Hollow Spirit - O enigma 917
12 End of an Era
No auditório, um agente federal se preparava para dar um comunicado oficial a todos, inclusive para os professores e reitor, que estavam juntos aos universitários.
– Silêncio – pedira ele. – Como já devem desconfiar, eu estou aqui para dar um comunicado um tanto triste – ele repensou o que disse –, ou feliz. Enfim, a universidade será suspensa, e para a sorte de vocês, as férias chegaram mais cedo.
Ouve-se um coro de ''Quê?'' imediato. Alguns riram e outros ficaram chocados.
– Prosseguindo. Por ordem da justiça, eu recebi um comunicado de que a saída será programada para amanhã. É muito provável de que a universidade continue sim, mas somente do próximo semestre adiante.
A maioria dos alunos da Eruptidus ficou triste, pois perderiam uma das provas finais.
– Ainda não terminei — voltara ele a falar. – Reitor – ele olhara para o que fora descoberto inimigo e estava escoltado por dois outros agentes. –, você será preso por tempo indeterminado e depois julgado. Os outros envolvidos também sofrerão sérias... Bem, punições na justiça pelos seus atos.
O auditório ficou em silêncio, todos olhando para Victor, que apesar de estar explodindo por dentro, permanecia forte e não olhara para o pai.
– E agora, a provável melhor notícia; vocês sairão de férias. Tudo pago. Lugar escolhido. Tudo por conta do governo, mais precisamente a secretaria do governo, que sempre fora responsável pela escolha dos profissionais. Parabéns, vocês vão a Fernando de Noronha.
A multidão de alunos vibrou em um coro inesquecível. Tudo tinha durado pouco tempo, mas as lembranças ainda eram e seriam milhares. Quem sabe milhões. Num último momento, o agente desceu do palco e levou todos os professores para uma sala reservada. Por mais que a notícia fora boa, Victor correra em direção ao corredor. O barulho parou, e muitos o seguiram.
***
Ainda era manhã, Victor correra em direção ao campus, mas Letícia o parara. Lágrimas saíam rapidamente enquanto seus olhos ficavam inchados e seu corpo tremia... Pela primeira vez, ela não brincara. Pensava que ele estava doente, mas errou.
– Você está com medo – disse ela, e ele, relutante, assentiu. – Tudo bem... Hã, não fique.
Ele a abraçou fortemente enquanto Ana e outros colegas voltavam. Lucas se juntara ao abraço, e depois mais três alunos. Cinco. Dez. Uma turma inteira. Victor pela primeira vez no dia sorriu. O que era tristeza se esvaiu e deu lugar a brincadeira.
No ouvido dele, disseram várias coisas, mas a única que ficara em sua mente era a frase de Lucas.
– Estamos contigo... sempre – e ele rira novamente, como se nada daquele pesadelo tivesse o atingido. Ele estufou o peito e disse brincando:
– Agora sou muito elegante. – Os outros riram. – Tenho que me comportar como tal.
***
– Gente, eu tô morta.
Vick não sabia se ficava triste ou feliz. Triste pela perda da prova. Feliz pela viagem.
– Me amarrei nessa viagem. Fernando de Noronha deve ser o máximo! – disse Netto, na sala da Eruptidus. Os alunos conversavam ou ligavam para responsáveis.
– E aí, Viusq – alguém surgiu na porta da Eruptidus. Era Ana.
– Você aqui? Na Eruptidus? – Vick soltara uma risada.
Ana não entendera.
– Explica.
Letícia surgira logo atrás dela, tropeçando num degrau menor.
– Aii – ela se segurou em Ana, derrubando-a pro chão, levantando e jogando o cabelo pro lado. – É porque você é burra, Ana. Ou pelo menos eu acho que é isso. Uau.
Letícia andara pela sala da irmandade, observando quadros da parede. Alunos famosos. Professores famosos. Cientistas, etc.
– Achei o hospício bonito – brincara ela.
– Melhor do que aquela Casa de Macumba – contraporá Vick, deixando Letícia aborrecida.
– Vamos, escrava – ela puxou Ana pelo braço como se tivesse puxando um bicho pra dar meia volta. – Parece que esse povo não nos quer aqui. Saiba vocês que só não ponho fogo aqui porque não aguento barulho de construção para reformar a irmandade.
Antes de sair, Ana perguntara.
– Só vim mesmo para perguntar se você vai pra viagem, Viusq. E aí?
– Vou falar com meus pais, mas sim, pretendo ir. Espero ver você lá também. Senta comigo no avião, okay?
– Mas nós vamos de ônibus – os alunos ficaram chocados. Além de alguns estarem cansados e outros sofrerem na mão de Hallugo, esperavam pelo menos uma viagem digna.
Ana só teve tempo de ouvir uma frase antes que saísse tropeçando pela porta.
– ''Não acredito''.
***
As janelas entreabertas reluziam os últimos raios de sol. As pessoas passavam pela cama e às vezes o tocavam. Nem estava tão frio assim, mas sua aparência era a de um morto. Era um velório improvisado, já que todos sairiam dali amanhã. O choro era escutado de diversas direções.
Luiz estava numa cama de seda coberto por uma manta até o peito. Não parecia respirar. Ana tocara na mão dele, chorando e lhes dizendo coisas que achava besta, pois em sua opinião falar com mortos não ajuda em nada. Eles não vão te ouvir. E muito mais respondê-lo.
Felipe a tirou dali de perto antes que ela o pegasse e desse um tapa para reacordá-lo.
– “Se foi tão cedo” – diziam por todos os lugares. – “Morreu como um herói”.
No momento em que soltara sua mão, sentira um tipo de vibração. Com certeza tinha algo errado. Ela saiu dos braços de Felipe.
– Espera um segundo – Letícia estava do outro lado da cama, também chorando, mas calada. – Meu Deus! Socorro.
De repente, o corpo de Timbó se lançou para o lado, e ele, tossindo. A cena deixou tanta gente em choque que ele não ousou falar uma palavra. Olhou estranho para todos.
– Onde... estou? – Ana dera um abraço tão grande nele que seus ossos pareceram que iam quebrar. Ela o soltou e enquanto todos exibiam uma cara de pasmo, ouviu uma frase vindo de Letícia.
– JURO QUE VOU QUEBRAR A SUA CARA, SEU VIADO. – Letícia partiu para cima de Timbó, a fim de espancá-lo. Mas Ana não deixou. Segurou-a, mas era quase nada, pois Letícia quase subira em cima da cama. — E TODO MUNDO PENSANDO QUE VOCÊ TAVA MORTO SEU DESGRAÇADO. VOU BATER NESSA SUA CARA ATÉ VOCÊ FICAR DA COR DA ANA. – André a segurou, tentando puxá-la para trás. Mas só piorou tudo, pois ela o puxara e ele caíra em cima de Timbó, que gritava silenciosamente. Tentando sair dali. Felipe puxou Letícia antes de ela esbofetear o que ela queria tanto.
– Desculpa – disse André, olhando de Timbó para Letícia. – Ele acorda e você ainda me empurra, sua vaca?
Letícia queria bater em André também, mas Timbó gritou:
– CHEGA QUE AQUI NÃO É CARNAVAL. VÃO LOGO CHAMAR O SAMU PRA MIM ANTES QUE EU DESMAIE OU EU JURO QUE VOU MORRER MESMO.
***
Depois de o SAMU chegar e todos se estabilizarem novamente, todos foram para a mansão da Dazer. Lá se encontrava uma mistura completa de pessoas de todas as irmandades, cada uma com um propósito: Sininho esperava Jay, Sarinha esperava Ana e os demais alunos da Dazer para uma despedida calorosa e mais algumas pessoas.
– Vocês duas irão para Fer-Fernando — ela tentava pronunciar a palavra, mas sempre se enrolava. — Vocês entenderam.
– SIM! — Leti gritou e Ana assentiu, ela então avistou Felipe e correu até ele.
Ninguém nunca pensara que na frente da irmandade Dazer estaria o mais profundo drama, todos se abraçavam e alguns até choravam, por exemplo: Sininho, que não iria para a viagem e chorava aos braços de Jay.
– Eu vou sentir tanto a sua falta que eu não consigo respirar — ela dizia questionando-se se ria ou chorava com a frase que acabara de dizer.
– Fique calma, Dedelza. Logo nós nos veremos — Jay diz segurando as lágrimas.
– EU QUERO TODO MUNDO NESSA VIAGEM, VOCÊS ESTÃO ME ENTENDENDO? — Paulo chegara gritando.
– CADÊ A JAIMARA? — Americo grita e avista Jay abraçada com Ana, o que era raro.
– GENTE, ALGUÉM GRAVA ISSO POR FAVOR — Barbara gritara.
– MUITO AMOR E ÓDIO ENVOLVIDO, AMIGOS — Tico disse.
– Sai, nojentos.
Logo todos que zoavam os demais colegas estavam na mais profunda tristeza e se abraçavam, Americo e Tico se despediam, já que Tico não iria para a viagem e sim para casa. Arthur e Paulo se mantinham fortes, mas estavam tristes, principalmente Paulo que se separaria de Daniela.
– Paulo — Felipe disse.
– Eu não fiz nada.
– Não é isso, cabeçudo — ele diz. — Você não quer deixar Dani, né? Dá pra ver em seus olhos.
– Claro que não, ela é minha namorada. E você também não quer deixar Ana.
Paulo o encarou parecendo que entendera tudo e foi como se uma lâmpada tivesse aparecido em cima da cabeça de Felipe.
– VOCÊ FARIA ISSO? — Paulo gritou.
– Eu não faria, eu VOU fazer — ele diz — Aninha é mais importante pra mim do que você pensa.
Paulo abraçara Felipe, mas o mesmo reclamara.
– Ok, mas sem contato físico.
***
– Por que você tá me abraçando? Você vai pra viagem, ridícula — Ana diz rindo.
– Dark horse — Ingrid disse.
– Eu não vou abraçar você porque eu abomino os pobres — Leti diz a André.
– Nossa, obrigado pela parte que me toca — ele diz rindo, mas logo vai até ela e os dois se abraçam.
Ney, Álvaro, Clara, Danilo, Duda e Maria estavam se arrumando para a viagem e decidiram passar na frente da Dazer também já que quase toda a universidade estava lá.
– ARROZA! — Ana gritara indo ao encontro dos braços de Clara e logo após nos de Maria.
A despedida estava muito emocionante, mais gente chegara e estava uma coisa muito linda: várias pessoas se abraçando, algumas comemorando o fim dos estudos e outras apenas conversando sobre como seria suas vidas daqui a diante.
Erica estava com seu caderno na mão, mas quando vira Brenda e Ingrid deixara cair e correra para abraçá-las.
Vivaldo não soltava Hanna, tanto é que Clara, Ana e as demais amigas de Hanna tiveram que o derrubar.
Stefani se perdia no meio da multidão já que o seu tamanho não ajudava muito, mas Americo a avistou no meio de todos — o que foi meio ninja — e a abraçou, levantando-a.
Netto já estava com o óculos embaçado quando abraçou Erica, Sarinha, Jay e Suuh, assim como Vick, que também usava óculos.
Triza abraçava Ney e Barbara, mas uma coisa chamava a atenção de todos: como a Triza ficava anã no meio daquelas duas, o abraço era a três, mas dava a entender que era em dois, já que Triza sumia.
– NEYDIMBU! — Gorran gritara quando viu Ney e correra ao seu encontro.
Quase 100% dos alunos da universidade estavam lá na frente, exceto uns ou outros, como Alj.
Leti procurava Alj em toda parte, ela não o via desde a reunião mais cedo e estava preocupada, adentrou a universidade a procura dele, e acabou o encontrando conversando com o agente e Thais ao seu lado.
– HENRIQUE! — Leti gritou.
– O QUE EU FIZ? SOCORRO! — ele grita.
– Eu estive atrás de ti o dia inteiro... — ela corre até ele e o abraça. — Que susto, desgraça. Você vai pra viagem?
– Leti, tenho uma notícia pra te dar...
– O QUÊ? — ela diz, frenética.
– Thais está grávida... Eu não posso viajar e deixá-la — ele diz. — Me desculpa, irmã. Faça uma boa viagem.
Leti por um momento não sabia se ficava triste ou feliz pela notícia, mas ela permaneceu indiferente e abraçou ambos parabenizando pelo bebê, é claro que, segurando as lágrimas sabendo que seria muito difícil ver o seu melhor amigo.
***
Duas horas depois os grandes ônibus chegaram à universidade estacionando que estava ainda com velhas decorações da festa da Dazer.
– Ai credo, isso tá muito gay – Barbara dizia enquanto olhava a maioria das pessoas com os olhos marejados.
– Agorinha você tava chorando, Bah – Felipe diz e coloca o braço por cima do ombro de Ana.
– NÃO ESPALHA – Barbara diz.
– Por que diabos você vai levar um computador pra Fernando de Noronha? – Gabriela diz a Netto. – Cara, é Fernando de Noronha!
– E daí? Tenho coisas a fazer. – Todos olham com raiva para ele e voltam às mesmas conversas.
– Letícia – André se ajoelhou em meio à multidão de alunos com suas malas, que estavam prontos para deixar por meses a universidade. As pessoas mais próximas olharam já imaginando. Letícia não fora tão rápida assim. – Você...
A face da garota demonstrava choque e vergonha (apesar de que ela não tinha).
– Não ouse! – falou ela enquanto André pegava um objeto preto do bolso da calça.
– APENAS MORTA – gritara Ana, que estava perto de Felipe. O mesmo olhara André como se estivesse dizendo: “MAS JÁ?”.
– Leti, sei que é pouco tempo, mas... você quer – o silêncio reinou até que Letícia ficasse com cara de tomate e ele prosseguisse. – Sentar comigo no ônibus? – E abriu uma caixinha que não havia nada. Levantou e riu da cara de Letícia, que se transformava em ódio mortal.
– Corra – avisou Leti.
– Quê? – perguntou ele.
– CORRA AGORA! – depois disso, as pessoas começaram a rir e Letícia a correr atrás de André, ameaçando jogar a mala nele.
– ERA BRINCADEIRA, JEOVÁ! – gritara. – AIIII... PAR... ISSO DÓI, CARAMBA!
Os ônibus já estavam prontos para receber as malas e os alunos estavam estacionados na frente de uma das grandes entradas da universidade, já que o estacionamento não foi uma boa ideia.
Os alunos começaram a entregar as suas malas e se despedirem – pela décima vez – das pessoas que não iriam para a viagem.
Era realmente uma despedida muito triste.
Muitos ali não se veriam nunca mais, ou veriam, mas daqui muitos anos.
Quando todos já estavam acomodados e o chororô já havia se cessado, os dois ônibus partiram.
– EU QUERO PEDIR A TODOS VOCÊS QUE SE SENTEM, POR FAVOR – O agente tenta dizer, mas o ônibus chacoalha e ele cai em uma das poltronas.
– CALEM A BOCA – Ney grita. – VOCÊ PODE ME AJUDAR AQUI, ZOCA?
– CALA A BOCAAAAAAAAAAAAA – Ana grita e todos olham pro lugar de onde veio uma voz de taquara.
– Que voz falhada, migs – Stefani diz, rindo.
– VAMOS CANTAR, EU TROUXE O VIOLÃO – Ney diz.
– Que música? – Linna pergunta.
– End of an Era, que tal? – Ana diz.
Todos assentiram e alguns até gritaram.
Ney tirou o violão e começou a melodia, Letícia se juntou a Ana, assim com Brenda, Sininho, Barbara e Linna.
– TOCA ISSO DIREITO – Ana grita. – VAMOS LÁ, GENTE
– “Don't you ever Wonder what, Will happen when it ends” – as três começaram a cantar em coro e todos começaram a acompanhar.
“How Can we let go of the
The ones who we call friends
And I know
It's only a story, but
For so many it's more than that
It's a world all on its own where we
Want to put on that Sorting Hat
I will miss the train ride in
And the Pranks Pulled by the twins
And trough it's no where I have been
will keep on smilin'
From the times I had with them
Could there ever be again
Another one like this
One that's brought us together an
Started it's own music movement
I will miss the train ride in
And the Pranks Pulled by the twins
And trough it's no where I have been
I will keep on smilin'
From the times I had with them
Soon we will see it closed
The Final Chapter Exposed
It's The End Of An Era and I see it clearer
That Nothing will ever be the same
I will miss the train ride in
And the Pranks Pulled by the twins
And trough it's no where I have been
I will keep on smilin'
From the times I had with them
From the times I had with them (8x)
From the time We had with them (2x)
You and Me
Times we had with them
So don't you ever wonder what
Will happen when it ends”
Todos cantavam juntos e tudo estava lindo. Aquela música os representava como nenhuma. E pela primeira vez em muito tempo, todos ali se sentiram infinitos.
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