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1 Sweet Home Alabama


Notas iniciais
Olá! Espero que gostem deste capítulo; ele e o próximo serão apenas introduções antes de passarmos para a história em si. Espero que gostem! Boa leitura!

Ao descer as escadas de sua casa no distrito inglês de King's Cross na manhã de 7 de julho, Meggie Young deparou-se com um envelope branco em seu tapete de boas-vindas felpudo. A mulher de olhos azuis vibrantes e cabelos negros franziu a testa, sonolenta e amaldiçoando o frio irracional que fazia àquela hora, enquanto apanhava a sobrecarta. Meg registrou que era pesada e continha um brasão vermelho estranho com quatro animais rodeando a letra H. Ela virou-a, procurando por um remetente, e erguendo as sobrancelhas, surpresa, ao perceber que fora endereçada a sua filha – só que de uma maneira muito estranha:

Srta. A. Young

O Quarto Rosa

Rua Camley, n° 11

King's Cross, Camden

Meggie franziu o cenho e abriu o envelope, encontrando ali uma carta levemente amarela escrita em tinta verde com caligrafia elegante.

ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA HOGWARTS

Diretora: Minerva McGonagall

Prezada Srta. Young,

Temos o prazer de informar que V.Sa. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários. O ano letivo começa em 1° de setembro. Aguardamos sua coruja até 31 de julho, no mais tardar.

Atenciosamente,

Neville Longbottom,

Diretor Substituto.

A mulher fez uma careta, desgostosa; mal faziam três dias desde que chegara na cidade – ou melhor, no país – e recebia um trote logo de cara? Ela rolou os olhos, pensando em como o humor inglês era estúpido, para dizer o mínimo, e seguiu para a cozinha, onde colocou a carta na lixeira, que era o seu lugar.

Enquanto isso, no Quarto Rosa, a única filha de Meggie acabara de acordar. Ela saiu da cama sonolenta e xingando tanto quanto a mãe o frio britânico, dirigindo-se ao banheiro.

Aurora Young, mais conhecida como Ava, era uma menina de olhos castanhos vívidos, maçãs do rosto proeminentes, cílios longos e estatura baixa até mesmo para uma criança de sua idade. Era também muito esperta, compreendendo certas coisas mais facilmente do que alguns adultos, e contava com uma língua ferina, embora fosse demasiado tímida.

Nascidas no estado do Alabama, Ava e Meggie mudaram-se para a Inglaterra em busca de um recomeço após a morte de Bill Young, pai de Meg. O homem, que fora de grande ajuda à filha quando esta engravidou prematuramente, aos quinze anos, havia falecido devido a complicações cardíacas, deixando uma grande quantidade em dinheiro para sua filha e neta. A mãe de Aurora havia passado meses implorando a um jornal local que a aceitasse como repórter até que eles finalmente cederam e lhe deram uma vaga. Ela começaria a trabalhar ao fim das férias de verão, quando Ava ingressaria em sua escola nova – momento para o qual a menina não estava nem um pouco animada.

As Young tiveram vários choques culturais ao chegarem na terra da rainha: primeiro o clima, digno de um refrigerador, e muito diferente do que fazia no Alabama; depois, haviam os modos estranhos das pessoas britânicas, sempre metódicos e apressados; e, por fim, como Meggie descobrira há pouco, as piadas bobas que só pessoas entediantes como eles próprios achariam remotamente engraçadas.

✧ ✧ ✧

Pelo resto da semana, o número 11 da Rua Camley continuou a receber as cartas amareladas, mas nenhuma das duas moradoras irritou-se com a situação. Naquela curta janela de tempo, as Young haviam percorrido todos os pontos turísticos da capital inglesa, onde tiraram fotos bobas e comeram comidas novas, divertindo-se como não fizeram em tempos.

Meg ainda não havia começado seu novo trabalho, portanto pode aproveitar a companhia da filha; compraram uma quantidade ridícula de agasalhos, um punhado de chás estranhos (Ava gostou especialmente do de hortelã) e uma mochila nova para a menina. Toda noite, ela ia para sua cama no Quarto Rosa ansiando pelo dia seguinte e desejando que suas férias de verão nunca acabassem.

No entanto, no começo do dia 24 de julho, mãe e filha foram pegas de surpresa por batidas urgentes da porta de sua casa. Ambas estavam sentadas à mesa de sua cozinha tomando café da manhã e se entreolharam, confusas por não esperarem visitas. Meggie levantou-se de sua cadeira, enrolando-se no robe que adquirira dois dias atrás e caminhando até a entrada.

Ao abrir a porta de sua residência, ela levou um susto imenso ao dar de cara com uma mulher magra e jovem trajando vestes chamativas de cor azul e um chapéu espalhafatoso. Ela tinha cabelos ruivos e olhava para trás por cima do ombro, mas virou-se para a mãe de Aurora, sorrindo.

— Alô — disse, animada, com um sotaque acentuadamente britânico. — Meggie Young?

— A-alô — retribuiu ela, gaguejando o cumprimento que lhe era estranho. — Sou eu.

— Sou Clarabella O'Connell — apresentou-se, fazendo algo que Meg julgou ser uma reverência. — Creio que temos assuntos importantes a tratar. Posso entrar, então?

A mulher, desconcertada e confusa, apenas deu espaço para que Clarabella entrasse, acenando para a cozinha. Ava quase cuspiu o longo gole de Sunny Dee que tomara há pouco quando a figura de O'Connell aproximou-se, quase saltitando, e a encarou, os olhos faiscando.

— Você deve ser Aurora — disse, repetindo a reverência que fizera a Meggie. — Clarabella O'Connell.

— Oi? — disse a menina em dúvida, fazendo com que seu cumprimento soasse como uma pergunta.

Meg juntou-se a elas e, após alguns instantes, indicou uma cadeira para a mulher ruiva, sentando-se também.

— Então, hum, Clarabella — começou, hesitante. — Quais seriam os assuntos importantes que temos a tratar?

— Eu estou aqui para falar da educação de sua filha — informou a ruiva, parecendo observar a casa com curiosidade. — Você recebeu as cartas?

Meggie recostou-se na cadeira, os braços cruzados e encarou-a de lábios franzidos, percebendo agora sobre o que tudo aquilo se tratava.

— São muito estúpidas — disse com sinceridade a Young mais velha, recebendo um olhar mortificado de Clarabella. Ava, no entanto, apenas observava a cena.

— Que cartas? — perguntou, curiosa; a menina não soubera dos pacotes que chegaram para si, pois sua mãe não os considerara importantes o suficientes para ir a outro lugar que não o lixo.

— As cartas de Hogwarts — disse O'Connell, ainda de olhos arregalados. Ao perceber que as duas a lançavam olhares totalmente perdidos, a mulher suspirou, parecendo desanimada pela primeira vez desde que pusera os pés na casa. — Hogwarts é uma escola para crianças especiais, como sua filha.

— Como assim, especiais? — indagou Ava, começando a se interessar.

— Crianças bruxas — respondeu a mulher ruiva.

Ava a encarou boquiaberta, ao passo que Meg estreitou os olhos. Clarabella as encarou, esperando suas reações e percebendo que mãe e filha recebiam a notícia de maneiras diferentes; enquanto Meggie parecia totalmente sem paciência e a ponto de enxotá-la da casa, Aurora lançava-lhe um olhar curioso.

— Como assim, bruxas? — perguntou a menina após alguns momentos.

O'Connell abriu a boca para explicar, mas a mãe a interrompeu.

— Tudo bem, é o suficiente — decretou, levantando-se. — Já temos demais para lidar sem essas pegadinhas idiotas. Por favor, saia da minha casa.

— Mamãe — contestou Ava, olhando para cima.

— Chega, Ava — enfatizou a mulher. — Não existe essa coisa de bruxaria, você sabe disso.

— Eu posso provar — intercedeu Clarabella, pondo-se de pé também.

— Ouviu? — disse Aurora à mãe. — Ela pode provar.

— Não, não pode — retrucou Meg, cansada da piada estúpida.

Clarabella então sacou sua varinha do bolso das vestes, atraindo o olhar das duas e gesticulou para frente, fazendo faíscas azuis riscarem o ar a sua frente. A mulher ficou contente ao ver o olhar de Ava iluminar-se, mas tal sentimento diminuiu consideravelmente quando percebeu que Meggie continuava com a mesma expressão cética.

— Isso não prova nada — disse.

— Você pode quebrar aquele vaso? — indagou a menina, agora quase pulando de animação e apontando para um vaso verde horroroso que continha alguns lírios falsos.

— Posso quebrar e consertar, e você poderá também, se vier comigo — respondeu Clarabella, curvando-se para ficar da altura dela.

No entanto, Meggie cruzou os braços e ergueu as sobrancelhas num ângulo acusador, certa de que as luzes eram algum tipo de truque de ilusionismo. No entanto, pelo que parecia, havia apenas um jeito de descobrir.

— Só acredito vendo — disse, categoricamente.

Clarabella assentiu prontamente e apontou sua varinha para o objeto esverdeado. Ele tremeu uma vez, e no próximo segundo, tudo que restava eram plantas falsas e caquinhos cor de esmeralda espalhados pela cozinha da casa número 11. No entanto, O'Connell não havia terminado ainda. Ela não só fez o recipiente voltar a sua forma original como tornou a arrumar os lírios lá dentro, limpando a sujeira que fizera no chão, e tudo somente com acenos da varinha.

Ao final, Ava bateu palmas com toda sua energia infantil, maravilhada, ao passo que a ruiva tornou a fazer uma reverência teatral, sorrindo. Meg não acreditava no que seus olhos tinham visto; a mulher queria pensar que tratava-se de um truque, algum tipo de ilusão de óptica, mas não era possível. Aquele era seu vaso que havia virado cacos, e depois um vaso inteiro novamente, e não havia nenhuma explicação lógica para tal fato...

...além de mágica.

— Estou ouvindo — disse Young, decidindo que daria uma chance a O'Connell.

— Eu vim em nome da Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts — esclareceu, guardando a varinha e encarando Meggie —, onde Aurora tem uma vaga que ela deve assumir.

— Eu nunca ouvi falar desse lugar — disse a mãe, desconfiada.

— Mas não poderia, não é? — falou O'Connell, compreensiva. — Sendo uma trouxa como você...

— Com licença? — perguntou Meg, ofendida.

— Ah, por favor, não me entenda mal — Clarabella apressou-se em consertar seu erro. — “Trouxa” é como chamamos pessoas não-mágicas.

— Como é lá? — perguntou Ava, voltando ao assunto com curiosidade.

— É um grande castelo — contou Clarabella. — Tem um lago, uma floresta, um estufa, torres e uma cozinha maravilhosa.

— É um internato? — indagou Meggie.

O'Connell fez uma pausa, ligeiramente confusa com o termo trouxa desconhecido.

— As crianças ficam lá pelo semestre, se é isso que você quer dizer — respondeu após alguns instantes. — Voltam para casa nas férias de verão, e nos recessos de Natal e Páscoa.

Meg respirou fundo, pensando se não estava prestes a fazer um besteira. No entanto, ela voltou a se sentar, sendo imitada pela ruiva, e a encarou, disposta a ouvir.

— Tudo bem então, fale — pediu.

E foi o que Clarabella fez. Na hora que se seguiu, ela contou sobre o Beco Diagonal, a Plataforma 9 ¾, Hogsmeade e as quatro Casas: Grifinória, Corvinal, Sonserina e Lufa-Lufa. Explicou o que aconteceria se a magia dentro de Ava não fosse controlada e usada da maneira certa, insistindo na importância da formação da menina. Mencionou também a grande batalha que ocorrera há mais de dez anos em Hogwarts, que marcara o fim da Segunda Guerra Bruxa, e pareceu orgulhosa por ter participado da mesma em seu tempo de escola, mostrando uma cicatriz esbranquiçada no antebraço, adquirida no conflito. A bruxa falou sobre aulas, exames e possíveis carreiras em seu mundo, mencionando que era a nova professora da matéria Estudo dos Trouxas, e que por isso havia sido escalada para visitar as Young.

Ao final, Aurora estava praticamente pulando de animação e implorando à mãe com os olhos para que a deixasse ir. A menina fora totalmente convencida pelo discurso de O'Connell, e Meg, que não gostava da ideia, estava começando a aceitá-la.

— Temos um problema — disse ela, por fim. A seu lado, Ava muchou feito um balão furado, ao passo que Clarabella a encarou, confusa. — Nós não temos esse dinheiro bruxo — continuou. — E eu não acho que nenhuma loja nesse Beco Vertical vá aceitar cartões de crédito.

— É Beco Diagonal — corrigiu a bruxa, prestativa. — E você tem razão, eles não vão aceitar esses o-que-quer-que-sejam. Mas você pode trocar suas libras por dinheiro bruxo no Gringotes, nosso banco. Também fica no Beco, e eu posso levá-las até lá agora mesmo.

Sentindo que era minoria na sala, Meggie Young deu-se por vencida, assentindo positivamente e recebendo dois sorrisos brilhantes em troca.

— Vamos passar num banco de verdade antes — avisou. — E eu não vou pagar pelos tickets do metrô.

✧ ✧ ✧

Uma hora depois, as duas Young acompanhavam Clarabella O'Connell pelas ruas de Londres. Aurora não andava, e sim quicava, ao passo que sua mãe estava começando a ficar tão animada quanto a menina. Ela gostava de ver Ava feliz, principalmente porque havia tempos que sua garotinha não ficava daquela maneira.

Com a ajuda da professora, Meggie sacara algum dinheiro inglês, ao qual não era tão familiar. A bruxa havia lhe explicado como funcionava os galeões, sicles e nuques, e Meg achou sinceramente que eram mais fáceis de entender que as libras esterlinas.

Assim, após pegarem o metrô, elas logo haviam chegado a uma rua movimentada, parando entre duas grandes lojas, e Clarabella virou-se para elas.

— Agora, sra. Young...

— Senhorita — Meg a corrigiu.

— Sim, srta. Young — continuou a professora. — Você vai sentir um pequeno desconforto ao entrar, e lembrar de várias coisas importantes que tem para fazer, mas será passageiro.

Meggie franziu a testa.

— Entrar aonde? — perguntou. Tudo que podia ver eram dois estabelecimentos, uma loja de discos e uma livraria, e mais nada.

— Bem ali — Ava apontou para o ponto onde as lojas eram separadas. Ela, sim, enxergava o bar no qual entrariam, e leu a placa com seu nome: — O Caldeirão Furado.

— Feche os olhos — aconselhou Clarabella a Meg. — Por que vocês não dão as mãos, então? Será mais fácil.

A garota a obedeceu e apertou os dedos de sua mãe, encarando-a com uma expressão mandona. Meggie apertou os lábios, mas baixou as pálpebras e deixou que sua filha a guiasse. Ava seguiu a professora até a porta do Caldeirão, adentrando no lugar.

Era um botequinho encardido com paredes cinzentas e pouca luz. Haviam mesas de madeira, uma escada de aparência frágil no canto e pessoas de todo tipo dispostas pelo cômodo. Um homem usando uma cartola púrpura, duas velhinhas com chapéus chamativos como o de Clarabella e um rapaz de pele cinzenta e aparência maltrapilha. Atrás de um balcão de madeira, uma mulher loira trajando vestes amarelas parecia checar se estava tudo em ordem, e O'Connell acenou para ela brevemente antes de dirigir-se aos fundo do bar.

As três chegaram a um pequeno pátio murado atrás do Caldeirão Furado enquanto Meggie olhava para todos os lados, parecendo preocupada. A professora adiantou-se, indo em direção à parede de tijolos vermelhos e sacou a varinha. Ela pareceu contá-los, e então virou-se brevemente para as duas.

— Cheguem mais para trás, sim? — pediu. A mulher voltou-se para o muro e bateu três vezes em um dos tijolos com a varinha. O mesmo estremeceu, e, a partir dele, toda a parede retorceu-se até se transformar num arco enorme.

Ava arquejou, ação repetida por Meggie, enquanto as duas contemplavam o Beco Diagonal. Era uma rua de pedras longa, cercada de lojas que vendiam coisas nunca vistas antes por nenhuma das Young. Viram caldeirões, vassouras e corujas expostas em vitrines à medida que caminhavam adiante, guiadas por Clarabella. A ruiva ia conversando com Meg sobre o material que a menina precisaria para a escola, mas Ava não ouvia uma palavra, mais interessada em girar a cabeça para todos os lados, tentando absorver o ambiente e a multidão de pessoas estranhas pela qual abriam caminho.

— O Gringotes — anunciou a bruxa, apontando para uma construção imponente que dividia o Beco em duas ruas diferentes. O prédio era totalmente pintado de branco, com seu nome escrito em dourado e portões da mesma cor. — Agora, antes de entrarmos, preciso avisar a vocês que esse lugar pertence a duendes, e eles podem ser muito indigestos com bruxos... ou melhor, com seres humanos em geral. Ah, e pelo amor de Merlin, não falem da altura deles.

Mãe e filha se entreolharam antes de seguirem O'Connell portas adentro.

O banco dos bruxos tinha um grande saguão de aparência muito limpa, com um lustre de pequenos diamantes que reluziam mesmo à distância. O teto era sustentado por enormes colunas de mármore, e, entre elas, haviam balcões de cor preta onde homenzinhos trabalhavam, concentrados. Meg engoliu um comentário espantado e tentou agir normalmente, como se visse aquilo todo dia, enquanto apertava a mão de Ava para que a garota não dissesse nada.

Novamente, ambas andaram atrás da mulher ruiva até um dos balcões, Aurora quase zunindo de perguntas enquanto esperava que as duas mulheres trocassem libras por galeões, sicles e nuques. O que mais chamou a atenção da menina foi o poema cravado na parede no fundo do salão, e a garota cutucou Clarabella com delicadeza, para perguntar, sussurrante:

— Alguém já tentou roubar o Gringotes?

A bruxa arregalou os olhos e fez um shhhh urgente para a menina que sua mãe não percebeu, muito concentrada na conversa que tinha com o duende de orelhas pontudas à sua frente.

— Aqui, não — disse a professora.

Ava então esperou pacientemente até que saíssem do banco carregadas de moedas de ouro, prata e cobre para fazer a pergunta novamente.

— Sim — respondeu Clarabella. — Há dezessete anos, em plena Segunda Guerra Bruxa, três estudantes roubaram algo do cofre de uma Comensal da Morte e escaparam montados em um dragão. Os duendes não gostam de falar sobre isso, e não é bom tocar no assunto na frente deles.

— Estudantes? — indagou Meg, ao mesmo tempo que Ava emendava:

— Um dragão de verdade?

A professora riu enquanto guiava-as para a primeira loja que visitariam: Floreios e Borrões.

— Harry Potter, Hermione Granger e Ron Weasley roubaram o banco e fugiram com um dragão de verdade, logo antes do início da Batalha de Hogwarts.

Aurora queria perguntar mais, mas viu-se distraída por montes de penas, vidros de tintas e pergaminhos que a loja na qual adentraram oferecia. A menina ficou fascinada por todos os livros que encontrou, tendo que ser praticamente arrastada para fora do estabelecimento quando finalizaram a compra. Ela não pôde levar tudo que queria, mas deu-se por satisfeita quando sua mãe permitiu que comprasse os três volumes gigantes sobre a Segunda Guerra Bruxa, escritos por Susana Bones.

Assim, as três passaram a manhã inteira fazendo o inventário do que Ava precisaria para a escola, tendo Meg finalmente aceitado que ela iria. A mulher conversava com Clarabella, ávida por informações, até que ela houvesse explicado tudo sobre Hogwarts. Visitaram a loja de caldeirões, a farmárcia e o salão de Madame Malkin antes de pararem no Empório das Corujas.

— Agora, Ava, os alunos podem levar um gato, uma coruja ou um sapo — explicou O'Connell. — A maioria das meninas preferem gatos, mas acho que uma coruja é muito mais prática; elas entregam cartas e não soltam pelos.

A garota assentiu, tendo a professora já explicado que não existia correio no mundo bruxo, e que as correspondências eram enviadas com o auxílio das aves. A mulher ficara confusa quando Aurora mencionara e-mails e mensagens de texto, então ela decidiu não insistir no assunto.

— Também acho que você devia comprar um coruja, Ava — disse Meg, encarando a vitrine da loja. — Olhe como são bonitinhas; além disso, vou bombardear você com cartas, e não quero ter de pagar para isso.

Assim, minutos depois, elas deixaram o lugar, Aurora carregando uma gaiola que continha uma pequena coruja negra dentro. Logo, o último lugar que faltava era a loja de Olivaras, onde comprariam a varinha. Era um estabelecimento estreito que parecia recém-reformado, e havia uma única varinha numa almofada púrpura na vitrine.

Ao adentrarem, um sininho tocou, anunciando sua chegada, e logo uma figura enrugada surgiu dos fundos do lugar. Era um velhinho de aparência bondosa, com olhos grandes e claros que sorriu para Clarabella em reconhecimento.

— Alô, srta. O'Connell — disse.

— Alô, sr. Olivaras — respondeu a mulher, parecendo anos mais nova. — Estamos aqui para comprar uma varinha para Aurora Young — ela indicou a menina de cabelos escuros.

Os olhos do velho fixaram-se em Ava e ele assentiu.

— Sim, sim — disse. — Sentem-se, vamos ver o que tenho.

Clarabella e Meggie acomodaram-se nas cadeiras dispostas no canto da sala, deixando a menina sozinha enquanto Olivaras media seu braço direito de todos os modos possíveis e explicava que cada varinha produzida por ele tinha como miolo uma substância mágica, e que nenhuma era igual. Antes de trazer três caixas para a menina, o senhor fez questão de deixar claro que não haveriam resultados tão bons com varinhas produzidas por outros bruxos.

Ele abriu o primeiro estojo, exibindo uma varinha marrom de aparência bruta, e estendeu-a para Ava.

— Agora, srta. Young, a varinha tem vontade própria — contou o homem. — Portanto, sua varinha ideal a escolherá como portadora. Tente esta: ébano, 30 centímetros, pena de fênix, inflexível.

A garota assentiu, indicando que entendera. No entanto, mal ela havia pegado o objeto, Olivaras balançou a cabeça, pescando-o de volta. Ele tirou outra de uma caixa diferente, dessa vez de cor cinza.

— Eucalipto, 27 centímetros, pelo de unicórnio, flexível — disse. — Vamos, tente.

Ava a tomou nas mãos, sentindo seus dedos formigarem, e girou o punho, fazendo aparecer um pequeno redemoinho de faíscas da cor de bronze. Clarabella bateu palmas, animada, assim como Meg, cujos olhos brilhavam de orgulho. Sr. Olivaras sorriu.

— Bem, essa foi fácil — admirou-se. — São seis galeões.

Foram deixar O Caldeirão Furado apenas à tardinha, quando a rua na qual o bar se encontrava estava muito menos movimentada e a noite se aproximava.

— Bom — disse a professora, arrumando o chapéu na cabeça. — É aqui que nos separamos.

— Obrigada — falou Meggie. — E desculpe por ter sido tão mal-educada mais cedo.

O'Connell riu com gosto.

— Ah, tudo bem — garantiu. Ela virou-se para Ava: — Agora lembre-se, Aurora: dia primeiro de setembro em King's Cross, plataforma 9 ¾, entre a nove e a dez; Meggie não pode passar da berreira. Entendeu?

Ela assentiu, e Clarabella sorriu, animada.

— Mais uma coisa — disse. — Tenha a certeza de ir para a Corvinal: é a melhor Casa da escola.

Ela afastou-se das Young, rodopiando graciosamente e desaparecendo numa mancha azul.

Notas finais
E então? Novamente, peço para que deixem reviews, assim saberei se devo continuar ou não. XOXO, Lanna.