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5 Daily Prophet
Notas iniciais
Rose acordou ofegante, como se realmente houvesse caído dentro do abismo. Precisava se controlar, havia sido apenas um sonho muito estranho. Por um minuto, ela ainda podia ouvir a voz do Malfoy lhe chamando pelo nome como se fosse um fantasma. Isso lhe assustava muito. Resolveu que o único modo de se acalmar era sair do quarto, sem acordar os filhos, de preferência, e tomar um pouco de ar fresco. Não tardando, ela levantou cuidadosamente e saiu do quarto.
A casa estava um breu, mas a Weasley conhecia perfeitamente o caminho até o banheiro. Havia muito tempo que morava naquela casa. Seus dedos tatearam a parede até encontrou o interruptor e acendeu a luz que revelou seu rosto no espelho. Estava cansada, pálpebras murchas e parecia uma pintura abstrata. O melhor, naquele caso, era pensar em aumentar o grau de seus óculos e passar a usá-lo o tempo todo ao invés de apenas na leitura... Ou talvez um pouco de água fria resolvesse tudo. Sem descartar a última opção, ela abriu a torneira e jogou uma quantidade significativa em seu próprio rosto. Agora estava melhor e mais desperta.
Dormir já era uma tarefa fora de cogitação, pois sabia que pegar no sono outra vez depois daquele sonho maluco era complicado. Talvez devesse tentar ler outro livro pela milésima vez. Resolveu que faria isto, então foi para a sala, onde encontraria o que desejava na estante, mas antes que conseguisse chegar nela, algo lhe chamou a atenção. Em sua mesinha de centro, algo amarelado e enrolado como um pergaminho parecia ter surgido magicamente. Tinha certeza que ele não estava ali mais cedo, então curiosa, ela tomou-o em mãos e desenrolou até que pode ver escrito em letras grandes ‘Profeta Diario’.
“Que estupido!” Murmurou Rose. “Acha que um jornal velho vai mudar alguma coisa sobre Londres?”
Mesmo sabendo que aquilo era ridículo, ela resolveu ler um pouco. Quem sabia se isso não iria lhe trazer um pouco de sono? Sempre achou as colunas do jornal bruxo de Londres extremamente chatos. Porém, ali na primeira página, algo lhe chamava a atenção.

“CASO MALFOY. Dez anos: O mistério continua.”
Só poderia ser coincidência, rezou Rose lendo o título da enquete principal, mas por mais estranho que lhe fosse parecer, resolveu continuar lendo na página indicada pelo Jornal. Não havia muito mais novidades para ela do que o que ela já sabia. Há dez anos atrás a Mansão Malfoy havia sido encontrada totalmente destruída e seus moradores, a família Malfoy, haviam simplesmente desaparecido sem deixar pistas algumas. Acha irônico que o jornal havia chamado aquilo de Maldição Familiar... Eles haviam manchado o nome ao seguirem Voldemort durante as duas Guerras Bruxas, mas suas escolhas erradas não eram o suficiente para leva-los a um destino tão trágico. Sentia-se mal por Scorpius, o único filho do casal, que era tão jovem... Deveria ter dezenove anos quando desapareceu com o resto da família. Ele poderia ter sido um pai de uma família – ou talvez de muitas crianças, visto que ele era o maior pegador de Hogwarts – e ter vivido experiências únicas... Quem sabe ele poderia ser o pai de seus filhos? Não! O que ela estava pensando? Nem se estivesse muito bêbada teria ido para a cama com o Malfoy. Ele não passava de uma paixão platônica que tivera com 15 anos e que fez questão de lhe beijar para cumprir uma aposta... Infantil! Mas precisava confessar que as vezes quando olhava as crianças, lembrava-se do loiro... Principalmente Spectrum. Tinha certeza que o menino iria para Slytherin se voltasse para a Grã-Betanha.
O melhor era não pensar sobre a paternidade das crianças. Não gostava da sensação que tinha por não ter lembrança alguma de como ficou gravida ou mesmo de quem poderia ser o pai deles... Agora queria apenas focar em seu casamento com Oswin e como faria para criar um relacionamento de pai e filhos entre ele e as crianças. Manter sua paixão adolescente que provavelmente estava morto longe de sua mente era essencial. Por que ele ainda mexia tanto com ela?
Rose olhou para o lado, onde estava a estante, e focalizou um pequeno porta-retrato onde havia aquela imagem do que Albus chamava de a melhor fotografia em família do século. Era uma imagem dele com Alice que segurava a pequena Primrose de poucos meses ao lado de Albus que tinha Spectrum preso em seus braços como em um golpe de luta e Artemis dando um beijo no seu rosto cheio de sardas. Realmente ela amava aquela fotografia. Olhar para ela só lhe fazia se lembrar que precisava falar com ele, pedir desculpas e tentar compreender os motivos dele.
Entre caixas empilhadas e moveis cobertos com lençóis, Albus soluçava ao ver um vídeo de Artemis e Spectrum no pequeno aparelho de televisão que ele comprou há algum tempo, quando as crianças eram bebes que precisavam ser hipnotizados por programas infantis para ficarem quietos. O vídeo que ele assistia era caseiro, como todos os outros que ele tinha dentro de uma caixa, mas aquele era seu favorito. Consistia no dia em que os gêmeos pegaram sua câmera enquanto ele cochilava por alguns minutos e acabaram colocando fogo no gato enquanto discutiam quem deveria filmar primeiro.
“Tio Albus! Tio Albus!” gritava a imagem das crianças na televisão, tão desesperados que haviam deixado a câmera cair no chão, filmando apenas seus pés.
O vídeo seguinte havia sido gravado por Rose no dia em que ele completava mais um ano de vida. Aquele sim era o vídeo mais valioso que ele possuía... Nem mesmo o vídeo de seus pais com toda a família Weasley poderiam mudar os sentimentos por aquela fita. Não era certo ama-los mais que os filhos de Lily ou o filho de James, mas ter acompanhado cada passo na vida infantil deles valia fazia toda a diferença. Ele não queria fazer aquilo... Abandonar o navio! Que coisa de covardes! Mas ele sempre foi um Slytherin, então não tinha que mostrar a coragem... Talvez sim, só pelo fato de quem era seu pai. Porém, sua filha precisava de um pai e ele não poderia trazer Alice para os Estados Unidos graças ao trabalho dela. Isso iria magoar os pequenos Malfoy e poderia piorar a situação caso o velho Scorpius resolvesse dar as caras. Desta maneira, o Potter resolveu seguir chorando como um bebê, tentando decidir entre ser egoísta ou ser egoísta consigo mesmo.
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