Dia 38

Blaine estava saindo da faculdade.

Sua cabeça já não aguentava mais ouvir sobre a historia da musica e tudo que ele desejava era dormir um pouco antes de ter que voltar para o hospital.

Geralmente, as noites, quem ficava ao lado de Kurt era Burt, mas hoje ele tinha pedido a Blaine que tomasse conta do garoto pois teria um compromisso. Blaine ficou feliz em poder ajudar e em saber que Burt realmente confiava nele para cuidar de seu menino, mas o que mais animou Blaine foi saber qual era seu compromisso.

Pelo menos, por trás de toda aquela angustia e ansiedade que eles sentiam esperando o castanho acordar, Burt tinha tirado algo de bom. Ele teria um encontro com uma enfermeira do hospital, Carole.

Blaine fez seu caminho até o estacionamento da universidade, pegou seu carro e partiu em direção a sua casa.

Teria sido uma viagem tranquila se seu celular não tivesse apitado por todo o caminho. Quem poderia estar ligando para ele, a essa hora, tão desesperado a ponto irrita-lo pelos 20min que ele levou até chegar em casa?

Ele estacionou o carro em frente a sua casa e pegou seu celular. Uma mistura de sentimentos atingiu-o e seu estomago se retorceu. A lembrança do que ele viu semana passada trazendo o gosto de bile a sua boca.

O que ele queria com Blaine? Principalmente, porque ligar 10 vezes em 20min?

Os pensamentos de Blaine confundiam sua cabeça e quando ele sentiu um pouco de esperança encher seu peito, com o pensamento de que ele poderia ter percebido o erro que cometeu com Blaine, ele afugentou seus pensamentos e retornou as ligações. No segundo bipe ele ouviu a voz de quem ele vinha tentando esquecer a um mês.

Oi, Bee! Desculpa ter ligado tantas vezes, é que eu queria...

Ele deixou a frase morrer ali, como se não soubesse se realmente deveria falar aquilo.

Blaine fingiu não ter escutado o antigo apelido e continuou por ele.

— Queria...?

Ele ouviu um suspiro do outro lado da linha.

— Queria te ver, tem uma coisa que eu realmente preciso falar com você.

Blaine pensou um pouco se deveria ou não aceitar. Inconscientemente, seu coração começou a bater mais forte e a imagem deles dois reatando veio a sua mente de novo, mas ele mandou aquilo embora.

Will já tinha falado que era apaixonado por outro e Blaine não poderia se iludir com aquilo. Contudo, ele estava curioso sobre o que Will queria com ele.

— Claro, quando?

— Pode ser... Sexta que vem, à noite? Lá no Aurelius.

— Claro, ok então.

Eles desligaram e Blaine foi tomar banho, não sem antes deixar um suspiro esperançoso escapar de seus lábios.

Dia 43

Os dias começaram a passar com uma intensidade lentamente rápida. Blaine não entendia como isso sempre acontecia quando a época de provas chegava. Ele ficava perdido entre não ter tempo e ter tempo demais.

No final, ele teve que adiar o seu encontro com Will, o que só o deixou mais ansioso e curioso. Ele queria saber o que Will queria com ele, mas ele teria que priorizar o seu futuro, pois, até onde ele sabia, Will fazia parte somente de seu passado agora, e a musica sempre foi seu futuro.

Ele mal estava tendo tempo de ir ao hospital e ver se o pequeno tinha dado algum sinal positivo, e ele se sentia péssimo por isso.

Mesmo o garoto não estando acordado, Blaine tinha se apegado ao garoto. Ele sentia como se Kurt fosse seu irmão caçula, e a cada dia mais que se passava ele desejava poder cuidar dele e nunca mais deixar o mundo feri-lo.

Pensar no castanho e lembrar de seu ex não eram as melhores formas de se concentrar para sua provas, então Blaine balançou a cabeça e afastou todos os seus pensamentos, focando somente no que ele deveria estudar.

Dia 45

Blaine estava sentado na poltrona do hospital com seu livro de Harmonia aberto entre suas pernas. Ele deveria estar em casa estudando, mas Burt tinha ligado para ele desesperado pedindo que cuidasse de seu menino.

Ele não hesitou em vim, pegou suas coisas e correu para o hospital. Mesmo com a iminente prova de fim de semestre, para ele, a prioridade era Kurt. Sempre seria.

Ele olhou para o garoto que hoje, especialmente, parecia ter ganhado um brilho novo. Sua pele não estava mais tão pálida, e seus lábios estavam mais rosados do que de costume. Seu peito subia e descia com mais força do que semanas atrás, e, impulsivamente, de vez em quando um dedo seu ou alguma outra parte de seu corpo mexia.

Blaine sabia que aquilo não queria dizer muito, pois, como o medico um dia explicou a eles, de vez em quando os músculos e órgãos se mexem involuntariamente, que eles não deveriam se assustar os se animar se por acaso um dia ele se mexesse minimamente. Ele falou que um dia eles poderiam até entrar no quarto e encontra-lo com o pênis ereto.

De repente, olhando para o menor, a inspiração que ele precisava para escrever a musica para a aula de criação musical chegou até ele. Ele, então, deixou seu livro de lado e pôs-se a escrever.