Honeymoon Avenue
1 Introdução
Lá estava Haru na banheira de novo. Ele estava ali há tanto tempo que a água já estava fria. Mas sem problemas, ele sempre preferiu água gelada mesmo.
No andar de baixo, a porta principal se abriu. Provavelmente era Makoto, que tinha a mania irritante de entrar sem avisar e tirá-lo da banheira. Pra que se preocupar tanto?
Alguns segundos se passaram até a porta do banheiro ser aberta, mas, para a surpresa de Haru, não era Makoto que estava do outro lado.
– Tá fazendo o que aqui? — Haru perguntou rispidamente, depois de se recuperar da surpresa.
– Vim te buscar. — respondeu o garoto de cabelo roxo.
– Rin, do que você tá falando? — perguntou Haru, se levantando da banheira.
Rin riu quando percebeu que Haru usava o calção de natação pra tomar banho.
– Sinto a sua falta — Rin disse. — desde que nós fizemos as pazes, não nos encontramos muito.
– Sim, cada um tá ocupado com alguma coisa — respondeu Haru, desinteressado. — mas nós sempre nos vemos nos revezamentos.
– É, mas sempre competindo. Eu quero um momento normal de amigos com você.
– Muita trabalheira. — Haru murmurou, secando o cabelo. — Além disso, eu tenho treino hoje.
– Eu também tenho, mas que se dane. Você vem ou não?
Haru encarou Rin seriamente por alguns segundos e então respondeu, depois de um longo suspiro:
– Tudo bem. O que você quer fazer?
– Isso! — comemorou Rin, com as mãos pra cima. — Pode ir arrumando sua mala então.
O rosto inexpressivo de Haru se transformou em uma carranca desconfiada.
– Arrumar o que?
– A sua mala.
– Acho que eu não entendi. O que você pretende fazer?
– Eu quero viajar com você.
– Viajar? — perguntou Haru, totalmente surpreso. — O que diabos você tá pensando?
– Eu sei que é estranho, mas você precisa confiar em mim.
– Não, eu não vou confiar em você. — Haru disse, saindo do banheiro. — Vou me vestir.
– Tudo bem. — murmurou Rin com a voz carregada de tristeza. — Então a gente se vê por aí.
Haru observou Rin se arrastar pesadamente pelo corredor. Imaginou as consequências que aquela ação poderia causar. Tinha um revezamento daqui a três dias. Quanto tempo duraria essa viagem? Pensou no que Rin disse, que eles quase não se viam mais depois de terem feito as pazes.
"Eu devo estar louco", pensou.
– Rin. — ele murmurou.
Rin parou sem olhar para trás.
– Eu vou.
– Desculpa, não entendi. — Rin brincou.
– Eu disse que eu vou!
E entrou no quarto, sem ver o grande sorriso que iluminava o rosto de Rin. Arrumou algumas roupas em uma mochila e, obviamente, as roupas de natação. Vestiu algumas por cima do calção que usava e desceu para o primeiro andar.
Rin estava sentado no chão do lado da porta, com uma mochila no colo.
– Pronto?
– Sim, mas você vai ter que comprar meu café da manhã.
– Claro. — Rin respondeu sorrindo. — Pode ser cavalinha?
Haru corou quando ouviu isso, mas logo se recompôs.
– É, pode ser. — disfarçou.
No lado de fora, eles entraram em um carro vermelho conversível que Haru não sabia o nome. Não tinha interesse por carros.
– Ei, de onde você tirou esse carro?
– Peguei emprestado com o Seijuro. — ele respondeu, girando a chave no contato. — Mas não foi fácil. Tive que prometer um encontro com a minha irmã.
– Isso é meio machista.
– Eu sei.
O carro começou a andar e Haru pegou seu celular.
– Ei, o que você vai fazer? — perguntou Rin.
– Avisar pro Makoto.
– Não, não. Essa viagem é só entre nós dois.
– E eu vou deixar meus amigos preocupados?
– Você é um homem crescido, não precisa ficar dando satisfações.
– Não me importo. — respondeu Haru, voltando a atenção para o celular.
E então, Rin pegou o celular da mão dele.
– Nade de telefonemas e mensagens. — anunciou.
– Sério? — perguntou Haru com uma expressão carrancuda no rosto.
– Nunca falei tão sério.
Haru resmungou e cruzou os braços, mas não disse mais nada. Olhou para o retrovisor e viu a professora Miho olhando para o carro, confusa. Se o Rin quisesse que a viagem fosse um segredo, ele acabou de estragar tudo.
Não comentou nada, esperando que ela contasse o que viu pra Makoto e o resto. Pelo menos eles saberiam com quem ele estava.
Olhou pra frente e imaginou o que Rin havia planejado para essa viagem. Um sorriso imperceptível se formou em seus lábios. Nunca iria admitir, mas estava adorando aquilo.
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