Notas iniciais
Espero que gostem!

PRÓLOGO

A maioria das mulheres solteiras sonha com o casamento. Algumas sonham desde criança, enquanto ouviam histórias antes de dormir sobre reis e rainhas, vivendo felizes para sempre em seus castelos, tendo passado por bruxas, madrastas, maçãs envenenadas e até dragões. Mas é claro que isso tudo não existe nesse mundo. Aqui, elas sonham com um vestido perfeito, com uma festa de casamento perfeita, com a perspectiva de um, talvez, “felizes para sempre” ao lado do companheiro.

Mas e o homem? Ele que tem que pedir a mulher em casamento, mas por que ele faria isso? Na maioria dos casos, quando não é com objetivo de conseguir autorização para ficar legalmente no país, é amor.

Pelo menos era amor para Jack Roberts – era.

Ele dedicou dois anos inteiros de sua vida à sua amada mulher, Terri; enquanto ela desperdiçou dois anos de sua vida com ele. Enquanto para ele, ela era o amor da vida dele, para ela, ele era alguém que tinha que se livrar – e ela o fez (no dia do casamento dele, mas o fez – e fez bem feito). Ele era corno? Ela estava infeliz ou só de TPM no dia? Ela o odiava mortalmente porque ele deixava os pelos no sabonete depois de tomar banho? Um pouco de tudo, mais de um do que de outros, mas resumindo é isso. Mas por quê?

Tudo começou em junho de 2012. Férias, para ambos os nova iorquinos – Jack e Terri. E, por pura ironia do destino, os dois foram para Miami, na Flórida. Às vezes o destino é um filho duma puta mesmo, mas Jack discordou disso quando viu que aquela morena bonita da praia estava hospedada no mesmo hotel que ele. Devo eu tentar algo com ela?, perguntou a si mesmo. Que pergunta besta, pensou, lógico que sim. E assim ele foi tentando algo com ela. A primeira interação com ela foi no elevador, onde ele perguntou se ela achava que ir chover. Estava um calor de mais de quarenta graus e não tinha uma nuvem no céu, mas ele só foi lembrar-se desse detalhe meio milésimo de segundo depois que perguntou a ela do tempo.

‒ Não ‒ ela riu ‒, está mais de quarenta graus lá fora e não tem uma nuvem no céu ‒ e riu de novo. ‒ O que você acha?

‒ Acho que não também ‒ e deu um riso falso, para não ficar sem graça. Pelo menos você fez ela rir, disse uma voz na cabeça dele. Foi um desastre. E ele se sentiu envergonhado no resto da viagem no elevador.

Pelo menos até três segundos depois, quando ela saiu, ele não se despediu, mas como Cinderella deixou cair o sapato no baile, ela deixou cair o celular o celular da bolsa. Ele percebeu, mas não avisou – podia ser uma chance de falar de novo com ela no dia seguinte, mas dessa vez sem ser idiota. Claro que ele pensou na possibilidade desse ser o ultimo dia dela no hotel, e que ela podia acabar indo embora sem o celular, mas preferiu arriscar. Era uma segunda chance do destino – esse filho da puta.

E funcionou – bem até demais na verdade. No dia seguinte, ele a viu no saguão do hotel, indo tomar café. Rapidamente, foi devolver o celular e aproveitou a chance devidamente, chamando-a pra sair, tomar um drink. E ela disse sim. Ela queria mesmo sair com o cara que chamou de “homem do tempo”. Homem do tempo. Ele podia viver sendo chamado assim por ela. E viveu – por dois anos.

Depois do drink, vieram outros encontros, até que começou a ficar sério. Até que ficou sério. Num piscar de olho, Jack estava namorando apaixonado. E, em sete meses, sua paixão estava se mudando para a casa dele. Ele conheceu os pais dela, o Sr e a Sra Levy, e ela, os dele, o Sr e a Sra Roberts – separadamente, pois eles eram divorciados desde que Jack tinha nove anos.

Depois de um ano e nove meses juntos, ele queria levar o relacionamento a algo mais sério, mas o que poderia ser mais sério do que já era o relacionamento deles? Jackpot! Um casamento.

Mas será que era uma boa idéia? Claro, disse uma voz em sua cabeça. Claro que não!, disse outra. Você nunca ouviu o que seu pai disse sobre casamentos? Hoje, Jack afirmaria que a voz a favor da união era o coração, enquanto a contra, o cérebro.

Considerando que Jack tinha nove anos na época, era aceitável que ele engolisse besteiras de seu pai alcoolizado como “casamento rima com jumento, tormento, perturbamento”. Depois ele descobriu que era besteira, porque casamento rimava com outras coisas, como cimento, engarrafamento, etc – e também mal sabia se a palavra “perturbamento” existia. Hoje, ele sabia que essa citação era resultado de uma equação que envolvia cerveja e divórcio, então não ligava.

E então, destemidamente, ele a pediu em casamento. Queria fazer de uma forma marcante, como naqueles programas entediantes em que o homem pede a mão da mulher embaixo da água, ao vivo na televisão, ou prepara um flashmob todo pra no final pedir a mão da amada. Mas como ele não sabia nadar, não tinha chances de aparecer ao vivo na televisão e nunca que seria capaz de dançar num flashmob, pediu de uma forma simples mesmo, ao ar livre, no Central Park. E ela disse sim! Quando ele parou pra pensar depois, o “sim” dela foi meio seco e muito relutante, mas não percebeu isso na hora. E aí, começou o básico – toda a preparação.

Lógico que não pensavam na vida de casados, mas sim na cerimônia e na festa. Onde poderia ser? Igreja não, pelo amor de Deus, ele disse e ela relutantemente concordou, mas deixou uma condição: ele teria que pensar no lugar sozinho.

Por ele, poderiam casar-se no próprio apartamento, mas lógico que ele tinha que achar um lugar ideal. Pensou muito. E muito. E muito. Mas aí chegou à conclusão de que o melhor lugar seria na praia, sentindo-se estúpido por não ter pensado nisso antes. Ela amou a idéia – “amou” – e logo marcaram a data, o casamento não ia só marcar a união (supostamente) definitiva deles como também ia comemorar os dois anos que estavam juntos.

Gastaram dinheiro com isso, e como gastaram. Terri havia deixado claro que a festa teria que ser bem melhor que a da prima dela no ano passado, senão seria divórcio imediato – ela disse isso como brincadeira, mas tinha um fundo de verdade, ô se tinha ‒ então gastaram mais ainda (mais do que um jornalista humilde como Jack poderia gastar).

Então, depois do que pareceu ser uma espera interminável para Jack, chegou O Grande Dia.

Foi uma correria. Jack se arrumou o mais rápido que conseguiu e ainda teve que resolver imprevistos no local da festa, foi cansativo. Mas ia valer a pena (?).

E aí chegou O Grande Momento. O momento do sim, o momento da verdade, o momento do amor, o momento do eu aceito. Mas esse momento começou a demorar ‒ Terri não havia chegado.

Nos primeiros dez minutos, ele pensou que ela estava presa no engarrafamento. Lógico que estava, e ele não ia ter que esperar por muito mais tempo de smoking debaixo do sol escaldante na areia da praia. Mas aí deu quinze minutos. O carro deve ter enguiçado, mentiu para si mesmo. Aí deu trinta minutos. Estava sem desculpas para si mesmo. Eles devem ter errado o caminho e ido parar no meio de uma selva ‒ não, essa não era boa.

A praia estava um silêncio mortal. Quando os convidados não estavam olhando para o celular, estavam olhando para Jack no altar, enquanto ele não sabia para onde olhava.

E aí ele percebeu que ela não viria.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Logo postarei o primeiro capítulo e os próximos, pois já tenho um monte escrito! Obrigado por lerem!