Hold me tight and kiss me slow.
11 Capítulo 11.
– Você ouviu o que eu disse. – Spencer falou, encarando Mason fixamente. – Você é meu.
Mason não sabia como reagir, em sua mente um turbilhão de emoções começavam a passear, de forma que ele pudesse sentir o estômago próximo à boca, ou talvez fosse apenas o ponche que ele havia tomado mais cedo. Seu rosto estava pálido, e por mais que dentro dele ele estivesse quase pulando, por fora o moreno estava ponderando tudo o que havia acontecido.
– Não. – Ele murmurou, balançando a cabeça negativamente. Aquilo fez com que Spencer franzisse a sobrancelha.
– Não? – O loiro perguntou, encarando-o e dando um passo à frente, de forma que o rosto dos dois ficassem poucos centímetros longe um do outro.
– Você fodeu tudo, Spencer... – Ele falou, encarando o garoto e procurando manter uma postura séria. – E pela última vez.
Spencer não podia acreditar no que estava ouvido. Mason estava o dispensando, e na sua mente aquilo era a pior coisa que podia acontecer. Ele tinha acabado de tomar a coragem de admitir sua sexualidade na frente de quase todas as pessoas populares do colégio, e quando fez aquilo, já era tarde demais. Mason já estava em outra, ou melhor, com outro. O loiro fechou as mãos em punho, como se quisesse descontar a raiva em qualquer um, e quando ergueu o braço Mason pareceu assustado, mas ainda assim procurava manter a calma.
– Vai me bater? – O moreno retrucou, sem entender o que estava acontecendo. – Você realmente gosta tanto de me ver machucado?
– Não. – O loiro continuou, encarando Sebastian, que estava por perto. – Vou bater nele.
Não demorou muito para que Spencer fosse em direção do garoto alto e magro, que logo levou o soco próximo ao maxilar, o que fez com que ele gemesse de dor. Mason não entendia o que havia acontecido, apenas pediu para que Spencer saísse dali, enquanto Kitty ordenou sua retirada. Ela não queria nenhum escândalo em sua festa, ao menos nenhum escândalo que ela não estivesse diretamente envolvida.
O tempo passou, assim como as horas da festa. Para a sorte de todos o dia seguinte seria um domingo, então nenhum deles teria um grande compromisso. O burburinho já havia passado, assim como Spencer já havia ido embora há algum tempo. Kitty e Madison estavam deitadas no chão da sala, dormindo. A loira tinha um canudo de bebida preso em seu cabelo, enquanto Madison estava com parte de sua roupa suja de molho para nachos. Jane e Roderick estavam na varanda conversando à sós fazia algumas horas, e na cozinha, Sebastian estava sentado numa das cadeiras com Mason por perto.
O moreno já segurava alguns cubos de gelo envoltos num pano de prato, que estavam encostados em seu maxilar. As pernas estavam sutilmente afastadas uma da outra, e um de seus pés balançava conforme uma música qualquer. Mason beliscava um pacote de bolachas que havia encontrado num dos armários, e no momento que o estendeu para o outro garoto lembrou-se do machucado em seu maxilar, o que fez com que as maçãs do rosto de Mason tomassem uma cor avermelhada.
– Desculpe por isso. – Mason falou sentando-se na bancada próxima aonde Sebastian estava sentado, balançando as pernas lentamente, como se procurasse distrair-se.
– Não é a primeira vez que um ex ciumento me bate. – O maior deu uma risada, virando o rosto em direção de Mason e piscando para este. – Posso te perguntar algo?
– Claro... – O menor falou, mordendo o lábio inferior e torcendo para os dentes que estavam à mostra não estivessem sujos de chocolate.
– Quer ir lá pra casa? – Sebastian perguntou, fazendo um carinho no joelho do menor. – Não é por nada. É só que meus pais não estão, e eu acho que nas minhas condições não devia ficar sozinho.
– Você só está com o maxilar dolorido. Não quebrou um osso. – Mason deu uma risada, sentindo a mão do garoto em seu joelho e mordendo o lábio inferior. – Mas tudo bem, eu vou.
Sebastian sorriu para o garoto, levantando-se da cadeira e andando para fora do cômodo, quando sentiu a mão do moreno em seu braço, puxando-o para que parasse de andar. O maior franziu a sobrancelha, encarando-o e procurando entender porque ele havia feito com que ele parasse de andar, já que não parecia existir motivo plausível.
– Sem segundas intenções... – O cheerleader murmurou. – Certo?
– Posso te prometer isso. – O maior piscou.
As passadas foram em direção da porta de entrada da residência da garota, que nem mesmo notou que eles estavam saindo. Ao abrirem a porta, Mason notou que Jane e Roderick também não estavam mais lá, o que o fez pensar que provavelmente eles haviam encontrado outra coisa para fazer. Deu de ombros. Sabia que a amiga o contaria tudo no dia seguinte. Ao chegar na casa de Sebastian, que de fato ficava ao lado da de Kitty, ele notou a ausência de movimento e de algum cômodo iluminado. De fato Sebastian estava sozinho naquela noite.
Mason andou vagarosamente para o interior da casa, desabotoando o colarinho da camisa e olhando para o maior, que já havia se livrado dos cubos de gelo, alegando que não sentia mais nem o queixo. O cheerleader não deixou de rir daquilo, mas ainda assim estava um pouco preocupado com sua condição atual naquele momento. Afinal o homem tinha acabado de apanhar, não devia nem mesmo ficar falando.
– Então... – Mason murmurou. – O que quer fazer?
– Bom... – O maior aproximou lentamente seu corpo do garoto, segurando sutilmente em sua cintura e fazendo um carinho numa das mechas da franja do garoto, o encarando com um curto sorriso em seus lábios. – O que eu quero fazer essa dor me impede.
– Eu falei sem segundas intenções. – Mason corou, procurando abaixar a cabeça, que logo foi erguida por Sebastian.
– Eu estava falando de nuggets de frango. Fica difícil mastigar desse jeito. – Ele brincou, dando uma breve risada, que foi correspondida por Mason, que procurou empurrar o moreno, sem grande sucesso.
Por alguns instantes eles apenas encararam um ao outro, e não demorou para que Sebastian voltasse a ter o moreno preso em seus braços. Desta vez, Mason não se importou. Nem mesmo pensou. Sua mão foi direcionada para a nuca do maior, fazendo um carinho com a ponta dos dedos, enquanto a outra direcionou-se para o seu bíceps, que era acariciado sutilmente por sua mão, que o apertava como se quisesse o sentir cada vez mais. Ambos ainda mantinham o olhar um no outro. O sorriso não demorou a tomar conta da face de Sebastian, que logo fora retribuído por Mason. Só então que ele notara a sutil covinha no canto dos lábios do maior.
Os lábios de Sebastian logo foram de encontro aos de Mason, de forma que ele nem mesmo se importasse com a dor que sentia ao movimentar a boca para encaixá-la na do menor. Os olhos de ambos fecharam, e não tardou para que Mason acariciasse o braço do maior, recuando a cabeça após alguns segundos, como se estivesse preocupado com a dor que ele pudesse sentir. Sebastian apenas sorriu, piscando para o garoto de forma que o confortasse. Mason aproximou seu corpo do maior, de forma que ambos roçassem seus corpos um no outro.
Nenhum deles pensava em fazer nada além de continuarem abraçados ali naquele momento. E foi o que fizeram por alguns minutos, até que Sebastian quebrou o silêncio, convidando o menor para dormir ali com ele. Ambos subiram as escadas, rumando até uma das últimas portas de um longo corredor, que ao aberta revelou um quarto que estava completamente arrumado, com exceção da cama, que parecia estar revirada de quando Smythe acordara.
– Eu odeio arrumar a cama. – Ele falou, com as bochechas coradas. – Se soubesse que traria alguém aqui eu teria arrumado.
– Você fica mais humano desse jeito. – Mason piscou para ele. – Se não encontrasse um defeito na próxima meia hora acharia que você é areia demais para mim.
– Sou um bom ator. – Ele sorriu, piscando para o garoto, deslizando sua mão pela bochecha de Mason. – Vai ver que eu tenho alguns defeitos... Mas o principal foi não ter aceito o convite da Kitty quando ela queria me apresentar à você no começo do ano.
Mason sentiu as bochechas queimarem por vergonha, abaixando o rosto mais uma vez, recuando até a cama, onde sentou-se após arrumar rapidamente a região onde deitaria mais tarde. Retirou o calçado rapidamente, e antes que pudesse pedir um pijama, sentiu uma camiseta e um shorts caírem em seu corpo, ambos sendo lançados por Sebastian.
– Se preferir dormir de cueca... – Mason falou com um sorriso malicioso.
– É o único jeito que eu durmo, pra ser sincero. – O maior riu, abrindo o zíper de sua calça e deixando que a mesma caísse deslizando por suas pernas.
Mason não demorou para trocar de roupa, de forma que colocasse as vestes que o garoto havia lançado para ele. Uma camiseta branca com uma estampa aleatória e um shorts preto. Sebastian deitou-se ao lado do garoto, trajando uma cueca boxer branca, não demorando para cobrir seu corpo até a cintura, ficando com o abdômen descoberto. A chance perfeita para que Mason aproximasse seu corpo do moreno, colocando uma das mãos acima de seu abdômen e ficando fazendo um carinho em cada uma das divisas do abdômen trincado que o maior possuía.
– Está doendo ainda? – Ele perguntou, apoiando o queixo no peitoral do maior, que o encarava com podia.
– Bem pouco... – Ele murmurou, fazendo um carinho nas costas do garoto, o encarando. – Mas se esse for o motivo de você ficar... Está doendo muito, acho que vou ter que amputar.
Mason não aguentou e acabou rindo da brincadeira de Sebastian, fazendo uma cara feia para ele, que não demorou em apertar os lábios do garoto com seus dedos, olhando para ele com um sorriso no canto dos lábios. Ambos já estavam com sono, o que fez com que após mais alguns minutos de conversa, tanto Mason quanto Sebastian adormecessem. Um ao lado do outro.
Mason acordou no dia seguinte, notando que Sebastian ainda dormia com ele abraçado em si, sem nem parecer ter se movimentado um centímetro se quer. Quando Mason ajeitou-se na cama, no entanto, o moreno abriu os olhos, mostrando que já estava acordado há algum tempo. Apenas acariciou o rosto do menor, mantendo-o abraçado com certa força.
– Bom dia. – Sebastian murmurou.
– Ei... – O menor sorriu. – A dor passou?
– Sim.
– Mesmo? – Mason perguntou, com um sorriso no canto dos lábios.
– Sim, por quê? – O maior perguntou, levemente confuso.
– Porque agora posso fazer isso...
Mason não demorou para ajeitar-se por cima do colo de Sebastian, sentando-se por cima dele e acariciando seus ombros com ambas as mãos, encarando o moreno com um sorriso no canto de seus lábios. Mordeu o próprio lábio antes de aproximar-se do corpo do garoto, debruçando-se sobre ele, já sentindo os toques das mãos do maior contra sua cintura e suas costas. Fechou os olhos aos poucos, cada vez mais, até encostar os lábios nos do maior. Mason acariciou o rosto de Sebastian, fazendo um carinho com a lateral do polegar por seu maxilar, onde até então ele estava machucado.
Podia sentir os lábios de Sebastian contra os seus. A textura macia deles, a grossura deles, o sabor deles. Sua língua pediu espaço entre seus lábios, avançando contra a boca do maior, podendo explorar sua boca sem grandes pudores, sentindo a língua do moreno contra a sua, parando o beijo com uma mordida em seu lábio inferior, que terminou numa sutil puxada do mesmo. Sebastian apenas sorriu, agradecendo mentalmente não ter mais grandes dores, pois não sabia o quanto iria aguentar sem poder beijar Mason.
Eles se conheciam há pouco tempo, mas aquilo parecia mais certo de acontecer do que Mason e Spencer. Mason podia começar a ouvir a si mesmo, as dúvidas que aos poucos tomavam conta de sua cabeça. Fisicamente ele estava com Sebastian, mas sua mente vagueava para os dias com Spencer, a declaração do loiro. Ele podia sentir que já estava em dúvida por algo. Sebastian era alguém novo em sua vida, mas obviamente não o faria mal algum. Ele era quase inofensivo. Kitty já havia explicado que ele ficara bonzinho depois de um conflito com um tal de Karofsky e o próprio Blaine. O moreno sentiu a mão do maior deslizar pelo shorts dele, abaixando-o sutilmente para fazer um carinho em sua pele na altura de sua bunda, o que fez com que todos os devaneios de Mason acabassem. Ele deixaria que a vida o guiasse. Mas, o que não passava na mente do cheerleader naquele momento é que a vida gosta de pregar peças em todos.
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