Hold me Tight
1 Perigosas noites de Seoul
Notas iniciais
Depois de anos (tipo uns cinco, pasmem) sumida do site e do mundo das fics, resolvi voltar. YAAY~
Nesse meio tempo, fiquei viciada em yaoi, k-pop, BTS e, mais especificamente, Yoonmin. Então surgiu isso. UHASUHASUH
Ah, vale lembrar que eu já posto essa fic no Social Spirit, sob o mesmo nome. Mas resolvi postar aqui também. Sei lá, só deu vontade. UHASUHASUHSHAU
Enfim, já chega de falar. Boa leitura ♥
- Jimin POV -
Eu acordei com a luz do sol invadindo a minha janela e tocando meu rosto, aquecendo-o imediatamente. Abri os olhos apenas pra fechá-los novamente, mas eu gostava da sensação. Precisei de apenas alguns segundos pra me acostumar com a claridade, e em instantes eu estava de pé, indo até o banheiro lavar o rosto e arrumar meus cabelos castanhos, colocando os óculos de grau em seguida. Sempre fui o tipo de pessoa que acordava com as galinhas, mas de algum modo eu me orgulhava disso.
Andei os poucos passos que separavam o meu quarto do quarto do lado oposto do corredor, que pertencia ao meu amigo Taehyung. Nos conhecemos há um pouco mais de um mês, e foi uma amizade gerada da necessidade de ter uma pessoa pra dividir o apartamento, mas nossos laços cresceram fortes de qualquer jeito. Por isso eu tinha total liberdade de entrar no quarto dele às sete da manhã e abrir as cortinas sem cerimônia. Se o cheiro forte de álcool no quarto dele estava me indicando alguma coisa, era que ele tinha passado a noite inteira na festa de boas-vindas do campus e tinha chegado há apenas algumas horas. De qualquer modo, hoje eu não teria pena de sua pobre alma.
- Acorda, dorminhoco. – chamei, puxando suas cobertas no processo. O que vi só confirmou minhas suspeitas: ele ainda estava vestindo as roupas de ontem, e pelo visto mal se deu ao trabalho de tirar os sapatos.
- Yah, Jiminie! Isso não se faz! – ele resmungou de forma manhosa, mais do que rapidamente puxando as cobertas de volta para cobrir até o topo de sua cabeça.
- Anda, Tae-Tae, levanta! As aulas começam em poucos dias, e se você continuar dormindo até a hora do almoço, você vai reprovar de novo! É isso mesmo que você quer? – eu tentei fazer meu melhor papel de mãe enquanto o reprimia, mas tive que segurar o riso quando um monte se remexeu embaixo dos lençóis. – Eu vou fazer panquecas. – acrescentei. Ele ficou alguns instantes em silêncio, hesitante, mas não demorou pra se sentar na cama, os olhos pesados de sono e os cabelos lilases pro alto.
- Eu quero as minhas com bastante mel. – ele disse, sonolento.
- Claro, tudo pra minha princesa. – eu ri, fazendo meu caminho até a cozinha. Taehyung não demorou a aparecer atrás de mim, envolvendo seus braços na minha cintura enquanto eu cozinhava. O fato desse garoto ficar tão carente pela manhã ainda me era estranho, já que não estava acostumado com tanto contato físico. Mas apenas dei de ombros e servi nossas panquecas, me certificando de colocar mel extra nas panquecas dele. Comemos num agradável silêncio e fomos nos arrumar pra enfrentar mais um dia na grande cidade de Seoul.
O dia estava terrivelmente nublado quando eu fazia meu caminho pra academia, e ainda estávamos no meio da primavera. O tempo era outra coisa em Seoul que eu estranhava; era tão diferente da sempre quente e ensolarada Busan. Eu sentia falta do barulho das gaivotas e do cheiro do mar, das praias sempre lotadas de banhistas. As pessoas aqui em Seoul estavam sempre arrumadas pra trabalho, sempre com pressa. Isso me impedia um pouco de me sentir completamente em casa, de sentir que eu pertencia à este lugar, já que eu estava acostumado à um clima completamente diferente.
Porém, ao chegar na academia e colocar uma música no estúdio de dança, eu me lembrei do motivo de ter me mudado pra cá. O meu maior sonho era ser um grande dançarino, um exemplo e uma referência pra jovens como eu. Eu não vim de uma família rica. Apesar de filho único, meus pais sempre trabalharam muito pra manter um estilo de vida minimamente decente pra mim. Quando eu contei meu sonho pra eles, esperava que eles fossem me repreender, dizendo que eu precisava escolher algo que desse mais retorno financeiro. Nunca estive mais equivocado. Eles abriram o maior sorriso e me deram todo o apoio quando disse que havia encontrado uma ótima universidade em Seoul onde eu poderia cursar dança contemporânea.
Claro que eu tive que botar esse sonho em espera por alguns anos, pois antes de tudo eu precisava de dinheiro pra me sustentar numa cidade completamente nova e estranha pra mim. Por isso eu ia pegando cada emprego de meio-período que aparecia na minha frente, desde entregador de pizza até assistente de mecânico. Eu posso até ter entrado na faculdade dois anos mais velho que a maioria, ter trabalhado até beirar a exaustão e ainda assim precisar dividir as contas com alguém, mas pelo menos eu posso me gabar da experiência que eu tenho em diversos ramos profissionais.
Deixei meu corpo se mover de acordo com a batida da música, sem me preocupar com movimentos elaborados e precisos. Dancei do jeito que eu mais gostava: por pura diversão, sem nem ao menos me monitorar no espelho do estúdio. Quando decidi que seria o suficiente por hoje, fui fazer alguns exercícios nas máquinas da academia pra manter a boa forma, e após uma hora me dirigi ao vestiário pra aquele tão aguardado banho frio.
À noite eu tinha um dos meus muitos empregos de meio-período, como caixa de loja de conveniência. Quando sai da academia, já chovia bem forte, uma chuva que encharcava minhas roupas recém-trocadas e embaçava meus óculos. Felizmente a distância até meu local de trabalho era curta, então corri pra lá o mais rápido que pude, sacudindo a água do cabelo assim que entrei pela porta de funcionários. O gerente me olhou de cara feia antes de me entregar uma toalha e dizer que estaria fora resolvendo algumas coisas. Me sequei rapidamente e coloquei o uniforme pra começar mais um dia de trabalho.
Hoje, por conta da pesada chuva que caía lá fora, o movimento estava muito fraco; podia contar nos dedos quantas pessoas atendi. Porém, quando o relógio marcou meia-noite em ponto, o sino da porta da frente soou, indicando a entrada de um novo cliente. Era um garoto baixo como eu, meio franzino, muito pálido e cabelo loiro platinado. Fiquei me perguntando se ele era albino enquanto ele se arrastava pra seção de bebidas alcoólicas. Ele parecia não conseguir se decidir entre duas marcas de uísque, e eu me distraí torcendo pra ele ter idade suficiente pra comprar aquilo, tanto que não percebi a entrada de uma nova pessoa. Até que surgiu o cano de um revólver apontado bem pra minha testa.
- Passa a grana, moleque! – rugiu o portador da arma, um garoto não muito mais velho que eu, pelo que pude deduzir. Porém, metade do seu rosto estava coberto por uma bandana vermelha, então eu poderia estar enganado.
- O... O q-quê...? – gaguejei, estupefato, meu cérebro demorando a processar o que estava acontecendo bem ali na minha frente. Meu corpo congelou em face ao perigo, minhas mãos se levantando em rendição automaticamente e minha boca pendendo levemente aberta sem emitir som algum.
- Passa a porra da grana logo, rapaz! Não me faça estourar seus miolos! – pude ouvir o distinto clique de uma arma sendo destravada, mas apenas um segundo mais tarde percebi que o barulho não vinha da arma à minha frente. Atrás do ladrão mascarado, pude ver um pedaço de cabelos loiros e olhos negros muito frios encarando a nuca do mesmo.
- Abaixa essa merda e vai embora daqui, antes que eu te mande pra casa faltando pedaço. – disse uma voz baixa e estranhamente calma pra tal situação. Só então vi que o garoto loiro de antes também tinha um revólver, e o tinha encostado na nuca do meu agressor.
O mascarado parecia querer revidar, mas bastou um olhar pra aquele par de órbitas negras e sua bravura diminuiu consideravelmente. Ele hesitou por alguns instantes, se voltando na minha direção pra derrubar o estoque de balas e chicletes em cima do balcão antes de sair correndo o mais rápido que podia pela porta da frente. Ao mesmo tempo, o garoto loiro que acabara de salvar minha vida enfiava seu revólver na parte de trás da calça jeans, escondendo-o com a camisa, enquanto jogava um maço de cigarros, uma garrafa de uísque barato e um bolo de dinheiro amassado em cima do balcão à minha frente. Demorei alguns segundos pra forçar meu corpo a se mexer, pra fazer alguma coisa, enquanto aqueles olhos me fitavam sem nem ao menos piscar. Quando uma de suas sobrancelhas se ergueu em pergunta, rapidamente coloquei suas compras numa sacola e, antes que pudesse lhe devolver o troco, o garoto já saía porta à fora em direção à noite fria e chuvosa de Seoul.
Com isso, ele me deixou ali sozinho, com o troco na mão, numa experiência de quase morte, e eu nem ao menos pude dizer “obrigado”.
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