Homens e Deuses

3 Capítulo III: Decisão


Notas iniciais
Olá galera, estou postando hoje, o terceiro capítulo de Homens e Deuses, nele Heathcliff vai atrás de um velho amigo que disse que tem "novidades" para ele. Além disso, Heathcliff vai recever um sinal que vai deixar claro a existência de Deuses e de que ele é o "Escolhido"

No caminho do Ferreiro, Heathcliff não pode deixar de pensar no que Luana havia lhe falado poucos minutos atrás:
– a que tudo indica, essa é realmente uma mensagem dos deuses.
– Não que eu esteja duvidando, mas por que eu?
– "por que eu?" — perguntou Luana com voz de sarcasmo — Você é o lendário cavaleiro invencível, você nem tem cicatrizes de batalha e sua espada é a lendária Decapitator, para falar a verdade a real pergunta é "por que você ainda não se tornou um rei?”.
– Tudo bem — disse ele rapidamente — mas o que ela diz?
– Eu acho que é meio óbvio, se você realmente prestar atenção.
– Vá direto ao ponto — respondeu ele
– O primeiro e o segundo tem uma ligação direta, eles mostram os deuses te escolhendo.
– Bom, mas e o terceiro?
– Você ouviu falar de um velho, que se intitula de "Mago Negro"? — perguntou ela, mudando de assunto.
O Mago Negro era um homem que dizia que os deuses eram apenas uma farsa, que seus templos eram apenas amontoados de pedra, com isso ele ganhou um pouco de fama, e algumas pessoas viraram descrentes.
– sim, mas achei que não era algo com que "seres divinos" se preocupariam.
– você realmente não tem noção não é? Como os deuses vivem?
Ao ouvir isso o lendário cavaleiro congelou. Agora tudo fazia sentido, os Deuses viviam, ou melhor, sobreviviam, com a quantidade de devotos que o mesmo tinha, se o numero aumentasse, os deuses seriam prósperos e "durariam" mais, se o numero diminuísse, eles envelheciam e aos poucos iam morrendo. Luana assentiu como se estivesse lendo os pensamentos de Heathcliff.
Ao voltar para a realidade, Heathcliff estava na porta do velho homem, já eram cerca de 14 horas, o sol estava bem em cima de sua cabeça agora, e apesar disso, não estava calor, aquela era a melhor época do ano, a transição do outono para o inverno, as folhas já haviam caído, as arvores estavam totalmente peladas, e mesmo assim, elas não perdiam a beleza, o vento frio batia no rosto de Heathcliff.
Ele ouviu um barulho atrás da porta, e um homem corcunda e baixinho abriu a porta. Prometheus teria uma careca quase completa, se os poucos fios de cabelo não lhe cercassem a cabeça, deixando apenas a parte do meio lisa, ele usava um monóculo, algo que ele usava para inspecionar as coisas que lhe traziam, ele estendeu suas mãos grossas sujas de carvão, e o cavaleiro lhe cumprimentou. O velho pediu para que o cavaleiro entrasse, e era a primeira vez que ele entrava na casa de Prometheus, mas quase não havia diferença entre sua casa, e sua loja de armas, espadas e escudos pendurados na parede, junto com algumas cabeças de animais entalhados. Prometheus pediu para que Heathcliff o acompanhasse, enquanto eles iam em direção a um corredor, ele não pode deixar de notar como os olhos dos animais o seguia, o corredor era feito de pedras, era um corredor largo e escuro, no qual não se dava para ver o fim. Era mal iluminado, e havia apenas algumas tochas fracas na longa extensão do corredor, ele parecia interminável, a má iluminação dava um aspecto sombrio a ele, e as tochas alimentadas pelo óleo faziam as sombras ganharem vida. O bravo guerreiro mal podia esperar para sair daquele ambiente sufocante.
Ao chegarem ao fim do corredor, uma grossa porta os separava da próxima sala, mas parecia que ela era fechada por dentro. Prometheus bateu em dois tijolos e a porta se moveu milimetricamente, Heathcliff ajudou o velho a abrir a porta pesada e ambos entraram.
Ao entrarem, o mesmo frio do inverno de poucos minutos atrás saudou o cavaleiro, a sala era completamente diferente de tudo o que ele já havia visto as três paredes eram brancas, a mobília era de luxo, no centro da sala havia uma mesa transparente, e seus pés eram feitos de ouro, as cadeiras seguiam o mesmo estilo, na parede direita estava uma cama de casal, com lençóis brancos, e travesseiros pretos, com detalhes dourados, no piso as lajotas brancas com detalhes pretos na ponta davam a impressão do quarto ser maior, mas a sua frente estava o mais impressionante detalhe, a parede a sua frente era totalmente transparente, dava para se ver com perfeição todos os detalhes lá de fora, uma pequena ponte sobre um lago, algumas arvores, as casas ao fundo, porém o estranho é que as pessoas passavam como se fosse apenas mais uma parede comum. Na parede esquerda não havia nada. Apenas a coisa mais bonita que Heathcliff já havia visto. Prometheus quebrou o silencio, e finalmente disse:
– Sim, foi por isso que eu te chamei aqui hoje.
O velho explicou como aquilo havia chegado ali, e por mais simples que a história fosse Heathcliff ainda não acreditava.
– Três dias atrás, eu me acordei, e fui olhar o lago. Porém esse dia, ele estava diferente, em sua margem, havia alguma coisa dourada e reluzente. Eu fui até lá correndo, e trouxe aqui pra casa, só que isso é muito pesado, nenhum guerreiro conseguiria equilibra-lo.
– Então você decidiu me chamar, para ver se eu conseguia, por eu ser o lendário blá-blá-blá guerreiro? — disse o guerreiro com voz de deboche
– Isso mesmo, mas o mais impressionante, é que anteontem. Eu tentei derreter o material dele, para ver se eu conseguia reaproveitar em alguma coisa, porém, ele é indestrutível.
Ao falar isso, as palavras ecoaram no ouvido do bravo guerreiro que estava na frente de Prometheus, e após um breve silêncio ele falou:
– Vamos logo com isso — Ao falar isso, Prometheus abriu o compartimento de vidro e de lá tirou o mais belo Escudo que Heathcliff já vira. Sua borda era feita de bronze, e seu interior era feito com um material extremamente difícil de achar, a Platina, No centro havia uma estrela de quatro pontas que identificavam as quatro direções.
– Como você percebeu alguém teve a brilhante ideia de misturar bronze e platina, logicamente não deu certo, o resultado foi esse um escudo pesado e inútil. — disse o velho que era especialista no assunto
– Não sei se você percebeu — falou Heathcliff — mas... Parece que alguém já o usou.
Ambos ficaram em silêncio por um tempo, e finalmente Heathcliff retirou o escudo do suporte de madeira. Porém, diferente da descrição do velho, o Escudo era extremamente leve, como se ele não estivesse segurando nada. Ao virar o escudo, percebeu que havia um misterioso desenho conhecido. O desenho mostrava três homens, o mesmo que ele vira em seus sonhos.
– Ele... Não é possível... Não... É pesado, é como se eu estivesse... Segurando um pedaço de papel — Falou Heathcliff com dificuldade para formar as palavras.
– Não, eu mesmo o trouxe para cá, ele pesa cerca de trinta quilos. — disse Prometheus confuso
– Quanto você quer nele?
– Nada, pode ficar, entenda como um presente de um velho amigo.
– Não posso ac... — Quando ia terminar a frase, Prometheus interrompeu e disse mais alto.
– Claro que pode! E mais uma coisa: Se você for usar isso em batalha, você vai precisar disto. — Nesse instante, Prometheus abriu um baú velho, e retirou de lá um pedaço de pano. — Vista isso por debaixo da armadura, com o pedaço de ferro virado para as costas. — explicou ele. Após isso, eles conversaram mais um pouco, e quando o bravo cavaleiro ia em direção à grossa porta, Prometheus o chamou e disse:
– Por aqui — ele apontou para a parede transparente — vamos testar uma coisa que eu estou desenvolvendo há anos.
Ambos caminharam, Heathcliff um pouco cauteloso, e ao chegar lá o velho se despediu dele:
– Foi bom te ver mais uma vez, filho, vê se não some por aí de novo.
– Pode deixar, e sempre que tiver mais presentes como esse, pode me chamar — Ambos riram — Você... Tem certeza que isso é seguro?
– O quê? Ahh isso? Você só vai saber se atravessar, só tome cuidado para ninguém te ver, não quero ninguém batendo na minha porta depois.
Heathcliff se despediu mais uma vez, e caminhou em direção à porta, quando atravessou, sentiu como se algo gelado estivesse passando por seu corpo, ao sentir a grama verde em seus pés, virou se para trás e viu apenas uma parede de tijolos. Ele acenou naquela direção, sabendo que o velho veria, e partiu na direção de casa, o Sol já estava caminhando para o Oeste, rumo ao seu descanso, deveria ser umas 17 horas, Heathcliff não pode deixar de pensar o como o tempo passa rápido.
Ao chegar em casa, foi surpreendido por Luana falando:
– Eu sabia que você ia trazer mais alguma coisa para cá, já basta todas as outras facas, clavas, massas, espadas e outros objetos cortantes, agora um escudo?
– Mas esse é diferente — disse ele rapidamente
– Você sempre diz isso, aliás, eu descobri mais uma coisa sobre aquele pergaminho — Heathcliff assentiu e disse.
– Eu também!
Ao anoitecer, ambos sentaram-se à mesa, para falar sobre as descobertas que envolviam o misterioso pergaminho. Luana foi a primeira e contou que no pergaminho havia pequenos traços pretos, quase transparentes, e que ao dobrá-los, o pergaminho mostrava uma espécie de mapa, ele mostrava todos os vilarejos e locais do mundo num raio de aproximadamente 10 km. Um item mágico.
– Ele deve avisar quando você chegar ao seu destino, além disso, as inscrições ficam mais fortes quando você movimenta o mapa na direção do caminho certo. — Disse Luana concluindo
– Acho que minhas novidades são tão boas quanto... — após falar isso, Heathcliff contou tudo o que havia descoberto o misterioso escudo e o desenho semelhante.
– Você precisa de mais algo para crer que você foi "convocado"?

– Não — disse ele — eu parto amanhã cedo...

Notas finais
Espero que gostem, e visite o nosso blog: Ágora dos Contos -> http://zip.net/bmnYxt