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16 Eight Years


Wanda caiu deitada na cama.

Haviam trocado os lençóis – que curiosamente ela também não notara a peça limpa ao lado do abajur sobre a geladeira – após fazerem amor várias e várias vezes. Natasha havia deixado comida comprada para eles quando era meio-dia, apenas pondo o braço para dentro do apartamento quando Wanda abriu uma fresta da porta. Eles almoçaram – comida vegetariana para Wanda, Natasha lembrara – e logo atracaram-se um no outro novamente.

Após receber a mensagem de Natasha, perto do horário em que as crianças estariam saindo da escola, Wanda e Visão decidiram que um banho e uma troca de lençóis seria o mais adequado. O que deveria ser um banho individual se transformou em mais uma rodada de sexo molhado, mas finalmente encerraram suas atividades pelo dia... E Wanda caiu exausta na cama enquanto Visão parou no batente da porta do banheiro, uma toalha presa em sua cintura, ela com um roupão cobrindo seu corpo.

— Você me destruiu. — Ela proferiu com um sorriso saciado nos lábios.

— E você, a mim. — Ele afirmou, apoiando-se com suas mãos no colchão em cada lado do corpo dela para poder se reclinar sobre ela e alcançar seus lábios em um rápido beijo.

— Me pergunto como não quebramos a cama. — Ela riu.

— Ela estalou algumas vezes. — Disse, indo até sua mala abandonada no sofá.

Visão escolheu uma roupa adequada para a estação e a vestiu. Antes de fechar a mala, porém, deu uma conferida nas pequenas caixas no fundo e sorriu, animado com a hora em que seus filhos chegariam e abririam seus presentes.

— Deveríamos estar preocupados com Strucker, mas eu só consigo pensar em você.

Ele ouviu Wanda sussurrar. Voltou-se para a cama e a viu deitada de lado, cotovelo apoiado no colchão, sua cabeça sendo sustentada por sua mão, um sorriso iluminando seu rosto. Seus cabelos molhados pendiam livres em sua cabeça, o roupão deixou uma abertura que dava a visão de sua pele, local onde Visão anteriormente depositou beijos calmos enquanto o coração da moça pulsava violentamente.

— Eu gostaria de dizer que não penso nele, mas eu estaria mentindo. — Visão se pronunciou, sua expressão séria demonstrando sua preocupação. — Entretanto, eu também estaria mentindo se dissesse que não penso em você a cada segundo durante os últimos oito anos.

A expressão de Wanda mudou, um misto da estranha melancolia e do genuíno amor. Seus olhos brilhavam em admiração ao homem em sua frente. Ele foi, nos últimos oito anos, tudo o que ela queria e precisava.

Ela se levantou e caminhou até ele, envolvendo seus braços em volta de seu torso, trazendo-o para um abraço apertado e afetuoso. Visão passou seus braços pela silhueta dela, pequena perto dele, e acariciou seus cabelos, não se importando que sua roupa fosse molhada por seu corpo e roupão encharcados.

— Vis?

— Sim, querida?

— Quando as crianças chegarem, isso aqui vai ficar muito apertado. — Ela disse em tom baixo, rindo segundos depois acompanhada por Visão.

Não precisava de audição sobre-humana para ouvir as vozinhas junto a porta antecedendo duas leves batidas.

Wanda e Visão se olharam, ele parecia ansioso, enquanto ela sorria animada com o reencontro prestes a acontecer. Se as crianças já choraram apenas de conversarem ao telefone com o pai, rios de lágrimas correriam assim que o vissem pessoalmente. Wanda não se preocupou em ir ao banheiro para vestir uma roupa, ajeitou o roupão para que ficasse mais fechado, retirou a toalha das mãos de Visão que antes ele usara e colocou-a sobre o tanque ao lado da porta, abrindo-a em seguida, dando um passo para o lado para deixar o caminho livre para as crianças e observá-las quando...

David e Sophia pararam, seus irmãos se chocando contra suas costas. Um segundo para processarem quem era o homem branco, alto e loiro parado no meio do pequeno apartamento até que o gêmeo mais velho correu em sua direção, envolvendo seus bracinhos em volta de sua cintura e enterrando seu rosto em sua camisa.

Não tardou para Visão ser envolto pelos abraços da gêmea e em seguida de Elizabeth. David chorava silenciosamente no tecido da camisa, já Sophia não era tão contida e deixou que seus soluços fossem ouvidos, enquanto Lizzie não derramou lágrimas por pouco.

Tommy, por ser menor que os outros, começou a chorar quando não conseguiu alcançar seu pai entre seus irmãos para poder abraçá-lo também, e Billy não mexeu um músculo enquanto chorava, largando sua mochila no chão e agarrando a mão de sua mãe.

Visão levou um momento abraçando os mais velhos, seus olhos marejados apesar de não derramar uma única lágrima, e então, com certa dificuldade pois os três mais velhos permaneciam agarrados a ele, pegou Tommy no colo, o menino envolvendo braços e pernas em torno do tronco de seu pai.

Wanda pegou o pequeno Billy no colo, já que era inútil tentar fechar a porta onde as crianças descartaram suas mochilas no caminho sem nenhum cuidado. O menino soluçava enquanto suas mãozinhas agarravam o roupão de sua mãe e seu rosto era escondido na dobra de seu pescoço.

Da porta, Carol e Thor observavam a cena com um sorriso singelo em seus rostos. Sempre pareceram muito inflexíveis, ambos, mas no fundo eles entendiam tudo o que aquela família estava passando, compreendiam o quanto era doloroso para crianças tão pequenas, e até mesmo para Visão e Wanda, ficarem tanto tempo afastados das pessoas que amavam.

Era uma cena bonita de se ver.

Entretanto, para não se tornarem intrusos nesse aguardado reencontro, o casal educadamente empurrou as mochilas para dentro do apartamento e fechou a porta, deixando-os terem um pouco mais de privacidade.

Minutos se passaram até que seus filhos se acalmaram, e Visão pôde sentar na beirada da cama, Tommy ainda em seu colo, e os demais ao seu redor. Wanda caminhou com Billy em seus braços, depositando o caçula numa das coxas de Visão, o menino finalmente conseguindo abraçá-lo e liberar todo o seu sentimento de saudade acumulada durante esses seis meses longe.

Amorosamente, Visão envolveu os gêmeos caçulas e os ninou, suas cabecinhas encostadas em seus ombros, David agarrado ao seu braço esquerdo, Sophia ao seu braço direito e Elizabeth deitada com sua cabecinha em suas costas, agarrando a parte de trás de sua camisa. Estavam amontoados e essa foi a cena mais linda que Wanda viu em muito tempo, ela poderia afirmar.

Sentiu as lágrimas emergirem e molharem seus olhos, quase transbordando. Uma sensação de angústia presa em seu peito, porém, curiosamente, seu coração também se aqueceu, e estampou-se em seu rosto um sorriso repleto de ternura e felicidade.

Notas finais
Eu sei que esse reencontro foi fraco, o capítulo em si não me deu muita confiança, então só fechei os olhos e postei. Ainda teremos mais alguns capítulos vagarosos até irmos para NY ;) Tenho dois capítulos prontos que se encaixam mais lá pra frente na fic, mas acredito que vão gostar de algumas surpresinhas :3 Ao menos eu estou animada para postá-los hehehe Que fique claro que vocês sempre podem criticar, dizer onde melhorar, o que não gostou, o que achou meio ble... Digam o que quiserem! Muito obrigada, Vanilla, por ser um anjo em forma de pessoa! ♥