Hold me tight and kiss me slow.
5 Capítulo 5.
Era o dia da alta do hospital. Mason já não aguentava mais aquelas paredes brancas e os mesmos canais de televisão. Assistir programas de culinária e só poder comer gelatinas e sanduíches o deixavam até mesmo irritado. Já estava trocando de roupa no banheiro de seu quarto, abotoando uma camisa azulada que sua irmã havia trazido para ele. A boxer marcava sutilmente seu corpo, de forma que o volume de seu membro ficasse sutilmente delineado. A calça jeans preta logo cobriu suas coxas, formando o visual. Para poder colocar o par de tênis All Star uma sutil dor em seu abdômen tomou conta. Fechou os olhos, um pouco irritado com aquela dor, e rumou para o quarto, com um dos tênis ainda desamarrados.
Sentou-se na cama enquanto sua irmã mudava os canais freneticamente, olhando o tempo todo para a televisão. Ela já sabia o que havia acontecido, e odiava não poder falar sobre. Madison queria contar para a diretora tudo o que havia acontecido. Ela sabia que Sue Sylvester não toleraria esse tipo de coisa, e Beiste não iria importar-se em cortar alguns garotos de seu time.
– Para de fazer essa cara. – Mason falou olhando para a irmã.
– Você ainda vai voltar para aquele lugar. Você devia mesmo falar com a Sue. – Ela disse, cruzando os braços. – Acha que eles não tentarão fazer nada novamente?
– Não é isso. Eu só não quero sair falando pra todo mundo que eu fui atacado por esse motivo. – Mason olhou sério para a irmã, apoiando a mão na cama e fixando o olhar em seus olhos. – Me prometa que não irá fazer nada contra o Spencer.
– Ele bem que merecia. – Ela disse, após alguns segundos de silêncio.
Ambos acabaram saindo do quarto em que Mason estava “hospedado”. Na saída, pode pegar seu celular novamente. Ele estava trincado, mas ainda assim, parecia funcionar. Era bom para algo provisório, por mais que ele soubesse que iria acabar comprando um igual após algum tempo, só precisava receber sua mesada. Madison logo fez sinal para um táxi, e ambos foram juntos para o colégio, praticamente sem falarem nada. O moreno desceu do táxi, respirando fundo e andando lentamente em direção da entrada.
– Não quer mesmo ir pra casa? – Madison perguntou, na entrada do colégio.
– E fazer o que? – Perguntou dando de ombros. – Uma hora ou outra eu teria que voltar, não teria?
Não demorou muito para que eles se separassem. Os dois não tinham quase nenhuma matéria juntos, que era algo que irritava ambos até semanas antes do incidente de Mason. Mas, naquele momento, o garoto agradecia mentalmente por ter um tempo só para si. Madison realmente agia como sua mãe. Era preocupada demais com a vida dele. E naquele momento, o garoto só queria ter um tempo para se recuperar. Os olhares que ele recebia eram vários, talvez pelos machucados que ele ainda tinha em seu rosto. O corte no lábio estava quase cicatrizado, mas o espaço que estava com o sangue coagulado ainda estava visível.
A aula de matemática não demorou para passar, e pouco tempo após a saída de sua sala, indo diretamente para seu armário, passou por um corredor que dois daqueles garotos que o haviam encontrado estavam. Eles apenas se cutucaram, olhando para o garoto e dando uma breve risada. Mason conteve-se para não ir em direção deles e revidar o que eles haviam feito, mas antes que o fizesse, o moreno foi parado por Emma Pillsbury, que alegava querer falar com ele.
Por mais que a vontade de falar sobre seus problemas naquele momento fosse nula, ter que ficar próximo daqueles atletas era a última coisa que ele queria. Acabou aceitando o convite da mulher, e não demorou para seguir até sua sala, aproveitando para matar a aula de literatura que ocorreria naquele horário. A mulher encarou-o e sentou-se, virando para trás e pegando um panfleto, que ela estendeu sobre a mesa até a frente do moreno. “Então você apanhou”, era o que estava escrito.
– Ok... – Ele murmurou.
– Você deve estar se perguntando o que é isso. – Ela falou com um sorriso nos lábios.
– Um panfleto sobre eu ter apanhado? – Ele indagou arqueando a sobrancelha, com uma expressão incrédula.
– Mas é mais do que isso. – Ela ainda sorria.
– É, tem um carinha jogado aqui no desenho e uma poça de sangue. – Ele apontou para o desenho, tateando-o com o indicador.
– Sim, mas...
– E também tem uma arvore ali atrás.
– Você pode me deixar falar? – Seu tom parecia nervoso, mas sua expressão ainda continuava tão calma quanto. Segundo o que Mason ouviu, ela já havia tido TOC, mas parecia até que quase normal. Ele assentiu positivamente com a cabeça, esperando que ela não o mandasse embora. Ele realmente não queria discutir sobre Shakespeare naquela noite. – Eu quero entender essa sua experiência.
– Um bando de caras me bateram. Fim. – Ele deu de ombros.
– Mas como você sentiu?
– Com dor no abdômen, com medo que tivesse quebrado algum dente, com o lábio ardendo, o olho também... – Ele foi enumerando os locais que havia sido machucado.
– Mas por dentro.
– Ah... Bom, acho que não tive nenhuma hemorragia interna, mas a dor no est...
– NO SEU INTERIOR. NÃO NOS SEUS INTESTINOS! – Ela falou mais nervosa que antes. Agora Mason conseguia acreditar que ela era um pouco descontrolada.
Mason desejava que ela jamais tivesse feito aquela pergunta. Que ela jamais tivesse tido aquela curiosidade para saber como ele se sentia. Até o momento, ele conseguia dizer que estava com dor em algum lugar do corpo, mas melhoraria. Ninguém tinha de fato perguntado sobre como ele estava se sentindo. Sua mente voltou a ter lembranças daquele dia, das quais ele queria esquecer. O beijo com Spencer, suas mensagens, a chegada no museu, ser cercado pelos atletas, e finalmente a dor insuportável por ter apanhado por algo que jamais teve culpa. Os rostos de cada um dos jogadores de futebol estava preso em sua mente, enquanto a expressão de Spencer antes e após beijá-lo também não queria sumir. Ainda podia sentir seus lábios, o sabor deles, o calor do corpo do loiro. E ele odiava aquilo não apagar-se de sua memória.
– Mason? – Emma chamou-o por seu nome, retirando-o de seus devaneios.
– Foi como se... Se eu fosse impotente. Eu estava à mercê da vontade deles. Eles podiam me punir simplesmente por algo que eu não tinha culpa... – Mason disse, olhando por uma das portas de vidro da sala e notando que Spencer passava por ali, e logo o loiro também o viu, mas acabou desviando o olhar. – Foi ele que me beijou.
– Ele quem?
– Ahn... – Mason procurou desconversar, passando uma das mãos na nuca e coçando-a, ignorando a pontada que sentiu em seu ombro pela leve dor. – Você não conhece.
– Mas então quem te bateu te conhecia?
– Sim, mas...
– Você disse que nunca tinha os visto.
– Não conte para ninguém. Eu quero resolver isso sozinho. – Mason disse, olhando fixamente nos olhos de Emma. – Eu não vou bater neles, só preciso falar com ele antes.
– E por quê? – Ela perguntou, apoiando os braços na mesa e ficando levemente debruçada sobre ela, prestando atenção no que ele dizia.
– Porque ele vai acabar se ferrando. – Mason levantou-se.
– A sua hora ainda não acabou... – Ela disse, olhando para o relógio.
– Eu sei, mas eu preciso falar com alguém antes.
Mason abriu a porta de vidro, fechando-a logo em seguida, deixando Emma mais confusa do que antes. O garoto rumou pelos corredores, andando atrás da rota que Spencer provavelmente teria feito, mas acabou perdido próximo à entrada da lanchonete. Pegou o celular, mandando uma mensagem para ele pouco tempo depois. Spencer apenas respondeu dizendo para que ele o encontrasse no vestiário masculino. Ninguém iria ali, pois todos estavam em aula. E o treinador Beiste só ia ao vestiário mais tarde.
Mason abriu a porta do vestiário alguns minutos depois de ter recebido a mensagem. Spencer estava encostado num dos armários vermelhos, com a jaqueta do time de futebol. O loiro sorriu assim que o viu, mas McCarthy não retribuiu tal sorriso. Ambos pararam um em frente do outro, e rapidamente Spencer mediu o corpo de Mason, notando que ele não estava com o típico uniforme das Cheerios.
– Está se camuflando com os outros alunos? – Ele perguntou dando uma breve risada.
– Minha irmã achou que trazendo essas roupas eu iria para casa. Mas queria vir aqui antes.
– Por quê? – Spencer perguntou, ainda com os braços cruzados.
– Porque eu precisava falar com você. Aquela conversa no hospital... Foi tudo muito confuso.
– Eu não mandei eles te baterem. – Spencer disse, franzindo o cenho. – Eles quiseram mandar aquilo por mim. Eu tinha comentado sobre o trabalho e eles pegaram meu celular num momento de distração. Eu juro.
– Eu acredito em você, mas eu preciso que você saiba que a Madison sabe. – O moreno murmurou, com os ombros encolhidos.
– E ela me odeia?
– Não. Ela odeia quem me bateu. – Ele estava mentindo, mas sabia que era melhor naquela situação. Não era a primeira mentira que ele contava sobre toda aquela história. – Só que ela está insistindo para eu contar para a diretora.
– E eu apoio a ideia. – Mason assustou-se com a resposta do loiro, ficando sem reação.
– Mas você vai se ferrar junto.
– Não, eu só vou pegar uma detenção, no máximo. – O loiro falou, passando a mão pelos cabelos de Mason, ajeitando sua franja, que tipicamente estava caída sobre sua testa.
– Por que você faz isso?
– O que?
– Age assim quando estamos juntos, mas quando te encontro nos corredores, eu não sou ninguém pra você.
– Se o time souber que eu não sei se gosto de garotas ou garotos, eu vou perder minha posição.
– Mas o seu próprio treinador era uma mulher antes. – Mason falou, revirando os olhos.
– É diferente... Como eu faço pra compensar isso? – Spencer perguntou, puxando Mason pela cintura com cuidado, trazendo o corpo do menor para perto de si, encarando-o nos olhos enquanto uma mão acariciava sua nuca.
– Spencer... – Mason murmurou, desviando o olhar de seu rosto para o corpo dele. Os toques que ele dava em seu corpo o provocavam, mas a raiva que ainda sentia era maior. – Não quero ter algo assim.
– E se eu te conquistar? Me dê uma chance. – O loiro sorriu.
– Uma chance. – Mason repetiu suas últimas palavras.
– Não vai se arrepender. – Ele respondeu, piscando para ele. Sua mão acariciou sua nuca com maior intensidade, procurando não machuca-lo. Podia observar o rosto do moreno o tempo todo para saber se ele havia sentido dor com os toques ou não.
Quase o tempo todo, Spencer acariciava o corpo de Mason, não trocando muitas palavras, mas mantendo o olhar fixo no seu e sorrindo para ele. Pouco antes do sinal tocar, Spencer aproximou seus lábios da bochecha de Mason, beijando aquela parte de seu corpo rapidamente. O moreno encarou o loiro, e pela primeira vez, um beijo consentido aconteceu. Mason aproximou os lábios de Spencer, de forma que tocasse seus lábios, e o beijo lentamente aconteceu. A língua do loiro logo pediu a permissão na boca do moreno, que a permitiu. As línguas pareciam estar num combate constante, que gerava certa excitação para ambos os garotos. O corpo de Mason era lentamente puxado para mais perto do de Spencer, e lentamente eles roçavam seus corpos um no outro.
O sinal acabou tocando, interrompendo aquele beijo. Spencer sabia que alguns membros do time viriam para o vestiário naquele horário, assim como o próprio treinador, e não demorou para ajudar Mason a sair do vestiário, evitando que ele fosse pego pelos garotos que o bateram, prometendo que ligaria para ele mais tarde.
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