Hold me Tight
22 Os demônios que nos assombram
– Namjoon POV -
Eu estava impaciente e frustrado, andando com passos duros de um lado pro outro no chão de concreto do último andar do estacionamento. Jin estava com as costas apoiadas no parapeito do prédio à alguns passos de mim, ciente de que era melhor manter distância quando eu entrava nesse estado nervoso. Uma semana. Fazia pouco mais de uma semana desde o dia que Wonwoo morreu. Um de meus subordinados, um daqueles que eu prometera proteger. Wonwoo fora um garoto pobre com uma infância difícil e zero oportunidades na vida. Eu fui o único a enxergar potencial nele, e oh, como ele ficara agradecido por isso. O jovem tinha consciência de todos os prós e contras presentes nesse tipo de trabalho, mas não pensou duas vezes antes de aceitá-lo, sempre dando o máximo de si para me deixar impressionado e orgulhoso. E agora ele estava morto.
Era tudo culpa minha. Eu havia falhado no meu papel de líder, e isso custara sua vida.
O remorso ainda me corroía por dentro quando uma terceira figura abriu a porta de chumbo que levava ao terraço. Parei meu percurso para observar o baixinho que se aproximava com o cigarro preso nos lábios e uma expressão controlada no rosto. Ele se esforçava pra parecer indiferente e entediado, mas eu podia ver o nervosismo por baixo de toda a fachada. Suga parecia preocupado com alguma coisa, talvez até apreensivo. Parece que eu não era o único com demônios assombrando minha consciência.
– Rapmon. Jin. – ele cumprimentou cada um de nós com um aceno de cabeça. – Qual é o motivo da reunião?
– Estamos em guerra, Suga. – Jin comenta calmamente de seu lugar no parapeito do prédio. Yoongi riu com escárnio.
– Você só reparou nisso agora?
– Agora é oficial. – intervi, descontente com o tom de voz que o loiro usara contra Jin. – A morte de Wonwoo fora apenas um aviso. Está dada a largada.
– E como estamos nesse departamento? – Suga se virou pra mim, dando uma longa tragada em seu cigarro. – Já temos algum plano pra foder aquele filho da puta do Yongguk?
– Não é tão fácil quanto você pensa, Suga. – balancei a cabeça em negativa.
– O que você quer dizer com isso? – seus olhos viraram duas fendas, sua voz cautelosa como se temesse as palavras que viriam a seguir.
– Primeiro, não podemos provar que foi de fato o grupo de Yongguk que matou Wonwoo. – comecei, mas Suga me cortou antes que eu pudesse terminar.
– Como não? – indagou, exasperado. – É mais do que óbvio que foi ele. Quem mais seria?
– Segundo. – continuei, encarando-o com firmeza nos olhos, obtendo sucesso em calá-lo por alguns segundos. – Bang Yongguk não é facilmente alcançado. Ao contrário de nós, ele trabalha numa área muito mais segura. A vantagem de mexer com lavagem de dinheiro é justamente não precisar entrar em contato com muita gente, não precisar se expor.
– Eu tô pouco me fodendo pra isso! – vociferou. Suga prendeu o cigarro entre os dedos de uma mão enquanto com a outra ele cutucava meu peito, aproximando seu rosto do meu para fuzilar meus olhos ameaçadoramente, bufando de raiva. – Não venha me dizer que você deixou aquele garoto morrer por nada, Namjoon.
– E o que você queria que eu fizesse? – explodi, aproveitando minha altura para elevar-me sobre ele. – Entrasse em um dos seus inúmeros cassinos e atirasse em todo mundo? Queria que eu matasse inocentes?
– Yah, já chega. – Jin interviu, colocando-se entre nós. Notei que os olhos de Yoongi refletiram algum sentimento estranho, algum tipo de culpa, mas o momento durou poucos segundos. Agora ele tinha o rosto virado pro lado oposto, cigarro de volta nos lábios. Suspirei, frustrado, enquanto me afastava passando os dedos pelos meus fios, bagunçando-os.
O silêncio que havia se instaurado chegava a ser ensurdecedor; Yoongi ainda se recusava a olhar na minha direção, limitando-se a dar longas tragadas no cigarro e a expelir sua fumaça para o céu. Jin fuzilava à nós dois com os olhos, braços cruzados e cenho cerrado num claro indício de irritação. Eu, por outro lado, me sentia perdido.
– Me desculpe. – Suga foi o primeiro a quebrar o silêncio. Olhei pra ele um pouco incerto do que havia escutado, e sua resposta veio em forma de meio sorriso.
– Não foi nada. – descartei seu pedido de desculpas com um aceno de mão. – Na verdade, você tem razão. Eu preciso agir, e logo. – franzi o cenho, novamente frustrado por não conseguir bolar nenhum plano. – Se ao menos eu pudesse confirmar que Wonwoo foi morto pelo bando de Yongguk. Não posso sair por ai fazendo vingança com minhas próprias mãos sem ter provas concretas.
– Talvez... Talvez eu possa ajudar com isso. – o loiro disse cautelosamente. Seus olhos desviaram dos meus mais uma vez, um claro sinal de nervosismo. Apertei meus olhos, desconfiado. Jin também percebeu que havia algo errado, pois agora segurava o queixo do menor na mão para forçá-lo a encontrar seu olhar.
– Do que você tá falando? – Jin exigiu saber. Yoongi engoliu em seco, parecendo um animal preso numa armadilha. O loiro ficou alguns momentos em silêncio, provavelmente se arrependendo de ter tocado no assunto e debatendo se devia continuar ou não. Isso só fez com que Jin apertasse mais a mão que tinha no seu queixo, impaciência colorindo a voz. – Desembucha, Yoongi!
A forma com que estava sendo tratado pareceu irritar o outro, pois sua prévia expressão de apreensão se transformou numa carranca de raiva. Antes que uma segunda discussão se desenrolasse, toquei levemente o ombro de Seokjin, obrigando-o a afastar a mão. – Por favor, Suga. Me ajuda. – pedi, deixando o desespero que sentia no peito transparecer na voz.
– Bem... – fez uma pausa, jogando a bituca esquecida no chão e apagando-a com a sola do sapato, abaixando a cabeça pra observar o ato. – Estou sendo seguido pelos homens do Yongguk por algum tempo já.
– O quê? – Jin exclamou, incapaz de confiar na sua audição.
– Quanto tempo? – perguntei, cauteloso. Por que diabos Suga esconderia isso de mim?
– Desde o dia que nos apresentamos no clube. – ele respondeu, sério. – Mas eu só percebi dois dias depois.
– E por que eu só estou sabendo disso agora? – indaguei tentando não aumentar o tom de voz, mas estava cada vez mais difícil. Yoongi me lançou um olhar apologético, que de nada adiantou. Eu me sentia traído. Eu era o líder, e ainda assim era mantido no escuro.
– Desculpa, eu- – começou, mas Jin cortou sua sentença no meio.
– A pergunta mais adequada seria: por que você está sendo seguido? – sempre observador, Jin conseguia ver algo naquela situação que eu não conseguia. O olhar que lançou pra Suga deixou o menor no mesmo estado apreensivo de antes. Franzi o cenho diante da cena; o que aqueles dois estavam escondendo?
– Não é importante agora. – Yoongi tentou desviar o assunto, mas algo clicou em minha mente. Lembrei que ele havia sumido depois da apresentação, e fora extremamente vago sobre o assunto quando eu o indaguei pelo telefone.
– Isso tem a ver com aquele assunto que você precisou resolver? – perguntei, notando como sua expressão mudara. Bingo.
– O que você fez, Yoongi? – Jin perguntou como se fosse algum detetive interrogando o suspeito de um crime. Yoongi visivelmente estremeceu.
– Hm... E-eu... – o loiro tentou arranjar uma desculpa, mas percebendo que seu esforço era em vão, suspirou em derrota. – Jimin estava lá naquela noite. Eu simplesmente não consegui me controlar. E-eu o arrastei pra fora e... e o beijei. – admitiu, recusando-se a levantar o olhar.
– ...Oi? – balbuciei, incrédulo. Depois de uma longa pausa constrangedora, Jin caiu em gargalhada, que ele tentava esconder atrás de dedos tortos. Fiquei olhando sem entender entre os dois, da expressão mortificada no rosto de Suga à crise de risos que deixava Seokjin sem fôlego e lacrimejando. – Nossa, Suga. Não imaginava que as coisas tinham evoluído tão rápido assim. – comentei, sem conseguir impedir algumas risadas de escaparem.
– Tá brincando, Joonie? – Jin se virou pra mim, expressão entretida no rosto. – Esses dois estão um sobre o outro há tempos!
– Sim, mas eu não acreditava que Suga fosse agir tão cedo.
– Será que dá pra mudar o assunto? – perguntou o loiro, mais rabugento do que nunca.
– Ainda não. – falei, o tom sério de minha voz trazendo de volta a gravidade da situação. – Você acha que eles te viram com o Jimin?
– Acho não, tenho certeza. – assentiu com um aceno de cabeça. – Um deles me confessou tudo. Yongguk espera usar Jimin contra mim.
– Você conseguiu tirar informação de um dos homens de Yongguk? – Seokjin por um momento parecia impressionado, mas então sua expressão se fechou. – O que você fez com ele?
Yoongi ficara quieto novamente, cerrando o cenho e mordendo o lábio inferior em culpa, olhando pra qualquer lugar que não fosse nós. Eu sabia a resposta antes mesmo de ouvi-la. Coloquei uma mão sobre seu ombro, atraindo seu olhar com sucesso. O sorriso que lhe dei era pra ser reconfortante, mas acho que não fiz um bom trabalho. O loiro fechou os olhos, suspirando. Ele parecia genuinamente perturbado. – Eu o matei.
Assenti com a cabeça, compreensivo, porém não satisfeito. Jin soltou o ar dos pulmões pesadamente, passando as mãos pelos fios negros enquanto se afastava sem perceber. – Está tudo bem, Yoongi. Você não tinha outra escolha. – tentei confortá-lo, mas a dor nos seus olhos só aumentara.
– Você não entende, Namjoon? Eu matei alguém. Eu tenho sangue nas minhas mãos!
– Você não tinha outra escolha. – repeti, olhando fundo em seus olhos pra tentar transmitir a verdade de minhas palavras através do olhar. – O que aconteceria se você o deixasse vivo?
– Ele provavelmente contaria pra Yongguk que eu descobrira tudo. – o menor respondera meio à contragosto. Dava pra ver que ele não gostava daquela ideia, parecia demais com uma desculpa esfarrapada pra justificar suas ações.
– Exatamente. – concordei. – Lembra daquela vez que Yongguk mandou um garoto pra nos espionar? Você me disse pra matá-lo sem pensar duas vezes. Mesmo que eu não concorde com o uso da violência, eu tenho consciência de que estamos em guerra, e que em momentos assim, sacrifícios precisam ser feitos. O que você fez não passou disso, um sacrifício.
– Você não entende. É diferente. – ele tentou argumentar.
– Diferente por quê?
– Daquela vez foi um ato necessário pra proteger o grupo. Foi necessário pra que Yongguk soubesse que não somos indefesos. – ele fez uma pausa, parecendo pensar nas próximas palavras. – Mas agora... agora é uma questão pessoal. Eu o matei porque não suportava a ideia de que ele pudesse colocar as mãos em Jimin.
– Nunca, em momento algum, – foi a vez de Jin se pronunciar, segurando a gola da camisa de Yoongi no punho enquanto o encarava com raiva. – pense que os seus problemas não são os nossos problemas. Nós estamos nessa juntos, ouviu? Se Jimin está em perigo, então faço minha a obrigação de ajudá-lo de alguma forma. Já tô cansado desse seu jeito de resolver as coisas, como se fosse algum tipo de lobo solitário. Esses filhos da puta que estão te seguindo são ameaça pra nós tanto quanto pra você. Fui claro?
Tenho que confessar que a explosão de Seokjin me pegara desprevenido, e pela cara de Yoongi, eu não fora o único. Nós três sempre fomos amigos próximos, desde que comecei a liderar a gangue e trazer mais pessoas pra debaixo das minhas asas. Porém, era raro Jin demonstrar afeto perante o loiro, e o mesmo se aplicava pro inverso. Brigas e deboches entre os dois eram situações comuns, por isso não culpava Suga por encarar o moreno com olhos arregalados. Depois de alguns segundos embaraçosos onde o menor apenas o olhava boquiaberto, Suga assentiu com a cabeça, estupefato. Aparentemente satisfeito, Jin largou sua camisa e até tentou amenizar um pouco os amassados que causara, sorrindo de lado.
– O que você pretende fazer em relação à isso, Suga? – perguntei, tomando a atenção do loiro. Ele suspirou, parecendo relutar em dizer as palavras seguintes.
– Não se preocupe, eu já tenho um plano. – começou, e com um pouco de incentivo da minha parte, ele nos descreveu sua ideia brilhante. Ao final do seu relato, eu tinha a cabeça apoiada entre as mãos enquanto Jin parecia à beira de um colapso nervoso.
– Você ficou louco? – Jin gritou, exasperado. – O garoto vai acabar morto!
– Não fala merda, Jin. – Suga tentou discordar, mas nem mesmo ele parecia muito convencido. – Eu não vou permitir que ele se machuque.
– Ah, é? E como você pretende fazer isso? – indagou com um ar de suspeita.
– Tô trabalhando nisso. Não enche. – o menor tentou cortar o assunto, mas quanto mais ele falava, mais eu sabia que precisava intervir.
– Eu pedirei à alguns dos nossos homens pra que mantenham um olho nele, não se preocupe. – eu disse, já começando a sentir o peso e a responsabilidade da liderança. Yoongi podia ser meu segundo em comando, mas era cabeça quente e tão irresponsável quanto uma criança.
– Eu não preciso da sua ajuda. – resmungou, mesmo sabendo que estava comprando uma briga já perdida.
– Ah, precisa. Vai por mim. – assegurei-lhe, jogando meus braços ao redor dos ombros de cada um e nos conduzindo para o interior do prédio.
Mais tarde naquela noite, na segurança de nosso apartamento, eu me pegava sem sono. Eu estava deitado de barriga pra cima na cama, fitando o teto com os braços cruzados atrás da cabeça, nu como viera ao mundo. Ao meu lado, Jin dormia pacificamente de bruços, seu rosto sereno e seu corpo igualmente despido. Minha vontade era de assisti-lo dormir até o nascer do sol, mas infelizmente minha mente tinha outros planos. Por mais que eu tentasse impedir, por mais que eu me forçasse a pegar no sono, a imagem de Wonwoo sangrando no chão de concreto invadia minha mente sem parar. Eu não queria admitir, mas me sentia um fracassado. Como líder, eu devia proteger meus subordinados à todo custo; eu não poderia apresentar falha alguma. Entretanto, essa fora a maior falha de todas.
Levantei-me com cuidado e fui até a janela que estendia-se por toda a parede, desde o teto até o chão, deixando que ela me banhasse com a luz da lua misturada às luzes artificiais da cidade ao redor. Felizmente, todos os vidros do prédio eram espelhados, por isso eu podia ver sem ser visto; não que acreditasse que à essa hora da madrugada haveria alguém acordado pra ver um homem perturbado e nu na janela do prédio vizinho, mas todo cuidado era pouco. Pus-me a observar os poucos carros que ainda circulavam nas ruas de Gangnam, provavelmente conduzindo os últimos festeiros para o conforto de suas casas. Era reconfortante olhar pra baixo e ver alguns pedestres solitários caminhando pelas ruas vazias, me dava a estranha sensação de não estar sozinho, como se de alguma forma aquelas pessoas me fizessem companhia, mesmo que por um curto período de tempo.
Infelizmente, minha distração não durou muito tempo. Agora eu olhava para o meu reflexo na janela, e por um milésimo de segundo era o rosto de Wonwoo refletido no vidro, não o meu. Olhei para minhas mãos, agora trêmulas, e vi sangue. Fechei os olhos com força, rindo sem humor da minha própria auto piedade, mas incapaz de mudar o curso dos pensamentos. Havia uma voz estranhamente igual à minha no fundo da minha mente que me provocava, debochava da minha fraqueza, do meu fracasso. Eu era o responsável pela morte de Wonwoo. Eu era um péssimo líder. Eu falhei. Eu–
Um par de braços envolveu minha cintura, e pude sentir um peito sólido contra as minhas costas e uma testa apoiada na junção entre meu pescoço e ombro. Relaxei imediatamente, seu toque sendo capaz de interromper o rumo autodestrutivo que meus pensamentos estavam tomando. Apoiei minhas mãos sobre as suas, traçando círculos sobre as costas das mesmas com os polegares. Recostei-me um pouco mais contra seu corpo, querendo me banhar no calor que emanava de sua pele. Jin moveu o rosto para que pudesse plantar um suave beijo na minha nuca, e eu me arrepiei de imediato.
– No que está pensando? – sussurrou em meu ouvido, antes de apoiar o queixo no mesmo lugar onde antes estava sua testa.
– Wonwoo. – fui simplista, ciente de que ele não precisaria que eu elaborasse. Como esperado, ele soltou um suspiro, apertando mais meu corpo contra o seu.
– Quando você vai parar de se martirizar por causa disso? – perguntou, a voz não mais do que um sussurro, mas eu podia ouvir a preocupação nela.
– Não sei. – admiti, torcendo o pescoço para lhe lançar um sorriso cansado. – Talvez nunca.
– Não foi culpa sua.
– De certa forma, foi sim. – insisti. Jin me virou de frente para si, olhando-me com olhos tristes e preocupados. Eu odiava vê-lo assim, e odiava ainda mais saber que era eu a fonte de sua tristeza. Mas eu não podia evitar; o sentimento de culpa era mais forte.
– Vem pra cama comigo. – pediu numa voz suave, e não tive outra escolha senão me deixar ser conduzido por ele. Seokjin me deitou na cama com a mesma delicadeza que trataria uma flor, ou algum objeto delicado e quebrável. Não demorou a se juntar à mim nos lençóis, puxando-me para perto e depositando em meus lábios um beijo calmo, porém cheio de paixão escondida sob a superfície. Os lábios carnudos de Seokjin moldavam-se aos meus sem pressa, como se estivessem tão familiarizados que os movimentos acabavam por se tornar automáticos, impensados, apenas sentidos. Não reparei que começara a chorar no meio do beijo; apenas quando seus lábios migraram pra minhas pálpebras fechadas – e agora úmidas – que eu percebi o quão perdido estava. Deixei que ele apoiasse minha cabeça sobre seu peito, murmurando palavras doces enquanto acariciava meus cabelos com uma mão e traçava linhas imaginárias no braço que o envolvia com a outra.
Naquela madrugada ímpia, adormeci nos braços da pessoa que mais amava, ao som das batidas de seu coração.
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