e Jeff passou a ter idade suficiente para entender certas coisas de homem, ele sabia que Mari seria a escolhida pelo seu coração para ser sua esposa. E Jeff sabia que tudo daria certo: eles eram amigos, se gostavam, os pais de ambos compartilhavam dos mesmos gostos. Tudo sairia perfeito.

Um grito ecoou, vindo da esquerda. Jeff e Bianca viraram-se ao mesmo tempo na direção de João. Ao contrário do que imaginaram, ele continuava de pé, mas extremamente assustado. Tremia e apontava para frente.

– BIANCA! – gritou ele – Karina... os cavaleiros...

Bianca estreitou os olhos e conseguiu ver o que estava acontecendo há alguns metros dali. Largou o bordado de qualquer jeito, subiu as saias do vestido e começou a correr o mais rápido que conseguia.

Karina corria desesperada. Seu vestido ficava cada vez mais pesado devido a lama que grudava em sua barra. A chuva dos dias anteriores havia formado diversas poças de lama pelos campos, o que agora dificultava a fuga da garota. Olhando para trás, ela via um cavaleiro cavalgando em sua direção e por mais que ela soubesse correr mais rápido do que qualquer garota, ela não era páreo para um cavalo.

Poucos segundos depois, ele a alcançou. Cansada, Karina tropeçou em uma raiz e foi de encontro ao chão. Virou-se de frente e tentou pensar em como se defender. O cavaleiro desceu do cavalo e se aproximou devagar dela, com um sorriso no rosto. Abaixou-se ao seu lado e acariciou sua bochecha direita com uma das mãos.

– Você está corada, minha dama – comentou ele, ainda acariciando. Karina tremia – e eu, tolo, achando que era impossível você ficar ainda mais linda.

Os olhos azuis e inocentes de Karina encheram-se de lágrimas. Ela odiava quando os homens a olhavam daquele jeito e mais ainda quando se atreviam a tocar-lhe o corpo. O barulho de mais um trote de cavalo fez seu coração saltar. Olhando para frente, viu mais um cavaleiro se aproximar e saltar de seu cavalo negro. Karina, dessa vez, levantou-se depressa e correu de encontro a ele, afundando o rosto em seu peito. O rapaz a envolveu em seus braços, protegendo seu pequeno corpo.

– Volte imediatamente para o Forte, Rodolfo – ordenou Arthur, sentindo Karina tremer em seus braços – volte agora e eu não contarei ao nosso supervisor o que tentou fazer com uma moça inocente.

– Inocente? – retrucou Rodolfo, incrédulo – essa moça é tudo, menos inocente, Arthur. Nos provoca todos os dias. Todos já a alertaram, mas ela continua a desobedecer a todos. Uma hora irá achar o que tanto quer, dama.

– Não fale assim dela – esbravejou Arthur – não pedirei para ir embora mais uma vez.

Rodolfo bufou de ódio.

– Irei embora pela consideração que tenho a você – respondeu ele, dirigindo-se ao seu cavalo – mas já te digo que eu mesmo falarei com nosso supervisor. Essa menina nos atrapalha. Não pode ficar cercando o Forte desse jeito.

– Concordo com você – respondeu Arthur, recebendo um olhar confuso de Karina – e faça o que achar apropriado.

Rodolfo subiu em seu cavalo e partiu, ainda furioso. Assim que o trote do cavalo afastou-se completamente, Karina viu Bianca aproximar-se, vermelha, suada e visivelmente exausta pela corrida.

– Karina – exclamou ela, fraca – vim o mais rápido... que... consegui. O que aconteceu, irmã?

– Aconteceu que sua irmã nos desobedeceu de novo – respondeu Arthur, soltando Karina e olhando bravo – estava dentro do Forte novamente. Os cavaleiros a viram... e o resto pode imaginar. Ela fugiu, mas um deles quis vir atrás dela.

Bianca ficou ainda mais velha, mas agora de raiva. Aproximou-se de Karina e a segurou pelo braço.

– Quando vai criar juízo, Karina? – esbravejou Bianca – já te proibimos de andar por ali sem companhia. Já conversamos sobre o quanto isso é perigoso.

– Mas eu não entendo – reclamou a mais nova, enfrentando a irmã – não vejo o por que de não poder olhar os treinos do batalhão. Eu não atrapalho ninguém.

– Atrapalha assim – intrometeu-se Arthur – eles são homens, Karina. Não é apropriado para uma moça decente e de família ficar andando por ali. Eles entendem errado, não acreditam que você fica ali só porque gosta dos treinamentos. Além do mais, ali é o momento em que os cavaleiros se preparam para guerras, eles precisam de concentração. Por favor, não vá mais lá.

– Não adianta pedir, Arthur – concluiu Bianca – terei que ser mais firme. Me escute, Karina! A próxima vez que você for lá sem ninguém, independente se te pegarem ou não, eu contarei ao papai — ameaçou a mais velha.

Karina arregalou os olhos e mordeu os lábios para não ofender a irmã. Ela não tinha direito de proibi-la de tantas coisas. Ela não era sua mãe.

– Agora vamos – ordenou Bianca, puxando a loira pelo braço – obrigada pela ajuda, Arthur. Espero que seu amigo cavaleiro não fique perseguindo minha irmã a partir de agora. Já basta os outros.

– Não garanto que ele não faça – respondeu Arthur, com um suspiro – mas sabe que continuarei a protegê-la deles. Sempre.

Karina sorriu agradecida para Arthur. Ele era seu melhor amigo desde que eram crianças. Foram criados muito próximos, já que os pais dele tinham negócios com seu pai. Ele sempre a fez bem, se preocupava com ela e fazia de tudo para que sempre se sentisse protegida.

– Por Deus, Karina. O que eu faço com você? – disse Bianca enquanto as duas caminhavam com passos rápidos em direção a vila – olha só suas vestes, com lama. Você não é mais uma criança, pare de se comportar como uma.

– Não aconteceu nada, Bianca – respondeu Karina com a voz baixa – mas de qualquer forma... me desculpe. Não fique brava comigo.

Bianca parou de andar e virou-se para a irmã. Karina, embora mais calma, ainda tremia. Seus olhos estavam tristes e Bianca conhecia a irmã o suficiente para saber que ela estava controlando a vontade de chorar. Com o coração apertado, aproximou-se dela e lhe segurou a mão. Karina era a pessoa que Bianca mais amava no mundo.

– Fico brava desse jeito porque me preocupo e te amo – respondeu a mais velha – você é um poço de inocência, mas o mundo não é assim. Ele te assustou de verdade dessa vez, não é?

– Não gosto do jeito que eles me olham – disse Karina, com a cabeça baixa – fico incomodada. Não quero fazer mal a eles ou atrapalhar, eu gosto apenas de vê-los treinar. Gosto das lutas, dos golpes, das danças com as espadas. É tudo tão... bonito.

Os olhos de Karina brilhavam com o sol enquanto ela se lembrava daqueles magníficos e perfeitos treinos.

– Eu acredito em você – sussurrou Bianca – mas eles não. Não havia perigo quando você era apenas uma criança. Mas você cresceu, minha irmã. Fica mais linda e formosa cada dia que passa. Eles te desejam.

– Eu preferia ser feia.

– Você não sabe o que fala – respondeu Bianca rindo e voltando a caminhar – conheço moças que dariam tudo para ter um pouco da sua beleza.

– Ela não me serve para nada.

– Servirá para encontrar um excelente noivo – disse Bianca.

Karina parou de andar novamente. Encarou a irmã, incrédula. Balançou a cabeça e entrou na Vila apressada, deixando Bianca para trás. Aquele era um assunto proibido para Karina.

Ela não iria casar. Ninguém a obrigaria a isso.

Bianca respirou fundo e seguiu para sua casa. A conversa com Karina lhe fez lembrar que seu pai havia dito que precisava conversar com ela com urgência naquela tarde. Ao chegar em casa, encaminhou-se ao escritório do pai.

– Pode entrar — respondeu Gael, ao ouvir as batidas.

– Com licença, papai — respondeu Bianca ao entrar e sentar-se em sua frente — o que precisa conversar comigo?

– É sobre seu casamento, filha — respondeu Gael, vendo o rosto da mais velha iluminar-se — do seu. E também, o de sua irmã.

Notas finais
Vontade de colocar a K num pote! Karina é muito esperta, mas para isso ela é muito inocente. Tenho ideias bem legais para a personagem da Bianca também. Já sacaram qual é a do Arthur né? ahahhhahhahahaha