A noite chegou e todos foram para o jantar. Hoje seria um jantar especial porque pela primeira vez a professora Hallugo jantaria com todos ali presente.

– Por que essa mulher é tão importante? – Duda diz.

– Sei lá – Dani diz.

– Ao menos a comida é boa, calem a boca – Paulo diz.

– PUTA QUE PARIU! – Arthur exclama.

– O que foi? – Americo diz.

– Olha o decote da Ingrid – Arthur sussurra –, eu tô é morto.

– Eca, peitos – Americo diz.

Todos o encaram com uma cara de que não estavam entendendo nada.

– Você chupa uns dez por mês, o que é que tu tá falando? – Paulo diz, ainda o encarando.

– Não sei vocês, mas eu manterei minha castidade até o casamento – Americo rebateu.

– Aquela que você perdeu com dez anos? – Arthur diz, rindo e todos riem também. Duda não aguenta de tanto rir e acaba derramando uma tigela com frango no chão.

– Nossa! Não sabe rir que nem gente? – Hanna diz.

– Tem um armário com vassouras e esses bagulhos lá em cima – Dri diz.

– Vou lá pegar – Duda diz.

– Lá é bom pra se pegar mesmo – Paulo diz e olha pra Dani.

Duda subiu as escadas e seguiu para o armário, quando abriu o mesmo a primeira coisa que ela fez foi gritar. Viu sua amiga cheia de sangue jogada no chão.

– MARIA! – Duda gritou. – SOCORRO!

Álvaro, Tonioli e Arruda vieram correndo o mais rápido.

– O QUE ACONTECEU? – Arruda gritou.

– Eu não sei, eu a encontrei assim – Duda diz desesperada.

– MEU DEUS, ELA TÁ SANGRANDO! – Álvaro fala.

– Me ajudem a levá-la para a enfermaria, porra – Duda gritava, e então os três pegaram Maria no colo e a levaram.

A enfermeira não deixou Duda entrar então a mesma voltou para o refeitório com as mãos ensanguentadas.

– O QUE ACONTECEU? – Hanna viu Duda cheia de sangue.

– A Ma-Maria... – ela disse, soluçando em meio ao choro. Hanna a puxou para sentar-se.

– FALA LOGO, PORRA! – Ana gritou.

– Calma, Eva – Americo diz. – O que aconteceu, Duda?

– Eu a encontrei cheia de sangue no armário... – Ela chorava ao lembrar.

– Ela está morta? – Bruna disse, já chorando.

– Não sei! Ela parecia... Parecia que... Alguém estu-tuprou ela – Duda disse e todos ficaram em silêncio.

– QUEM FOI? – Gabriela gritou. – SE EU ACHO ESSE FILHO DA PUTA EU MATO ELE.

– Calma – Vivaldo diz. – Vamos descobrir quem fez isso. Enquanto isso, tenham cuidado, garotas – ele puxa Hanna pra perto.

– O que houve, garotos? – O reitor viera correndo com Hallugo e alguns professores.

– Duda encontrou Maria toda ensanguentada dentro do armário... Alguém a estuprou – Arthur explica.

– Onde ela está? – o reitor pergunta.

– Na enfermaria – Americo responde.

– Fiquem em alerta, garotos! – Hallugo diz. – Que tudo fique bem com ela.

Os dois foram direto à enfermaria e lá encontraram Maria, ela já estava limpa e quase acordada. Duda fora junto também e todos estavam preocupados com Maria.

– Vão – Duda diz. – Eu fico com ela.

– Se ela acordar, me chame – o reitor diz.

– Tudo bem.

Já era três da manhã e Duda não tirava os olhos de Maria, foi 3h30m que Maria despertou.

– MARIA? – Duda gritou. – ME RESPONDE, CARALHUDA.

– Que foi? Tá fumando? – Maria esfregou os olhos. – Ai, eu fui violada.

– POR QUEM? QUEM FOI O FILHO DA PUTA?

– Duda, eu preciso de água, eu preciso respirar, ok? – Maria diz com os olhos marejados.

Duda se levanta e vai buscar um pouco d’água pra Maria.

– Ok, agora você pode me contar? – Duda diz.

– Sim... Eu estava andando pelo corredor e só me lembro de ter visto o Beto. Ele não estava bem, parecia cansado... Então ele me beijou e me levou pra o armário e eu desmaiei logo depois.

– O BETO? – Duda grita.

– Sim... – Maria diz chorando e Duda a envolve em seus braços, fazendo assim com que as duas dormissem ali.

O reitor viera correndo no meio da madrugada e acordara Maria, pedindo por explicações sobre o fato ocorrido.

– Foi o Beto – Maria disse, depois de explicar tudo. – Ele não estava bem, não parecia ele, sabe? Eu não quero que o expulsem, tentem descobrir o que está havendo, por favor.

– Você tem um ótimo coração, filha – a enfermeira diz e se retira.

***

O dia amanheceu e parece que a notícia de que Beto havia estuprado Maria se espalhara em segundos, todos na faculdade cochichavam e falavam sobre Beto e Gabriela, e bem, Gabriela ainda não sabia disso. No refeitório todos olhavam pra ela.

– Por que todo mundo tá olhando pra mim? – Gabriela diz.

– Ninguém te contou? – Letícia diz.

– Contou o quê? – ela diz com cara de confusa.

– Nossa, sério? – Ana diz. – Aconteceu algo terrível ontem.

– Falem logo.

– O Beto estuprou a Maria – Letícia disse e Gabriela congelou.

– O quê? – Gabriela diz com os olhos marejados. – Me deem licença.

Ela saiu da mesa e avistou Beto – que não havia sido chamado pelo diretor, ainda – andando até o refeitório.

– SEU FILHO DA PUTA! – ela disse, tirando o extintor de incêndio da parede e jogando em Beto, todos olharam para eles. – COMO VOCÊ PÔDE FAZER ISSO COMIGO E COM ELA? SEU FILHO DA PUTA! – Ela começa a estapear Beto e o mesmo a empurra.

– Me xingue novamente e você verá o filho da puta – Gabriela estava com o cotovelo machucado, mas se levantou novamente.

– VOCÊ É UM FILHO DA PUTA SIM, TÁ ACHANDO RUIM VAI RECLAMAR COM A SUA MÃE! – Ela corre pra cima dele e dá um soco em seu rosto, Beto não sofre alterações, mas Gabriela contorce a mão por uns segundos. – Roberto, por que você fez isso comigo? – ela diz, chorando. – Eu te amo tanto, aliás, amava. Eu não acredito. – Ela o estapeava, mas o mesmo arregalara os olhos e olhava ao seu redor como se nunca tivesse entrado naquele lugar.

– O que eu fiz? – ele diz. – Eu não fiz nada. Amor, você tá bem? O que está havendo?

Gabriela ri ironicamente.

– Agora você não sabe, né? Mas quando me empurrou há cinco minutos você não disse isso. Como você pôde, Beto? A Maria? Sério mesmo que você estuprou a Maria?

– O quê? Você tá louca? Eu não fiz nada.

– Gabe, vamos – Letícia disse, puxando Gabriela para longe dali.

– Espera. – Ela se virou para Beto e deu-lhe um soco que todos no refeitório gritaram “uh”, mas dessa vez ele sentiu a dor. E ela saiu junto com Letícia.

– Gabriela... Amor... Volta aqui! – Beto disse, com voz de choro.

– Roberto Diniz? – A voz do reitor ecoou. – Minha sala, agora.

***

A entrega do trabalho de Psicologia do Desenvolvimento da Criança e do Adolescente era hoje. Todos estavam satisfeitos por terem cuidado tão bem dos seus bebês, exceto Barbara e Vick.

– Nunca mais faço trabalho com você, sério – Vick diz.

– Ah, vai se foder – Barbara diz. – Eu amo tanto crianças que vou contratar duas pra trabalharem pra mim.

– Olá alunos! – a voz da professora ecoou pela sala. – Vejo que estão bastante satisfeitos com a semana com o bebê – ela sorriu. – Entreguem-me.

– Com prazer. – Barbara quase jogou o bebê sobre a mesa da professora.

– Beto e Clara, parabéns, vocês ficaram com a nota máxima! – ela disse e eles esboçaram um sorriso ao se entreolharem. – Barbara e Vitória, ficaram com 0.

– 0? – Vick gritou. – A senhora deve ter se enganado.

– Não, não! – ela diz. – Vocês não foram bem.

– O quê? Eu fui ótima – Vick reclama, indignada.

– Trabalho em grupo, criança. Em grupo!

***

Letícia estava com pressa, e como o destino não gostava dela, ela trombou Paulo.

– Ai, vê se olha por onde anda! Imagina se você me machuca – resmungou Paulo, e Leti olhou-a indignada. Desde quando o Paulo era fresco?

– Ah, vai se foder Paulo. Você que entrou no meio – rebateu a mesma.

– Então vem se foder comigo – ele disse malicioso. Leti sorriu.

– Não, obrigada – ela diz.

– Sei que você quer – ele disse e ela, automaticamente, foi ao encontro de seus lábios.

Eles foram se beijando até o final do corredor, onde perderam o ar e se desencostaram, e foram em direção a Dazer.

Chegando lá, subiram a escada e foram em direção ao quarto da Letícia novamente aos beijos. Eles nem se importaram de fechar a porta, o que iria ser um grande e terrível erro.

Paulo arrancou a blusa e o sutiã de Leti, e Leti arrancou tudo o que havia no corpo de Paulo, e ele a penetrou. Ela gemeu alto. E ele fazia movimento de vai e vem.

Então, Ingrid chega ao quarto.

– Puta que pariu, eu acho que atrapalhei – disse Ingrid, gargalhando alto, e trancou a porta.

– Ai meu deus, sai daqui – Paulo começou a procurar os cobertores para cobrir seu corpo.

– Fofo, se eu quisesse já ter visto esse corpo, eu estaria no lugar da Letícia – retrucou Ingrid, ainda rindo.

Foi quando ouviram batidas na porta.

– Ei, Leti! Tá ai? Eu e a Dani temos uma ideia simplesmente genial para zoar com a Jay! – era uma voz familiar. A voz de Bah. Leti arregalou os olhos.

– NÃO! Não entra aqui! – gritou Leti.

– Por quê? – perguntou Dani.

– Ahn... tem baratas! – ajudou Ingrid, vendo o desespero da amiga.

– Ah, por favor. A universidade inteira sabe que eu não tenho medo de baratas, me deixa entrar – pediu novamente Barbara.

– Não, Bah. Tem borboleta aqui – disse Paulo.

– Paulo, eu não sou viada. Existe uma diferença de pegar mulher e ser viada. Deixa-me entrar se não arrombo essa porta, e não vai ser nada legal – Barbara falou, alteando o som de sua voz. Dani arregalou os olhos, porque não duvidava de sua amiga para fazer a tarefa citada. – ESPERA, POR QUE TU TÁ AÍ DENTRO, PAULO?

Por fim, Ingrid abriu a porta. E Barbara olhou.

– Não... – Dani disse.

– Dani, eu juro, juro que te explico. Eu só... Deixe-me procurar as minhas roupas. – Paulo estava confuso, ele nem devia estar ali, para início de conversa.

– Não perca seu tempo. Eu não quero ouvir nenhuma palavra sua – Dani saiu de lá, com lágrimas nos olhos.

– Bah... – Leti olhou-a.

– Não. Não me venha com Bah. Nem você, Miguel. Eu não quero nunca mais saber de vocês na minha vida. Nunca – Barbara disse, dando fim na conversa e indo direção de Dani.

– Eu não posso... Eu não posso acreditar – Dani soluçava.

– Dani, olhe para mim – ela olhou. – Você não está sozinha, ok? – E elas se entrelaçaram em um forte abraço.

Barbara não sabia se sentia triste, com raiva, mas naquele momento, foi como perder duas pessoas importantes em sua vida.

***

Todos estavam já dentro da sala de aula de ciências esperando o professor adentra-a.

– Nossa que demora em esse professor chegar — Jay fala.

– Ele deve estar chegando — Clara fala sentando em uma carteira na frente de Jay.

– Melhor que nem venha — André fala quase chorando.

– André porque você está assim? — Jay pergunta.

– Assim como? — ele diz enxugando os olhos. — Tá louca?

– Cara para de chorar, você vai acabar inundando a sala — Athos fala rindo e todos a sua volta riem.

– Alguém sabe quem será o professor? — Alj pergunta.

– Não sei, mas espero que seja bonito — Ana Pfeifer fala.

– Você não gosta de homens Ana, cala a boca — Danilo fala.

– Eu não gosto de você, é diferente — ela retruca.

– Mas quem disse que o Dan é homem — Jay se mete na conversa.

O professor adentra a sala, um homem alto e ruivo de olhos verdes — que parecia ter uns 26 anos – adentra a sala. Estava usando uma blusa branca colada ao corpo e uma calça jeans preta — tinha cabelos levemente despenteados -. Ele carregava uma bolsa e uma mala, estava com o rosto fechado. Colocou seus livros em cima da carteira e depois olhara para todos na turma que estavam perplexos com o novo professor. Ele se virou para o quadro e sem falar nada apenas escreveu seu nome no quadro "Benjamim Damol". Depois de escrever o seu nome, pegou algumas folhas e distribuiu a turma.

– Que isso? Esse professor é muito gato — Ana comentara.

– Gato é pouco ele é um gostoso — Jay falou mordendo os lábios.

– Todos para você são gostosos Jay. — Alj falara.

– Cala boca.

– Silêncio! — o professor falará pela primeira vez, sua voz era grossa e sedutora. — Não quero conversinhas na minha aula.

– Descul...

– EU DISSE SILÊNCIO, VOCÊS NÃO ENTENDERAM ISSO? — Benjamim gritou. — Não permito brincadeirinhas na minha aula, o aluno só poderá falar quando eu dizer que pode, não permito namorinhos na minha aula, apenas permito pessoas que queiram aprender a ciência exata, estão entendidos? — ele perguntou e todos na sala balançaram a cabeça em afirmativa.

A aula continuou quieta até o final, quando o sinal começou a tocar. O professor fechou a porta e falou que todos ali teriam que escrever uma frase que ele ditaria, e aquela seria a frase que representaria ele. A maioria dos alunos começou a retrucar, mas ele não ligou e começou a falar. Depois que ele terminou, liberou um por um, olhando os cadernos para ver se eles tinham escrito, depois que todos escreveram ele se trancou dentro da sala.

– O que tem de gostoso tem de louco esse professor — comentou Jay.

– E essa frase? O que será que ele quis dizer? — Bruna pergunta.

– Que ele é um psicopata, só pode — André falara.

– Só pode ser isso.

– "Osama Bin Laden só ira morrer quando o coração do ultimo psicopata morrer." — Jay relia a frase do caderno. — CARA ELE É LOUCO, MAS EU CATAVA.

–Você cata todos, Jay — Alj falará.

– Menos você — ela fala e depois começa a rir. – Não, espera, você eu também catei.

– Eita Geovanaaa — Maria fala, e todos começam a rir.

***

O dia estava acabando na universidade Hollow Spirit. Barbara estava vendo o pôr-do-sol, na varando da mansão da Dazer.

– É... – ela começou a falar sozinha. – Acho que precisava de você aqui – ela deixou cair algumas lágrimas. – Droga! Você é um idiota. Como pode ser influenciado por um zelador? Mesmo ele sendo seu pai, ele era um assassino! – Agora ela chorara sem se importar – Sabe... hoje, meus dois melhores amigos transaram. É, eles transaram. Pelos deuses, eu queria você aqui para falar algo. Qualquer coisa. – Logo, ela estava de pé. – VAI SE FODER, MATHEUS. COMO PODE? VOCÊ É UM BABACA – ela gritara e em seguida desceu a escada da Dazer.

Ela saiu da mansão e não sabia aonde ir, já havia escurecido. Então, ela bateu em alguém.

– Ai, porra. Desculpa – disse ela.

– Ora, se não é a mãe mais irresponsável – falou Vick, com uma risada.

– Vai vir com sermão? Não estou boa para isso – retrucou a garota.

– Não, não. Vamos conversar – Elas se sentaram no gramado da universidade. E elas conversavam sobre qualquer coisa, algo que tivessem em comum. E era tanta coisa, que elas ficaram impressionada.

– Eita, você é minha gêmea perdida, Vick – disse Bah, sorrindo.

– Legal, sempre quis uma gêmea – Elas se abraçaram e logo após se levantaram.

– Tchau, “gema” – disse Bah indo ao encontro de Dani.

– Tchau, “clara” – respondeu Vick, sorrindo, indo em direção à Eruptidus.

***

Enfim chegara a hora da entrega dos monólogos e todos estavam bem animados.

– Quem vai ser o primeiro?

– Eu não quero ir – Dan dizia, suando frio.

– Dan, você nunca teve medo de palco – Sara diz. – Eu vou, professora.

– Ok, o palco é seu.

Sara narrou a história de uma garota que fez uma faculdade só por desejo do pai, mas ela não estava feliz com aquilo. Ela foi esplendida e quando todos se viraram, avistaram André aos prantos.

– Dré, por que você está chorando? – Jay disse, rindo.

– Essa história tocou meu coração – ele disse limpando as lagrimas.

– Não estou entendendo, o Dan com medo de palco e o André chorando por pouca coisa, vocês estão brincando comigo? – Erica diz.

***

– Ele transa bem? — Sté perguntou a Leti.

– Ele penetra com força? –Jay perguntou e olhou pra Sté e depois para Leti, e elas começaram a rir.

– Parem, a Barbara está com raiva de mim – Leti diz. – E a Dani, nem se fala...

– Mas eles não tinham nada concreto – Stefani diz.

– Até porque não tem cimento aqui – Jay disse e começou a rir sozinha enquanto Leti e Sté se olhavam tentando entender. – Vocês são duas lesadas.

– O Paulo é uma pessoa maravilhosa, mas eu errei quanto a isso – Leti diz. – Porém eu não me arrependo, porra.

As três começaram a rir.

– Vocês não calam a boca? – perguntou Ana, as fazendo rirem em silêncio. – Vou descer pro saguão, porque eu não aguento vocês.

***

Enfim amanheceu, e por incrível que pareça uma galinha começou a cantar.

– Ana, dá pra você calar a boca? – Leti gritou.

Mas de pé, trajando um vestido rosa e sapatilhas brancas, com um sorriso de lado a lado e o cabelo preso e enrolado, está Ana, esperando pelos amigos.

Letícia vem descendo a escada com Barbara, Jay, Alj e o restante dos alunos que acordaram, mas assim que percebem Ana param e ficam perplexos ao vê-la de vestido rosa e sapatilhas.

– Bom dia, flores do meu dia! — diz ela.

– Vai se foder, Ana — Letícia boceja e passa por Ana, indo em direção à cozinha.

Assim que todos chegam, se deparam com uma mesa de flores e repletas de coisas boas. Bolos de chocolate e outros sabores. Sucos, até refrigerantes. Café, torta, pães, torradas, etc.

– Fiz tudo isso para vocês — eles percebem que Ana não está normal. — Sentem-se.

– A Ana sendo gentil e sabendo cozinhar? E vestida nessa roupa ridícula? — pergunta Jay, mas Ana não dá ouvidos.

– Só pode ter bebido e feito um vestido com a cortina do quarto — diz Leti, e todos riem, mas Ana intervém.

– Com licença, mas esse vestido saiu no mês passado e é feito pelos estilistas mais renomados da França. Além de estar super na moda.

Todos a encaram.

– Que foi? — ela dá uma volta e exibe o vestido.

Felipe chega sonolento e com uma camisa de A Culpa é das Estrelas escrito “Okay? Okay.”

Todos se matam de rir e ele não entende o motivo.

– Saudações, amigos — Ana lhe dá um beijo na bochecha, lhe diz bom dia e se encaminha para o segundo andar.

– Hmmmm — dizem em uníssono.

Felipe se senta e pega algumas torradas.

– Fê, você por acaso bebeu gás? — pergunta Letícia. — E essa camisa de ACEDE?

– Legal, né? — responde ele. — Quero ir ao cinema ver o filme. Só pude ler a sinopse do livro e o trailer do filme.

– Gato, você virou gay? — diz Jay.

– Lógico que não! — fala Fê. — Eu só estou...

Silêncio.

– Drogado? — tenta Letícia, rindo.

– Bêbado? — pergunta Alj.

– Louco? — tenta Bárbara.

– Se for de amor, sim.

Todo mundo começa a rir enquanto Letícia derruba um prato da mesa.

Felipe nem termina de comer e pega duas rosas no vaso que está no centro da mesa e se encaminha até a porta.

– Pra quem vai dar as flores, hein?

– Segredo — responde ele. — Mais tarde vocês saberão.

***

Barbara e Dani andavam pela universidade, conversando.

– Bah, mas como assim eles transaram? Não pode isso. É improvável. É impossível. É surreal – ela falava e soluçava ao mesmo tempo. Bah revirou os olhos.

– É, mas aconteceu. Eles nos traíram. Nem se quer pensaram em nós na hora. Se foderam, por que eu não corro atrás, maioria sabe disso – respondeu Bah, fria.

– Bah, como consegue? – perguntou Dani.

– Consegue o quê, Vianela? – rebateu Bah.

– Ser tão... fria – disse. Barbara encolheu os ombros.

– A vida me fez assim – respondeu, séria. E ao olhar para frente, avistara Letícia.

– Vocês duas, preciso falar com vocês, ou vocês me ouvem ou vão se foder – Letícia diz.

– Licença, preciso falar com o reitor – disse Dani, se apressando.

– Falar o quê? – perguntou Barbara, mas não parando de olhar para Leti.

– Nesse corredor passa qualquer tipo de gente, até vadias – respondeu, e Barbara riu. Letícia revirou os olhos.

– Não vão me responder mesmo?

– O que você quer com a gente, Letícia? – Dani diz. – Você sabe o que eu sinto pelo Paulo.

– Não temos nada para conversar com você – disse Bah, indo à direção de Dani, mas Leti a segurou.

– Barbara, pelo o amor de Deus. Nunca faria isso. Quer dizer... ok. É claro que transaria com o Paulo e meu deus aquele corpo e... – Barbara bufou e recomeçou a andar. – Não, Bah. Escuta. O Paulo é meu amigo.

– Belo amigo, hein – rebateu Bah.

– Ah, porra Barbara. Tu queres assim? Eu simplesmente não sei o que aconteceu! Eu juro que não pensei em nada nem ninguém – Barbara a olhou.

– Letícia, me faz um favor: Deixa-me em paz. – E Barbara saiu.

***

Felipe saiu do escritório de Hallugo e estava se sentindo muito bem, por sinal. O garoto estava indo se encontrar com seus colegas de irmandade, e, assim que chegou, percebeu que as pessoas ainda comiam o que Ana tinha preparado mais cedo e enchiam a cara – o que não era novidade.

– Oi, pessoal — diz Felipe.

– Fala, Gus — diz Arruda, caçoando de Felipe.

– Gus é uma pessoa que venceu na vida, mesmo sem esta ser como ele pretendia, Lucas. E, aliás, é uma honra ser chamado assim — respondeu o garoto com um sorriso enorme.

– Cara, e o Beto? – Barbara perguntou.

– Ele tá suspenso da escola, pelo que eu soube – Alj diz.

– Claro, foi sério o que aconteceu – Clara disse. – É obvio que ele não ficaria na universidade, mas eu gosto do Beto, tomara que ele volte.

– Fê, segura — gritou Coelho, jogando uma bebida pra Felipe.

–Cara, isso é bebida? — ele perguntou.

–E o que mais fazemos a esta hora da noite? Jogamos truco? Se toca, garoto — disse Max, que já estava bêbado.

–Bom, já que o propósito de vocês é outro, vou sair. Se não se importam, com licença — ele disse, novamente, sorrindo.

Após andar muito, Felipe avistou Bruna com sua blusa de urso.

– Já disse que essa sua blusa é linda? — Felipe diz.

– Não é?! Eu amo ela! — Bruna diz, meiga. — O que está fazendo essa hora da noite por aqui, mocinho?

– Nada de bom, apenas observando a beleza que é essa universidade! — ele olha ao seu redor. — Segura esse copo um instante, preciso amarrar os meus cadarços.

Enquanto Felipe amarra seu cadarço Bruna bebe um pouco do que ela achou que fosse um uísque.

– Eca, esse uísque é horrível! — Bruna diz.

– Na verdade...

– Tenho que ir, Fê — ela sai correndo e Felipe segue a frente até que vê algo rosa se mexendo ao lado de uma árvore. Era Ana trocando de roupa, colocando uma blusa azul.

–Quem é o filho da puta que tá aqui nessa merda? — Ana berra e Felipe estranha.

–Ana, desculpa, só estava de pass... — Ana soca o ombro de Felipe e ele dá um grito, ou melhor, ele geme.

–Sai, tô colocando a blusa que eu tricotei — ela diz.

–Que meiga, posso ver? — diz o garoto, colocando um copinho que carregava de lado.

–O que é isso? — Ana diz, apontando para o copo. — BEBIDA? Nossa! Preciso. — Ela vira o copo todo de uma vez e repara na reação de Felipe.

–NÃO, ANINHA! NÃO! ISSO ERA... ERA...

–Ai, Fezito, você fica tão bem nessa blusa, onde a comprou? Ah, tem notícias da minha sapatilha com glitter? E daquela blusa de dar nó? — a garota perguntada freneticamente.

–Não, Aninha, não sei. Gostou mesmo da blusa? Também amei — disse Felipe até se esquecendo do que a garota havia tomado.

***

A noite em Spooderith estava barulhenta e bastante movimentada. Os grandes prédios brilhavam com seus cartazes e outras coisas inspiradas na cidade que nunca dorme.

A rua estava tão movimentada quanto de dia. Pessoas e até cachorros e gatos eram vistos pelas inúmeras calçadas e estradas, restaurantes, festas e outros hobbies.

O Cassino Cristian Rock se encontrava no fim de uma rua popular e era um dos maiores cassinos em extensão, população imigrante e pela sua enorme taxa de ganhadores. O que atraía mais ainda os yankees, mexicanos e muitos europeus.

Era uma noite perfeita para quem planejava apostar, ganhar ou até perder muito dinheiro. Eram muitos os idiomas que se falavam ali. O russo e inglês dominavam quase todas as fileiras de entrada.

Ao lado do famoso cassino, prédios de média altura serpenteavam entre as tantas quadras. No prédio mais próximo ao cassino, alguém planejava um ataque. Alguém vestido de preto e com bandanas segurava uma arma e conversava com dez encapuzados bem no parapeito do grande prédio. A cidade era fascinante vista de cima, mas pouco se importaram.

Pularam sobre uma corda que levam ao terceiro andar do cassino e desceram.

Provavelmente não foram vistos por terem pulado de uma área difícil de ver-se no escuro, e mais difícil ainda quando se está tão ansioso para adentrar no Cristian Rock.

– Chefe, o que faremos agora? — disse um dos encapuzados ao de bandana negra.

– Apenas sigam o plano. Warof, leve cinco e se espalhem por esse andar. Peguem tudo quem acharem de valioso e coloquem dentro dos sacos que estão dentro das mochilas. Já aviso que não quero ninguém sem ter pegado algo — a voz era a de um líder que sabia o que fazer para ganhar e que faria de tudo para conseguir o que deseja. — Johan, leve três com você e vasculhe o segundo andar.

Todos assentiram, mas somente uma voz com tom de criança tomou coragem para perguntar.

– E você, Augusto?

– Não me chame por esse nome... E irei para o cofre abaixo do primeiro andar. Não se preocupem, pois conheço muito bem esse prédio. É famoso, mas a segurança não é nada. Mesmo assim, tenham cuidado para não serem encontrados. Augusto deu um passo à frente, mas voltou. — E lembrem-se, caso algo der errado, eu mato todos vocês.

Todos se movimentaram e em apenas dez minutos os dez encapuzados haviam pegado tudo de valor e colocado em um gigante saco e mochilas. Encontraram-se onde haviam se espalhado, mas Augusto ainda não voltara.

– Será que ele foi pego?

Pensaram em responder, mas a mesma pergunta se enfatizava na mente de todos.

Um barulho de bomba sendo explodida ecoou e fez o prédio inteiro tremer. Pela janela podia-se ver a multidão correndo para fora até que os vidros do prédio se quebram. Todos.

Augusto aparece todo suado e com uma mochila nova e cheia.

– Vamos sair daqui — dissera ele, encaixando-se num ferro que conectava ao fio de onde viera. — Venham! Agora!

Enquanto todos desapareciam pela escuridão, as sirenes faziam o maior barulho, causando ainda mais pânico. A corda fora cortada por Augusto e assim ele e os dez fugiram. A última coisa que viu ao olhar para trás foi uma fumaça subindo para o céu. Explodira parte do primeiro andar e estava mais que satisfeito consigo mesmo.

– Vamos, tem outro lugar que eu quero fazer o mesmo.