Notas iniciais
Uma historinha que escrevi na época da Faberry Week. Espero que curtam =)

Honorable Soldiers

Já eram onze horas da noite quando o plantão de Rachel estava chegando perto do fim. Ela estava analisando mais alguns feridos, ajeitando mais algumas camas, trocando bandagens entre outras coisas.

- Já são onze horas Berry, você está fazendo o que ainda aqui?

Essa era Santana Lopez. Uma latina recém-nacionalizada americana que havia se tornado sua companheira de plantões e amiga.

- Eu sei muito bem porque você quer que eu já vá embora Enfermeira Lopez. – Disse Rachel enquanto limpava as mãos com um pano qualquer – Mas não se preocupe você sabe muito bem que soldado Pierce não vai a lugar nenhum.

Rachel então começou a rir enquanto a latina lhe fazia um gesto obsceno.

- Vá para o inferno Berry. – Disse Santana já se dirigindo a ala em que o soldado em questão estava.

- Já estou nele! – Disse Rachel já alguns metros de distancia, tentando não soar alto demais e acordar os pacientes que já dormiam.

Ontem haviam chegado ainda mais soldados abatidos. Não foi particularmente um dia ruim, mas também não foi um dos melhores. Eles quase não tinham leitos para abrigar todos e Rachel tinha certeza que o estoque de sedativos estava em falta. Mas um item na lista de inventários em falta para o Doutor Chang pensou Rachel enquanto se dirigia a ala, mas ao norte do acampamento. Era a ala mais silenciosa já que era onde habitavam os leitos restantes. Não havia muitos pacientes, mas Rachel ainda precisava checar se o soldado Price havia tomado seu remédio e havia repousado como o Doutor recomendara. Infelizmente era a única coisa que o Doutor Chang podia fazer para o pobre soldado. Ele havia perdido as duas pernas e a mão esquerda para uma bomba e só Deus sabe quando suas feridas cicatrizariam e se ele sobreviveria até lá.

Rachel foi até a ala do homem ruivo e o viu dormindo tranquilamente. Pelo menos em sonhos ele merecia um pouco de paz. Ela mal havia fechado as cortinas e dado às costas ao cubículo do soldado quando ouviu uma voz rouca vinda do fim do corredor.

- Olá?

Ela ouviu mais uma vez.

- Ola-ah? Tem alguém ai?

Rachel debateu internamente se deveria ou não ir até o rapaz, afinal, ela estava no fim do turno dela. Mas o dever do trabalho acabou falando mais alto e ela acabou se dirigindo até onde a voz do homem estava vindo.

- Oi, eu sou a enfermeira Berry, qual é o seu pro...

Rachel estava no fim da sentença quando finalmente abriu as cortinas e deu de cara com o homem que estava falando para as sombras no corredor.

Era o homem mais bonito que ela já havia visto na vida.

Apesar da luz fraca e do rapaz estar coberto do peito pra baixo por uma manta, ela ainda podia contemplar os belos braços fortes que o homem possuía. Seu rosto era de formas delicadas que o faziam parecer um menino, mas o seu maxilar e queixo tinham traços fortes o suficiente para se fazer impor respeito. Seus cabelos eram num tom dourado. E seus olhos, sobe aquela luz de velas, eram num amarelo queimado intenso que Rachel sentia que cortava sua alma de uma ponta a outra.

- Enfermeira? – O homem a chamou com um sorrisinho convencido nos lábios.

Ela imediatamente se recompôs e passou a detestar aquele sorriso. Rachel pensava que ele deveria estar se achando o próximo Humphrey Bogart.

- Sim, precisa de alguma coisa? – Rachel perguntou com a voz e rosto, mas monótono que pôde.

- Sim, eu preciso sim. – Disse ele com uma voz autoritária enquanto colocava o livro que descansava em seu peito numa mesinha ao lado.

Ele então disse à coisa que menos ela estava esperando ouvir.

- Essas almofadas estão muito duras, poderia afofa-las pra mim? – Ele disse com um sorriso no rosto como se estivesse pedindo a uma empregada qualquer.

Rachel achou que não ouviu bem.

- Como é?

Rachel exclamou alto, esquecendo-se dos pacientes ao redor.

- Por acaso é surda enfermeira? Quero que afofe minha almofada. – O jovem soldado disse como se estivesse falando com uma criança.

- Não, eu não sou surda. – Rachel disse se aproximando do leito do soldado mais arrogante que ela já viu. – Eu só achei que uma sandice dessas não poderia ter saído de sua boca, mas vi que me enganei.

Rachel cruzou os braços e olhou para o atrevido de queixo empinado.

- A caso acha que sou sua empregada soldado? A caso acha que aqui é algum hotel aonde eu vou lhe servir um café sempre que soar um sininho?

- Eu...

- Está louco?

- Eu...

- Está bêbado?

- Escuta!

- Delirando?

- Para!

- Tomou o resto dos sedativos e agora está drogado?

- Para... eu, só

- Tem problemas mentais?

- Pelo amor de Deus mulher! Cale a boca!

O soldado se exaltou tendo com certeza acordado metade da sua ala. Rachel imediatamente fechou a boca e ficou o olhando espantada.

- E alguém pelo amor de Deus cale a boca desse soldado rabugento!

Uma voz grossa e pesada ressoou a três leitos de distancia.

- Ninguém está falando com você Puckerman.

- Você apenas me acordou do melhor sonho erótico da minha vida Fabray. Agora me atura.

- E se eu for ai atirar no seu outro ombro?

- Só cuidado pra não acertar meu saco com a mira que você tem.

O soldado Fabray deu um sorriso divertido.

- Apenas vá dormir e volte a sonhar com a prostituta gorda e sem dente com quem você dormiu.

- Ora seu...

- Apenas calem a boca os dois e vão dormir. – Rachel disse já impaciente.

- Sim, Senhora Enfermeira.

Os dois falaram ao mesmo tempo e Rachel viu o soldado a sua frente batendo continência com uma cara séria como se ela fosse a general no comando. A situação foi tão inusitada que Rachel acabou esquecendo que estava com raiva e começou a rir. O soldado Fabray ouviu aquilo e achou que aquela era a risada, mas contagiante que já ouviu na vida. Tão contagiante que acabou rindo junto, mesmo não podendo se dar muito a esse luxo em seu estado atual.

Ele imediatamente começou a gemer de dor com o ato. Rachel em um passo já estava ao seu lado o apertando pelos ombros.

- Você está bem? – Rachel disse. A preocupação transbordando dos seus olhos e de sua voz – O que você tem?

- Eu vou ficar bem enfermeira... – Ele finalmente conseguia ler seu nome no crachá – Enfermeira Berry.

Sua voz agora soava mais fraca do que antes.

- Eu só levei um tiro nas costelas. Coisa boba.

- Boba? – Rachel perguntou com incredulidade

- Comparada aos outros. – O soldado disse simplesmente.

Rachel pensou um pouco e acabou concordando.

- É você tem razão.

Eles acabaram ficando em silencio por um tempo. Rachel notou que ainda o apoiava com os braços e que estava com o rosto muito perto daqueles olhos amarelos avassaladores. Perigosamente perto.

- É... então boa noite

Rachel o colocou cuidadosamente de volta a cama e se afastando agradecendo a Deus pela falta necessária de luz para que ele visse seu rosto corado. Antes que Rachel chegasse às cortinas ele a chamou novamente.

- Enfermeira Berry.

- Sim? – Rachel disse virando-se e o olhando nos olhos.

- Eu só estava brincando ok? – Disse o soldado com a face realmente aparentando culpa. – Só estava querendo me distrair um pouco, desculpe.

Rachel apenas respirou fundo.

- Olhe soldado... Qual é mesmo seu nome?

- Fabray – Ele disse com um pequeno sorriso – Quinton Fabray.

- Pois bem soldado Quinton Fabray – Disse Rachel cruzando os braços novamente.

- Acho melhor você escolher melhor suas “brincadeiras”. Aqui não é nenhum playground sabe.

- Sim, sim. Eu sei – Quinton disse com um suspiro – Me perdoe mais uma vez enfermeira... Qual é mesmo seu nome? – Quinton disse dando um sorriso largo.

- Berry. Rachel Berry. E espero não ser recebida com mais uma dessas brincadeirinhas amanhã, soldado Fabray.

Rachel já estava do outro lado das cortinas as segurando com as mãos.

- Então virá aqui amanhã? – Quinton disse sorrindo ainda mais.

- Talvez – Rachel disse dando um sorrisinho misterioso, mas que saiu bastante sedutor para Quinton. – Tenha uma boa noite soldado.

- Tenha uma boa noite também, Enfermeira Berry.

Ela olhou fundo naquela imensidão dourada mais uma vez antes de fechar as cortinas e ir encontrar sua amiga num estado muito avançado de amassos com o outro soldado loiro, o tal de Brett Pierce.

- Hey Quinton.

Puck o chamou depois de um tempo.

- O que é?

- Quando é que você vai dizer a enfermeira gostosa que você não é apenas a porra de um soldado? – Disse Puck num ar de riso.

- Mas respeito com o seu general, soldado.

Quinton falou num tom sério, mas ambos sabiam que fora do campo de guerra era apenas uma brincadeira.

- Sim, senhor! Senhor!

Notas finais
Sobre My Paradise. Gente, eu fiquei sem idéias e a faculdade começou ;/ Mas to voltando a pensar nela e a rabiscar umas coisas. Prometo concluir. Beijos and sorry o/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!