Holy Orders
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
O vento gélido daquela manhã parecida cortar a pele de qualquer ser vivo que se movesse, não havia em vista qualquer motivação para seguir em frente, muito menos voltar.
— Eu odeio frio! — disse Amber, para si mesma — Por que temos que fazer isso mesmo? — perguntou em voz alta, sobre o som do vento.
— É uma missão de resgate. — respondeu Dalmonius, sem parecerer muito feliz com a insatisfação da amiga.
Existe uma enorme área não reconhecida pelos governos, muitos afirmam ser um local de desgraças e tragédias, muitas destas sem explicação. Soldados do exercito frequentemente somem, reaparecendo brutalmente mortos próximos as enormes cercas de aço que bloqueiam as vias terrestres para entrada desta, e de outras, misteriosa cidade. Há não muito, tinha sido enviado um enorme grupo para resgate de civis.
O grupo nunca voltou.
— É fácil sentir a horrível energia desse lugar — afirmou Kira.
— De fato... — concordou Dalmonius — Acha que tem volta?
— Tenho um grande receio sobre isso... As histórias sobre esse lugar são ridiculamente macabras — respondeu Kira.
— Vocês acreditam mesmo nisso? Provavelmente é tudo balela da mídia... — disse Amber com um tom tanto quanto grosseiro. — Chegamos nessa maldita cerca, e agora?
— Pulamos. Oras. — Kira sorria a atitude da amiga.
Um grupo de três soldados das forças especiais foram enviados para tentar rastrear sinais não muito distantes da área considerada segura, o que esperavam ser um plano seguro e sem mortes, resultou não sendo algo tão sensato.
A cerca não era muito protegida, era como um convite para os curiosos. Algo ironicamente curioso. Após pularem, sem muitas dificuldades, perceberam que alguns corpos em putrefação eram visíveis, cabeças e maxilares quebrados e dilacerados por todos os lados, corpos de mulheres brutalmente violentadas, havia manchas e respingos de sangue por toda a parte, e alguns membros presos por algumas árvores, mas nenhum sinal de pneus ou pegadas para nenhuma direção.
Sacaram suas armas, cada um com um revolver feito de titânio e latão, com acabamentos feitos de carvalho e capacidade para nove balas de calibre ponto308, e começaram a seguir em frente, em guarda e com grande receio avançavam de maneira cautelosa, por entre as paredes das casas daquela cidade fantasma. Pouco mais de um quilometro depois, já haviam saído da cidade há alguns minutos, uma placa enorme dizendo "Não ultrapasse. Perigo de morte" se posicionava no meio da planície congelada.
É a linha de segurança que tinham.
Um rádio chiava cada vez mais alto a cada passo que davam após a placa.
Cada vez mais, eles adentravam em um enorme cemitério de arvores, a muito mortas pelo frio, mas que se negavam a perecer dentre as toneladas de neve e terra que ali existia. As folhas já não podiam ser vistas, isso se algum dia já existiram, mas ainda assim, a floresta conseguia ficar cada vez mais densa, é como se a taiga que ali existiu, resolveu permanecer nesta terra abandonada pelos deuses, marcando sua presença histórica pelo resto dos tempos, com sua madeira acinzentada se tornado cada vez mais escurecida.
— Isso não é bom... — disse Amber, demonstrando um intenso medo — Isso não é bom mesmo.
— Eu sinto alguém se aproximando, isso é familiar. — Assim que terminava de dizer, ouviram a voz de uma criança. Uma voz inocente, mas impossível de entender.
Andaram mais um pouco, e não muito a frente perceberam troncos de arvores no chão, bloqueando o caminho.
— Parece recente — Dalmonius examinou os troncos por alguns segundos, sem sequer agachando-se — alguém sabe que estamos aqui. — Ele disse sistematicamente, quase como se aquilo fosse algo casual. Mas ele sabia o que aquilo significava, — Acho que é hora de voltar.
— Nós não concluímos a missão! — disse Kira irritado — Obviamente tem alguma coisa aqui e você quer voltar sem saber o que é? — Ele apontava para os troncos, enquanto gesticulava com a outra mão, movimentos que apontavam para a floresta a sua volta.
— Não tem a ver com medo, quero que fiquemos vivos.
— Isso não me interessa, eu vou... — Ele movimentou-se a maneira que demonstrava seus planos de ir atrás do que quer que seja aquilo que causou a queda das arvores. Mas enquanto discutiam, ouviram um grito, e reconheceram-no na hora.
Vinha da Amber.
Correram institivamente na direção da origem do grito, somente para testemunharem ela sendo puxada para um buraco cavado de maneira bruta na neve e terra.
— AMBER! — gritou Kira, que entrou no buraco em que ela foi puxada, caindo uma altura de aproximadamente 3 metros, caindo na neve fofa e nos vários corpos, alguns ainda quentes, de vítimas mal afortunadas, e se deparando com um animal absurdamente horrendo, algo que se assemelhava a um híbrido macabro entre um urso, um lobo e um boi almiscarado, com quatro membros posteriores semelhantes aos braços de um urso, a cabeça de um lobo com os chifres do boi almiscarado, suas pernas se assemelhavam as de um boi, mas suas patas eram como as do urso. Seus olhos eram grandes e eram da mesma cor do pelo branco como a neve, mas suas pupilas lembravam as de um réptil ou de um gato, contraídos ao ponto de serem duas finas fendas, e sua boca se arreganhava, mostrando os vários dentes pontudos e cobertos de sangue.
— Mas o que diabos é isso?
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