Lá estava Haru na banheira de novo. Ele estava ali há tanto tempo que a água já estava fria. Mas sem problemas, ele sempre preferiu água gelada mesmo.

No andar de baixo, a porta principal se abriu. Provavelmente era Makoto, que tinha a mania irritante de entrar sem avisar e tirá-lo da banheira. Pra que se preocupar tanto?

Alguns segundos se passaram até a porta do banheiro ser aberta, mas, para a surpresa de Haru, não era Makoto que estava do outro lado.

– Tá fazendo o que aqui? — Haru perguntou rispidamente, depois de se recuperar da surpresa.

– Vim te buscar. — respondeu o garoto de cabelo roxo.

– Rin, do que você tá falando? — perguntou Haru, se levantando da banheira.

Rin riu quando percebeu que Haru usava o calção de natação pra tomar banho.

– Sinto a sua falta — Rin disse. — desde que nós fizemos as pazes, não nos encontramos muito.

– Sim, cada um tá ocupado com alguma coisa — respondeu Haru, desinteressado. — mas nós sempre nos vemos nos revezamentos.

– É, mas sempre competindo. Eu quero um momento normal de amigos com você.

– Muita trabalheira. — Haru murmurou, secando o cabelo. — Além disso, eu tenho treino hoje.

– Eu também tenho, mas que se dane. Você vem ou não?

Haru encarou Rin seriamente por alguns segundos e então respondeu, depois de um longo suspiro:

– Tudo bem. O que você quer fazer?

– Isso! — comemorou Rin, com as mãos pra cima. — Pode ir arrumando sua mala então.

O rosto inexpressivo de Haru se transformou em uma carranca desconfiada.

– Arrumar o que?

– A sua mala.

– Acho que eu não entendi. O que você pretende fazer?

– Eu quero viajar com você.

– Viajar? — perguntou Haru, totalmente surpreso. — O que diabos você tá pensando?

– Eu sei que é estranho, mas você precisa confiar em mim.

– Não, eu não vou confiar em você. — Haru disse, saindo do banheiro. — Vou me vestir.

– Tudo bem. — murmurou Rin com a voz carregada de tristeza. — Então a gente se vê por aí.

Haru observou Rin se arrastar pesadamente pelo corredor. Imaginou as consequências que aquela ação poderia causar. Tinha um revezamento daqui a três dias. Quanto tempo duraria essa viagem? Pensou no que Rin disse, que eles quase não se viam mais depois de terem feito as pazes.

"Eu devo estar louco", pensou.

– Rin. — ele murmurou.

Rin parou sem olhar para trás.

– Eu vou.

– Desculpa, não entendi. — Rin brincou.

– Eu disse que eu vou!

E entrou no quarto, sem ver o grande sorriso que iluminava o rosto de Rin. Arrumou algumas roupas em uma mochila e, obviamente, as roupas de natação. Vestiu algumas por cima do calção que usava e desceu para o primeiro andar.

Rin estava sentado no chão do lado da porta, com uma mochila no colo.

– Pronto?

– Sim, mas você vai ter que comprar meu café da manhã.

– Claro. — Rin respondeu sorrindo. — Pode ser cavalinha?

Haru corou quando ouviu isso, mas logo se recompôs.

– É, pode ser. — disfarçou.

No lado de fora, eles entraram em um carro vermelho conversível que Haru não sabia o nome. Não tinha interesse por carros.

– Ei, de onde você tirou esse carro?

– Peguei emprestado com o Seijuro. — ele respondeu, girando a chave no contato. — Mas não foi fácil. Tive que prometer um encontro com a minha irmã.

– Isso é meio machista.

– Eu sei.

O carro começou a andar e Haru pegou seu celular.

– Ei, o que você vai fazer? — perguntou Rin.

– Avisar pro Makoto.

– Não, não. Essa viagem é só entre nós dois.

– E eu vou deixar meus amigos preocupados?

– Você é um homem crescido, não precisa ficar dando satisfações.

– Não me importo. — respondeu Haru, voltando a atenção para o celular.

E então, Rin pegou o celular da mão dele.

– Nade de telefonemas e mensagens. — anunciou.

– Sério? — perguntou Haru com uma expressão carrancuda no rosto.

– Nunca falei tão sério.

Haru resmungou e cruzou os braços, mas não disse mais nada. Olhou para o retrovisor e viu a professora Miho olhando para o carro, confusa. Se o Rin quisesse que a viagem fosse um segredo, ele acabou de estragar tudo.

Não comentou nada, esperando que ela contasse o que viu pra Makoto e o resto. Pelo menos eles saberiam com quem ele estava.

Olhou pra frente e imaginou o que Rin havia planejado para essa viagem. Um sorriso imperceptível se formou em seus lábios. Nunca iria admitir, mas estava adorando aquilo.

Notas finais
E é isso. É pequeno, mas só porque é uma introdução. Se vocês gostarem, eu posto o segundo capítulo, que é um pouco maior. Espero que gostem!