Notas iniciais
Voltei com mais um capítulo!!!

— Onde eu quero ir? – Diz Jane para si mesma fazendo pesquisas no computador. – Sozinha no Natal. Sozinha e deprimida no Natal. Pesquisar “Locais para viajar sozinha no Natal”.

Mais tarde naquele dia, Jane decidiu que precisava fazer uma viagem. Queria fugir de tudo o que acontecera. Ela não queria passar o Natal sozinha em sua enorme casa. Claro, ela tem muitos amigos, mas deseja mudar. Precisa encontrar um sentido. E também uma maneira de afogar tudo o que está dentro dela.

Muito difícil encontrar um lugar onde pudesse ir sozinha. Tudo que via pela internet era em pares ou em grupos, nada para uma mulher sozinha.

“Aluguel para temporada”. Hum, me esconder em uma casa por algumas semanas. Gostei da ideia. Algum lugar onde fala inglês. Inglaterra. – Jane escolhe um país onde tenha facilidade com a língua, porque deseja relaxar e não se estressar mais ainda em um local onde não consiga se comunicar. – “Chalé inglês de conto de fadas no meio de um campo tranquilo, Lareira de pedra, chocolate quente. Um lugar encantador em uma vila inglesa a quarenta minutos de Londres.”

Após encontrar coragem para se trocar e cozinhar algo para comer, Tasha ainda se sente muito deprimida. A morena coloca a chaleira de água na tentativa de passar um café para se aquecer quando ouve o sinal de um email chegando em seu computador.

“Eu estou interessada em alugar sua casa.”

“Ela está disponível para o Natal?”

“Se estiver você será um verdadeiro salva-vidas.”

“É tarde para perguntar, mas se estiver interessada, entre em contato.”

Várias mensagens de uma só vez. Ela lê todas rapidamente e responde.

— Estou interessada, mas só se for para intercâmbio de casa.

— Intercâmbio de casa? – Jane estranha.

— Trocamos de casa, carro, tudo. – Tasha. – Nunca fiz, mas meus amigos fizeram. Onde você mora?

Tasha pediu silenciosamente que fosse um lugar bem longe dali.

— Los Angeles.

— Nunca estive aí, mas sempre quis ir. – Responde Tasha empolgada. – Me chamo Tasha, sou bem normal. Superorganizada, saudável, não-fumante. Solteira. – Tasha deu um suspiro choroso quando digitou a última palavra.

— Me chamo Jane. – Escreveu a mulher do outro lado. – Solitária, fracassada e arrasada. – Pensou ela.

— Oi. – Escreveu Tasha.

— Oi. – Respondeu Jane empolgada. – Sua casa parece idílica. Exatamente o que preciso.

— Sério? E como é a sua? – Perguntou Tasha.

— É uma casa boa, mas um pouco maior que a sua. – Jane responde sem muitos detalhes.

— Isso não é difícil. – Ironizou Tasha.

— Posso perguntar uma coisa? – Arrisca Jane.

— Claro.

— Tem algum homem na sua cidade?

— Honestamente. Nenhum. – Afirmou Tasha após refletir por uns segundos.

— Ótimo. Quando posso ir?

— Que tal amanhã? – Propôs Tasha.

— Amanhã está perfeito!

— Ficaremos por duas semanas. Começando amanhã. – Conclui Tasha.

O voo foi tranquilo para Tasha. Apesar de que muitas horas de viagem em um voo econômico não era o mais atraente. Patterson decidiu em ir com ela, porém a loira ficaria com alguns amigos que tinha na cidade. A morena gostou da possibilidade de ter alguém na cidade, caso precisasse de socorro.

Tasha estava excitada com a expectativa de uma viagem para um lugar totalmente diferente do que estava acostumada. Já estava na metade da viagem quando recebeu uma mensagem de Andy.

“Soube que foi para os EUA. Primeiras férias em quatro anos. Parabéns! Como a encontro?” Andy escrevera.

“Andy. Nós dois sabemos que eu preciso me desapaixonar de você. Seria ótimo se me deixasse tentar.” – Arriscou Tasha e decidiu desligar o celular.

— O que foi? – Patterson percebeu sua perturbação após ver a mensagem no celular.

— Andy.

— Ele não toma vergonha, não é mesmo? – Diz a loira irritada.

— Estou tentado com que ele se afaste. E vou fazer de tudo para conseguir.

O sorriso de Patterson era de quem não acreditava que isso fosse verdade. A loira conhecia a amiga há bastante tempo para saber o tamanho da paixão de Tasha pelo rapaz. Ela não entendia como a amiga suportara o sofrimento por tanto tempo, sempre na esperança de que Andy a assumisse algum dia.

A chegada a LA foi emocionante. Era tudo novidade para Tasha que esperava aproveitar ao máximo cada minuto passado por lá. Ela e Patterson tomaram táxis diferentes, pois iriam para locais distintos. As duas combinaram de se encontra em breve para um passeio pela cidade.

O bairro onde a casa de Jane se localizava era perfeito, casas chiques e ela se assustou com a possibilidade de ficar em uma daquelas mansões. O que fora confirmado quando o táxi a deixou na porta.

Era realmente uma mansão, com uma piscina enorme. Era uma casa dos sonhos. Sistema de som e TV de primeira linha. A cozinha possuía tantos eletrodomésticos que Tasha não conseguia nem sequer supor a função da metade deles.

O quarto era enorme. Havia espaço suficiente para guardar todas as suas coisas, o que ela fez rapidamente. Tasha passou boa parte da tarde na piscina, já que o clima estava bom e a água aquecida.

Ao se sentir bem relaxada, resolveu fazer um tour pela casa. Havia um cômodo com uma estante contendo toda a sorte de filmes. Títulos clássicos antigos. Vários que ela não se lembrava de ter assistido.

O interfone tocou a tirando de seus devaneios.

— Aqui é o Reade. Jane está aí? – Perguntou uma voz masculina do outro lado da linha.

— Não, Jane não está aqui. – Respondeu a morena. – Espere um pouco. Vou abrir o portão.

O rapaz tinha um conversível que colocou para dentro da propriedade. Havia uma moça morena com ele no carro.

— Oi. – Cumprimentou Tasha. – Desculpe a demora para conseguir abrir o portão.

— Tudo bem. Sem problemas. – Disse o rapaz moreno após descer do carro e se aproximar dela. – Sou o Edgar Reade. Trabalho com Oscar.

— Oscar?

— O ex da Jane.

— Ah, certo.

— Vim pegar umas coisas dele que estão aí.

— Jane está de férias na Inglaterra. – Explicou ela. – Eu ficarei aqui enquanto ela está lá. Ai. – Reclamou ela após o vento forte atingir seu rosto.

— Você está bem? – Perguntou ele solícito enquanto a morena levava a mão ao rosto.

— Sim. Apenas entrou alguma coisa no meu olho. – Respondeu ela.

— Oh, deixe-me ver. – Pediu o rapaz. – Está no seu cílio. – Disse ele se aproximando. – Posso tirar?

— Hum. Tudo bem.

— O vento está muito quente esses dias. – Explicou ele. – Pronto! Você está bem? – Perguntou após retirar o cisco do cílio dela.

— Muito melhor. Obrigada. – Disse ela carinhosamente.

Relutante Reade se afastou dela. Havia algo naquela mulher. Um brilho e uma força. E ele achou isso bom. Se sentiu confortável na presença dela.

— Você queria...

— Pegar o notebook do Oscar. – Explicou ele.

— E você é...

— Sou compositor. Trabalho junto com Oscar.

— Você pode voltar amanhã? Preciso falar com a assistente da Jane primeiro. – Pediu ela.

— Claro.

— Me chamo Tasha. – Se apresentou ela finalmente e ambos trocaram um aperto de mão.

— Essa é minha amiga Megan. – Disse ele quando a outra moça desceu do carro e se aproximou dos dois.

— Vamos. – Disse Megan após cumprimentar Tasha.

— Vamos. – Os dois se dirigiram ao carro e antes de entrar Reade disse: — Não voe com o vento!

— Não vou! Pode deixar. – Disse ela sorrindo!

Após irem embora Tasha saiu do lado de fora da propriedade. Viu um senhor passeando de andador com uma moça que devia ser sua cuidadora. Os cumprimentou rapidamente e fechou os olhos sentindo o vento em seu rosto e seus cabelos. Pensou no que acabara de acontecer minutos antes e ainda podia sentir o calor das mãos de Edgar Reade em seu rosto enquanto retirava o cisco de seu olho.

— Tudo pode acontecer.

Jane teve um voo tranquilo. Primeira classe. A morena de cabelos curtos levou na mala alguns livros que pensou que fosse conseguir ler do outro lado do mundo.

A chegada ao chalé não foi fácil. Era muita neve e o carro deslizava. O chalé era menor que imaginava e uma grande quantidade de gelo cobria a entrada do local. Após conseguir entrar e colocar as malas para dentro pode se assentar e desfrutar de um pouco de descanso.

O interior do chalé era pequeno e apertado. Nada como estava acostumada. Com muito esforço conseguiu encontrar espaço para guardar suas roupas no guarda roupas.

Após se trocar e organizar o que conseguiu, Jane encontrou na garagem o pequeno Nissan vermelho. Ela achava que conseguiria dirigir aquele carro.

Estranhou um pouco ao dirigir do lado contrário, mas conseguiu chegar à bomboniere localizada a alguns quarteirões. A morena de cabelos curtos comprou, queijos, alguns congelados, presunto, pães e bebidas. Pronto! Agora sim, se achava equipada para alguns dias.

Já isntalada percebeu que o chalé era muito aconchegante. Descobriu também que Tobby, o cãozinho de Tasha, era muito simpático.

Deitada na cama assistindo TV, estranhamente não se sentia tão sozinha. Estava gostando da experiência. Uma casa diferente, em um local distante. Dois dias atrás não se imaginava fazendo algo assim

Já um pouco bêbada, após esvaziar uma garrafa de vinho, desceu para a sala e acendeu a lareira, pois o frio ali era cortante. Localizou alguns CDs e se sentiu à vontade para ouvir uma música alta. Sentia que ali podia ser ela mesma. Fazer o que bem entendesse.

Mais tarde e a morena tentava dormir quando ouviu batidas na porta fazendo Tobby latir alto.

— Quem está aí? – Gritou ela do pé da escada.

— Sou eu. Rápido. Estou congelando. – Uma voz masculina disse do lado de fora.

— Quem é você? – Repetiu ela.

— Sou eu, Tasha. Abra a porta ou vou mijar no seu portão.

Jane abriu a porta. Estava curiosa para saber de quem era aquela voz insistente.

— Você não é a Tasha. – Disse ele após dar de cara com a garota à sua frente. – Se for, estou mais bêbado do que pensei. Desculpe a grosseria. Não sabia que você estava aqui.

— Eu também não estava esperando você. – Disse ela sorrindo sem graça.

— Eu posso...

— Sim, claro. – A morena terminou de abrir a porta dando passagem para que ele fosse ao banheiro.

— Sou Kurt. Irmão da Tasha. – Se apresentou ele.

— Oh. Irmão. Sou Jane. Estou hospedada aqui e ela está na minha casa em Los Angeles.

— Jane. – Disse ele indo para o banheiro. – Talvez ela tenha me contado, mas não estou em muitas condições de lembrar de alguma coisa que ela tenha me dito. Eu bebi um pouco e...

— Ela anunciou o chalé em um site de intercâmbio de casa. Então trocamos de casa por duas semanas. Ela está lá e eu estou aqui. – Completou Jane.

— As pessoas fazem isso? É estranho. – Refletiu ele.

— Aparentemente fazem. Aqui estou eu de pijamas.

— Ela me ligou ontem e eu não liguei de volta. Provavelmente foi para me avisar. – Disse o rapaz. – Posso me assentar? Ou vou cair em cima de você. – Kurt falou cambaleando em direção a ela.

— Sente-se. Você está bem?

— Sim. Desculpe a invasão. Apesar de não parecer eu sou o irmão mais velho e respeitável de Tasha. Em algumas poucas ocasiões eu frequento o bar e fico meio alto. – Continuou explicando. – Minha irmã me deixa ficar aqui pra eu não dirigir bêbado por aí. Você está gostando da viagem?

— Um pouco. Estou em um momento confuso da minha vida, e não sei bem se fiz a coisa certa vindo pra cá.

— Jane. Você não é casada? – Perguntou ele.

— Não pareço casada? – Desafiou ela.

— Não, não é isso. Foi um jeito de perguntar. – Diz ele tentando se justificar.

— Não sou casada. Afirma ela.

— Nem eu.

— Quer beber alguma coisa? – Perguntou ela.

— Ah por favor.

Jane achou uma garrafa de uísque no armário e serviu dois copos.

— Saúde! – Ambos disseram tocando seus copos.

— Seria muito ruim se eu ficasse esta noite? – Pediu ele. – Vou embora antes que você acorde. Prometo não lhe incomodar. E você não me verá mais.

— Tudo bem. – Concorda ela.

— Obrigado.

Jane encontrou cobertas e um travesseiro que deu ao rapaz. Apesar de muito bêbado ela percebeu que ele era um cavalheiro, e também muito bonito e atraente.

— Pode me dizer por que disse que está em um momento confuso de sua vida? – Perguntou ele.

— Bem, é que terminei um relacionamento recentemente. Ontem, na verdade. Acho que não queria ficar sozinha nas festas de fim de ano. Pensei que se fosse para outro lugar não me sentiria tão só. Não sei se está feliz em ter vindo aqui esta noite.

— Sim, estou.

— Desculpe se não era eu que você esperava encontrar. Boa noite. – Disse ela se despedindo.

— Bons sonhos. – Disse ele e surpreendentemente deu um selinho em Jane.

Os dois ali sozinhos. Não teria ninguém para darem satisfação ou explicar alguma coisa. Eram donos de si.

— Se importa de tentar isso de novo? – Pediu ela se referindo ao beijo.

Ele repetiu e Jane fez uma cara um pouco estranha. – Foi ruim? – Perguntou ele.

— Esquisito. – disse ela. – Beijar um estranho.

— Hum. É mesmo? Faço isso o tempo todo. – Explicou ele.

— Então me deixe tentar. – Pediu ela.

Jane se aproximou dele e fechou os olhos. Kurt afastou os cabelos do rosto dela e colcou beijos em todo seu rosto até chegar aos lábios a deixando excitada.

— Considerando que me encontro na casa de uma estranha e que não estou em meu estado emocional normal. E você apareceu de repente. E é lindo e atraente. Não é casado. Está tão bêbado que nãos e lembrará de mim amanhã. Acha que nós deveríamos...

— Hum... transar? – Completou ele.

— Se você quiser.

— É uma pegadinha? – Ele ri.

— Estou falando sério. – Afirma ela. – E só pra você saber eu não costumo fazer isso. Na verdade nunca fiz algo parecido em toda a minha vida. Pensar que nunca mais o verei pode ser excitante.

— Eu não sou um homem objeto. – Ironiza ele de brincadeira.

— Você é engraçado. O que é um bônus. – Ela também sorri do rumo que a conversa está tomando.

— Ótimo.

O beijo foi mais intenso e quente.

— Tenho que te avisar uma coisa. – Disse ela interrompendo o beijo. – Não sou muito boa nisso.

— Nisso o que? – Ele quer saber.

— Sexo.

— Isso não pode ser verdade.

— Meu ex namorado disse isso algumas vezes. Eu não poderia me esquecer de um comentário como esse.

— Na verdade, estou achando você uma das mulheres mais interessantes que já conheci.

Ambos foram para o quarto e se deixaram levar e relaxar. Se encontraram ali naquele pequeno chalé. Os dois em braços estranhos, porém o aconchego e a possibilidade de não precisarem dar satisfação e se explicarem foi o que tornou tudo mais intenso e interessante.

Notas finais
Não deixe de me dizer o que está achando!!! xoxo