Hold me tight and kiss me slow.
14 Capítulo 14
Notas iniciais
– Amor... – Mason murmurou, fechando a porta atrás de si, apenas afastando-se da porta após o barulho da mesma assegurando-o que ela estava fechada. Deu alguns passos em direção de Sebastian, que nem mesmo encarava o namorado, apenas encarava a orquídea que estava em suas mãos.
– Você ainda gosta dele, Mason? – O namorado perguntou para o moreno, que espantou-se com a pergunta. Ele já imaginava que seria questionado quanto aos seus pensamentos sobre Spencer e sobre a apresentação, mas não esperava que fosse a primeira coisa que aconteceria naquela noite.
– Eu...
– Me responde sinceramente. – Sebastian ergueu o rosto, revelando os olhos marejados. – A forma como você olhava diretamente para ele durante a apresentação... Não foi sutil. Nem um pouco.
– Amor, eu...
– Você sente muito, estou certo? – Sebastian deixou que um curto sorriso surgisse no canto de seus lábios, mas a expressão claramente estava triste.
– Eu nem falei nada ainda.
– Exatamente. – O maior levantou-se, deixando a orquídea em cima da mesinha que guardava as coisas do moreno. – O problema é que você não falou nada.
– O que você quer que eu diga? – Mason questionou, segurando no pulso do maior, que não fez força para soltar-se, mas não o encarava nos olhos. A expressão de Sebastian era perdida, tristonha. Seu olhar fitava o nada.
– Eu queria apenas que você me assegurasse que eu não estava imaginando coisas. – Ele franziu o cenho. – Mas pelo jeito eu só enxerguei a verdade.
– Sebastian, espera...
Foi a última coisa que Mason conseguiu dizer para Sebastian antes que ele abrisse a porta do camarim e saísse. Mason chegou a sair atrás do moreno, apenas para vê-lo sumir pelos bastidores do auditório. O garoto fechou a porta do camarim, batendo-a com força e sentando na cadeira próxima da mesinha, encarando a si mesmo no espelho. Passava as mãos pelos cabelos, como se tentasse bagunça-los em tentativas frustradas, até finalmente encarar a orquídea que Sebastian havia entregado para ele, ainda em sua frente, e ao lado do espelho a rosa que Spencer havia entregue à ele naquele dia.
Os minutos se passavam, mas eram mais longos que o normal. Mason não conseguia manter a concentração em nada. Olhou para sua mão direita. A aliança prateada ainda brilhava contra a luz. Bufou, mordendo o lábio inferior numa tentativa de conter o choro. Ele mesmo havia feito aquilo com seu relacionamento, se tinha alguém para culpar, esse alguém era ele. Relutando, retirou a aliança, deixando-a ao lado da orquídea.
Não teve tempo de fechar os olhos para relaxar e procurar pensar em outras coisas. Quando suspirou a porta bateu três vezes, de forma apressada. Quando encarou quem estava por trás dela pelo espelho notou a expressão de Rachel preocupada, como se tivesse visto algo que a tivesse assustado.
– Desculpe, eu já vou sair. Sei que eles querem fechar a escola até 22h... – Ele murmurou, passando a mão pelos cabelos.
– Na realidade, acho que você deveria vir comigo.
– O que houve? – Ele indagou, ainda sentado.
– É com o Spencer. – Ela falou. – Preciso que venha comigo.
Não demorou para que Mason saltasse da cadeira. Saiu correndo atrás de Rachel, que estava alguns passos em sua frente. O auditório estava vazio. As pessoas já tinham ido embora. E quando notou que estavam indo para a saída dos fundos, mordeu o lábio inferior. Ela dava para uma ruela pouco movimentada, e sabia que não era algo bom se estava sendo levado para lá.
Assim que Rachel empurrou a porta de ferro, Mason fez o mesmo, saindo atrás da mais velha, que não demorou para encontrar Kurt, que segurou o moreno pelo braço, o olhando com a mesma expressão preocupada que Rachel tinha em seu rosto. Mason olhava para os lados. Seus olhos não paravam. Era como se procurasse por Spencer em todos os cantos daquela ruela mal iluminada, e ao longe só conseguiu encontrar Jane e Roderick, que não demoraram para vir em sua direção.
– Onde está ele? – Mason perguntou para Jane, que balançou a cabeça negativamente, como se não quisesse falar sobre isso. Roderick já segurava o tronco de Mason, impedindo que ele viesse mais em frente. – O que vocês estão escondendo de mim?
– Você lembra de quando apanhou, Mason? – Jane perguntou, mantendo uma expressão aflita em seu rosto.
– E tem como eu esquecer? – Mason debatia-se, conseguindo empurrar Roderick, só então notando que na esquina um reflexo brilhante vermelho aparecia de segundos em segundos, deixando claro que era uma ambulância. – O que houve com ele, Jane?
– Não temos ainda certeza... – Kurt entrou na conversa, aproximando-se do garoto com Rachel. – Ele estava caído desmaiado por aqui. Ele tem um corte acima do olho esquerdo que é um pouco profundo. Por pouco não acertou o olho. E ele tinha um ferimento entre duas costelas, e estava perdendo sangue...
Kurt descrevia a cena. Spencer fora encontrado no beco pelo próprio Hummel quando ele havia saído para tentar conversar com Blaine pelo celular já que a recepção do auditório é péssima. O loiro estava caído, com um objeto afiado similar à um canivete próximo à ele. Sua camiseta estava com traços de sangue, e no asfalto, se Mason reparasse, ainda poderia notar o sangue do garoto espalhado ali.
Mason já estava encolhendo-se. Segurava-se para não correr atrás do loiro naquele mesmo momento. Em sua mente ele perguntava a si mesmo quem havia feito aquilo. Sebastian? Um bandido qualquer? Os mesmos jogadores que haviam batido nele? Ele não conseguia encarar ninguém que estava em sua frente. Apenas mantinha o olhar no chão. Procurava recordar a última vez que tinha visto o loiro. Seus olhos estavam marejados. Ele queria chorar, mas nada saía. Sentia-se engasgado. Tinha todos aqueles sentimentos guardados pelo loiro e não poderia dizê-los naquele momento.
– Mason? Você ouviu o que o Kurt disse? – Jane ajoelhou-se ao lado do amigo. – Spencer já está no hospital... E ele irá nos levar para o hospital... Se você quiser.
O moreno apenas assentiu positivamente. Pensou em como veria o garoto. Não estaria pronto para vê-lo inconsciente. E sabia que era assim que ele estaria. Mas estava disposto a ficar perto dele. Cuidar do loiro. Vê-lo melhorar. Ser a primeira pessoa que ele visse assim que abrisse os olhos.
Ergueu-se, entrando no carro de Kurt e ficando no banco de trás, junto de Jane e Roderick. Rachel e Kurt seguiam no banco da frente. Rachel murmurou algo para Kurt para avisar os demais membros do Glee Club, mas fora interrompida por Jane, que já tinha feito tal coisa. Mason não queria conversar com ninguém. Queria apenas chegar logo no hospital. Queria ver o garoto, mesmo que fosse através de um vidro.
A chegada no hospital não foi complicada. A não ser pela parte que nenhum deles poderia entrar na sala em que Spencer estava repousando. O médico alegava que estava tudo bem. Kurt conversava com o doutor, que parecia perder mais tempo comunicando sobre as instalações do hospital terem sido recém-reformadas do que sobre Spencer. Rachel estava na cafeteria, junto de Jane e Roderick. E apenas Mason restava no corredor, olhando para o loiro através do vidro.
Podia escutar de longe o barulho da máquina que comunicava os batimentos cardíacos do garoto. Ele parecia estar dormindo, se não fosse pelos machucados aparentes e pelas máquinas ligadas à ele. Mason fechava o punho, apoiando-o no vidro enquanto a outra mão voltou-se para dentro do bolso. Fechou os olhos por alguns segundos, apenas voltando a abri-los quando notou a movimentação vindo de uma família pequena em sua direção.
– Onde está ele? – Um senhor por volta dos cinquenta anos perguntava. O bigode aparente e os cabelos loiros davam uma expressão ainda mais séria. O suéter que ele vestia e as roupas de bom porte indicavam a posição social deles. Eram uma família de classe média. Sabia que aquela era a família de Spencer.
– Mãe, mãe! – Uma garotinha de cabelos dourados presos em duas grandes tranças e uma jaqueta roxa, além de uma calça jeans azulada e um par de tênis brancos parecia distrair-se com folhetos no balcão da recepção. Ela não tinha mais que oito anos.
– Agora não, filha. – Uma mulher mais jovem que o homem ajeitava a bolsa sobre seu ombro, encarando a recepcionista que passava as informações de onde o filho dela estava.
Rachel voltava para o local onde Mason estava, segurando dois cafés. Entregou um para o garoto, encarando-o como se não estivesse apenas oferecendo, mas obrigando que ele tomasse o café. Aceitou, com certa relutância, só então vendo os pais de Spencer aproximarem-se do quarto, encarando ambos com uma expressão séria.
– Vocês são amigos do Spencer? – A mulher perguntou, mantendo uma expressão séria.
– Eu sou a treinadora dele do Glee Club. – Rachel sorriu, estendendo a mão para ambos. – Rachel Berry.
– Aquela do programa de televisão? – O homem perguntou franzindo a sobrancelha.
– E quanto a você? – A mãe de Spencer indagou, direcionando o olhar para Mason.
– Sou um amigo dele do Glee Club. – Mason respondeu espontaneamente. Não podia dizer nada sobre os sentimentos de ambos e muito menos que ela já fora sua sogra por alguns momentos não-oficiais. – Estamos com ele desde que ele deu entrada aqui no hospital.
– É muito bonito da parte de vocês fazerem isso. – O homem respondeu, com um pequeno sorriso no canto dos lábios. – Agora iremos ver Spencer.
– Se quiserem nós podemos ficar com a filha de vocês enquanto isso. – Rachel sugeriu, ajoelhando-se para encarar a garotinha de cabelos loiros. – Você gosta de dançar?
– Eu faço aulas de ballet. – A pequena sorriu. – Meu nome é Agatha.
Os pais de Spencer entraram no quarto, e pareciam olhar para o filho, como se tentassem conversar com ele. Mason sentiu uma figura mais calorosa por parte do pai do loiro do que de sua mãe, que ocasionalmente encarava o moreno pela janela, como se suspeitasse de algo. Os três já estavam sentados nas cadeiras, com a irmã de Spencer entre Rachel e Mason, que balançava as pernas constantemente, ignorando o horário.
– Eu preciso ir pra casa... – Rachel murmurou. – Você fica com ela? Eu vou chamar a Jane para ficar aqui também.
– Claro, pode deixar. – Mason sorriu, por mais que fosse péssimo com crianças.
Não demorou para que Rachel desse tchau para a garotinha e Mason, acenando para o pai de Spencer pelo vidro e saindo do hospital, indo em direção da cafeteria para buscar Jane e Roderick. Kurt já havia ido embora fazia algum tempo. Enquanto Mason pensava em algum assunto para puxar com a pequena, ela o encarava com um sorriso bobo nos lábios.
– Você é o Mason? – Ela perguntou sorridente.
– Sou... – Ele espantou-se pelo fato dela saber seu nome. – Como sabe meu nome?
– Meu irmão falou de você pra mim um dia... – Ela sorriu. – Eu estava brincando com ele no meu quarto e eu disse pra ele que queria que a minha Barbie loira e morena ficassem juntas porque elas eram bonitinhas. Só que a mamãe diz que isso é pecado.
– Entendo, e aí? – Mason curvou-se em direção da garota, com um sorriso no canto dos lábios.
– Ah, ele pegou dois bonecos meus... Um loiro e um moreno e disse que as vezes garotos e garotas podem gostar de outros garotos e garotas. E que não é errado. – Ela falou confusa, brincando com uma das tranças. – E ele disse que ele gostava de um amigo dele chamado Mason e era uma das coisas mais bonitas que ele já sentiu... – Ela desfazia a trança, ficando um pouco entediada.
– E o que você achou disso? – O moreno perguntou para a garotinha, que nem mesmo parecia ter idade para entender as questões de sexualidade.
– Eu achei legal... Porque agora minha barbie médica e advogada estão mais ricas e vivem numa mansão enorme! – Ela empolgou-se. – Quer ver algum dia?
– Eu adoraria. – Mason sorriu para a pequena.
– Aí você leva os seus bonecos também... E eu e você e o meu irmão brincamos! – Ela parecia bem animada. – Ele vai ficar bem?
– Claro que vai, ele é bem forte...
– Você vai ser meu irmão também? – Ela ainda balançava as pernas continuamente, sem olhar para Mason.
– Isso eu não sei... Você quer?
– Só se você brincar comigo e com o Spencer... – Sua voz manhosa já deixava claro que ela estava começando a ficar com sono.
– Então é uma promessa. – Ele piscou para a garotinha, que sorriu para ele.
Não demorou muito para que os pais de Spencer saíssem do quarto, já deparando-se com Mason e Agatha. Jane cruzava o corredor, sem Roderick. A morena apresentou-se aos pais do garoto, que a cumprimentaram, e quando despediram-se, a mãe de Spencer pediu para falar a sós com Mason.
– Você é o tal Mason? – Ela perguntou franzindo a sobrancelha.
– Eu sou...
– Eu não sei como dizer isso para você sem parecer rude... – A senhora respondeu, passando a mão pelo pingente de crucifixo em seu colar. – Você não pode ficar aqui.
– Por que não?
– Você causou tudo isso, oras. – Ela respondeu com a expressão fechada. – Ele só ficou assim depois que ele começou a passar mais tempo com você.
– Assim?
– Com esses hábitos... – Ela recusava-se a falar a palavra gay. – Ele não é assim. E eu quero você longe dele.
– Mas...
– Você já causou problemas demais, Mason. – Ela fuzilava-o com o olhar. – Quero você longe desse hospital, e do meu filho.
– Ele é meu amigo. – O moreno murmurou.
– Não me faça repetir o que eu disse e ir falar com seus pais. – Ela franziu o cenho, ajeitando a gola alta de seu suéter.
– Eles sabem de mim, e não tem problema nenhum com isso. – Ele deu de ombros.
– Pois eu não quero meu filho misturado com pessoas como você. Por favor, afaste-se dele. Ele já pecou o suficiente apenas por andar ao seu lado.
Mason assentiu positivamente. Sabia que não queria que aquela conversa fosse prolongada. Fingiu sair do hospital, ficando em frente do mesmo até ver que o carro da família havia saído dali. Encostou-se numa das colunas da entrada, abaixando a cabeça. Queria absorver tudo que havia sido dito para ele naquela noite. Não conseguia acreditar que alguém tinha o pensamento como o daquela mulher. E muito menos que Spencer tinha que conviver com aquilo diariamente.
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