As gincanas aconteceriam todas as noites até o término do acampamento. Fiquei grata de ter ficado no mesmo time que Ester, o Vermelho. O primeiro desafio era uma caça ao tesouro macabra, com monitores fantasiados de monstros e seres assustadores. No fundo, no fundo, eu sabia que aquelas pessoas estavam ali para impedir que pessoas (como eu) não participassem da brincadeira ou que casais não ficassem se agarrando em lugares aleatórios.

Ester mal prestou atenção às instruções do monitor e, quando foi dada a partida, ela queria me arrastar para a parte pesada do jogo, o que, segundo acampantes mais velhos, incluía rolar na grama, molhar-se e outras coisas do gênero.

– Vamos combinar uma coisa — avisei a Ester — você vai e faz o que quiser, e eu fico aqui, vigiando a movimentação dos outros times.

Pobre garota, mal sabia que meu verdadeiro intuito era ficar "plantada" enquanto outras pessoas tivessem que se sujar à toa. Quando ela se juntou ao resto do time, que já marchava rumo ao refeitório, sentei-me em um bloco de cimento e fui observar as estrelas. Se algum monitor (monstro) passasse por ali, minha desculpa seria a mentira mais mentirosa possível: "estou com dor de cabeça".

Felizmente, não cheguei a mentir para ninguém. Algum tempo havia se passado quando um grupo de adolescentes, por volta de dezesseis ou dezessete anos, passou correndo perto da árvore que me escondia. Gritavam: "tá rolando uma briga por lá" e outros perguntavam "a Katherine, de novo?" "Sim", respondiam.

Aquele nome podia ser comum nos Estados Unidos, mas eu estava bem certa de que a garota mencionada era uma das patricinhas mencionadas por Ester. Decidi seguir o grupo e tirar minhas próprias conclusões. Segui-os por uma trilha pouco iluminada até um riacho, talvez até mesmo uma lagoa.

"Você não tem o direito de flertar com meu homem!"

"Eu não sabia que ele tinha namorada. tá?" a outra voz, de uma garota com sotaque russo — o qual eu só conhecia graças a Jornada nas Estrelas -, respondeu.

"Ei!" uma terceira voz interferiu; esta, por sua vez, vinha de um garoto, e era forte e alta "Parem de brigar! Eu nunca disse que estava compromissado, então calem a boca porque nenhuma de vocês está com a razão."

"Cala a boca, querido" Katherine respondeu rispidamente "você mesmo disse que eu era 'uma gatinha' e agora nega que me quer?"

O acampamento inteiro já estava aglomerado ao redor daqueles três. Bem feito, pensei, se meter com essas coisas de namorico só resulta em confusão.

Finalmente algum adulto decidiu amenizar a briga e mandou que todos nós voltassemos aos seus respectivos alojamentos. Nunca fiquei tão feliz por uma discussão idiota.

Notas finais
Após semanas e semanas de discussão sobre quem seria a próxima a postar e o que aconteceria, decidimos alternar os POV's das personagens. Espero que gostem :)