Homicídio na Matriz
2 Salva por um vestido turquesa de strass
Notas iniciais
Fomos até à delegacia. Os pais do Matheus reconheceram o corpo e todos pediram pra que esperássemos, haveríamos de ser interrogados. Primeiro foram os pais do Matheus, o tio e o primo da Luana,— talvez achassem que eles saberiam ou pelo menos teriam pistas do paradeiro dela— e logo depois, eu.
Entrei numa sala pequena com uma parede de vidro, havia um policial, creio ter visto ele na porta de casa quando cheguei.
—Marianna,—disse ele— eu sou o sargento Carvalho.—levantei meus olhos pesados e chorosos para vê-lo. Ele tinha um semblante de brincalhão, exceto pelo olhar acinzentado desafiador e intimidador— Conhecia o Matheus, sim?
—Era meu melhor amigo—respondi coma voz fraca.
—Sabe me dizer o que ele estava fazendo na Matriz hoje?
Pensei, pensei e pensei. Eu realmente não sabia nem onde ele tinha ido, muito menos o que foi fazer na Matriz, que estranho. Nós sempre sabemos onde o outro está. Pensei mais um pouco e me dei conta que também não fazia ideia do paradeiro da Lua. Isso é realmente muito estranho. Hesitei durante um tempo antes de responder:
—Não, senhor.
—Vocês não eram melhores amigos? Tem certeza de que não sabe?
—Não, eu não tenho—Ele não parecia acreditar, mas idaí? Eu não estava mentindo.
Ele deu um tempo, olhou pra cara de dois outros policiais lá fora, fez um gesto dizendo pra caírem fora.
—Conhecia a Luana, certo?— meneei a cabeça positivamente e ele continuou— Por que ela matou o Matheus?
Adrenalina. Ou sei lá como chamam isso. Meu sangue correu quente nas veias, levantei, empurrando a cadeira.
—Já chega!— Saí da sala o mais rápido que pude, ele veio atrás de mim. Comecei a correr, ele saiu do meu ponto de vista. Fui indo pra perto minha escola, alguns caras buzinavam e falavam besteiras pra mim, eu ainda estava com meu vestido de festa turquesa com strass e uma sapatilha do mesmo tom.
Não pode ter sido a Luana, ela jamais faria isso. Mas onde essa vaca está? Sumir desse jeito só vai piorar as coisas.
Vitor.
Ah, meu Deus. Ela deve estar com o Vitor, aquele filho da puta. Uma hora ou outra ele ia causar problemas, eu sabia. Liguei pra ele, não atendeu. Desliguei o celular, alguém me jogou contra a parede, me apertou e colocou um facão contra meu pescoço e tentou pegar meu celular. Na mesma hora, ouvi uma buzina super alta na minha frente, o ladrão saiu correndo, não levou meu celular. O motorista do carro abriu a janela do passageiro. Ou melhor dizendo a motorista.
—Ei, acho que não é hora de princesa estar fora do castelo!—brincou ela— Entra aqui, madrugadas de sextas feiras são as mais perigosas.
—Não, obrigada— Em que universo acontece de você está prestes a ser assaltada e alguém buzina e o assaltante sai correndo e ainda esse alguém te oferece carona? Estranho isso aí. Muito estranho!
—Relaxa, guria! Não vou fazer nada, eu juro.—Ah, claro, vou acreditar em juramentos de uma completa estranha! HÁ-HÁ. Dei uns cinco passo, ela continuou acompanhando ao meu lado. Vi uns caras no fim da rua, com certeza não eram do melhor tipo, as roupas , o jeito que eles andavam na minha direção rapidamente, as armas.
Espera...
O quê? Eles estão vindo com armas pra perto de mim?
Entrei no carro o mais rápido que pude, ela pisou fundo no acelerador.
—Obrigada!—Eu disse, arfando.
—Agradeça ao seu vestido, dava pra ver esses strass até da esquina, querida.— Ela riu— E então, mora onde?
—Por que quer saber?
—Não vai querer ir andando até lá, né?
1 nova mensagem no Tigertext às 02:54
Número Confidencial
Uma pena você ter usado esse vestido tão chamativo, eu tinha uns caras te esperando por aí. Mas relaxa, tem mais de onde esses vieram.
Isso já estava começando a me dar medo. 10s. A mensagem se apagou.
—Claro que não, respondi. Rua Manoel Correa. —A garota, que não parecia ser muito mais velha do que eu, talvez pela maquiagem bem feita e pelas roupas atuais, olhava atentamente pras ruas.
—Então, Marianna, como...
—Como você sabe meu nome?— Arregalei os olhos, espantada. Será que a pessoa dos sms estava se referindo à ela como aliada, ou sei lá como ela quer chamar isso?
—Me desculpe,—ela riu— Detetive Santos. Mas você pode me chamar de Silvia.
—Ah, sabia que não era uma coincidência você ter aparecido. Alguém da delegacia mandou você me buscar, né? Você deve tá cuidando do caso.
—O quê? Não! Mas bem que eu queria.
Não sei se ela estava falando sério, estou confusa, perdida.
—Por quê?
—Talvez eu saiba algo sobre o que aconteceu com o Matheus.
Olhei pra ela, boquiaberta. Ela deu um sorriso de canto, misterioso, arqueou uma sobrancelha e acelerou mais um pouco, se é que era possível.
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