Hold on
7 Convite
Dois dias depois.
Ainda vestida com sua camisola, Julieta, rodopiava para todos os lados sendo empurrada por costureiras enquanto uma modista anotava suas medidas. Acabara de saber que seu noivo havia adiantado o casario, e sem consulta-lá. A fúria a dominava, e tudo piorava quando aquelas mulheres nunca terminavam de analisar seu corpo, e medi-lo. Seu quarto estava repleto de tecidos, e sua mãe corria pela casa servindo chá e biscoito a outras mulheres que ficariam responsáveis por todos os outros detalhes da festa. A noiva teria que opinar, no entanto, a NOIVA estava imaginando uma morte bem dolorosa ao seu querido pretendente.
— Enfim terminamos! — a Modista proclamou. Julieta bufou sentindo-se aliviada, mas nem de longe esquecera de sua raiva. Deixou as mulheres a conversar, e fora ao banheiro, vestiu-se o mais rápido que pôde, e fora a casa de sua vítima fatal.
...
Chegara rápido. Aurélio havia deixado um de seus carros disponível a sua vontade e o mesmo últimamente estava facilitando a vida das Sampaios. Aurélio só não poderia imaginar que o automóvel traria a sua casa uma mulher aponto de esgana-lo.
Quando adentrou a mansão, tratou de vestir-se da mulher mais dura que poderia ser, não pensaria na noite que passou ali, quando quase deixou-se levar pelos demônios e tentação que aquele homem despertava em si. Ergueu seu fino queixo, e agarrou firme as alças de sua bolsa. Ela nem ao menos sabia se ele estava em casa, mas se tivesse, com certeza estaria em seu escritório. Respirou fundo, e com grande esforço seus pés começaram mover-se para o corredor onde ficava o escritório dele, aquele caminho lhe causava arrepios, lembranças, vontades..
— Julieta! — se repreendeu. — Você veio para questioná-lo, e não para.. para pensar em coisas.. — voltou a andar, mas seus passos foram interrompidos ao ouvir gritos. Os mesmos vinham do outro lado da casa, e ela, necessitava averiguar quem estava a explodir seus ouvidos.
Uma mulher de nariz arrebitado e vestida de preto gritava com algumas empregadas. As pobres mulheres apenas olhavam para o chão como se quisessem sair correndo de tamanha tortura. Os insultos eram dos mais ferozes e preconceituosos, e Julieta não calou-se.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou, andando e ficando ao lado das empregadas repremidas. A mulher grunhiu ao vê-la, e dera uma risada assustadora.
— Mas não pode ser! Outra inútil, e esta atrasada. — falou a Julieta. — Pode ter certeza que está demitida. Tão pálida assim, de certo não serve para nada.
— Quem é a senhora?
— Noêmia Cavalcante! — se já estava pálida, Julieta naquele momento ficara quase como tecido branco de seu vestido.- Estou aqui para auxiliar no casamento de meu sobrinho. No entanto, não devo explicações a empregados.
— Pois fique a senhora sabendo que es totalmente rude e preconceituosa. Não se pode falar assim com ninguém. Sem essas mulheres está casa estaria inabitável. — dera um passo a frente ficando cara a cara com a mulher, agora, em sua lista já haviam duas vítimas, e aquela velha rude seria a primeira. Sorte de Aurélio, pensou.
— Como ousa falar assim comigo? Não se esqueça que é apenas uma empregada nesta casa. — falou com seu dedo erguido em direção a Julieta. — Posso extermina-la. Digo e afirmo.
— Sua ameaça não me amedronta. — sorriu. — Fique ciente que jamais permitirei que fale com essas mulheres assim novamente.
— Quem pensa que é, menina? — a mulher indagou em um grito.
— A Baronesa!-Julieta afirmou com tanto ênfase, que a velha dera algumas passos para atrás.
A mulher ficara estática em seu lugar, apenas seus olhos se mexiam. Analisava Julieta dos pés a cabeça, não poderia acreditar que seu sobrinho havia escolhido tão mal sua futura esposa. Não via nada de atraente em Julieta. Engoliu em seco pronta para afrontar novamente Julieta, mas Aurélio imediatamente adentrou a cozinha. Estava sério, sua mandíbula rígida e com o olhar gélido que todos ali presentes sentiram-se intimidados, menos Julieta.
Logo, ele encontrou os olhos dela e a sentiu diferente, o peito subia e descia com prontidão. Aurélio conhecia o olhar de alguém raivoso, e o de sua noiva estava queimando como ele nunca vira. Ele suspirou.
— Estão despensadas.. — disse as mulheres, que saíram rapidamente da cozinha.
— Mas..
— A senhora também, titia. — a senhora assentiu. — Logo, conversaremos.
— Com licença. — afastou-se ainda com seu olhar desdenhoso em direção a Julieta.
Aurélio tratou de se aproximar de Julieta, mas ficara em uma distância saudável, antes de abraçar — la e beija-la gostaria de saber o motivo de sua visita, e da sua seriedade.
— Disse para avisar-me quando viesse me visitar.- falou olhando-a, parecia mais calma.
— E você achou mesmo que eu iria obedecê-lo?
— Nem mesmo cogitei.
— Ótimo. — disse rápido. — Agora, me diga, quem é esta mulher?
— Minha tia mais velha. Única parente vivia, pensei que ter alguém familiar em meu casamento seria mais humano.
— Pois não faço questão de ter um ser humano tão horrível e arrepiante em meu casamento. — afirmou. — Tratou aquelas mulheres como pessoas inferiores, as humilhou.
— Tratarei de repreende-la..
—Não me é estanho que seja assim.. — falou tristonha, e Aurélio mordeu o lábio sentindo o peso de suas palavras.
— Não fale assim. — ele disse a surpreendendo.
— E o que posso pensar? se você nem ao menos dedica-me um sorriso.. — ele engoliu em seco virando-se de costas. — Ou mesmo avisou-me sobre a mudança de dada do nosso casamento. Se estava pensando...
— Eu não estou pensando em nada, Julieta!-a interrompeu.
— Tudo bem, então me explique. — ele se voltou novamente para ela.
— Por que não apressar as coisas?
— Por que? Porque não há nem um motivo para o adiantamento deste casamento. Não estamos apaixonados.. Ou mesmo.. — disse sem pensar. E Aurélio não pensou em deixar barato.
— Preciso de um herdeiro! — ela de repente deu alguns passos para trás sentindo-se totalmente ofendida. Os olhos queimaram dando sinal emotivo de sua reação. Mas não choraria, não ali, não em sua frente.
— Esta morrendo?
— Não, mesmo que esse seja o seu desejo. — Julieta franziu o cenho. — Só estou preocupado com o futuro, e os negócios, como vê, só tenho minha velha tia, gostaria de ter... hmm, uma família maior.
— Se apenas deseja uma mulher para lhe dar um herdeiro, pode encontrá-la em qualquer lugar.. — disse sentindo um nó em sua garganta. — Por que eu?
— Por que não desejo que a mãe de meu filho seja uma qualquer.- rumou a frente, e segurou-a nas mãos. — Tem que ser você..-murmurou. — Têm que ter os olhos tão redondos quanto os seus, a pele perfeita como uma rara porcelana.. — lhe acariciou o rosto a fazendo fechar os olhos. — Os lábios tão vermelhos que parecem serem pintados diariamente..- Suspirou, e próximou sua boca do ouvido dela, uma de suas mãos já repousava em sua cintura... — Perfeito, como você.
Como poderia ser perfeita, se era ele o loiro de olhos azuis? O homem com boa postura, e palavriado aprimorado.
Mas, Aurélio, via nela o que quase ninguém via. Havia uma fibra em suas decisões, a voz soava grave quando estava brava, os olhos falavam por si só, sua postura se tornava rígida e amarga como o mais forte dos cafés. Julieta, mexia com seus sentimentos guardados, mexia com seu lado irracional.
Morria por beijá-la naquele exato momento, mas certamente ela fugiria. E ele ainda não havia acabado. Afastou-se, e ela abriu os olhos lentamente, Julieta tivera certeza que poderia usar a mais forte das armaduras, mas Aurélio sempre a destruiria apenas com seu toque.
— Gostaria que você, sua mãe e sua irmã, viessem morar aqui, em sua casa.
— Esta casa não é minha.
— Quando afirmou que era a Baronesa, pensei que já estava a par disso. Tudo que tenho agora é seu, Julieta.
— Nós nem ao menos nos casamos.
— Para mim já estamos casados. — confessou.
— Você me confunde, Aurélio, juro que não o entendo.
— Apenas aceite. — pediu. — Afonso soube que a tempestade não a deixado a casa de vocês em boas condições. E não faz sentido correrem perigo de vida, quando há um lugar mais apropriado para ficarem. Julieta..
— Tudo bem, farei por mamãe, e por Mariana. — cedeu afastando-se.
— Quando?
— Hoje a noite. — ele assentiu.
— Deseja algo? Alguma exigência?
— Não, esta tudo certo! Passamos apenas uma noite aqui, no entanto, fora surfiente para o conhecimento necessário da casa. — novamente ele assentiu.
— Gostaria que você ficasse para almoço.
— Me desculpe, mas tenho que ir.. Há um mundaréu de mulheres esperando-me para decidir os detalhes do casamento.
— Tudo bem..
— Com licença. — suspirou olhando-o, deu alguns passos a frente, mas era óbvio o que ele faria.
Se pôs em sua frente impedindo sua passagem, a abraçou pela cintura e encostou suas testas. Julieta sentiu respiração quente dele sobre seus lábios, e os arrepios dormiram seu corpo ao todo.
— Aurélio.. — sussurrou.
— Shhhh.. — ele respondeu.
Prontamente enfiou as mãos dentre os cabelos soltos dela, e a ergueu a cabeça para olhá-lo nos olhos. Não disseram nada, apenas se olharam por alguns segundos, mas ele logo a guiou para trás encostando-a na parade livre, e não demora muito para toma-la os lábios. Julieta sentiu seu corpo preso ao dele, e correspondeu o abraçando pela cintura. Ele movia a cabeça e os lábios com intensidade, hora a fazendo soltar pequenos gemidos. Parecia não desejar que ela respirasse mais, ou melhor, que ela apenas gemesse entre seus lábios. Guiada por seus instintos o tocou por baixo da camisa, a pele quente vibrou com o tímido toque de seus dedos, ele reagiu a presionando-a ainda mais contra a parede, sentindo os seios dela se contrairem sobre seu peito rígido.. Julieta, ciente do que estava acontecendo, lhe acariciou os cabelos sutilmente, virando rosto para lado, tomou ar, e o olhou.. Aurélio ciente de sua atitude, apenas correspondeu seu olhar, e entendeu seu pedido, lhe regalou apenas mais um beijo, e se afastou.
— Até mais.. — disse ainda anestesiado. O seu mundo estava entregue nas mãos de Julieta disso ele tinha certeza. Estava tomando atitude que nunca o fizera por ninguém em sua vida. Ela o deixava debil, suas emoções se mesclavam, e ele perdia totalmente o controle de si.
— Até mais... — ela respondeu, e saira perguntando-se, se encontraria sozinha a porta de entrada.
...
Fale com o autor