Holopan e Varinha
1 Capítulo 1 - Where Heroes Lies
O vento não perdoava ninguém naquela noite fatídica. Mais um havia morrido: a matriarca da família morrera nas ruas do vilarejo próximo. Um selvagem duelo a matara no meio da rua central do vilarejo trouxa. Seu marido chegara e matara os três que a cercaram. Somente três Holopainen sobravam: o patriarca, o filho mais velho e o filho recém nascido deste. Isso já se prolongava a tempo demais. A orgulhosa família Holopainen estava sendo caçada. Os maiores aurores do mundo desde a época das cruzadas. Os maiores, os melhores. Sobravam somente três.
O patriarca chorava a morte de sua amada esposa, quarenta anos encerrados de forma tão brusca... Mas seu neto nascera. Seu filho mais velho já havia matado ou prendido diversos daqueles que tentavam encerrar com a linhagem Holopainen, e ainda estava vivo. Ainda havia esperança.
Na tenebrosa noite que sucedeu o dia do assassinato de sua esposa, ele havia decidido acabar com aquilo de uma vez por todas. Enviou aos assassinos o endereço do Castelo Holopan que estava protegido por magias antigas e poderosas. E por um Feitiço Fidélius. Correu para falar com seu filho.
O encontrou no seu quarto, rosto lavado por lágrimas, seus cabelos longos caindo displicente sobre seu ombro, a roupa encobrindo o físico poderoso. Estava sentado na cama. Quando seu pai entrou, ele virou o rosto deixando-o oculto por um véu negro formado por seus cabelos. Era orgulhoso demais para permitir que seu pai visse suas lágrimas. A esposa de seu filho estava encolhida na cama, no lado oposto ao de seu marido. Em seus braços, envolto por seda branca e pura estava o futuro do clã Holopainen.
— Preciso falar com você, meu filho. Sobre a sua fuga. — Essa fora a gota d’água. Ele sabia disso. Seu filho levantou bruscamente e o encarou nos olhos.
— Um Holopainen nunca foge. Um Holopainen nunca morre por velhice. Um Holopainen nunca morre sem lutar. E nunca morremos sem levar um inimigo conosco. Essa é a sina de nossa família. Somos guerreiros sem par. Espada e Magia. Holopan e varinha. — Por isso ele tinha ocultado as lágrimas: um Holopainen nunca morria de velhice. Sua mãe morrera com honra, levando consigo cinco dos oito que a cercavam. Ela morrera com honra e com luta. Como um Holopainen, mesmo não possuindo o sangue da família. Sua morte não deveria ser lamentada, segundo a tradição.
— Meu filho, as tradições são antiquadas. Nossa família morre por nada. Morre por orgulho. Dumbledore já nos ofereceu abrigo. Nosso palacete em Londres já está preparado. Pegue sua esposa e vá. Eu já preparei tudo. Eles não sabem que você ainda está vivo. Não sabem que você tem um filho. Nossa linhagem continuará! — Ele estava gesticulando muito. Devia ter convencido seu filho antes de quebrar o feitiço. Eles poderiam chegar a qualquer momento.
— Mas pai... — ele continuava o encarando. Ia falar da honra da família.
— O que é mais importante: nunca fugir ou nunca morrer sem lutar? — O velho começava a suar. Ele podia sentir as barreiras erguidas há séculos fraquejarem e serem anuladas, uma a uma.
-Nunca morrer sem lutar! — uma resposta rápida. Era obvio que uma fuga poderia ser encarada como uma retirada rápida para conseguir armas melhores, mas morrer sem lutar era inadmissível.
— Seu filho. Ele é um Holopainen? Ele merece esse nome? — O pai agora apelava para a única coisa que faria seu filho fraquejar.
O vento assobiava pela janela e o clarão súbito de um relâmpago sobrepuja o brilho avermelhado da fogueira. Seu filho o encarava, pasmo.
— É claro que é! Claro que merece! — a raiva começava a avermelhar o rosto do filho. Duvidar da honra do filho era duvidar da honra do pai.
— Então ele deve morrer como um! Com espada e varinha! Com honra! Levando quantos inimigos puder. Agora ele está indefeso! Como espera que ele honre o nome da sua família?
O filho encarava o pai afônico. Sua boca estava aberta em descrença. Foi o golpe mais baixo que ele já vira na vida. Foi um golpe movido pelo desespero.
— Muito bem meu pai. Um excelente ponto de vista. Não havia pensado nisso. Minha esposa e meu filho vão aparatar para Londres. Lá eles ficarão seguros. Eu ficarei e morrerei como um Holopainen. — ele sorria, estava aliviado que seu filho sobreviveria. Os Holopainen não iriam cair.
— Você vai com eles. É uma ordem. Um Holopainen não será criado sem um mestre. Quando seu filho estiver pronto procure a morte honrosa que quiser.
Seu filho parecia frustrado, mas o velho estava irredutível. Sua esposa já se levantara e havia começado a arrumar as malas. Subitamente um estrondo ecoa pelo castelo. A pesada porta de madeira reforçada caíra.
— HOLOPAINEN! — a voz ecoava, ampliada por magia — estamos aqui. Só falta você. Venha para que o mandemos para perto de sua sagrada família.
— Vão! Rápido! — o velho começava a se preparar. Sua varinha riscava o ar em padrões de complexidade crescente.
O filho olha para o pai e o abraça uma última vez. Pega sua mulher e seu filho e segura a chave de portal para a casa em Londres. Um puxão no umbigo o informa da funcionalidade do objeto. Tudo se torna borrado e a última coisa que vê são os acordes finais dos feitiços de proteção e a Espada Holopan na mão de seu pai.
Segurança. O espelho cai no chão quebrando-se com o impacto. O filho corre para fora do quarto aonde chegara. Ele corre até localizar o Espelho da Vidência. Parando em frente ao objeto, ele murmura as palavras de ativação e gesticula com a varinha. O reflexo do espelho se embaça e é lentamente substituído por uma imagem aérea do Castelo Holopan. Guiando o sensor mágico, ele entra no castelo e procura até chegar ao salão principal. Lá seu pai lutava. Seu pai já tinha sessenta anos, mas lutava com um vigor sobrenatural.
Espada e magia. Holopan e varinha. Como um verdadeiro Holopainen ele lutava. Estava cercado por mais de dez bruxos e mais cinco jaziam caídos no chão estuporados, mortos ou imobilizados. Diversas queimaduras cobriam seu corpo e um grande escudo translúcido impedia que as maldições de morte o atingissem. A Espada Holopan dançava na mão de seu pai. Uma nova onda de feitiços o atinge, mas ele continua a lutar. Seu pai estava num enlevo mortal. Outro feitiço o atinge. Ele grita de dor, mas continua lutando. Outra onda de feitiços. Seu pai cai de joelhos e olha ao redor. Fala alguma coisa. O Espelho não passava os sons. Com um súbito giro de varinha, um fogo branco surge num arco, seguindo a varinha. Diversos atacantes são atingidos. O fogo sagrado queima o mal com mais força. Todos os atingidos viram cinzas em poucos segundos. O feitiço consome a energia de seu pai que cai novamente de joelhos. A Espada Holopan cai no chão, sua lâmina sagrada novamente fosca fora das mãos de um Holopainen. Um clarão verde, o escudo estilhaça e seu pai jaz morto no chão. Fora atacado por quinze bruxos. Matara doze. Somente três inimigos sobreviveram à fúria do patriarca Holopainen.
Separado pelo mar, seu filho cai de joelhos e chora. Chora como uma criança. Sente um toque macio em seu ombro e se vira. Sua esposa estava de pé ao seu lado. Como sempre estivera. A mãe de seu filho. Ele abraça sua cintura e volta a chorar.
— Meu pai... — é tudo que ele consegue dizer.
— Eu sei... — é tudo que ela consegue responder.
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Anos se passaram desde aquele momento. Os dons da família Holopainen eram fortes no jovem nomeado Mitkov. Com um ano ele já havia aprendido a ler. Com uma pequena ajuda de sua mãe. Aos quatro, o Dom mais característico se manifestara: ele compreendia todos os idiomas. Era capaz de falar com qualquer ser humano. E com qualquer animal.
Quando o Dom das Línguas surgiu, seu pai decidiu que ele estava pronto. E começou o treinamento. Ele ainda não havia manifestado o Dom da Magia, mas isso era questão de tempo. Sua família nunca produzira abortos. E não iria começar com ele. O sangue da criança era o mais puro possível. A família de sua esposa também era de sangue puro.
Sua esposa reclamou quando o treinamento começou. Ele tinha apenas quatro anos. E estava praticando a arte com espadas da família Holopainen. Seu pai o fazia correr. O fazia fazer exercícios. Exercícios leves, sim, mas ainda muito superiores aos das brincadeiras de uma criança da sua idade.
Em seu tempo livre, Mitkov lia. Não conseguia compreender o porque de sua magia ainda não ter aparecido. E tinha apenas quatro anos.
Aos cinco, percebeu que podia mudar de forma. Nada muito brusco, mas mudava. Cor e formato do rosto, cabelo, corpo...
Sua mãe riu quando soube. Seu pai continuava sério. Seu pai estava sempre sério. Ele trabalhava como auror no Ministério. E investia o dinheiro da família. A família Holopainen estava cada vez mais rica.
— É um dom que minha bisa tinha. — Era sua mãe — Ela era uma metamorfomaga. Não pensei que conseguisse passar isso. Eu mesma tenho dificuldade até em transfiguração simples. — e ria.
Seu pai o olhava. Ele estava com os cabelos azuis. E o nariz grande e pontudo. Seus lábios estavam grossos e roxos. Ele sorria. Seu pai não.
— Esconda essa habilidade. Certos dons são mais úteis quando desconhecidos. Diga por que esse dom é útil.
Ele olha para o pai e com um aceno de cabeça suas feições voltam ao normal. Inspira e responde:
— O fator surpresa é importante. Com um dom como esse, o inimigo não poderá saber se sou amigo ou inimigo até ser tarde demais.
— Muito bem.
E se sentaram novamente. Voltaram a comer. O palacete mantinha-se da mesma forma desde que chegaram. Uma eterna lembrança do que seu pai havia perdido.
Dois dias depois recebem a notícia. Dumbledore havia morrido. Assassinado por Severo Snape.
Seu pai se arruma apressado quando recebe a notícia.
— Nós devemos muito a Dumbledore. Vou caçar Snape nem que seja a última coisa que eu faça.
Sua mãe simplesmente olha nos olhos de seu pai e pergunta:
— O treinamento de seu filho está completo? Ele já é capaz de tecer feitiços? Prepara uma boa poção? Adivinha onde estão os inimigos? É perito em se defender contra as Artes das Trevas?
Seu pai olha para sua mãe embasbacado. Tira o sobretudo que havia acabado de colocar e o joga no chão. Fecha e abre as mãos em nervosismo aparente.
— Você quer que eu não faça nada por Dumbledore? Você quer que eu simplesmente fique e espere que tudo se resolva? Quem você acha que vai caçar Você-Sabe-Quem?
Com um suspiro, sua mãe se levanta e abraça seu pai. Os braços de seu pai continuam estáticos ao lado do corpo. Suas mãos abrindo e fechando.
— O Menino que Sobreviveu. É o que todos esperamos. A segunda ascensão d’Aquele-Não-Deve-Ser-Nomeado não sairá impune. Dumbledore com certeza tinha planos de contingência. Ele não pediu sua ajuda. Ele não o convidou para a Ordem da Fênix. Ele sabe que seu filho precisa ser criado. Ele sabe...
O homem a interrompe e sai de seus braços. De repente ele se vira e acerta um soco no espelho que estava a seu lado. Sua mão sangra com os cacos de vidros ainda enfiados em sua carne. Um pequeno grupo de elfos domésticos limpam rapidamente a sujeira e recolhe o sobretudo do chão. O homem se senta na poltrona e respira fundo, olhando para o teto onde dezenas de velas flutuavam. O mosaico no teto mostrava um homem armado com uma espada e uma varinha enfrentando um grupo de três pessoas trajadas de negro. Ele fecha os olhos e diz:
— Muito bem. Mas assim que ele possuir todos os dons eu vou recuperar a Holopan.
A mulher sorri e se senta novamente. Ninguém percebe a criança oculta atrás da porta.
A Guerra segue sem o envolvimento dos Holopainen. O pai pede demissão e eles saem do país. Vão passar férias nos Estados Unidos, onde seu pai tinha um escritório em Nova York. Trabalhando exclusivamente com o dinheiro que já tinham, ele começa a investir com mais cuidado e empenho. Compra empresas no mundo trouxa e no mundo bruxo. Faz essas empresas crescerem. Tudo alheio à guerra em Londres.
Pouco menos de um ano depois da morte de Dumbledore, eles levam o filho no Central Park. A mãe insiste que ele brinque com outras crianças. Mitkov estava agora com seis anos. No parque, os pais ficam observando de longe, aproveitando um dos raros momentos em que seu pai aceitava uma distração do trabalho e do treinamento.
Mitkov não gostava das outras crianças. Eram imaturas. Ele olha para os pais e sua mãe sorri em resposta. Ele abaixa a cabeça e se senta no balanço. Sozinho. Ele balança tristemente para frente e para trás. Sua mãe havia proibido até mesmo que ele trouxesse livros. Então ele não tinha o que fazer. Via as outras crianças brincando, mas não tinha vontade de se juntar a elas.
Alguns minutos depois um garoto se aproxima. Alto e com a pele negra como o piche, os cabelos num rastafári bem cuidado. Aparentava a mesma idade de Mitkov. Exceto pela altura. Aproxima-se rindo, seus dentes muito brancos faiscavam sob a luz do sol.
— Por que você está aí sozinho? — o garoto se aproximava sem medo. Sentou-se no balanço ao lado e começou a balançar com energia.
Mitkov o olha, seus olhos verdes vagando pelas crianças ao longe.
— Não quero. — simples, direto. Detestava barulho. Não gostava de falar muito.
— Vêm brincar com a gente. — o garoto o olhava, quase rindo. — Se você for eu te mostro uma coisa legal...
— Que coisa? — Mitkov era acima de tudo curioso. Esse era seu maior defeito.
— Mágica. Eu faço uma mágica pra você. — o garoto sorria enquanto Mitkov o olhava atentamente.
— Se não for um truque barato eu vou! — Mitkov esperava que fosse mais um “coelho da cartola”. Os trouxas não faziam ideia do que era magia de verdade.
— Promete? — o garoto ainda sorria.
— Prometo. — Mitkov odiava promessas. Ele sempre cumpria sua palavra.
Ainda rindo, o garoto olha ao redor e fixa o olhar numa árvore.
— ‘Tá vendo aquela árvore lá? — diz apontando para uma árvore frutífera próxima.
— Estou. — Mitkov olhava ansioso. Esperando algo estranho. E nada, Até que subitamente uma fruta explode. Logo depois a fruta que ele estava olhando explode também. Ele leva dois sustos. Um pra cada fruta.
— Você sabe fazer também! — o garoto o olhava intrigado. — Você também é um bruxo?
Nisso os seus pais aparecem. Surgem como se sempre estivessem ali. Olham para o garoto assustados e seu pai o pega no colo. Seu pai raramente o pegava no colo. Com um giro de seu pai, eles estavam em casa.
— O quê você fez? O que você falou para aquela criança? — seu pai parecia transtornado. — Você falou seu sobrenome? Disse quem você é? Por que as frutas explodiram daquela forma?
— Eu não falei nada... Ele que se aproximou de mim... Ele que explodiu a fruta. Ele só queria brincar comigo... — Mitkov não chorava, mas estava nervoso. Olhava para o chão com medo da fúria paterna. Será que fora ele a estourar a segunda fruta? Será que ele finalmente demonstrava o dom da magia? Ele queria ficar sozinho. Precisava pensar.
Seu pai olha para ele por uns instantes e, dando-se por satisfeito, sai da sala. Mitkov corre para o quarto, procurando não ser visto. Obviamente falha, pois assim que entra em seu quarto, sua mãe o encontra.
— Foi você que estourou a segunda fruta, não foi? — simples e direta. Sem meias palavras. Essa era sua mãe.
Ele só foi capaz de acenar com a cabeça um sim rápido. Sua mãe sorri e lhe mostra uma maçã que trazia oculta atrás do corpo. Coloca a maçã sobre a cômoda e se senta na cama, dando duas palmadinhas ao seu lado, indicando um lugar para o filho se sentar. Ao sentar-se ele sente as mãos da mãe em seus ombros e ouve a voz melodiosa e doce de sua mãe dizendo:
— Tente novamente. Não tem problema se não conseguir. Na verdade ficaria surpresa se conseguisse. Mas não custa tentar. — ela sorria levemente e olhava para a maçã.
Mitkov também olha para a maçã e começa a se concentrar. Olha bem para o meio da fruta. Imagina ela explodindo e, sem perceber, começa a prender a respiração. Quando ele já estava desistindo e ficando sem ar, a maçã subitamente explode, espalhando sumo para todos os lados. Ele respira aliviado e olha para a mãe que estava sobressaltada com a súbita explosão.
Ela se levanta e olha para ele. Lágrimas começam a correr por seu rosto, tímidas a principio, mas ganhando força rapidamente. Ela o abraça forte e somente diz:
— Meu bruxinho...
No dia seguinte, ele é acordado por seu pai. A visão ainda embaçada pelo sono, ele vê a forma difusa de seu pai sentado na beirada da cama. Uma de suas mãos estava no rosto do filho. Seus olhos muito verdes vendo a cara de sono do filho. Mitkov começa a despertar e olha para o pai com mais atenção. Olha para o seu despertador em forma de dragão e volta a olhar para o pai com um ar inquisitivo. Passava pouco das três da manhã.
— Soube que você é agora um bruxo... — seu pai parecia preocupado com alguma coisa, mas erguera a mão, impedindo Mitkov de falar. — Você vai estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. A guerra acabou meu filho. Harry Potter derrotou Você-Sabe-Quem. Agora ninguém mais persegue os Holopainen. Agora eu posso descobrir o que aconteceu depois de sairmos do castelo. Posso descobrir o por quê de terem nos caçado com tanto ardor. Cuide bem da sua mãe. — Seu pai se levanta, a expressão severa de seu rosto sumindo lentamente até se transformar num sorriso. Seu primeiro sorriso desde que vira Mitkov pela primeira vez. — Tenho muito orgulho de você, filho. — E, com um giro, some no ar.
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A família Holopainen, agora composta por duas pessoas, voltou para Londres, para sua velha mansão. As regras eram muito mais brandas e o jovem Mitkov já estava com dez anos. Mais um ano e ele iria para Hogwarts. Desde que seu pai sumiu, Mitkov não interrompeu seu treinamento. Ainda fazia exercícios regulares e mantinha uma alimentação saudável. Estudava a tarde toda, colocando em dia tudo o que precisaria saber durante o seu primeiro ano em Hogwarts. Comprara uma varinha com nove anos e praticava diariamente. Descobrira outra paixão além dos livros: a música. E passou a dedicar suas noites às suas paixões. Contratara professores particulares para o ensinarem a tocar. Tinha uma profunda paixão por teclados e violinos. Dava graças por ainda não ter o rastreador, pois quando saia com a sua mãe, acabava não resistindo e utilizando a varinha para alguma coisa.
Mas continuava anti-social. Detestava pessoas da sua idade. Eram muito imaturas. Por isso ele lia. E tocava. Sua mãe era uma excelente administradora e fazia faculdades no mundo trouxa. Era raro estar em casa. Geralmente ficava numa casa em Oxford, deixando seu filho com seus professores. Seus dias eram cheios, acordava às cinco horas da manha e tomava um café da manhã reforçado. Às cinco e meia começava seus exercícios físicos, numa academia montada num cômodo isolado da casa. Às oito tinha um professor particular que o ensinava o que ele iria aprender em Hogwarts. Ele fora criado para estar preparado. Então estaria sempre um passo a frente dos outros. A aula preparatória terminava ao meio dia, quando ele almoçava. Depois do almoço, geralmente por volta de meio dia e meia, ele tinha lições de musica. Às três ele tinha aula de Ken-Do e de esgrima, pois era o mais próximo que teria das aulas que tinha com seu pai. Às oito ele tinha descanso, por ordem expressa de sua mãe. Então ele lia todos os tipos de livros. Em todas as línguas possíveis. Sempre ficara maravilhado com esse dom. Seu pai nunca explicara de onde ele viera e sua mãe não sabia a resposta. Essa era sua rotina. Aos sábados e domingos sua mãe o proibia de estudar e praticar qualquer atividade não recreativa. Então ele adquirira o habito de ler. E tocar. Freqüentemente ao mesmo tempo. Essa era sua vida. Solitária e sem outras pessoas. Ele era só, pois não sabia onde seu pai estava. E não gostava de passar muito tempo com a sua mãe por que ela o obrigava a socializar com outras pessoas. Ele gostava da solidão. Ele esperava que em Hogwarts lhe ensinassem tudo o que precisava para ser auror. Por que seu pai não estava lá para fazer isso. E freqüentemente ele chorava a noite por isso.
Até o dia que chegou uma carta. Escrito em tinta verde-esmeralda e com um lacre vermelho. Suas mãos tremeram de emoção ao ver. E ele sorriu ao ler o conteúdo.
ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA HOGWARTS
Diretora: Minerva McGonagall
(Ordem de Merlin, Primeira Classe).
Prezado Sr. Holopainen,
Temos o prazer de informar que V. Sa. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista de livros e equipamentos necessários.
O ano letivo começa em 1º de Setembro. Aguardamos sua coruja até 31 de julho, no mais tardar.
Atenciosamente,
Horácio Slughorn
Diretor Substituto
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