Honeymoon
2 O que não há preço
No sábado e domingo, Kori era voluntária numa comunidade. Ela não era paga para trabalhar ali, mas gostava de ficar com as crianças e adolescentes. A maioria havia perdido os pais cedo, ou sido exploradas de diversas formas. Por isso, como psicóloga, ela gostava de trabalhar de graça mesmo. Como iria viajar em duas semanas para o casamento de Mariko, ela decidiu passar o final de semana trabalhando.
Na segunda-feira, estava bem cansada, mas levantou cedo para ir ao consultório. Parava para almoçar ao meio dia e meia, e poderia ficar uma hora, mas preferia comer e voltar logo, assim poderia quem sabe sair mais cedo, porque seus pacientes eram orientados a chegarem uns quinze ou vinte minutos antes. E assim, às sete em ponto arrumou sua mesa e dispensou a secretária. Ficou sentada na cadeira branca, girando devagar, dando um impulso com o pé no chão. Ela parou, e abriu a agenda sobre a mesa, pegando o cartão de Byakuya. Mas pensou melhor, e achou que estava tarde para ir às compras. Porque demoraria no mínimo umas três horas para achar algo que realmente gostasse para comprar. Tinha a opção de comprar pela internet, mas parecia tão frio e sem graça. Gostava mesmo de perambular e bater perna até esgotar a sola do sapato, procurando o que queria. Durante os três dias seguidos, a rotina não mudou muito, senão um convite de Mariko na quarta-feira para almoçar. Nesse dia Kori saiu do consultório umas nove da noite, porque tinha que organizar sua agenda com a secretária e algumas pastas com as anotações dos clientes. Quando terminava de por a última pasta no lugar, o telefone tocou. Como a secretária já havia ido embora, Kori deixou o telefone tocar, afinal, já havia passado o horário de consultas. Se fosse pessoal, iriam ligar no celular. Ela saiu, fechando a sala com a chave e foi para casa. Precisava de um bom banho, beber alguma coisa forte e cair na cama. Ouvir os problemas dos outros às vezes era bem cansativo. Mas mesmo assim, não se arrependia da profissão que escolhera. Na quinta-feira de manhã, a ruiva chegou um pouco mais tarde no consultório. Não vira sua agenda daquele dia, porque eram consultas encaixadas de pessoas que faltavam em outras, então Ayame iria dar conta de tudo e organizar quem chegasse primeiro. Mas para a surpresa da psicóloga, a secretária lhe disse que alguém agendara toda a tarde com ela. Achou até que ela havia se confundido mais uma vez, como sempre acontecia, mas não. – Toda a tarde? Quem está tão desesperado assim para precisar de mim uma tarde toda? – Desculpe, Kori-san. Mas ele não deixou o nome, apenas mandou pagar uma tarde inteira. – Ayame-chan, quantas vezes eu já disse que devemos cadastrar todos os pacientes? Algum nome ele deveria ter dado. – Mas Kori-san, ele mandou um rapaz aqui pagar a consulta em dinheiro, e reservou todos os horários. – Tudo bem. Quando esse senhor chegar, me avise. – Kori entrou em sua sala. Pouco tempo depois, Ayame abriu a porta, informando que o paciente havia chegado. – Manda ele entrar. Estava bem difícil para Kuchiki Byakuya conseguir falar com uma simples psicóloga. O que não era normal, visto que ele estava acostumado em ter as pessoas prontas para servi-lo. Pegou-se então esperando alguma ligação. Mas ela não aconteceu. Por isso, de manhã ordenou sua secretária encontrar a psicóloga. E lá estava ele. – Boa tarde, Katsu-san. – O moreno entrou no escritório, tirando as mãos do bolso da calça acinzentada. Ele estava bem vestido, como deveria estar sempre. Com uma camisa azul clara, e o paletó por cima. Os cabelos presos num rabo de cavalo baixo, se nenhum fio fora do lugar. Kori se levantou da cadeira giratória, confusa com o que acontecia. – Kuchiki-san, o que faz aqui? Antes de responder, ele caminhou pela sala, até a mesa da jovem psicóloga. O lugar era bem agradável. A mesa de madeira com tampo de vidro tinha um monitor, o computador logo embaixo da mesa. Agenda, calendário e suporte de canetas e lápis. Um sofá no canto da sala com uma poltrona combinando, cor creme, e uma prateleira de livros pequena. Na parede somente um quadro de bom gosto, colorido e uma planta pendurada próxima a janela, onde Kori estava. – Achei que gostaria de comprar um presente. E como não tinha uma folga, eu resolvi pagar a tarde toda. – Byakuya ficou parado de frente para a mesa, deixando de olhar para a ruiva, que estava com os cabelos presos numa trança folgada, usava óculos de leitura, e vestia uma roupa discreta lilás. – Você tá me pagando para eu sair e fazer compras? – Ela arqueou a sobrancelha, não gostando muito daquela história. Quer dizer, era estranho, porque eles mal se conheciam. E só porque o cara tinha dinheiro, não significa que ele poderia ir ali dar dinheiro a ela. Kori poderia ter visto isso com bons olhos, mas quando se tratava de trabalho e dinheiro, ela era bem séria. – Desculpe se te ofendi, mas não achei que fosse algo errado. – Ele estava completamente desconcertado, porque achou mesmo que era uma boa ideia, comprar um tempo livre com a psicóloga. – Bem, se você pagou uma tarde, então sente e comece a falar. – Kori cruzou as pernas, pegando de dentro de uma gaveta um bloquinho de folhas brancas, sacou um lápis do porta canetas. – Falar? – Ele deu um passo para trás. – O que você acha que se faz num consultório como esse? – A ruiva se levantou, revelando o vestido que vestia, não era assim tão discreto como Byakuya imaginou, era bem curto na verdade.
– Eu não vim me consultar. Era para ir comprar o presente de casamento. – Mas eu não vou sair daqui enquanto não fazer uma consulta. Você pagou por ela, então vai tê-la. – Sentou-se então na poltrona, pedindo para ele se acomodar no sofá. E pelo olhar da mulher, Byakuya não achou que ela diria brincadeirinha, depois. Embora estivesse pensando nisso. – Sente-se, Kuchiki-san. Vamos conversar. – Katsu-san, não é isso que eu quero. – Se não era, então não pagasse todo aquele dinheiro pela consulta. Que aliás, pagou mais do que necessário. Vou te dar um reembolso depois. Ou se quiser desconto nas futuras consultas. Ela só poderia estar de graça. Rindo da cara dele com aquele teatro. Byakuya sentiu-se tentado em sair dali rapidamente, mas não se moveu. – Eu já disse que não queria tê-la ofendido, mas também não quero meu dinheiro de volta. – Esta me achando com cara de casa de caridade? – Ela se levantou, mostrando-se irritada com aquela conversa. Tirou os óculos e foi até sua cadeira, pegando a bolsa pendurada ali. – Eu não sei como você trata as outras mulheres, mas não faça isso de novo. Byakuya franziu o cenho, será que era naquele momento que ela iria falar que estava brincando? Pelo visto, era algo parecido. Porque Kori saiu da sala, com a bolsa pendurada no ombro, dizendo a secretária que voltava no final da consulta. A jovem não entendeu o que estava acontecendo, mas não disse nada. E Byakuya somente acompanhou a psicóloga pelo corredor, até o elevador. Havia uma infinidade de produtos que poderiam comprar e presentear um casal recém-casado. Mas no caso de Mariko e Grimmjow, nem metade daquelas parafernálias que os vendedores dispunham nas prateleiras era realmente do gosto dos dois. Juntando o que Kori sabia de ambos, dava pra se ter uma ideia do que poderia comprar. Já fazia quase duas horas que eles caminhavam em busca do presente, e nada agradava a ruiva. Byakuya não sabia se poderia dar palpite, porque exatamente tudo o que achava de bom gosto, Kori dizia que Mariko não ia gostar. – Olha, que legal isso aqui. – Byakuya entortou um pouco a cabeça, tentando decifrar o que era aquele pinguim gigante, preto e branco com o bico amarelo. – É geladeirazinha portátil. Olha que bonitinho, põe gelo na barriguinha dele, e latinhas de cerveja. – Uma geladeira portátil em forma de pinguim? – Kori confirmou com a cabeça, abrindo um sorriso. Ela realmente gostou. – Você acha que eles vão gostar? – Claro. – Kori pegou a caixa com o tal pinguim, e levou para uma vendedora. – É a cara deles. Digo, a geladeira portátil. O pinguim também. – Ela deu um sorriso exagerado, fechando os olhos. Byakuya não se opôs ao presente. Ela realmente parecia bem animada, pedindo para embrulhar com uma fita vermelha. Ele só fez abrir a carteira para pagar. Mas Kori, tirou o cartão das mãos dele, e colocou no bolso do paletó, próximo ao peito. Dando umas batidinhas de leve por cima. Já que ele havia pagado um valor maior do que o necessário da consulta, não tinha porque pagar nada agora, estavam quites. Saíram da loja, com o embrulho bem decorado e chamativo. Foram direto para o estacionamento, deixar o presente lá, para assim poderem beber um suco ou qualquer coisa, como combinaram quando ela assinava a compra com o cartão de crédito. Kori abriu a porta de trás de seu carrinho compacto. Ela adorava aquele carro, mesmo ele sendo pequeno, e nem tão veloz assim. Mas não precisava de velocidade na cidade. E era econômico, e cabia no bolso dela. Byakuya até havia insistido neles irem com seu carro, mas a psicóloga foi irredutível. Bem estranho, porque as mulheres adoravam sair no carro dele. Não que o Kuchiki fosse um homem de várias mulheres, mas em dois anos ele tentou namorar algumas vezes, e muitas delas não deram certo. Ou melhor, nenhuma tentativa deu certo. Em vez do suco, Kori preferiu um refrigerante, com batata frita e um hambúrguer gigante numa rede de fast food. Byakuya estava bem deslocado no meio daquelas pessoas vestidas de modo diferente, com cabelos estranhos, mas Kori adorava, até tirava fotos com seu celular das meninas que mais pareciam bonecas de porcelana. Entre uma batata e outra, Byakuya acabou sujando o paletó de catchup. – Aqui perto tem uma lavanderia, podemos ir lá limpar. – Antes de saírem da lanchonete, Kori ainda parou para pegar um sorvete de máquina. – Me dá dois de baunilha. Ela entregou um dos cones para o moreno, que ficou um pouco desajeitado ao comer aquilo. A ruiva riu, mostrando para ele como era. – Eu não como isso há mais de quinze anos. – Lambeu a ponta do sorvete, sentindo o gostinho gelado. – Eu te ajudo. – Kori sorriu, pegando um guardanapo de papel e limpando o cantinho da boca do moreno. – Você não toma sorvete de máquina, então? Que coisa estranha, é o melhor sorvete do mundo. – Na verdade não, o melhor sorvete do mundo é... – Kuchiki-san, não me leve a mal, mas não quero saber. O melhor sorvete do mundo é esse, e pronto. Ele estreitou os olhos, sendo convencido de que nada mudaria os pensamentos dela. E estava certo. Kori não se intimidava com aquela aura de poder que Byakuya emanava, parecia esmagar as outras pessoas com seu brilho próprio, mas talvez fosse exatamente isso que fazia a psicóloga acreditava que talvez ele precisasse ser tratado com mais naturalidade do que com a banca toda que muitos o tratavam. A lavanderia era do outro lado da avenida movimentada. Muitas pessoas passavam e os dois concentravam suas atenções nos sorvetes que começava a derreter mais rápido pelo calor que fazia. Quando chegou ao destino, já haviam terminado o sorvete. Kuchiki não queria comer o cone, ele nunca gostou daquela parte, mas não jogou fora, porque a ruiva tomou de sua mão, comendo. Eles esperaram meia hora apenas, o atendimento foi rápido, porque Kori conhecia a dona do lugar. Aliás, ela conhecia muitas pessoas. Nas lojas que foram, na lanchonete, os jovens vestidos como personagens e as tais bonecas. Finalmente voltaram ao carro. Chegaram ao consultório já era um pouco mais de seis horas. Ayame estava desesperada porque não conseguia falar com a doutora, e precisava ir embora para cuidar de assuntos particulares. Kori era sempre a última a sair do consultório, porque ela trabalhava somente ali, enquanto os outros tinham seus próprios locais de trabalho, e dividiam seu tempo entre os dois lugares. – Ayame-chan, pode ir embora. Amanhã eu prometo que não vou te segurar até mais tarde. Ela deu um sorriso simpático, até a secretária ir embora. Convidou Byakuya para um último cafezinho antes de ir embora. Foi até a cozinha, e trouxe dois copinhos descartáveis com o líquido, como lembrou que ele não bebia adoçado, trouxe puro. – Katsu-san, você sempre trabalha até tarde? – Perguntou, sentando-se no sofá creme da sala dela. Ele também costumava trabalhar até tarde, mas isso porque não tinha muitas outras tarefas para fazer. Amigos para visitar, e mesmo que pudesse viajar e deixar os negócios nas mãos de alguém de confiança, não o fazia porque... Porque sozinho não era tão agradável. E estava fora de questão procurar alguém que fizesse isso ao lado dele. Pelo menos foi o que aprendeu com aquelas tentativas frustradas de namoro. As mulheres estavam mesmo mais interessadas em seu dinheiro do que nele próprio, e se sentia terrível com a sensação de dormir com alguém, sabendo que ela não estava ali de corpo e alma. Então, não queria mais sentir aquilo. Iria trair seu orgulho e sentimentos. – Primeiro... – Ela saiu da poltrona, e se sentou no sofá ao lado de Byakuya. Era estranho ficar ali, quando não estava em consulta. – Não me chame assim, Kori já é o suficiente para mim. – Mas eu não me sinto bem. – Disse sincero, olhando para os olhos que pareciam se fechar sozinhos quando sorria. Ela sempre sorria. Não acreditava que alguém poderia ser assim sempre, sem forçar algo. – Você me chama de Kuchiki, e eu não reclamo. – Isso é diferente. Eu te chamo assim por respeito. Você é mais velho. – Era uma brincadeira, mas Kori sabia que ele não iria sorrir com a piadinha. Ao contrário disso. Viu o homem torcer o rosto, mesmo que fosse de leve. Como era psicóloga, sabia estudar as reações das pessoas, era seu trabalho. E Byakuya não poderia se esquecer disso. – Não sou tão mais velho que você. – Defendeu-se, mostrando-se calmo, mas por dentro um pouco incomodado pela brincadeira. Isso era evidente em seu rosto também. Kori percebeu que quando fazia uma gracinha com ele, os olhos sempre piscavam mais rápido e uma ruga pequena se formava na testa. Ela riu, agradecendo por ter estudado psicologia, pois senão, jamais iria conseguir decifrar um ponto sequer daquele homem. Mesmo que ainda não soubesse muita coisa dele.
– O senhor não é velho. Só que às vezes parece ter oitenta anos fazendo essa cara. Olha lá os olhos piscando e dessa vez foram umas três veias saltando, formando uma ruga imensa. – Não me chame de senhor. – Então me chame de Kori. – Certo. Ela venceu uma, já estava de bom tamanho. Byakuya viu a hora em seu relógio de pulso, e se levantou, já era hora de ir. Agradeceu pelo café, e antes de sair, Kori o mandou esperar. – Ainda falta assinar o cartão que comprei. – Ela deu um pulo procurando na bolsa o cartãozinho que comprara na loja junto com o pinguim. – O que podemos escrever? O moreno não vira aquele cartão antes, mas ficou pensando um segundo, até bolar uma mensagem educada que transmitisse ao casal o que era um casamento de verdade, e que se eles vivessem com respeito, iriam ter anos e anos de felicidade e... – Pronto, escrevi. – Byakuya fez um muxoxo, que até desalinhou sua postura ereta. Como ela pedia ajuda em algo e nem parava pra ouvir o que ele tinha a dizer? E depois de ler, ficou ainda mais intrigado com aquela mulher. – Semana que vem vou entrar de férias, e comprar malas com a Mariko, podemos dar o presente. O que acha? – Pode ser. Me avise, sim? Kori aproveitou que ele ia embora, e fechou tudo para ir pra casa também. No elevador, Byakuya ainda perguntou se ela iria aproveitar a viagem de casamento para poder passar férias lá. Mas Kori explicou que só estava indo mesmo pelo casamento. E que Mariko fez questão de levá-la. – Boa noite, Byakuya-san. – Kori lhe sorriu, e entrou no carro, indo embora primeiro após ouvi-lo falar boa noite também. Já era terça-feira, e faltavam dois dias para a viagem. Kori já estava de férias, e como combinado, foi com Mariko comprar malas. Ela só comprou uma, grande, dava para levar tudo o que queria. Mariko já comprou o jogo inteiro de malas e uma bolsa que adorou. Elas almoçaram juntas e no final da tarde foram para o apartamento da loira. Como o carro de Kori não dava pra levar todas as compras delas, Mariko então ligou para Grimmjow ir buscá-las. O que foi bom, porque Kori pode ligar para Byakuya e assim, combinarem de se encontrarem lá, para dar o presente ao casal. Ela disse à amiga que iria pra casa, e a noite poderiam pedir uma pizza, porque a loira não tava a fim de fazer o jantar e pizza combinava mais com a noite de quarta-feira. Dessa vez, Byakuya foi de táxi, o carro dele ficara na oficina mecânica para uma revisão. Kori o viu descer do táxi, e prontamente o moreno se habilitou a carregar o embrulho grande e um pouco pesado. Afinal, ele era mesmo o gentleman que ela imaginara ser logo que o conheceu. Grimmjow estava assistindo a um jogo de futebol europeu e bebendo cerveja, no sofá da sala quando Mariko abriu a porta para Kori e Byakuya entrarem. Ela tinha acabado de fazer pipoca, então o lugar tava com aquele cheirinho típico no ar. Foi até surpresa a chegada de Byakuya, porque ele não era bem o tipo de pessoa que ia visitar as pessoas, Grimmjow sabia disso. Já Kori, ele estava acostumado, porque a mulher dele não ficava sem a amiga e vice-versa. Mas tinha um motivo a presença dele, e era a ruiva. – Viemos trazer o presente de casamento. – Kori mandou Byakuya entregar o presente, e ele o fez. Mariko pegou, animada, perguntando o que era. – Abre logo pra ver. – Olha, o cartãozinho. – Mariko leu em voz alta o cartão escrito por Kori. – Leve a cerveja gelada pro quarto também. – Ela riu, vendo a assinatura de Byakuya junto à de Kori no rodapé do cartão. – Amei. Os homens ficaram na sala mesmo. Grimmjow não ia largar seu jogo por nada, e Byakuya acabou por acompanhá-lo, mesmo não entendendo nada de futebol. Kori e Mariko foram pra cozinha pedir as pizzas e conversar. Mesmo que tivessem passado a tarde toda falando, ainda tinham assunto. Principalmente agora que a loira sabia que Byakuya pagou, literalmente, para a amiga sair com ele. Kori até tentou explicar que foram apenas comprar o presente e comer hambúrguer. Mas Mariko não se importava com esses detalhes. – Quem sabe ele não decide ficar mais tempo lá com a gente? – Eu queria falar isso com você. Não vou poder ficar muito tempo. – Kori serviu mais cerveja no copo de Mariko e no dela. – Alguns clientes meus disseram que pagariam o dobro para eu os atenderem nas minhas férias. – Você só trabalha, precisa de férias, nunca tirou uma desde que saiu da faculdade. – Mariko a repreendeu. E era a verdade. – Não quero saber, você vai ficar lá nem que seja um pouco. – Um pouco eu posso. – Elas voltaram para a sala. Mão demorou para a pizza chegar. Eram clientes bem conhecidos que pediam sempre as mesmas pizzas, e também conheciam Grimmjow. Da última vez que a pizza demorou, ele foi lá tirar satisfações. E ninguém queria que isso acontecesse novamente. – Eu esqueci de falar. – Mariko cortou um pedaço a pizza, enrolando o queijo no garfo até o prato dela. – O gerente do hotel me ligou hoje, dizendo que as vagas estão bem concorridas, e como nós só chegaremos lá na sexta-feira, podemos perder a nossa reserva. – O quê? – Grimmjow perguntou bravo, primeiro porque Mariko se esquecia de dizer algo para ele, e ele não poderia reclamar, mas se fosse o contrário, ela reclamava o dia todo. – Eu paguei muito caro pra ele reservar a porcaria dos quartos. – Eu sei, o que você quer que eu faça? Que ameace ele pelo telefone? – Mariko apontou a faca para o noivo. Do outro lado da mesa, Kori comia tranquilamente seu pedaço, e Byakuya nem sequer conseguia pensar em mais nada. – Quer que eu vá lá e me ofereça como garantia? Se quiser eu vou! – Eu não falei isso. Mas se quiser ir, então não volte. – A discussão não teria fim. – Mariko, eles pediram mais dinheiro? – Kori perguntou, servindo-se de refrigerante. Ela era um pouco viciada nessas coisas doces e calóricas. – Na verdade, disse que deveríamos ir na quinta-feira, assim poderia garantir a reserva. – Mas que merda de hotel é esse que você escolheu? Byakuya pigarreou, porque na verdade ele que havia dado a dica do hotel. – Sinto muito, eu não disse que nessa época do ano havia festividades na ilha, por isso muitas pessoas escolhem ir pra lá. Daí os hotéis ficam lotados, e eles têm medo de perder clientes que reservam, já que têm pessoas lá pagando em dinheiro. – Dá próxima vez avisa essas coisas, Byakuya. – Grimmjow bebeu um longo gole da cerveja. – Não dá pra ir amanhã. Tenho que resolver uma venda, ninguém mais vai conseguir fechar negócio com aqueles alemães chatos, senão eu. Nem ele consegue. – Apontou para o moreno, que não disse nada, porque era verdade. Grimmjow tinha pulso firme na hora de fechar negócio, e com alguns clientes era necessário mesmo alguém como ele representando a empresa. – Então eu vou. – Mariko se prontificou, levantando a mão. – Nem pensar. – Grimmjow balançou a cabeça, negando. – Você não vai sozinha. – Eu vou com ela então. – Kori se animou com a ideia. – Nunca! Vocês duas sozinhas só me dão dor de cabeça. – Ele bateu a mão na mesa, fazendo-a chacoalhar. – Esquece a ilha e vamos casar aqui mesmo, te levo num templo e acabou. – Idiota, eles não devolvem o dinheiro. Eu vou com a Kori amanhã, e pronto! – Pff – Se não dava pra devolver o dinheiro, então tinha que ser assim mesmo. – Certo! Vocês vão, mas se fizerem qualquer merda, eu mato as duas. – Oba! As roupas já estão separadas, é só por na mala. Então amanha cedo vamos à agência mudar a data das nossas passagens. E na sexta-feira vocês dois vão. – Mariko ficou mais aliviada, porque queria mesmo fazer essa viagem, seria perfeito. – Já que vamos primeiro, dá pra fazer uma festinha de despedida de solteiro. – Kori piscou, ouvindo as reclamações de Grimmjow. – Francamente, eu caso com uma e tenho que cuidar de duas. – Ele massageou as têmporas. – Não reclama, a Kori é minha irmã. – É, mas se eu soubesse que tava levando duas malucas a preço de uma ia pensar melhor. – Então não casa comigo, seu ogro. – Mariko! Deixa ele. – Finalmente Byakuya achou que Kori iria dizer algo que fizesse os dois pensar naquela discussão absurda. – Vai ver só, vamos fazer uma farra no quarto do hotel. – Byakuya! Se você me vir jogando dois corpos no mar, finge que não me conhece. Mariko e Kori saíram da mesa para arrumar a cozinha enquanto planejavam o que fariam naquela ilha por um dia, sozinhas. Era mesmo a despedida de solteiro. – Ele não pareceu brincar.
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