Rose estava mais confusa do que nunca depois de tudo que havia acontecido. Não tinha ideia do motivo pelo qual havia desconfiado de Oswin... Mas pior do que isso era pensar que ela e Scorpius haviam se beijado de uma maneira tão intensa que jamais havia imaginado que aconteceria. Enquanto levavam o amigo desacordado, ela refletia. Definitivamente estava na hora de terem uma conversa sobre aqui... Só precisavam chegar em casa vivos.

Nenhum comensal os perseguiu durante o percurso e carregar Albus de volta foi mais difícil do que imaginava. A ruiva deu graças por terem desaparatado sem problemas de volta a casa que haviam se hospedado. Juntos, colocaram o moreno no sofá e respiraram aliviados.

"Deveríamos ligar para a Alice..." Disse Rose após checar o pulso do primo.

"Ele está bem, não está? Não vamos perturbar... Ela tem uma filha pequena, lembra?" Comentou o Malfoy parecendo sério.

"Tem razão... Mas... Como você sabe...?"

"Como eu sei que ele tem uma filha? Rose, estamos aqui já faz um tempo... Lembra?"

"Tem razão..." Suspirou e olhou-o por um tempo. "Scorpius..."

"Sim?"

Era agora ou nunca. Ela precisava esclarecer as coisas. Precisava descobrir o que significava aquela foto...

"Eu peguei isso no seu quarto... Na mansão Malfoy..." Do bolso da calça, ela retirava a foto que havia arrancado do porta-retrato do garoto.

"Eu vou te explicar tudo... Mas não aqui." Ele suspirou. Já esperava por aquela reação. Só esperava que quando a conversa terminasse, tudo ficasse bem. "Venha comigo."

Scorpius estendeu a mão para ela. Pela primeira vez em sua vida, não iria hesitar em descobrir a verdade. Segurou firme na mão dele e se deixou ser guiada. Ele a levou para o andar superior e parou em frente a porta trancada do quarto dele. Com os olhos cinzentos presos nela, ele destrancou a porta.

O aroma que invadiu as narinas da ruiva era incrivelmente maravilhoso. Era uma mistura de rosas e girassol com um leve toque de castanhas. A iluminação do quarto era perfeita e – quando ela observou pela porta de entrada, tinha uma enorme varanda com uma incrível vista.

“Ai. Meu. Deus.” Disse pausadamente para tomar folego enquanto entrava no comodo. Na parede em frente a cama havia uma lareira e logo acima um desenho dourado de um leão se movia ao lado de uma serpente prateada. “Que lugar maravilhoso! Esse desenho... Me lembra tanto Hogwarts... Quadribol! Slytherin e Gryffindor.”

“Você disse a mesma coisa quando veio aqui pela primeira vez...” Ele riu, fechando a porta.

“Eu já estive aqui?” Perguntou, um tanto curiosa.

“Essa é sua casa.” Disse sinceramente, lançando a primeira verdade para ela. Outras viriam logo após essa.

“Minha casa? Não... É sua casa!”

“Nossa casa.” Corrigiu.

“Nossa...? Nossa casa?”

“Somos casados. Esse é o motivo de ter uma foto nossa se beijando no sétimo ano de Hogwarts no meu antigo quarto... Esse é o motivo para ter esse desenho aqui... Esse é o motivo para tudo isso.”

“O que!?” Exclamou, dando um passo para trás. Era muita informação para a cabeça dela que de repente entrou em pânico.

“Depois que eu te beijei no quinto ano e você ouviu eu dizendo que foi uma aposta... Eu descobri que não fiz por causa da aposta. Eu fiz porque eu queria... Porque eu te desejava aquilo desde que você me deu o primeiro fora... Mas eu era orgulhoso demais para admitir. Eu escondi tudo até que no sétimo ano você começou com aquela história do Krum... Fiquei louco. Eu estava te perdendo e ainda não tinha reparado aquilo. Nosso último ano estava acabando e se você casasse com aquele filho de jogador mimado... Arg! Eu não suportaria não te ver nunca mais...”

“E os dez anos?” Ela perguntou se sentando enquanto ouvia cada palavra e repetia mentalmente, tentando analisar a veracidade daquelas palavras...

“Eu vou chegar nessa parte.” Ele respirou fundo. “Eu tomei coragem de te pedir para sair e confessei tudo... Mas você ficou com medo do seu pai. Sabia que nossos pais se odiavam desde sempre... Escondemos isso por um bom tempo até que eu tomei coragem de dizer para seu pai que você era a mulher da minha vida. Ele não acreditou em mim.” Scorpius riu levemente, sentando-se ao lado dela. “Nos casamos em menos de um ano... As coisas estavam ficando tensas no Ministério. Fizemos uma cerimônia pequena como sua tia Fleur. Aquele foi o melhor dia de minha vida.”

“Eu...”

“Eu construí essa casa com minhas próprias mãos para morarmos... Planejamos ter muitos filhos como sua avó, naquele quarto vazio faríamos nossa biblioteca... Mas as coisas começaram a ficar cada vez piores. O Ministério estava tentando encobertar a verdade... Eu... Eu era um auror. Um dos melhores, como seu tio Potter sempre dizia. Fui colocado em uma missão especial... Eu precisava encontrar... Eu precisava encontrar...” Scorpius parou e respirou. “Uma coisa extremamente importante. No entanto, eu não era o único que queria essa coisa... Em uma certa noite, iriamos jantar com minha família, mas quando chegamos... Tudo estava destruído. Os comensais sabiam que eu estava a procura daquele item... Não só isso. Eles sabiam que eu estava com aquela coisa... Levaram meus pais e meus avós... Me fizeram se afastar de você...”

“Eles fizeram você se afastar de mim?”

“Eles iriam te usar para me levar até eles...” Suspirou “Agora eles pegaram nossos filhos para fazer esse serviço sujo...”

“O que!?” Exclamou. “Tudo isso é sua culpa...”

“Sim, Rose...” Ele suspirou. “Mas você não vai saber disso agora... Preciso de mais tempo.”

“Espera...” As lágrimas escorriam por seu rosto, cortando a alma de Scorpius.

“Eu te amo, Rose Weasley.” Ele levantou a varinha para ela.

“Ei, cara!” Gritou Albus do andar de baixo quando viu o casal de mãos dadas.

“Precisamos ir agora, Albus... Você fica aqui.” Disse Scorpius

“Que?”

“Eu tenho um plano.” Scorpius anunciou, olhando sorridente para a ruiva ao seu lado.

“Nós vamos a casa de meus pais...” Explicou Rose. “Eles podem ajudar.”

“Espera... Sério, o que tá havendo aqui?”

“Al, você está sonhando, querido.” Disse Alice do outro lado sala.

Ele estava sonhando. Precisava acordar. Foi então que ele ouviu o grito agonizante de uma criança.

“Alice!” Ele despertou, suando. “Alice! Eu preciso... Eu preciso...”