Holidaze
10 Midnight
Notas iniciais
Um ano.
Fazia um ano que eu tinha olhado para Rachel, realmente olhado para ela.
Tinha sido o começo de algo tão incrível que eu sequer senti o peso disso enquanto estava acontecendo. Como eu podia imaginar que um beijo enquanto eu estava bêbada às 3 da manhã iria me levar a tudo que tinha acontecido? Tinha sido um impulso, tinha sido o álcool e o desejo que juntos tinham se transformado numa toxina mortal que tinha me permitido ultrapassar minhas reservas por somente alguns minutos. Era só o que tinha sido necessário, alguns minutos com os lábios de Rachel nos meus e eu havia me rendido. Nem em um milhão de anos eu teria me aproximado dela se eu não tivesse me escondido por detrás da coragem líquida que eu passei seis horas consumindo.
Ela estava tão linda e eu nunca quisera tanto algo na minha vida.
Um ano depois e nós estávamos de volta à mesma casa, com as mesmas pessoas e parecia que nada tinha mudado. Parecia que nós estávamos exatamente na mesma festa de um ano atrás.
Eu estava sentada no mesmo sofá segurando um copo vermelho cheio de alguma mistura alcóolica que minha namorada química havia feito e eu estava assistindo meus amigos interagirem uns com os outros. Nós termos ficado tão próximos era um milagre. Nós protegíamos uns aos outros e nós sempre seríamos assim, disso eu não tinha dúvida. Eu fechei meus olhos e quando eu os abri de volta eu estava esperando ver o Sam do meu lado com suas mãos em volta de mim enquanto ele conversava com Finn e Rachel sobre malhação. A sensação de déjà vu que eu senti foi esmagadora e um pouco assustadora, eu me senti presa e por um segundo eu realmente acreditei que eu tinha voltado um ano e nada tinha mudado.
Rachel me olhou do outro lado da sala e sorriu pra mim, como se ela estivesse pensando na mesma coisa que eu. Ela sabia. Era tão simples, ela sabia exatamente o quanto nós tínhamos sorte. Seus olhos estavam gentis e eu podia dizer pela sobrancelha arqueada de Mercedes que ela tinha dado uma desculpa qualquer antes de sair e caminhar até onde eu estava.
Eu olhei para ela com minhas pálpebras pesadas e um sorriso bobo no rosto. Ela chamava isso de minha cara de bêbada e eu ria toda vez que ela dizia isso.
“Você é adorável.” Ela sorriu enquanto estendia a mão.
Eu não fiz nenhuma pergunta, eu juntei minha mão com a dela e permiti que ela me puxasse do sofá.
“Eu amo você.”
Ela pareceu confusa por um segundo, provavelmente sem entender da onde tinha vindo essa minha declaração repentina, mas logo seu rosto se abriu num sorriso.
“Então nós estamos naquele nível de álcool, certo?”
Eu assenti e minhas bochechas começaram a doer por causa do sorriso que não queria deixar o meu rosto.
“Muito bem.” Ela apertou minha mão e eu a segui sem dizer nada.
Meu relacionamento com Rachel me deixava maravilhada. Nós passamos nossas férias de inverno inteira juntas e ainda assim não tínhamos cansado uma da outra. Para falar a verdade, nós queríamos mais. NY tinha sido uma experiência inesquecível. Nós tínhamos passado a maior parte do tempo andando por ruas aleatórias e fingindo que sempre tínhamos morado lá. Claro que Rachel tinham se encaixado perfeitamente naquela cidade.
Eu mal podia esperar para receber minha resposta de Columbia.
“Está se divertindo?” Ela perguntou.
O ar frio tocou meu rosto quente e a sensação foi incrível. Rachel fechou a porta e me ajudou a descer as escadas.
Eu assenti. “E você?”
Ela sentou em um dos degraus e me puxou para junto dela.
“Claro.” Ela respondeu enquanto descansava a cabeça no meu ombro.
“Por que estamos aqui fora?”
“Eu estava certa.” Ela disse ao invés de me responder.
“Sobre o que?”
Eu botei meu copo no chão e meus braços em volta da sua cintura, trazendo ela para o meu colo. Ela soltou um gritinho, mas parou assim que percebeu que eu só queria ela mais perto de mim.
“Sobre passar o ano da mesma forma que você passa a véspera do Ano Novo.”
“Você estava certa. Eu passei o ano inteiro trancando você em quartos para poder te molestar.”
Ela bateu no meu ombro, mas não conseguiu conter sua risada tempo o suficiente para me repreender de forma apropriada. “Eu estou falando sério.”
Eu não era supersticiosa e eu sabia que eu tinha passado o ano com ela porque eu queria.
“Nós vamos passar todas as vésperas de Ano Novo juntas, Rach.”
“Eu sei.” Foi tudo que ela respondeu antes de juntar sua testa com a minha. “E todos os Dias dos Namorados e todos os Dias da Independência e Ação de Graças e Natal.”
“Mal posso esperar.” Eu me afastei só o suficiente para poder beijar seus lábios suavemente enquanto minhas mãos foram para o seu corpo quente debaixo do suéter que ela estava usando. “Feliz Aniversário.” Eu sussurrei contra seus lábios quando nos afastamos.
“Nós não começamos a namorar oficialmente até março.” Ela me lembrou.
A linha do tempo do nosso relacionamento era ligeiramente complicada, mas eu sempre tinha considerado o Ano Novo como o nosso começo.
“Pra mim foi aqui.”
Ela sorriu docemente e por um segundo pareceu que ela ia chorar.
“Isso quer dizer que eu vou ganhar mais de um presente de aniversário de namoro?”
“Claro.” Eu comecei a fazer cócegas em sua barriga.
A porta atrás de nós abriu e um barulho de conversa e música chegou até nós junto com o calor.
“É quase meia-noite!” Sam nos avisou animadamente.
Rachel e eu compartilhamos um olhar antes dela me trazer pra mais perto e olhar pra ele. “Estamos bem aqui.”
A porta se fechou alguns segundos depois e Rachel e eu estávamos sozinhas mais uma vez. “Nós vamos perder a meia-noite.” Eu disse a ela.
Na verdade, eu estava feliz por Rachel preferir passar os últimos segundos do ano comigo, no nosso pequeno mundinho.
“Alguém me disse uma vez que a meia noite é superestimada.” Ela sorriu travessamente.
“Essa pessoa soou incrivelmente esperta e sexy, você provavelmente devia ficar com ela pra sempre.” Eu provoquei enquanto levava minha mão para o seu rosto.
“Esse é o meu plano.”
Nós podíamos escutar a contagem regressiva que vinha de dentro, mas nada disso importava, os lábios de Rachel estavam nos meus mais uma vez.
Ela era linda, ela me amava e isso era tudo o que eu precisava.
Nós não éramos perfeitas...
...
Quinn olhou para o teclado, massageando as têmporas enquanto tentava pensar nas palavras certas para terminar com um final perfeito sua pequena história.
Ela escrevia quando se sentia inspirada e ela certamente estava se sentindo inspirada na última semana. Era algo que ela fazia no seu tempo livre, algo que ela fazia para reviver e relembrar o primeiro ano que ela e Rachel tinham passado juntas.
Ela tinha começado a escrever num final de semana no seu penúltimo ano de faculdade, depois dela e Rachel terem tido uma briga particularmente feia. Quinn tinha deixado o apartamento delas com a intenção de ficar com a sua irmã por uns dias até Rachel se acalmar o suficiente para elas poderem conversar. Ela não tinha durado nem 24 horas. Ela tinha durado 4 horas, duas das quais ela passou escrevendo, e pegado o primeiro táxi disponível de volta para o apartamento para se desculpar por qualquer coisa que ela tivesse feito para chatear a morena. Rachel estava chorando abraçada a uma foto delas quando Quinn entrou pela porta.
Elas sempre sonharam em morar juntas e depois do primeiro ano de faculdade foi exatamente isso que elas fizeram. Elas encontraram um pequeno apartamento de um quarto que precisava de muitos consertos, mas que era delas. Elas recusaram a oferta de Judy de contratar um pintor para elas e recusaram a oferta dos Berry de contratar um carpinteiro. Elas, no entanto, aceitaram o cartão de crédito, para poderem comprar os móveis e a decoração que elas quisessem. Elas passaram quase o verão inteiro do segundo ano pintando as paredes do quarto e da sala.
Naturalmente, Rachel chorou quando elas empacotaram tudo um ano depois das suas respectivas formaturas, mas Quinn prometeu que a nova casa delas seria tão especial quanto aquela. Era maior e tinha o tão sonhado espaço que elas queriam e eventualmente Rachel se acostumou com o novo apartamento. Elas escolheram o primeiro apartamento com base na distância para as suas faculdades e elas escolheram o segundo baseado na distância para os seus empregos. Era também a uma esquina do melhor restaurante tailandês da cidade.
Quinn deixou as mãos caírem, descansando a cabeça na cadeira estofada de couro preto. Ela estava olhando para a tela do computador com os olhos vidrados quando sentiu algo pesado cair no seu colo.
Ela olhou para baixo para encontrar um Golden Retriever olhando para ela com olhos tristes. “Ela te expulsou da cozinha também?” Ela perguntou para o cachorro, dando uma pequena risada antes de começar a fazer carinho atrás das suas orelhas. “Bem-vindo ao clube.”
Ela reparou no pequeno pedaço de papel enrolado na coleira dele e revirou os olhos antes de pegar o papel e ler.
Você pode voltar agora.
Quinn balançou a cabeça sorrindo antes de olhar de volta para o Golden Retriever e falar com ele naquela voz que sempre o deixava abanando o rabo.
“Vem Charlie, vem garoto!” Ela pegou um brinquedo parcialmente comido do chão e começou a balançá-lo por cima da cabeça dele até ele começar a pular para tentar pegar. Ela levantou da cadeira e começou a andar rápido enquanto o cachorro perseguia ela e o brinquedo.
Quinn chegou na sala e jogou o brinquedo no canto onde estava a cama dele e assistiu com uma gargalhada o cachorro escorregar no chão de tábua corrida para chegar até a sua cama.
“Você deveria estar agitando ele?”
Quinn se virou para ver Rachel encostada na ilha que separava a cozinha e a sala, as mãos na bancada.
“Você deveria estar usando ele para fazer o seu trabalho?”
Rachel deu a volta até ficar na frente de Quinn, que sentou em um dos bancos que tinham na bancada. “Eu chamei você umas três vezes.” Ela reclamou.
Quinn deixou um beijo em seus lábios. “Eu devia estar distraída.”
“Algum dia você vai me deixar ler o que você tanto escreve há pelo menos três anos?”
Quinn riu. “Algum dia.”
Rachel arqueou a sobrancelha com o tom travesso de Quinn, mas deixou pra lá. “O pessoal vai começar a chegar a qualquer minuto.”
“Eu já estou pronta.”
A morena olhou para as roupas da namorada. “Jeans? Sério?”
“Eu tenho que me arrumar todos os dias para o trabalho.” Quinn lembrou a ela de forma desnecessária. “Eu vou continuar assim.”
“Eu vou escovar os dentes.” Rachel disse a ela antes de passar os três minutos seguintes beijando Quinn. “Ok, sério. Agora eu preciso ir.”
“Você está linda.”
“Você só está dizendo isso para se dar bem mais tarde.” Ela disse sob o ombro enquanto caminhava pelo corredor em direção ao quarto.
Quinn mordeu o lábio antes de sair do banco e ir para a cozinha, onde Rachel já tinha organizado os aperitivos. Ela sabia que não deveria roubar nada agora porque esse era o motivo pelo qual ela tinha sido expulsa da cozinha mais cedo, mas ela estava com fome. Ela tomou o cuidado de se afastar dos pratos ao ouvir os saltos de Rachel ressoando no corredor.
Rachel terminou de botar os brincos e revirou os olhos para a cara de culpa de Quinn antes do seu olhar recair sobre os aperitivos, mas antes que ela pudesse falar alguma coisa para repreender a loira, o interfone tocou.
Rachel permaneceu perto da porta e Quinn chamou Charlie para segui-la até o escritório que elas dividiam enquanto os convidados chegavam para a festa de Ano Novo. Quinn entreteve seus amigos da empresa de marketing enquanto Rachel apresentava alguns de seus companheiros de elenco para os seus velhos amigos de colegial que puderam ir. Depois de duas horas, o olhar de Rachel encontrou o de Quinn e elas compartilharam um de seus sorrisos secretos antes de Rachel se desculpar e sair da conversa levando um dos seus amigos de elenco para ajudá-la na cozinha.
Quinn bebeu o resto do seu vinho rapidamente antes de se voltar para Kurt. “Eu preciso encher isso.” Ela levantou a taça vazia. “Vamos continuar essa conversa na cozinha?” Ela perguntou antes de segurar seu pulso levemente.
Ela realmente não se interessava sobre o desfile que ele teve que ir quando um dos seus estagiários avisou que estava doente, ela só queria cumprir sua parte no plano de Rachel para não ser repreendida mais tarde. Elas estavam brincando de cupido, mais uma vez. Kurt continuou falando sem parar e Quinn continuou sorrindo para Rachel enquanto o guiava até a cozinha. O trabalho de Quinn era levar Kurt para lá e o trabalho de Rachel era apresentar um ao outro na esperança do histórico de cupido delas continuar perfeito. Quinn encheu sua taça mais uma vez e olhou para a sala, onde tudo estava realmente misturado. A namorada de Puck era uma amiga de Quinn da faculdade, Mercedes estava namorando um dos assistentes de produção do teatro onde Rachel se apresentava e tinha pelo menos mais três casais ali que elas que tinham juntado.
Sempre que alguém reclamava de ter sido empurrado para um encontro às cegas, Rachel se virava para Quinn com os olhos brilhando e exclamava que ela tinha um gosto perfeito.
Quinn e Rachel ficariam por ali só por alguns minutos para ter certeza de que os dois eram compatíveis o suficiente para conseguirem manter uma conversa sem a ajuda delas. A mão de Quinn achou a parte baixa das costas de Rachel e ela começou a correr suas unhas de maneira provocativa enquanto se afogava em álcool, conversa e no calor da morena.
O ensino médio tinha sido cheio de altos e baixos, mas que experiência no ensino médio não era? Elas tinham sobrevivido um dia após o outro, sempre aguardando o dia em que não teriam mais que esconder o que quer que fosse. Elas mal podiam esperar para ir para algum lugar onde elas não teriam mais que se preocupar com isso. O primeiro ano de faculdade foi uma pequena prova do mundo real e Quinn sempre dizia que o dia mais feliz da sua passagem pelo ensino médio tinha sido o dia que ela tinha recebido a carta de Columbia. Foram quatro dias estressantes onde Rachel já sabia que tinha sido aceita na NYU, mas o destino de Quinn ainda estava indefinido. Rachel sempre jogava a cabeça para trás e ria quando a loira se lembrava desse dia, mas para ser honesta, aquele também era o seu dia preferido. Elas iam para a cidade grande juntas e ao invés de estarem a três horas de viagem uma da outra, elas estariam somente a duas linhas de metrô.
Se a irmã de Quinn não morasse também em NY, a loira sabia que ela teria ficado doente de tanta saudade de casa durante aquele primeiro ano. Rachel sabia que se não fosse por Quinn, ela teria ficado da mesma forma. Elas se ajustaram, se adaptaram e se apaixonaram pela cidade que agora elas chamavam de casa.
Quinn se inclinou e deixou um beijo na testa da morena. “Eu amo você.”
Rachel olhou para ela com a sobrancelha arqueada de curiosidade. “O que foi?”
“Eu preciso de um motivo para beijar você agora?”
Rachel balançou a cabeça antes de descansá-la no ombro da loira. “Claro que não.”
“Esses dois passarinhos apaixonados.” Kurt gesticulou na direção de Quinn e Rachel quando elas mais uma vez foram pegas esquecendo que um mundo existia além delas duas. “Elas são um romance do Nicolas Sparks esperando para ser escrito.”
Jason, o companheiro de elenco de Rachel que ela estava tentando arrumar para Kurt concordou enfaticamente. “Então vocês todos estudaram juntos?”
Kurt se adiantou antes que elas pudessem responder. “Ah, sim. E deixa eu dizer para você, essas duas se odiavam. Elas eram como água e óleo.”
A atenção de Jason se voltou para as duas e ele estudou seus sorrisos marotos antes de balançar a cabeça. “Não mesmo. Não acredito nisso.”
“Eu era uma pedra no seu lindo sapato.” Rachel riu antes de enterrar sua timidez no ombro de Quinn.
Quinn continuou. “E eu secretamente amava irritá-la com o meu jeito.”
Jason balançou a cabeça para arrumar seu desgrenhado cabelo castanho e aquele movimento lembrou Quinn de Sam Evans e esse era um dos motivos pelos quais elas queriam juntar ele e Kurt.
“Então como foi que vocês finalmente ficaram juntas?”
Kurt mais uma vez abriu a boca para responder aquela pergunta nos mínimos detalhes, mas descobriu que não tinha nada para dizer. Ele então se virou para as suas velhas amigas. “Realmente, como vocês ficaram juntas? Eu não acho que alguém saiba.”
Rachel levantou a cabeça do ombro de Quinn e sorriu abertamente enquanto seus olhos percorriam o rosto da loira. Quinn estava com a sua famosa cara de bêbada, sorriso preguiçoso e pálpebras pesadas. Ela amava a cara de bêbada da sua namorada.
“Véspera de Ano Novo.” Quinn respondeu ainda encarando Rachel.
A morena assentiu e puxou seu lábio inferior para dentro da boca por um momento antes de continuar. “Terceiro ano.”
“Sério?” Kurt exclamou, sem saber que ele estava na mesma festa que elas alegadamente ficaram juntas.
Quinn confirmou.
“Algo romântico, creio eu.” Jason perguntou, julgando pelo jeito que elas agiam uma com a outra. Ele sabia que elas eram do tipo românticas.
“Eu sabia! Vocês sumiram à meia noite porque estavam se beijando!” Kurt estava orgulhoso por solucionar o caso e se virou para Jason para explicar que elas não estavam em lugar nenhum à meia noite.
“Na verdade, não.” Rachel respondeu. “Nós, tecnicamente, não nos beijamos à meia noite.”
Quinn riu antes de se virar para eles. “Foi às três da manhã, na verdade. Só um amasso bêbado e desajeitado.”
Ambos franziram as sobrancelhas, esperando que elas tivessem algo mais interessante para contar. Kurt sempre tinha se perguntado como elas tinham ficado juntas. Ele só começou a notar algo diferente entre elas na festa do Dia da Independência na casa de Quinn e antes que ele pudesse pensar melhor sobre o assunto, elas tinham postado um vídeo no Youtube fazendo um dueto.
Sempre romântica, Rachel apertou as costelas de Quinn, a fazendo ganir. “Ela voltou a hora no relógio para meia noite para que eu tivesse meu primeiro beijo na véspera de Ano Novo.”
Jason fez aww e Kurt se pegou também pendendo a cabeça para o lado com orgulho de Quinn, sem saber que ela era mais astuta do que ele lhe daria crédito. Por isso que Rachel estava completamente rendida a ela mesmo depois de todos aqueles anos.
“Isso foi completamente adorável.” Jason sorriu e abanou os olhos. “Então hoje também é o aniversário de namoro de vocês?”
Ambas assentiram. “Sete anos.”
Kurt balançou a cabeça. “Não posso acreditar que já tem sete anos que vocês estão juntas e vocês só tem vinte e quatro anos.”
Rachel revirou os olhos. “Nem me lembre! Eu me sinto uma velha!”
Quinn continuou a acariciar as costas da morena enquanto Jason levava a mão ao seu peito. “Vocês têm que fazer um brinde ou algo do tipo.”
Rachel negou com a cabeça. “Oh, não.” Ela se desvencilhou de Quinn e foi dar uma olhada no forno. “Quinn não gosta muito de chamar a atenção.”
Era verdade. Quinn não gostava mais de estar no centro das atenções, ela tinha tido o suficiente disso no ensino médio e aquilo quase a tinha impedido de ir atrás de Rachel. Ela era mais para uma romântica reservada. Ela não se importava de professar seu amor de todas as maneiras possíveis, se estivessem somente as duas. Ambos franziram as sobrancelhas para Rachel antes de voltarem seus olhares suplicantes para Quinn. A loira mordeu o lábio inferior e olhou para os convidados. Todas as pessoas que eram importantes para elas de alguma maneira, com exceção dos pais da morena, estavam ali. Mas elas os veriam em poucos dias quando fossem para Lima.
Seu olhar cruzou com o de Santana enquanto ela ria entre Mercedes e Brittany. Santana era a única que sabia dos planos de Quinn para Rachel aquela noite. Ela tinha precisado de alguém em que ela pudesse confiar e também de alguém que seria brutalmente honesta com ela. Depois dela e de Santana terem feito outra promessa de mindinho, Quinn soube que seu segredo estava bem guardado.
Quinn se voltou para os rapazes e concordou com um aceno e ambos guincharam em deleite enquanto batiam suas taças. Rachel levantou ao perceber o silêncio que tinha ficado o apartamento e sentiu a mão de Quinn na dela a puxando para a sala.
Os olhos de Quinn passaram nervosamente pelos olhares curiosos dos seus convidados enquanto eles a assistiam respirar fundo algumas vezes. Ela viu o sorriso de Santana no fundo da sala e relembrou da conversa que elas tinham tido mais cedo naquela semana.
“Você tem certeza que quer fazer isso?”
Quinn encarou suas mãos trêmulas enquanto pensava naquela pergunta.
Ela nunca tinha tido tanta certeza em toda sua vida.
“Você sabe que isso significa que você vai ter que passar o resto da sua vida com ela, certo? Tipo, pra sempre.”
Quinn sorriu e olhou para a sua amiga enquanto elas esperavam o joalheiro voltar. “Esse é o meu plano.”
Ela sentiu Rachel apertar sua mão e isso a trouxe de volta para a realidade. Ela afastou a memória da cabeça e limpou a garganta antes de encarar os curiosos olhos castanhos que pareciam se iluminar sempre que encontravam com os seus.
Ela podia sentir o anel de prata queimando em sua coxa, cuidadosamente guardado no bolso da frente da sua calça, o diamante praticamente saltando dos seus jeans. Ela ia fazer aquilo aquela noite, mas ela não tinha planejado propor na frente de todo mundo. Ela iria raptar Rachel por um momento, como elas sempre faziam à meia noite. Mas aquela noite, em especial, ela iria pedir Rachel em casamento.
Elas tinham seus momentos secretos, suas confissões de amor e suas proclamações silenciosas. Rachel vivia para grandes gestos e quem era Quinn para negá-la a chance de ter o maior gesto de todos?
Elas não eram para ter se apaixonado uma pela outra. Pessoas nessa idade não se apaixonam e esperam que dure, pelo menos a parte racional dos seus cérebros não permite que elas esperem que dure. Mas elas realmente tinham durado e Quinn não queria mais nada a não ser que elas durassem mais setenta anos. Elas eram diferentes, elas sempre tinham sido.
Quinn esqueceu tudo que ela tinha planejado dizer enquanto tomava banho mais cedo e todos ainda esperavam pelo seu pequeno discurso. Mas ninguém esperava que ela fosse se ajoelhar, nem mesmo Rachel.
“Eu ia esperar até meia noite para fazer isso, mas...”
“A meia noite é superestimada!” Rachel guinchou enquanto lágrimas começaram a cair pelo seu rosto, finalmente percebendo o que Quinn estava prestes a fazer.
Ambas riram enquanto a umidade em seus olhos impedia que elas enxergassem nitidamente uma a outra e Rachel gritou sim antes que Quinn pudesse oficialmente fazer a tradicional pergunta, mas nenhuma delas se importou, elas se agarraram uma a outra e se beijaram sob o som de assovios e palmas dos seus amigos.
Rachel era a melhor coisa que já tinha acontecido com a loira, ela era sua salvadora. E Rachel frequentemente dizia a sua noiva que ela era seu anjo da guarda. Claro, algumas vezes elas batiam de frente, mas às vezes elas se davam tão bem que enjoavam qualquer um que estivesse perto. Às vezes Rachel estourava sua bola de chiclete muito alto enquanto Quinn estava tentando trabalhar e outras vezes Quinn não deixava a morena em paz enquanto ela tentava decorar suas falas. Na maioria do tempo, Quinn só conseguia se concentrar se Rachel estivesse estourando bola com seu chiclete e Rachel amava quando Quinn a perturbava porque ela amava quando Quinn precisava dela. De alguma forma, todas as suas imperfeições faziam com que elas ficassem mais juntas ainda.
E simples assim, ela soube qual seria a última frase da sua pequena história.
Elas não eram perfeitas, longe disso... mas suas imperfeições as tornavam perfeitas uma para a outra.
E ela mal podia esperar para ler o que ela tinha escrito para Rachel enquanto elas começavam um novo capítulo das suas vidas juntas.
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