Holidaze

6 Making Memories


Notas iniciais
E aí galera? Desculpa não ter postado final de semana passado! Mas aqui está mais um capítulo! Obrigado por todos os comentários lindos e a todo mundo que está acompanhando a fic! Espero que gostem desse!

As coisas nem sempre foram fáceis entre Rachel e eu. De fato, aqueles primeiros meses foram particularmente difíceis. Tudo era muito novo, intocado e vulnerável. Nossa paixão estava fora de controle, assim como nossos temperamentos. O que já era esperado, pra falar a verdade. Ambas eram obstinadas e de fortes opiniões. Era natural que entrássemos em choque algumas vezes. Nós não éramos perfeitas, longe disso. Mas nossas imperfeições nos faziam perfeitas uma para a outra.

A semana seguinte aos nossos términos foi provavelmente a pior semana de todas. A indecisão que nos cercava era como aquele momento antes da tempestade. Tínhamos feito as escolhas certas? A outra se arrependeria da decisão tomada? No primeiro dia de Glee nos deparamos com as performances deles, nos querendo de volta, o que não só testou nossa paciência como testou também nossa confiança.

Seria tão mais fácil correr de volta para os braços dos nossos ex-namorados. Eu não tinha certeza de sequer ter soltado o ar que eu estava prendendo durante toda a semana antes de virar qualquer corredor e ter medo de ver que Rachel tinha recuperado o senso e aceitado Finn de volta. Eu podia ver ela mordendo os lábios em antecipação toda vez que Sam vinha em minha direção. Nós estávamos deixando isso nos comer vivas.

Havia entre nós assuntos inacabados esperando por ressurgir a qualquer momento. Finn exigia saber por quem Rachel o havia deixado e Sam pensava que suas desculpas iam bastar para que eu perdoasse as mentiras que ele tinha espalhado. Depois da rendição de Finn cantando Heartless no quinquagésimo dia, nossos olhares se encontraram na sala do coral e eu soube que tínhamos feito a escolha certa.

Eu não estava brincando quando disse a Rachel que eu estava me apaixonando por ela e isso foi uma boa coisa, porque ela certamente não levou isso como uma brincadeira também. Nós ficamos inseparáveis depois disso, passando nosso tempo juntas sempre que tínhamos chance. Foi difícil lidar com viver na casa uma da outra durante os fins de semana e ter que manter distância durante nosso tempo na escola. Não porque ainda fingíamos não tomar conhecimento uma da outra, mas porque se ficássemos muito próximas, nós perderíamos o controle.

Não que isso não tenha acontecido algumas vezes. Nossa paixão cega tomava completamente conta de nós e quando caíamos em si estávamos perto de sermos pegas dando uns amassos no banheiro feminino. Ocasionalmente nós somente nos afastávamos segundos antes de alguém entrar na sala do coral. Era enlouquecedor o quanto que eu estava atraída por ela e me matava por dentro não poder tê-la quando eu quisesse. Como eu podia não me levantar e ir até ela depois de um solo e beijá-la na frente de todo mundo? Ou segurar sua mão enquanto andávamos até o refeitório?

Santana, ironicamente, foi a única esperta o suficiente para perceber tudo. Ela não tinha dito nada e eu não esperava que ela dissesse. Tínhamos feito um pacto e ela ainda estava aprontando por aí com Brittany. Se alguma coisa acontecesse, nós encobriríamos uma a outra.

Estávamos a duas semanas do fim do ano letivo. Eu mal podia acreditar que tínhamos durado tanto sem ninguém descobrir nosso namoro escondido e eu mal podia acreditar que o segundo semestre tinha passado tão rápido. Eu acho que é isso que acontece quando você vive de sorrisos e namorar escondido. Eu me encontrei não muito animada pelas coisas triviais da escola, mas em vez disso esperando ansiosamente para ver Rachel depois das suas aulas de canto no sábado ou pelas noites de quarta, quando jantávamos na sua casa. Eu até mudei meu caminho entre uma classe e outra para que eu pudesse ter mais chances de vê-la.

O verão estava literalmente nos beijando com o seu clima quente e as noites longas e as manhãs sem fazer nada estavam logo na esquina. Eu tinha toda a intenção de gastar toda a estação descansando perto na piscina com Rachel na cadeira de sol ao meu lado. Mas nós tínhamos que sobreviver ao Memorial Day primeiro. Era uma preparação, na verdade. Um feriado bem perto do fim do ano letivo. O suficiente para experimentar um gostinho do que estava por vir, prometendo tudo que nós mal podíamos esperar.

A viagem de carro para Youngstown foi longa, mas não entediante, graças à Rachel. Seu conhecimento sem fim de brincadeiras e jogos fez com que a viagem fosse um pouco mais suportável, mesmo que não devesse ter demorado quatro horas para chegarmos ao nosso destino. Eu poderia ter feito a viagem em três horas, mas um certo alguém tinha problemas com o meu pé no acelerador. O Valium que a minha mãe tomou a fez apagar no banco traseiro do Volvo antes mesmo de sairmos de Lima. Talvez um ataque preventivo a fim de evitar o jogo 21 Questions proposto por Rachel. Foi bom pegar a estrada e poder segurar sua mão por toda viagem.

Eu estava um pouco nervosa quando convidei Rachel para viajar comigo e enfrentar a festa do bairro da minha irmã mais velha em comemoração ao Memorial Day, porque ia ser a primeira vez que ela conheceria a minha irmã. Minha mãe estava completamente animada com o fato de que eu havia encontrado uma amiga apropriada para levar aos eventos de família. Se alguém a perguntasse, era porque ela não teria que se preocupar comigo me sentindo sozinha o tempo inteiro. Eu odiava o marido da minha irmã, eu odiava no que ele a tinha transformado. Ela era minha heroína quando nós éramos crianças, sempre me protegendo da realidade da nossa casa, evitando que ela me esmagasse tão cedo. Eu por várias vezes a pegava falando para espelho, usando alguma escova como microfone, sempre praticando seus discursos para prêmios que ela nunca ganhou. Ela nasceu para ser uma atriz, seu charme e aparência certamente a levariam por esse caminho, mas ela se acomodou ao invés de viver.

Eu me recusava a seguir os seus passos, não me importando por quantas vezes ela havia sido meu exemplo.

Eu a assistia com uma pequena carranca enquanto ela negligentemente se movia pela cozinha e preparava o jantar.

“Você está bem?” Rachel cochichou por cima da mesa.

Eu assenti e dei um pequeno sorriso para acalmar sua preocupação.

“A gente devia acordar a mamãe, não?” Abby me perguntou por cima do ombro enquanto botava as folhas de alface numa tigela grande.

Eu olhei para o relógio de parede pendurado na entrada da cozinha. “Ela é menos mal humorada se você a deixa acordar sozinha.”

Ela riu por um instante antes de concordar. “Certo, como eu poderia esquecer?” Ela se virou e secou as mãos em seu avental. “Rachel, é uma pena não ter te conhecido quando eu fui para Lima na Páscoa. Quinn disse que você estava viajando.”

Eu cerrei meus dentes quando me lembrei da Páscoa. Eu não tinha ficado nada feliz com a minha família.

“Uhum. Eu fui visitar minha família em Ann Arbor.”

Estava acertado que eu viajaria com os Berry aquela sexta de manhã para passar o último final de semana do feriado com eles em Michigan. O nosso primeiro mês de namoro tinha finalmente valido a pena e eu não poderia estar mais animada para sair de Lima por uns dias. Meu iPod já estava carregado, as revistas que compramos para manter Rachel ocupada enquanto eu dormia e seu lanche de frutas orgânicas estavam guardados na minha mochila. Mas Abigail apareceu gritando surpresa! e o meu final de semana perfeito foi por água abaixo. Em vez de ganhar um tour personalizado por Ann Arbor com Rachel Berry, eu me vi presa com a minha família em Lima.

“Quinn não ficou muito feliz comigo aquele fim de semana.”

Rachel olhou para mim e provavelmente viu minha expressão mal humorada. “Ela me disse que passou um adorável tempo com você aquele fim de semana.” Ela sorriu docemente.

Eu arquei minha sobrancelha em sua direção e ela simplesmente encolheu os ombros de forma alegre, tomando um gole da limonada que minha irmã havia oferecido.

“Espero que esteja tudo bem para vocês dividir uma cama. Talvez eu possa passar na Target e comprar um colchão inflável.”

“Sem problemas.”

Eu talvez tenha respondido rápido demais, mas Rachel concordou comigo.

“Tudo bem, nós não ligamos.”

Eu aprendi quase todas as minhas expressões faciais observando minha irmã e eu tinha certeza de que ela queria levar esse assunto adiante. Mas eu falei primeiro.

“Cadê o Patrick?”

Foi estranho vê-la vacilar. “Ele deve chegar do trabalho daqui a pouco.” Respondeu, sorrindo abertamente demais pro meu gosto quando virou novamente para a pia.

Rachel também pareceu notar aquele comportamento estranho.

“Então... O que vocês planejam fazer esse final de semana? A festa é só no domingo.” Sua mudança de assunto também não passou despercebida por nós.

Rachel olhou para mim como seu eu tivesse coisas incríveis planejadas para nós duas.

Eu limpei minha garganta. “Eu pensei em levar Rachel para almoçar e andar um pouco pela cidade, talvez ir ao cinema.”

Eu tive que morder meus lábios para não devolver o sorriso radiante que ela estava dando pra mim. Ela adorava sair em pequenos encontros e eu tentava o meu melhor para torná-los especiais para ela, mas havia muitas coisas que não podíamos fazer em Lima para que ninguém nos visse como um casal. Eu não podia segurar sua mão enquanto passeávamos pelo shopping, eu não podia pôr o meu braço em volta dela quando íamos ao teatro, eu não podia beijá-la quando ela voltava do banheiro durante o jantar. Isso era realmente uma merda. Mas eu sabia o que ela estava pensando, que talvez nosso fim de semana em Youngstown pudesse ser o nosso teste. Ainda era Ohio, mas nós não seríamos reconhecidas. Podíamos agir como o casal que éramos de verdade. Quanto mais eu pensava nisso, mais feliz eu ficava.

Rachel e eu continuamos assistindo minha irmã preparar o jantar, compartilhando pequenos olhares uma vez ou outra, cochichando um oi sempre que nossos olhares se encontravam. Minha mãe levantou eventualmente e Patrick chegou quando estávamos lavando as mãos para jantar.

O jantar foi uma experiência um pouco desconfortável e se não fosse pelo interesse de Rachel em saber em que os dois trabalhavam, teríamos comido num silêncio absoluto. Eu quase pulei pra fora da minha cadeira quando percebi o desconforto do marido da minha irmã pelo fato de que os pais de Rachel eram gays. A única coisa que salvou sua jugular foi a mão de Rachel na minha coxa por debaixo da mesa, tentando me acalmar.

Depois do jantar, Rachel e eu nos retiramos para o nosso quarto de hóspedes nos sentindo exaustas. Eu caí na cama e Rachel caiu logo depois. Ela se aproximou de mim e descansou sua cabeça no meu braço estendido.

“Quinn?” Ela me chamou suavemente.

“Hmm?”

Eu não tinha me tocado do quão cansada eu estava até deitar na cama. O corpo quente de Rachel junto com a quantidade de comida ingerida no jantar iam me render um sono rápido. Eu não tinha problemas com isso, nada melhor do que dormir depois de um longo dia.

“Há quanto tempo eles estão separados?”

Eu abri meus olhos e levantei a cabeça da cama, me virando para encará-la. Por um segundo eu achei que ela estava falando dos meus pais, mas ela já sabia dessa história. E não só de mim, ela ocasionalmente escutava as divagações da minha mãe, especialmente depois dela ter ido almoçar com ela uma tarde em que eu estava no treino das Cheerios.

“Quem?”

“Sua irmã e o marido dela.”

Eu sacudi minha cabeça, ela estava louca. Eu levantei da cama e fiz meu caminho até a mala, para vestir algo mais confortável para dormir, funcionando como uma distração.

“O que fez você pensar isso?”

Eu a ouvi sentar na cama. “Bom... Como você sabe, eu sou muito boa em julgar as pessoas e eu também sou extremamente perceptiva.”

“Certo.” Eu assenti, só prestando atenção o suficiente para saber o que responder.

Deus, eu não sabia o que eu estava pensando quando fiz as malas na noite anterior. Não havia nada que eu quisesse vestir. Eu dei uma olhada na pequena mala de Rachel e comecei a fuçar em suas roupas. Eu tomei o cuidado de não amarrotar suas saias e blusas, encontrando uma calça de pijama rosa xadrez e uma blusa do acampamento de teatro de três verões atrás.

“Acredite. Eles não estão vivendo mais na mesma casa.”

Eu me virei assim que registrei o que ela havia dito.

“Isso é impossível.”

Simplesmente não havia como isso ser verdade.

“Você viu como eles estavam agindo perto um do outro, sorrisos forçados se transformavam em caretas no segundo seguinte, conversas desconfortáveis, toques estranhos, ele estava cheirando a álcool e tinha glitter no pescoço.”

Eu pensei nas coisas que ela estava enumerando e comecei a acrescentar outras coisas sem fazer muito esforço. Sua aparição surpresa na Páscoa, sem que ele a acompanhasse. Toda vez que nos falamos pelo telefone, ele sempre estava ocupado. Não havia mais nenhuma foto dos dois pela casa.

“Oh meu deus, você está certa.” Eu disse distraidamente enquanto me sentava na beira da cama.

“Você realmente não fazia ideia?”

“Como eu ia saber?”

Eu podia sentir ela encolhendo os ombros atrás de mim. “Eu não sei, pelo o que você disse sua família tem o hábito de varrer as coisas pra debaixo do tapete.”

“Sim, mas... wow. Eu realmente não fazia ideia.” Eu disse, me virando para encará-la quando senti sua mão no meu ombro. “Eu teria te contado se eu soubesse, acredite.”

“Você acabou de descobrir que o casamento da sua irmã acabou e está preocupada que eu fique chateada por você não ter me contado? Isso não faz sentido, Quinn.”

Eu desviei o olhar para o cobertor. “Eu não quero que você pense que eu esconderia algo de você.”

Ela se moveu para mais perto de mim. “Quinn, você tem sido honesta comigo desde que estamos juntas, você praticamente desnudou sua alma pra mim.”

“Uma relação saudável precisa ser uma relação aberta.”

Minha resposta veio quase que sistematicamente.

“Isso tem a ver com alguma outra coisa? Você tem medo de cometer os mesmos erros que a sua família?”

“Não, é só que...” Eu não sabia o que estava acontecendo comigo. “Sim... Eu tenho. Eu tenho muito medo.”

Eu podia sentir as mãos de Rachel massageando circularmente as minhas costas, me tranquilizando. “Do que você tem medo?”

“Eu não sei.” Eu respondi, sem realmente ter ideia do que, de repente, tinha acontecido comigo.

“Olha pra mim.” Ela pediu gentilmente.

Eu levantei a cabeça e encontrei seu olhar.

“Meu amor, por que você está chorando?”

Eu ainda não fazia ideia. As coisas só me atingiram todas de uma vez, coisas que eu nem sabia estar preocupada se tornaram de uma hora pra outra meus maiores medos.

“Eu não sei.” Eu solucei. “Eu só estou sentimental por alguma razão. Estar aqui me lembra tudo que eu odeio sobre a minha família.”

“Vem cá.” Ela me puxou em sua direção e colocou seus braços em volta de mim.

Eu podia ouvir ela me confortando enquanto me segurava mais perto dela.

“Eu estou com medo.” Eu suspirei e fechei meus olhos. “Eu estou com medo porque é como se eu estivesse esperando falhar e fosse só uma questão de tempo.”

“Por que você diria isso?”

“É verdade. Eu sou uma traidora e eu não mereço você.”

“Ok, chega disso, você é Quinn Fabray! Você consegue o que você quer e você não aceita nenhuma merda de ninguém. Você é uma pessoa maravilhosa e ninguém pode te convencer do contrário. Repete comigo: eu sou Quinn Fabray e eu consigo o que eu quero.”

“Eu não vou repet...”

“Repete!”

Eu rolei meus olhos enquanto secava algumas lágrimas com as costas da mão. “Eu sou Quinn Fabray e eu consigo o que eu quero.”

“O que você quer?”

“Você.”

Ela sorriu docemente antes da sua expressão séria retornar ao rosto. “Bom, você me tem. Se sente melhor agora?”

“Não muito.” Eu balancei minha cabeça.

Rachel fez um som indignado, parecendo perplexa.

“Isso geralmente funciona.” Ela murmurou pra si mesma.

“O que você está tentando conseguir?”

“Eu estava tentando fazer com que você ficasse confiante de novo... Ok, quer saber? Novo plano. Você não é mais Quinn Fabray.”

“Não sou?”

Ela balançou a cabeça. “Não. Você não é uma Fabray, você é só a Quinn. Minha Quinn.”

“Sua Quinn?”

Ela abaixou a cabeça para poder ficar bem em frente a minha linha de visão. “Eu realmente não me importo se você é uma Fabray ou não. E você também não deveria. Pra mim, você é só a Quinn.”

“Qual a diferença?”

“A Quinn Fabray é...” Ela pausou momentaneamente. “A Quinn Fabray é fechada e reservada, pressionada a se conformar e julgar. Ela encobre sua hesitação com uma postura de ataque e seus medos e inseguranças a perseguem se ela não toma o devido cuidado.” Ela levantou o dedo quando eu fui protestar. “A minha Quinn é adoravelmente charmosa sem perceber, ela é honesta com as melhores das intenções, ela me protege de coisas que ela mesma não pode se proteger e ela até mesmo confia em mim o suficiente para admitir que está com medo.”

Eu olhei pra baixo e sorri pra mim mesma, ainda sem acreditar que Rachel Berry era a única que podia me confortar quando eu precisava. “Eu não quero te perder.”

Ela riu docemente. “Quantas vezes eu te disse que eu não vou a lugar nenhum?”

“Sim, você disse isso, mas eu tenho certeza que você disse a mesma coisa para o Finn, até para o Jesse.”

Ela me fitou por alguns segundos em silêncio antes de finalmente responder, talvez percebendo que eu realmente tinha um argumento. “Claro, quando eu me apaixono, eu me apaixono. Mas isso aqui é diferente, isso é real. Eu não consigo explicar, você vai ter que confiar em mim.”

“Eu confio em você.”

“Eu sei que você tem sido ferida por várias pessoas, mas eu nunca vou te abandonar, Quinn.”

Sua sinceridade me libertou de qualquer corrente invisível que me prendia a toda negatividade.

Eu corri meus dedos indicadores por debaixo dos meus olhos para ter certeza de que nenhuma maquiagem estivesse borrada e ri através das lágrimas restantes que já tinham começado a secar. “Deus, olha pra mim. Eu sou uma bagunça dramática.”

“Ei...” Ela falou e virou minha cabeça um pouco para ficar de frente pra ela. “Se você pegou alguma coisa dessa conversa, é que não há absolutamente nada de errado com ser dramática.”

Ela sorriu abertamente e eu gargalhei.

Eu continuei a cegamente consertar a maquiagem dos meus olhos. “Você sempre está ao meu lado quando algo ruim acontece.”

“Esse é o meu trabalho.”

Para algumas pessoas, isso poderia ter sido um fardo, mas ela parecia genuinamente gostar de ser aquela pra quem eu corria quando as coisas davam horrivelmente errado.

“Eu me sinto como se você estivesse constantemente me consolando. Quando será eu aquela a estar lá para você?” Eu perguntei despreocupadamente.

Ela pegou minha mão e passou seu polegar por debaixo dos meus olhos para limpar o que eu tinha deixado passar. “Quando o meu brilho labial falhou semana passada, quando meu pai comeu o último pão de cenoura, aquele dia em que assistimos a três filmes do Nicolas Sparks e eu não conseguia parar de chorar, quando aquele restaurante tailandês trouxe errado o meu pedido, quando eu tive que tirar sangue e você segurou minha mão e não morreu de vergonha quando eu desmaiei, quando eu não achava minha caneta rosa e você foi na papelaria me comprar um pacote delas, três semanas atrás quando você me defendeu quando Mr. Schue tentava arruinar a minha vida.”

Eu soltei um riso abafado. “Mr. Schue está sempre tentando arruinar a sua vida.”

“Eu sei! É como se ele tivesse uma vingança pessoal contra mim!” Eu gargalhei mais ainda e descansei minha cabeça no seu ombro, enquanto ela botava seu braço em volta de mim. “Você está melhor?”

Eu assenti contra ela e a senti beijar o topo da minha cabeça.

“Vamos nos arrumar pra dormir.” Ela falou suavemente e eu assenti mais uma vez.

Eram somente oito horas da noite, mas nada soou mais tentador pra mim do que ir dormir mais cedo com Rachel ao meu lado.

Eu percebi que ela foi direto para minha mala em vez de pegar um par seu de calça de pijama. Talvez isso era o que eu estava antecipando quando eu fiz minhas malas. Eu as fiz pensando no que Rachel iria querer vestir para dormir e ela fez pensando no que eu ia querer vestir para dormir.

Ela sorriu timidamente quando começou a se trocar e meu rosto esquentou enquanto eu também timidamente olhava para o outro lado. Nós estávamos próximas, mas por alguma razão ainda parecia apropriado lhe dar alguma privacidade enquanto ela se trocava na minha frente.

“Você pode cantar uma música pra mim?” Eu perguntei a ela depois de escovar os dentes.

“Eu pensei que você nunca fosse pedir.” Ela sorriu enquanto puxava o cobertor do seu lado. “O que você gostaria de ouvir essa noite?”

Eu tinha o hábito de pedir para ela cantar até eu dormir na maioria das noites, especialmente quando eu tinha um dia ruim. Ela tendia a escolher músicas dos seus musicais favoritos, mas eu não me importava, ela normalmente botava seu próprio ritmo nelas, algo como uma versão mais leve.

“Qualquer uma que você quiser.” Eu disse a ela enquanto subia na cama.

“Eu tenho a música perfeita.” Ela sorriu suavemente, subindo na cama depois de mim.

Ela se apoiou na cabeceira e se ajustou para poder correr seus dedos pelos meus cabelos, limpando a garganta.

When the rain is blowing in your face and the whole world is on your case, I could offer you a warm embrace, to make you feel my love.”

Sua voz suave estava literalmente me dando calafrios. Não era sua voz de coral, era algo reservado. Algo que ela não compartilhava com frequência. Eu virei sob o meu estômago e botei meu braço sobre o seu corpo enquanto começava a me perder nas palavras que ela estava cantando.

When the evening shadows and the stars appear and there is no one there to dry your tears, I could hold you for a million years, to make you feel my love.”

Eu escutei o que ela estava me dizendo, o que ela ainda não tinha sido capaz de me dizer através de suas próprias palavras. Ela tinha escolhido aquela música por uma razão e essa razão me fez ver tudo um pouco mais de clareza. Eu fechei meus olhos e tentei puxá-la para mais perto de mim enquanto sua mão desenhava círculos preguiçosamente nas minhas costas.

I’d go hungry, I’d go black and blue, I’d go crawling down the avenue. No, there’s nothing that I wouldn’t do, to make you feel my love.”

Como no Ano Novo, quando tudo me acertou dez vezes mais, estava acontecendo de novo, com nós duas deitadas juntas naquele quarto de hóspedes escuro da casa da minha irmã. Era só nós duas. Parecia que sempre tinha sido só nós duas desde o início. Eu estendi a mão e puxei seu ombro até ela conseguir entender o que eu estava querendo. Eu a ouvi soltar um riso suave antes de escorregar na cama e ficar na mesma altura que eu. Eu abri meus olhos para encontrá-la me encarado com seus olhos brilhando.

I could make you happy, make your dreams come true. Nothing that I wouldn’t do, go to the ends of the Earth for you, to make you feel my love.”

Ela diminuiu o tom da sua voz para que ela não se propagasse para além de nós duas e eu a assisti atentamente enquanto ela cantava cada palavra com um significado mais profundo. Era fim de maio, mas o sol já tinha se posto, deixando um leve brilho rosa no céu. Era o meu tipo favorito de noite, mas nem isso poderia tirar minha atenção de Rachel.

To make you feel my love.”

Nada no mundo poderia desviar o meu olhar dela naquele momento.

“Isso foi maravilhoso, Rach.”

Ela abaixou a cabeça. “Você sentiu?”

Eu me aproximei mais e rocei meus lábios contra os dela, dando tempo para ela registrar meu beijo antes de mergulhar nos seus lábios uma segunda vez. Meus olhos fecharam enquanto minha mão deslizou pela sua bochecha, sua própria mão surgindo para agarrar meu pulso enquanto eu continuava a mover para mais perto. Foi o beijo mais lento que nós já tínhamos compartilhado, mas foi também o mais necessitado. A quantidade de força que nós botamos em nossos lábios foi suficiente para deixar marcas visíveis, mas havia valido a pena. Ela soltava gemidos suaves enquanto nós continuávamos a transmitir tudo que não podíamos dizer em voz alta. Suas promessas foram seladas pela minha necessidade e meus medos apagados pelas suas confissões. Eu a beijei de volta com tanto desejo que seus lábios estremeceram contra os meus, mas era doloroso o quão devagar nós estávamos nos beijando. Julgando pelos batimentos do meu coração, se poderia pensar que era um beijo roubado, algo que não era para estarmos compartilhando.

Era honestamente de doer o coração, um desejo tão grande que doía só de pensar sobre, algo tão profundo que era difícil de pôr em palavras sem querer simplesmente chorar.

De fato, ela foi a primeira a começar a chorar através do nosso beijo, seu aperto me fazendo a beijar mais forte e eventualmente minhas lágrimas juntaram-se às dela. Eu simplesmente não conseguia ter o suficiente dela, não importava o quanto eu tentasse e eu não estava acostumada a me sentir assim. Eu nunca tinha me sentido dessa maneira por outra pessoa. Nós não nos afastamos por um bom tempo, sem nos importarmos com nossos pulmões ardendo por algum sopro de ar, sem nos importarmos em como estávamos ficando tontas. Nós seguramos uma à outra como se nada mais no mundo importasse, porque naquele momento, realmente nada mais importava.

Ela disse que me amava pela primeira vez do seu jeito e beijar ela daquela forma era o meu próprio jeito de dizer que a amava de volta.

...

Na manhã seguinte eu acordei com o celular de Rachel vibrando no criado, fazendo o lento movimento de esticar meu braço sobre a cama para encontrar os lençóis ainda quentes, mas nenhum corpo quente neles. Eu tinha quase certeza de que eu tinha dormido nos braços de Rachel na noite anterior.

“Rach?” Eu a chamei sem abrir meus olhos.

“Aqui.” Ela sussurrou e o som da sua voz ecoou do lado completamente oposto a que eu esperava que ela estivesse. “Volte a dormir.”

“O que você está fazendo?”

“Eu só vou correr um pouco.”

“Você está maluca? Que horas são?” Eu grunhi.

“Oito.”

Eu me sentei desajeitadamente e finalmente abri meus olhos para ver que ela estava calçando seus tênis. O sol estava brilhando e os raios estavam refletindo diretamente sob meus olhos.

“Oito? Não é um pouco tarde pra você? Você não acorda às quatro?”

Ela riu antes de se levantar e andar em minha direção. “Parece que é impossível levantar da cama no horário certo quando eu estou dividindo ela com você.” Ela se abaixou e me beijou suavemente. “E é cinco nos dias de semana e sete nos finais de semana.”

Eu sorri levemente e corri uma mão sobre os meus olhos cansados. “Eu vou com você.”

Sua postura ficou mais reta e ela pôs as mãos na cintura. “Você quer correr comigo?”

“Claro, por que não? Eu certamente não posso deixar você andar por aí sozinha.”

“Eu tenho um excelente GPS na minha cabeça.” Ela argumentou. “Volte a dormir, eu vou estar de volta em uma hora.”

“Você sabe que eu não vou conseguir voltar a dormir sem você.”

Ela me estudou por longos segundos, debatendo sobre o assunto em sua cabeça. “Você não vai conseguir acompanhar meu ritmo.”

Oh, aquela pobre alma iludida.

“Oi? Eu sou uma líder de torcida... Você não acha que eu poderia correr em círculos em torno de você?”

Ela tinha um sorriso maroto em seus lábios. “Nem tudo é uma competição, Quinn. Você me ensinou isso.”

“Então vamos curtir uma boa corrida juntas.” Eu sorri abertamente. “Me deixe te pagar um café da manhã.”

Ela cruzou os braços. “Ok.” Ela falsamente bufou. “Vai pegar algo emprestado com a sua irmã e eu te encontro lá fora.”

“É melhor você não ir sem mim, Berry.” Eu avisei enquanto abria a porta, quase tropeçando em minha repentina pressa.

Eu estava realmente esperando que ela já estivesse muito distante quando eu finalmente desci as escadas devidamente vestida. Eu encontrei alguma dificuldade para achar algo apropriado para uma corrida matinal e minha irmã não tinha ficado muito animada por eu tê-la acordado. Mas eu tinha conseguido achar uma roupa que pelo menos combinasse. Rachel estava se alongando e ela parecia completamente adorável em seus shorts de corrida rosa e uma das minhas blusas brancas de manga comprida. Ela se virou assim que me ouviu chegar e começou a me ensinar a maneira correta de se alongar.

Claro que eu sabia a maneira correta de se alongar, eu só estava apreciando suas curvas.

A pequena corrida foi refrescante e o pequeno café em que eu a levei pareceu agradá-la. Nossa caminhada de volta para a casa da minha irmã foi cheia de constantes risadas e beijos ocasionais quando nenhum carro estava passando. Depois dos nossos respectivos banhos, voltamos para o pequeno centro comercial pelo qual tínhamos passado mais cedo e eu me certifiquei de levá-la a todos os lugares que ela tinha reparado ou comentado pela manhã. Mas o nosso tempo foi em sua maioria monopolizado pela loja de roupas vintage e pelas quase duas horas dentro da loja de discos.

“Eu não acredito que estamos de mãos dadas.” Ela comentou enquanto fazíamos nosso caminho de volta.

“É estranho, não é? Estar em público e não ter alguém que possa nos reconhecer.” Eu sorri para mim mesma antes de me inclinar sobre ela e beijar sua testa, com ela distraidamente abraçada a mim enquanto andávamos. “Embora eu meio que esteja esperando ver a Treinadora Sylvester em algum lugar a espreita.”

Ela estremeceu e eu não tinha certeza se ela estava brincando ou realmente tremendo. “Às vezes eu queria que nós pudéssemos fugir juntas.” Ela disse um tanto sonhadora.

Eu me virei para encará-la com um sorriso travesso. “Fugir juntas, hum? Para onde nós iríamos?”

“Eu não sei.” Ela encolheu os ombros. “Para qualquer lugar.”

“Quer dizer que...” Eu assumi uma expressão falsamente preocupada. “Você não tem isso planejado nos mínimos detalhes?”

Ela bateu no meu braço e eu continuei rindo mesmo assim. “Eu não preciso planejar tudo, às vezes é bom só viver o momento.”

“Eu concordo.” Eu sorri internamente antes de abaixar minha cabeça para que eu pudesse deixar um longo beijo em seus lábios enquanto caminhávamos por um passeio de tijolos.

Ela olhou para mim com um olhar de choque e eu continuei a fingir como se nada monumental tivesse acabado de acontecer. Por dentro eu estava morrendo e meu coração estava batendo descontroladamente no meu peito enquanto eu repetia a cena do meu corajoso ato em minha cabeça. Eu me sentia invencível.

“Mas falando sério, para onde fugiríamos?”

Andamos um pouco mais em silêncio antes que ela respondesse. “Eu sempre gostei da Costa Leste, NY... Talvez Boston?”

“Um dia.” Eu respondi, desejando que esse dia não demorasse a chegar.

“Sério?”

Eu abaixei meu olhar para encará-la. “Claro. Por que não?”

“Eu só nunca pensei que nós estaríamos tendo uma conversa desse tipo.” Ela respondeu antes de olhar para mim. “Isso é bom.”

Eu concordei e continuamos a andar por entre pequenas lojas.

Eu nunca diria para Rachel o quanto eu realmente pensava sobre coisas desse tipo. Era tão fácil pra mim escapar para essa realidade alternativa quando eu não queria pensar sobre os problemas da vida real. Quando eu ficava entediada nas aulas de Espanhol do Mr. Schuester, quando eu era repreendida pela Treinadora Sylvester, quando eu tinha que escutar Sam listar todos os motivos pelos quais eu deveria reconsiderar o nosso término, quando eu tinha que escutar Finn dedicando solos para Rachel. Era tão fácil fingir estar em outro lugar.

Mas estar em Youngstown com ela, mesmo que minha mãe e irmã também estivessem, fazia com que eu fantasiasse sobre um futuro onde nada daquilo realmente importava. Por toda aquela manhã, quando estávamos caminhando juntas, rindo por cima de panquecas, jogando iSpy no caminho de volta pra casa, experimentando roupas vintage e até mesmo viajando por entre milhares de álbuns, eu não pude evitar que tudo o mais que não fosse Rachel fosse esquecido.

“Esse final de semana me fez sonhar acordada. Como agora. Nós não estamos na escola.” Eu disse a ela enquanto a assistia namorar um par de sapatos na vitrine.

Seu olhar se desviou deles instantaneamente. “Não estamos?”

“Não. Nós somos Rachel e Quinn e nós estamos juntas há cinco anos e acabamos de deixar o nosso Golden Retriever no pet shop.” Eu disse a ela enquanto balançava nossas mãos para frente e para trás.

Ela sorriu ao perceber o que eu estava fazendo. “Você está me levando para o teatro. É o primeiro dia de ensaio de Rent e eu fui escolhida para interpretar Maureen Johnson.”

“Isso significa que você tem que beijar outra garota?”

Ela cutucou meus ombros com a cabeça, olhando para os nossos pés enquanto andávamos. “Em vez de sair com o resto do elenco...” Ela começou. “Eu fui pra casa mais cedo para encontrar você no chão do nosso apartamento com Charlie.”

Eu arqueei uma sobrancelha, isso realmente não soava bem. “Charlie?”

Ela gargalhou com a minha expressão e puxou minha mão para mais perto dela. “Nosso Golden Retriever, claro!”

“Certo.”

“Você está lutando para tirar uma bola de tênis da sua boca, mas você ainda não reparou que eu cheguei em casa.” Ela continuou a fantasiar.

Eu dei a ela um sorriso apaixonado. “Mas você reparou no buquê de flores que eu te enviei no seu primeiro dia de ensaio.”

“Nada disso está te assustando?” Ela perguntou de repente.

Eu estava esperando que ela tecesse mais detalhes sobre o que ia acontecer depois que ela comentasse sobre o buquê de flores.

“Eu estou é ansiosa e impaciente. Por que não podemos realmente viver esses daqui a cinco anos agora?”

Eu nunca fui exatamente uma pessoa paciente.

“Daqui a cinco anos nós vamos desejar voltar a esse momento, sem responsabilidades ou preocupações.”

Eu ri pelo nariz. “Sem preocupações? Nós temos um milhão de preocupações.”

“Talvez. Mas nós ainda somos muito jovens, então nada realmente importa ainda.”

Rachel soltou a minha mão assim que paramos em frente ao carro. “Eu suponho que não.”

Ela saltou para o banco do carona antes que eu tivesse a chance de abrir a porta para ela. “Eu não estou te assustando com detalhes do nosso futuro juntas?” Ela me perguntou mais uma vez enquanto eu me ajeitava no banco do motorista.

“Eu estou, na verdade, com medo disso não se realizar. Cinco anos parece tão distante, Rachel. E mesmo assim, ainda teremos só 22 anos.”

“Não vamos pensar dessa forma, então.” Ela pontuou com um sorriso e segurou minha mão sobre o painel de controle quando eu comecei a dirigir.

Ela estava certa. Por que eu estava tentando lidar com algo que eu nem deveria estar me preocupando ainda?

Nós chegamos à casa da minha irmã bem na hora do jantar. Aparentemente seu marido tinha ficado preso no escritório e isso fez com que minha mãe e Abigail tivessem que ir ao mercado. Patrick não chegou em casa para o jantar e eu finalmente consegui enxergar através das mentiras da minha irmã. Eu imaginava se minha mãe sabia e fingia não saber, se minha irmã tinha contado a ela ou se ela realmente não fazia ideia.

O filme que Rachel escolheu para vermos aquela noite acabou sendo surpreendentemente bom e eu tive que sucumbir ao seu ‘eu te disse’ ou ela nunca me deixaria assistir ao final dele. Nós realmente parecíamos estar em um encontro de verdade e era exatamente isso o que eu queria. Ela nem mesmo havia brigado comigo quando eu comprei os ingressos e a pipoca. Nós chegamos em casa relativamente tarde, encontrando minha irmã na cozinha e acabamos decidindo ajudá-la com a sobremesa que ela estava preparando para o dia seguinte.

A festa do bairro foi divertida, mesmo que eu estivesse ligeiramente apreensiva no início. Todo mundo da vizinhança parecia estar presente e eu estava esperando que alguém reconhecesse Rachel e eu como as duas garotas andando de mãos dadas pela cidade. Eu finalmente relaxei depois de um tempo e aproveitei o clima e os vários tipos de comida e nós até conseguimos comprar furtivamente um pouco de cerveja. Felizmente, eu não me tornei uma bêbada raivosa, o que era surpreendente porque os garotos que nós conhecemos estavam sendo bem óbvios ao tentarem flertar com Rachel. Ela argumentou que eles estavam flertando com nós duas, mas eu honestamente não estava prestando atenção a esse aspecto. Eu estava observando Rachel praticamente o tempo inteiro. Depois de um tempo até ficou divertido provocá-los, especialmente porque eu tinha algo que todos eles queriam.

Rachel impressionou a todos aquele final de semana, exatamente como eu havia predito que ela faria e Abigail chegou até mesmo a convidá-la para ir com ela ao shopping no nosso último dia. Um convite que não foi estendido a mim porque minha irmã queria ter um tempo só para ela e Rachel e poder conhecer melhor minha nova amiga. Eu não tinha nada com que me preocupar, certo?

“Sua irmã sabe.” A voz trêmula de Rachel ecoou pelo quarto de hóspedes. “Ela sabe. Ela sabe. Ela sabe. Ela sabe.”

Rachel tinha fechado a porta e estava apoiada contra ela com seus olhos fechados, entoando repetidamente essa frase. Eu me levantei da poltrona que eu estava sentada e caminhei em sua direção, esperando que o meu pânico crescente não aumentasse ainda mais o seu.

“O que? O que você quer dizer com isso?”

“Sua irmã. Ela sabe sobre nós.” Ela disse antes de respirar pesadamente. “Eu não sei como, mas ela sabe.” Ela então finalmente olhou para mim.

Nós nos encaramos por longos segundos, meu mundo parecia que ia explodir e queimar ao meu redor e ela olhava pra mim apologeticamente.

“O que você disse a ela?” Eu perguntei rapidamente.

Sabe aquele momento em que há um medo esmagador e uma culpa desnecessária colidindo? Era como eu estava me sentindo por dentro. Era como ouvir o meu pai me chamar pelo meu nome inteiro antes de ralhar comigo por ter feito algo errado. Era como voltar pra casa três horas mais tarde do que o combinado e encontrar minha mãe me esperando na sala. Era como caminhar para a sala do diretor, mas não saber o que eu tinha feito para ser chamada até lá. Eu estava aterrorizada sobre o que aquilo poderia significar. Alguém sabia sobre nós.

“Nada. Eu mal falei.” Ela pôs pra fora. “Ela estava falando sobre como você tinha mudado e tudo estava bem. Ela disse que eu era a responsável por isso e eu naturalmente corei porque ela estava me dizendo que eu era a razão pela qual sua irmã mais nova não era mais uma vadia com um coração de gelo e ela disse que ela invejava o que nós tínhamos e que o nosso segredo estava a salvo com ela.”

Eu poderia dizer que Rachel estava a beira das lágrimas. Ela se sentia culpada mesmo que não fosse sua culpa. A culpa não era de ninguém. Nós sempre tínhamos sido cuidadosas perto uma da outra ao redor de outras pessoas, mas às vezes nossos sentimentos eram completamente transparentes. Eu deveria ter tomado um cuidado extra perto da minha irmã.

“Shh... Respira. Está tudo bem.” Eu sussurrei enquanto a abraçava.

Seus braços se apertaram em torno nas minhas costelas. “Não. Você está brava comigo.”

Ela soou tão fraca e vulnerável que isso quase fez com que meu coração se partisse. Eu tinha que ser forte se qualquer uma de nós quisesse sobreviver àquele tipo de situação. Naquele momento, eu precisava ser a sua Quinn. Eu precisava protegê-la de algo que eu nem mesmo sabia como proteger a mim mesma.

“Eu não estou de forma alguma brava com você. É como a Abigail é.” Eu disse suavemente em seu ouvido enquanto minha mão desenhava círculos em suas costas.

Meu medo estava se transformando rapidamente em raiva. Eu a podia sentir crescendo dentro de mim enquanto eu segurava uma Rachel completamente quebrada em meus braços.

“O que você quer dizer com isso?”

“Ela usou você para chegar até mim.”

Ela se afastou para poder me encarar. “O que vai acontecer?”

Eu mordi os meus lábios para que eu não descontasse nela minha raiva. Não era sua culpa, minha raiva era direcionada para outra pessoa. “Eu não tenho ideia.”

“O que você vai fazer?” Ela perguntou cautelosamente.

“Eu não sei.”

Eu realmente não sabia o que eu poderia fazer. Eu sabia o que eu queria fazer, mas a maioria delas era ilegal.

Eu podia quase ver as engrenagens se movimentando dentro da sua cabeça.

“E se ela contar para os seus pais e eles te enviarem para uma escola militar? E se sua mãe te expulsar de casa de novo? E se eles estão lá embaixo nesse exato momento se preparando para uma intervenção? E se essa é a última vez que eu vou ver você?” Seus olhos se arregalaram antes dela se lançar para frente e conectar nossos lábios.

Eu momentaneamente perdi o equilíbrio, tanto pela força com que ela usou quanto pela realização de que suas perguntas dramáticas talvez fossem realmente apropriadas para a situação. Eu correspondi ao seu beijo do melhor jeito que eu pude, mas minha cabeça estava compreensivelmente em outro lugar. Eu me recusava a aceitar que essa seria a última vez que eu veria Rachel, houvesse uma intervenção ou não nós estaríamos deixando aquele final de semana pra trás juntas e intactas.

Eu me afastei e fechei meus olhos quando vi algumas lágrimas começarem a descer pelo seu rosto. Eu não podia vê-la chorar se eu quisesse ter qualquer chance de nos proteger.

“Eu prometo pra você que tudo vai ficar bem. Eu preciso falar com a minha irmã.” Eu disse a ela entre dentes.

Eu não podia acreditar que isso estava acontecendo. Aquele final de semana tinha sido o mais próximo da perfeição que nós já tínhamos experimentado e muito mais do que uma agradável surpresa. Mas num piscar de olhos tudo aquilo tinha se desfeito pela horrível sensação de termos sido descobertas. Uma sensação desconfortável se alojou na boca do meu estômago enquanto eu pensava sobre o que potencialmente poderia estar nos esperando agora. Nós só estávamos começando a nos conhecer e isso poderia precocemente chegar ao fim.

Aqueles medos eram reais e era isso que mais me assustava.

“Essa é uma promessa de verdade?”

Meus olhos se abriram e eu senti meu maxilar endurecer. “Não me faça responder isso.” Eu pedi.

“Então não prometa.”

Eu acenei solenemente. “Eu já volto.”

Eu saí do quarto e me virei para as escadas e por um segundo pareceu que elas levavam a um calabouço escuro. Tudo era tão seguro no quarto de hóspedes. Rachel e eu podíamos ser nós mesmas por detrás de portas fechadas e minha família não importava. Eu pensei em dar a volta, agarrar Rachel e escapar pela janela. Talvez nós pudéssemos só fugir de tudo, ia ser tão fácil. Era tão fácil pra mim sempre fugir. Mas Rachel não fugia de nada e por mais assustada que ela estivesse, eu sabia que ela não me deixaria fugir disso também.

Mas e se minha mãe já soubesse, e se meu pai tivesse sido chamado, e se eles já tivessem arranjado alguma escola privada que me levasse para longe e me curasse? Minha mãe podia dizer que me amava quantas vezes quisesse, mas esse amor seria suficiente se posto na balança com a pecaminosa relação de sua filha com outra garota? Porque tudo parece dez vezes pior quando você é um adolescente?

Eu segui adiante antes que tivesse que lidar com essas questões por mais tempo, eu não tinha ideia do que estava esperando por mim quando eu desci as escadas. Eu rapidamente me transformei numa Fabray, a garota reservada e vingativa que botava os outros ao chão caso chegassem muito perto. Era o único jeito que eu conhecia para poder lidar com a situação. Meu rosto permaneceu vazio de qualquer expressão enquanto eu abria a porta dos fundos para encontrar minha irmã sentada na mesa de vidro do quintal com um livro.

“Eu não posso acreditar.” Eu cuspi as palavras antes mesmo de chegar perto da mesa.

Vê-la só tinha me dado mais força para permanecer no meu papel de vadia sem medo que se recusava a perder sem lutar.

Ela olhou de relance para mim e sorriu de lado. “Wow, ainda previsível.”

“Eu vou matar você.” Eu comecei me lançando em sua direção.

Eu não sabia o que tinha acontecido comigo.

Ela levantou suas mãos. “Calma.”

“Rachel está lá em cima praticamente se afundando em lágrimas por isso e você me diz calma?”

Eu estava fumegando enquanto ela continuava fingindo que não era grande coisa.

“Senta.”

Eu botei as mãos em minha cintura e permaneci em pé. “Por que eu deveria?”

“Você não negou nada, então posso assumir que é verdade?”

Eu permaneci calada e com o olhar firme. Eu me recusava a deixá-la brincar comigo esperando que eu dissesse algo comprometedor até que eu soubesse quais eram suas verdadeiras intenções com isso.

Ela rolou os olhos e chutou uma cadeira com o pé. “Eu só quero conversar com você.”

“Eu não vou conversar com você sobre a minha relação com a Rachel, você sequer consegue manter seu próprio casamento.”

“Ouch, Quinn.” Ela balançou a cabeça com uma risada sem humor. “Pelo visto você ainda ataca pela jugular quando se sente ameaçada.”

Era típico ir atrás da maior fraqueza de alguém quando eu sentia que esse alguém estava muito perto da minha.

Eu bufei. “Eu não estou me sentindo ameaçada por você. Vá em frente e conte para nossa mãe, você pode até mesmo contar para o nosso pai até onde eu sei, você não vai ficar segurando isso sobre a minha cabeça.”

“Do que você está falando? Eu não vou falar nada pra ninguém. Você pode simplesmente calar a boca e sentar?”

Eu puxei a cadeira o mais distante possível dela e sentei, sem desviar meus olhos dos dela. Ela tomou um gole da sua limonada e correu os dedos por sua franja enquanto me estudava. O sol estava batendo nos meus olhos, mas isso poderia ajudar no efeito que eu estava esperando causar. Intimidação.

“Por que eu contaria para a nossa mãe?”

“Por que você não contaria?”

“Rachel é provavelmente a melhor coisa que aconteceu com você.”

Eu apoiei as costas na cadeira e cruzei meus braços. “Você me diz isso como se eu não soubesse.”

Sua sobrancelha arqueou com o meu tom. “O que eu fiz pra você? Quando foi que você se tornou tão rancorosa em relação a mim?”

“Você fez da minha vida um inferno!”

“Como?”

Eu fechei meus olhos e contei até três. Era algo que Rachel havia me ensinado quando eu tivesse que lidar com ex-namorados ignorantes e melhores amigas babacas, para manter a minha calma quando eu quisesse partir para algo mais agressivo.

“Sendo a filha perfeita para os nossos pais. Era impossível tentar calçar os seus sapatos e eu quase me perdi tentando viver sobre as expectativas que você estabeleceu.”

Ela riu de uma forma que somente uma irmã mais velha poderia rir. Era degradante. “Então minha vida foi só um passeio pelo parque?”

“Eu não me lembro de você ter ficado grávida aos dezesseis anos.” Eu cuspi para ela.

Por qual motivo, eu não tinha certeza. Isso realmente não tinha nada a ver com o meu passado, mas nós deveríamos resolver logo todos os assuntos pendentes. Eu podia pensar em mil motivos pelos quais eu me ressentia dela. O jeito com que o seu cabelo loiro mal precisava de cuidados ao longo do dia, como ela era a única de olhos azuis, como quase todos os meus ex-namorados começavam a gaguejar sempre que ela estava por perto, como era tão fácil para ela conseguir o que ela queria.

“Agora você está me culpando por uma decisão que você tomou enquanto estava bêbada? Do que mais você quer jogar a culpa em mim?”

“Eu não estou culpando você, eu só estou me certificando de que você esteja ciente de que a minha vida foi muito mais difícil que a sua. Você saiu daquela cidade, você arranjou uma ocupação, você fez tudo certo.”

Alguma coisa que eu tinha acabado de dizer tinha atingido um nervo.

“Certo, porque Youngstown é muito melhor que Lima. Eu tinha sonhos, Quinn. Você acha que eu queria me casar com algum advogado logo depois da faculdade? Eu só tenho vinte e quatro anos, pelo amor de deus e eu odeio a vida que eu me senti obrigada a seguir! Eu queria me mudar para Los Angeles e tentar alcançar meu sonho de desfilar pelo tapete vermelho, eu queria uma vida glamorosa. A única razão pela qual o nosso pai me deixava estrelar naquelas peças da escola era porque isso contava para eu conseguir entrar na faculdade.”

Para mim aquilo era o suficiente. Ela foi a única a se acomodar e casar com um advogado em vez de correr atrás dos próprios sonhos. Eu nunca tinha ficado tão desapontada com alguém em toda minha vida do que quando eu soube que eles iam noivar.

“O que aconteceu com você? Eu costumava me mirar em você.”

Ela riu incrédula. “Se mirar em mim? Eu costumava ter inveja de você. Eu ainda tenho.”

“Minha vida não é tão boa assim.” Eu a lembrei tristemente.

“Não é? Você ainda está no ensino médio, você nem sequer começou a viver, você pode fazer o quer você quiser da sua vida.”

“Eu não posso segurar as mãos da minha namorada em público.”

Ela ficou em silêncio por um momento e essa foi a primeira vez que eu tirei os olhos dela desde que eu havia passado pela porta. Eu não conseguiria encarar sua simpatia e eu não queria sua pena. Mas agora tudo estava exposto, a verdade que ela já tinha descoberto por si própria.

“Quinn...” Ela começou suavemente.

“Eu estou morrendo de medo.” Eu disse a ela enquanto retirava minha mão do seu alcance antes que ela pudesse pegá-la. “Todas as manhãs eu tenho medo de sair da cama. E se esse for o dia em que os outros vão descobrir sobre nós?”

Seu rosto ficou sério de repente. “Você não deveria ter medo.”

“Eu tenho todos os motivos para ter medo.” Eu inalei enquanto fechava meus olhos. Minha respiração saiu trêmula por tentar desesperadamente esconder minhas emoções.

Eu me recusava a chorar na sua frente.

“Olha, eu falhei em não estar lá para você depois que eu saí de casa. Eu não vou cometer esse erro de novo.” Ela me disse suavemente.

Eu queria acreditar nela porque quem não queria acreditar nas suas irmãs mais velhas quando elas diziam coisas desse tipo? Mas eu tinha sido abandonada por cada membro da minha família antes e por mais que eu os tivesse perdoado, eu nunca iria esquecer.

“Como você vai estar lá pra mim se você vive a três horas de distância? Não é como se você pudesse bater em alguém por me chamar de qualquer coisa ofensiva.”

Ela bateu suas unhas feitas no vidro da mesa enquanto pensava. “Não, acho que eu não posso. Mas eu posso ser alguém com quem você possa conversar. Eu realmente sou uma boa ouvinte agora. Eu tenho que ser para sobreviver à classe de Pilates com as outras donas de casa.”

Eu ri um pouco, claro que minha irmã já tinha se situado em quase todos os grupos aceitáveis da cidade. Como eu, ela sempre sentiu a necessidade de se encaixar e ser normal. Clubes do livro, academia, jantares e até mesmo eventos beneficentes.

“Talvez eu possa ficar aqui quando nossa mãe eventualmente me expulsar de casa.” Eu ri, mas havia saído num tom completamente amargo.

“Não diga isso. Papai que era o maluco da família.” Ela me lembrou.

“Bom, a gente nunca sabe.”

“Não há nenhuma chance da nossa mãe te renegar novamente, confie em mim.” Ela parecia mais certa disso do que de qualquer outra coisa.

Eu ainda não estava certa de nada.

“Bom, eu prefiro estar prevenida do que arrependida.” Eu disse a ela, desviando meu olhar para os fundos do quintal onde ela passava tanto tempo tentando manter seu bom estado.

Eu podia vê-la franzir as sobrancelhas pelo canto dos olhos. “Não é fácil ver sua irmã caçula com medo de ser ela mesma.”

Eu me virei para ela com um pequeno sorriso no rosto. “Não é fácil ver a vida da sua irmã mais velha em pedaços.”

“Não está completamente em pedaços. Uma das minhas amigas de faculdade está precisando de uma pessoa para dividir um apartamento em NY. Eu estou pensando em me mudar pra lá assim que sair o divórcio.”

“Divórcio? Deus, Abs. Eu pensei que fosse uma separação consensual ou algo do tipo.”

Ela levantou a mão, pedindo para eu baixar o tom. Eu tinha falado aquilo um pouco alto demais.

“Ele está tendo esse caso com a sua secretária há meses.” Ela disse quase num sussurro, provavelmente porque ela não tinha certeza da onde nossa mãe estava. “Eu descobri a uns dois meses atrás.”

“Foi por isso que você apareceu lá em casa na páscoa?”

Ela confirmou. “Desculpa por ter arruinado seu final de semana com a Rachel. Se eu soubesse, tinha insistido pra você ir.”

Eu assenti, dando a entender que aquilo era passado. Eu me sentia agora incrivelmente culpada por ter ficado tão mal humorada quando ela tinha acabado de descobrir que seu marido a estava traindo e só queria ficar com a sua família.

“Minha mãe sabe sobre você e Patrick?”

Ela negou com a cabeça. “Eu ainda não contei pra ela. Eu acho que estou um pouco envergonhada, na verdade. Como você descobriu?”

Uma vez que Rachel tinha plantado a ideia na minha cabeça, foi bem óbvio juntar todos os pedaços. Fico imaginando se lá no fundo eu sabia, mas me recusava a acreditar.

“Rachel é extremamente perceptiva.”

Ela riu e concordou com a cabeça. “Realmente. Ela é muito alegre, não é?”

Eu não pude evitar que o orgulho invadisse meu corpo à menção dela. Ela fazia eu me sentir leve.

“Ela me faz rir sempre.”

“Se isso não é a novidade do século, eu não sei mais o que é.”

Eu abaixei minha cabeça. “Ela realmente me faz bem.”

“Vá pegá-la.”

“O que?”

“Suba e vá pegá-la, eu gostaria de conhecê-la de novo. Talvez como sua namorada dessa vez?”

Eu a estudei por alguns segundos, esperando para ver se talvez ela só estivesse brincando, mas quando ela apontou em direção à porta eu saltei da cadeira e corri pelas escadas para pegá-la.

Ela ficou surpresa de início e demorou pelo menos um minuto para convencê-la de que não havia nenhuma intervenção gay esperando por ela na sala de estar. Eu peguei sua mão e ela hesitantemente apenas encaixou-a na minha quando eu não a soltei e caminhamos em direção à porta dos fundos, onde minha irmã estava nos esperando com um divertido sorriso no rosto.

Abigail me fez reapresentar Rachel a ela. Naturalmente, ela virou para mim com uma expressão de pânico e confusão até que minha irmã a assegurou que tudo estava bem.

E dessa vez, eu realmente acreditei nela.

Notas finais
E aí? ;) Bom final de semana galera!