Hold me Tight
46 Namorados?
Notas iniciais
— Jimin POV -
Estaria mentindo se dissesse que não me sentia nervoso quando, com o coração pulando dentro do peito num ritmo frenético e errático que nada tinha a ver com o esforço que fazia e aflição e o mais puro desespero se instalando no fundo do meu estômago e percorrendo minha pele com as suas raízes, praticava coreografias uma última vez antes do tão esperado show que apresentaria com Hoseok no dia seguinte. Ao ouvir o som da voz do mais velho encerrando o treino por hoje, deixei meu corpo desabar sem cerimônias no chão, sibilando com a dor causada quando minhas nádegas entraram em contato com o piso duro e frio do estúdio de dança, vislumbrando meu reflexo no espelho à minha frente e pela primeira vez notando exatamente o quão exausto parecia.
Tentei arrumar minha aparência e ajeitar meu cabelo de modo a não parecer tão rebelde quanto estava agora, mas desisti depois de algumas tentativas frustradas e permiti que meu corpo caísse pelo restante do caminho até que estivesse completamente em contato com o chão, observando o teto branco e coberto com pontos de luz sobre minha cabeça com a respiração ofegante. Entretanto, percebi com um gemido angustiado que a pausa pra recuperar o fôlego de nada adiantava pra diminuir o constante nervosismo que consumia meus pensamentos. Aparentemente nada conseguiria tirar da minha cabeça a realização de que amanhã estaria me apresentando no palco sob o olhar de centenas de pessoas, centenas de fãs de J-Hope como eu, que sem dúvida não hesitariam um segundo sequer antes de me julgar e criticar a cada mínimo erro cometido. Eu deveria ser nada menos do que perfeito, e sinceramente não sabia se estava pronto pra isso.
— Aqui, tome isso. – ergui meus olhos na direção da voz pra dar de cara com uma garrafa d’água sendo oferecida desconfortavelmente próxima ao meu rosto, a condensação acumulada no plástico tornando-a uma visão convidativa e irresistível, quase como se Hoseok estivesse me oferecendo o próprio néctar dos deuses. Aceitei a garrafa de bom grado e tomei o líquido gelado num gole só, suspirando com o alívio que me trazia ao reidratar minha garganta seca e diminuir – ainda que só um pouco – minha temperatura. Sorri ao devolver-lhe a mesma vazia com um agradecimento baixo escapando dos lábios, assistindo-o arremessá-la na única lixeira disponível no recinto com destreza antes de despencar no chão ao meu lado, imitando minha postura prévia com as pernas cruzadas e costas levemente curvadas pra frente. – No que está pensando?
— Nada. – respondi rápido demais, surpreso pelo fato do ruivo perceber minha inquietação pra começo de conversa, mas talvez tivesse sido exatamente isso que o fez arquear uma sombrancelha descrente na minha direção, obrigando-me a deixar a farsa de lado e relutantemente admitir a verdade. – É só que... estou ansioso pra amanhã. Mais nervoso do que ansioso, na verdade. Tenho medo de cometer um erro e estragar tudo.
— Bobagens. – o mais velho dispensou minhas preocupações com um aceno casual da mão, tomando um gole da sua própria garrafa de água em seguida. – Acredite em mim quando digo que você está mais do que pronto pra arrasar amanhã. Nos últimos dias você não errou um único passo, e tenho certeza que com aquela roupa que me mostrou, você vai roubar pelo menos metade das minhas fãs pra si mesmo. – assegurou-me com uma risada, deliciado com o ruído de indignação que deixei escapar ao ouvir a última parte de seu discurso motivacional.
— Claro que não, hyung. Nem brinque com uma coisa dessas. – neguei com olhos arregalados, genuínamente apreensivo com a ideia de que Hoseok poderia de fato acreditar naquilo e estupidamente ignorando o tom de piada que havia escondida sob o tom de sua voz. – Seu fandom é muito leal, sei porque faço parte dele. Nunca tiraria eles de você, nem se quisesse.
— Relaxa, Chim-Chim. Estava só brincando. – pediu, rindo ainda mais forte quando uma quentura deveras inconveniente se instalou em minhas bochechas. – Mas não ligaria de perder alguns fãs pra você, não vou mentir. Afinal, todo talento merece reconhecimento, não é mesmo? – disse com o tom baixo como se aquelas palavras fossem feitas única e exclusivamente para meus ouvidos, um brilho em seus olhos que indicavam travessura e outra coisa que não sabia muito bem como rotular.
O elogio me deixara sem palavras, sem saber como reagir diante de tamanha sinceridade, e por alguns instantes permanecemos apenas encarando os olhos um do outro – um sorriso puxava o canto dos lábios do ruivo enquanto um forte rubor coloria minhas bochechas ao ponto de me fazer parecer mais com um tomate do que uma pessoa.
— Eu vou tomar um banho. Se quiser, pode usar o banheiro do meu quarto. – Hoseok disse por fim, quando o silêncio pareceu se esticar demais, beirando o limite do desconfortável, levantando-se com um pouco de dificuldade e deixando um grunhido cansado escapar de seus lábios ao se virar e me estender a mão. – Você vem?
— Ah... na verdade estava esperando que pudesse praticar um pouco mais. Se não se importa. – acrescentei de última hora ao ver seu cenho franzido com minhas palavras. Entretanto, os bons modos não fizeram nada pra tirar aquela carranca de sua face, muito pelo contrário.
— Praticar mais? Não ouviu nada do que eu disse agora há pouco? – questionou com um suspiro exasperado, correndo as mãos pelos cabelos antes de apoiar as mesmas na cintura. – Se quer saber, me importo sim. Não vou permitir que se machuque por se esforçar demais logo antes da apresentação. Preciso de você na sua melhor forma amanhã, senão tudo que fizemos até agora terá sido em vão. – quando viu a expressão petulante em meu rosto, suspirou e estendeu a mão mais uma vez, encarando-me de um modo que me desafiava a desobedecê-lo. – Você só tem duas opções aqui, Jimin. Uma delas é tomar um banho refrescante antes de ir ou sair daqui todo fedido e suado do jeito que está. A decisão é sua.
Nem preciso dizer que aceitei a mão oferecida e deixei-me ser conduzido pra residência situada acima do estúdio de dança, mesmo que a contragosto e resmungando durante todo o caminho. Felizmente a rotina que havíamos estabelecido em todas as minhas visitas para os treinos me deixou bastante à vontade com sua casa, então não hesitei ao encontrar meu caminho para o banheiro no segundo pavimento e dar início ao processo de me refrescar depois de um longo e extenuante dia repleto de coreografias complicadas e repetidas inúmeras vezes até serem dominadas.
Parte de mim sabia que com a quantidade de horas que passei praticando sob a supervisão e orientação de Hoseok não havia como não ter dominado toda e qualquer coreografia que o mais velho tinha em seu repertório; porém, outra parte, a parte perfeccionista e que sempre buscava agradar e ser perfeita aos olhos de todos gostaria de poder continuar praticando até meu corpo não ter forças pra se aguentar em pé. Mas eu sabia também que Hoseok jamais deixaria que isso acontecesse – nem por cima do seu cadáver – então livrei-me de pensamentos tentadores com uma sacudida da cabeça e concentrei-me em tirar shampoo dos cabelos e dos olhos. Afinal sempre tomei um pequeno e secreto orgulho por ser um bom dongsaeng que ouvia bem seus hyungs, e não seria hoje meu primeiro ato de rebeldia. Não era estúpido a ponto de brincar com algo tão sério quanto minha saúde por puro capricho e botar tudo a perder. O sucesso de J-Hope era mais importante do que o meu próprio, e contanto que não cometesse erros grotescos, estaríamos bem.
Terminei o banho e coloquei uma muda de roupas limpas que tinha jogado dentro da mochila antes de sair de casa, já familiarizado com a rotina depois de fazer exatamente a mesma coisa dia após dia, em qualquer momento disponível que tivesse entre meus outros compromissos. Encontrei Hoseok com cabelos úmidos e roupas confortáveis na sala de estar, jogado no sofá enquanto escolhia algo pra assistir na televisão e bebericava da garrafa de cerveja que tinha em mãos.
O ruivo abriu um sorriso assim que me viu, oferecendo a garrafa ao mesmo tempo que dava tapinhas no assento ao seu lado num gesto convidativo. Quando recusei tanto a bebida quanto o sofá com um aceno negativo da cabeça, ajustando a mochila em meus ombros, pude observar suas sobrancelhas se unindo sobre um par de olhos castanhos e confusos. – Por que a pressa? Tem algum lugar pra ir?
— Não exatamente, só acho que deveria te deixar descansar em paz. Além do mais, não acho que conseguiria ficar tão próximo do estúdio sem tentar mudar sua cabeça pelo menos uma vez. – ri, ajeitando os óculos sobre o nariz quando o mais velho murmurou em compreensão.
— Eu gostaria de vê-lo tentar, Chim-Chim. – respondeu num tom malicioso, voltando totalmente sua atenção pra mim com um sorriso provocante antes de cair em gargalhadas diante da minha reação nada discreta e casual. – Mas entendo que esteja cansado e provavelmente só precise de uma cama por agora. Quer que te leve até em casa?
— Não é necessário. Não acho que vou pra casa, de qualquer forma. – as palavras escaparam de minha boca sem permissão, palavras dúbias que se formaram sem eu ao menos perceber. Hoseok pareceu encontrar algum significado oculto sob elas, se o sorriso que abrira enquanto eu tampava minha boca com as mãos para impedi-la de cuspir ainda mais coisas embaraçosas fosse qualquer indicação.
— Oh, entendi. Tudo bem, então. Não vou mantê-lo aqui se você tem coisas melhores pra ocupá-lo pelo restante da noite. – disse num tom sugestivo, a voz pingando duplos sentidos e provocações.
— N-na—não foi isso que eu quis... ah, deixa pra lá. – suspirei, resignado. Sabia que nada que dissesse remediaria a situação e, pra ser sincero, não podia negar que a ideia passou por minha mente assim que as palavras saíram de meus lábios. Desesperado pra fugir daquela desagradável – e totalmente autoinfligida – situação, curvei-me numa reverência respeitosa e formal até demais entre dois amigos, mas não sabia de que outro modo poderia expressar minha eterna gratidão a tudo que o mais velho fizera por mim. – Obrigado por tudo, Hobi-hyung. Definitivamente não seria capaz de chegar até aqui se não fosse por sua ajuda. Espero não te decepcionar amanhã.
— Que tolice está falando agora? Me decepcionar? Eu jamais sonharia com uma coisa dessas, Jiminie. – afirmou com a voz convicta e ao mesmo tempo terna, puxando-me para um abraço apertado. Dexei que o mais velho me envolvesse com o calor de seu corpo e o cheiro de sua pele, tomando conforto no gesto simples, mas que era recheado de significado. – Você precisa ter mais fé em si mesmo. Eu sei que vai ser esplêndido no palco e que todos vão te amar, sem exceção. Não se preocupe com nada, apenas use o resto da noite pra descansar e se distrair. Você merece.
Hoseok se despediu com um beijo na minha têmpora e acompanhou-me até a saída, acenando enquanto me via afastar na direção do ponto de ônibus e ordenava aos berros que levasse seus conselhos a sério e usasse o restante da noite pra diversão e não trabalho. Ri e exclamei uma concordância, um pouco envergonhado sob os olhares julgadores dos pedestres que se sentiam incomodados com os dois loucos gritando no meio da rua. Encolhi os ombros e tentei parecer invisível pelo restante do caminho, tendo a sorte de encontrar o ônibus que desejava me esperando no ponto, subindo no mesmo e observando a paisagem mudar lentamente enquanto esperava paciente o veículo me conduzir até o pólo industrial da cidade.
Essa última semana tem sido extremamente exaustiva, ainda mais com a volta da minha antiga rotina com a faculdade e trabalho tomando pelo menos dois terços do meu tempo; qualquer horário livre que tinha eu gastava praticando coreografias na casa de Hoseok, querendo alcançar nada menos do que a perfeição para o show que estava por vir. Desse modo, não via Yoongi desde o dia que fui até seu estúdio gravar minha voz para a versão final da música que dançaria no palco. Nem mesmo quando a mesma ficara completa de fato alguns dias depois, com a adição da voz de Seokjin, eu o vira: recebi a faixa por e-mail e tive que dar-lhe meus elogios e agradecimentos por telefone.
Era difícil passar tanto tempo longe do loiro, ainda mais depois de ficar acostumado a vê-lo todos os dias, dormir e acordar ao seu lado todos os dias; o pior disso tudo é que sabia que se não fosse pela folga que pedi ao gerente da loja de conveniência que trabalhava – com muito custo, já que havia acabado de voltar das minhas “férias”, por assim dizer – e por Hoseok que insistia que devia descansar pelo resto da noite, não estaria fazendo o tão familiar caminho até o prédio baixo de tijolos onde Yoongi morava. Seja como for, no momento encontrava-me subindo os degraus da escada de madeira de dois em dois, ouvindo-a protestar sob meu peso e percebendo que nada ali importava além da noção de que muito em breve estaria nos braços de Yoongi, matando as saudades.
No tempo que levei para chegar frente à porta de seu apartamento no terceiro andar e bater levemente as juntas dos dedos contra a madeira, meu coração já batia acelerado e minha respiração saía ofegante e desregular, em partes devido ao esforço físico que fiz pra subir o mais depressa que podia e em partes por outro motivo que tinha vergonha de admitir. Yoongi gastou um tempo precioso pra atender a porta, tempo suficiente pra me controlar e não parecer tão desesperado quanto realmente me sentia; no momento que a mesma se abriu revelando o loiro do outro lado, não pude conter um riso ao absorver sua aparência: Yoongi parecia alguém que acabara de acordar e não se dera ao trabalho de trocar de roupa, visto que pretendia passar o dia inteiro em casa, vegetando no sofá.
— Jimin? O q-que faz aqui? – gaguejou com olhos arregalados de surpresa ao me ver, passando a mão nos fios loiros numa tentativa falha de deixá-los minimamente apresentáveis. Naquele exato instante decidi que aquela face de Yoongi era a minha preferida, com seus cabelos rebeldes apontando pra todas as direções e olhos inchados de sono, ainda menores do que eram quando completamente despertos.
— O que foi, agora preciso de um motivo pra visitar? – perguntei num ato de ousadia, erguendo uma sobrancelha enquanto esperava ser convidado a entrar e sorrindo diante da reação afobada do mais velho ao perceber sua falta de modos, saindo do caminho num salto e colocando-se atrás da porta ao mesmo tempo que passava por ela, fechando-a atrás de mim em seguida.
— Claro que não, você pode vir quando quiser. – fora rápido em retificar-se, liderando o caminho de volta à sala de estar com orelhas rosadas assim que tirei meus sapatos no pequeno hall de entrada. – Eu não te esperava aqui hoje, é só. Não tive tempo de arrumar nada. – continuou jogando-me um sorriso apologético sobre o ombro, parecendo envergonhado, e só então notei o estado de seu apartamento e o cigarro aceso entre seus dedos.
— É só eu ir embora que você retoma os maus hábitos, né? – ralhei em tom de brincadeira, estalando a língua contra os dentes enquanto tomava o cigarro de seus dedos e o apagava no cinzeiro mais próximo, divertindo-me ao ver Yoongi assistir a ação com tristeza nos olhos.
— Me desculpe. – pediu, coçando a nuca com a mesma expressão de um filho rebelde que fora pego pelos pais fumando escondido no banheiro. – Eu não tenho muito o que fazer enquanto ainda estou escondido dentro de casa sem você por perto.
Agora fora minha vez de corar, sua confissão despertando algo em mim que ainda não era capaz de compreender muito bem. Por mais que não gostasse do sabor de nicotina nos seus lábios – uma vez que descobri que seu real sabor era muito melhor do que qualquer néctar –, não encontrava forças pra ficar ressentido com o loiro e nem resistir a súbita vontade de colar meus lábios nos dele, os mesmos atraindo-me como um poderoso ímã, seu campo magnético forte demais pra mim. Então assim o fiz, tomando-os num beijo doce que logo se transformaria em algo mais conforme corria minha língua por seu lábio inferior, se não tivesse interrompido o ósculo logo em seguida e me afastado para lançar-lhe um sorriso travesso. – Eu gosto mais quando posso sentir o seu gosto, não o de cigarros. – admiti, vendo-o corar e passar a própria língua onde antes estava a minha, como se pudesse capturar meu sabor ali.
— Manterei isso em mente no futuro. – prometeu-me, os olhos negros e penetrantes fixos em mim como se pretendesse me devorar apenas com o olhar, antes da risada alta e obtusa vinda de algum programa de variedades que passava na TV ecoar pela sala e quebrar todo o clima, retomando nossa atenção para a mesma e para assuntos menos perigosos.
Sentei-me ao seu lado no sofá a fim de assistir silenciosamente o elenco do programa competir contra algum grupo de idols que não conhecia em missões sem sentido mas que nunca falhavam em arrancar boas risadas de quem os via. Entretanto, não demorou muito até que aquele nervosismo inicial, aquele que nada tinha a ver com a presença de Yoongi ao meu lado, retornasse à minha mente; nem mesmo o programa era capaz de me distrair. O loiro pareceu perceber que havia algo errado, principalmente com todos os reajustes que fazia no sofá, minha mente inquieta demais pra permitir que meu corpo ficasse parado numa só posição. – O que houve? Parece nervoso.
— Desculpe. É só que... – suspirei, sabendo que seria inútil tentar guardar minhas preocupações pra mim mesmo, observando resignado Yoongi desligar a televisão e voltar sua total e completa atenção pra mim. – Estou apreensivo com a apresentação de amanhã. Tenho medo de falhar e decepcionar todo mundo. Se fosse por mim, ainda estaria praticando a coreografia até o sol raiar, mas Hobi-hyung me proibiu, dizendo que deveria tirar uma folga pelo resto da noite. – admiti com um bico nos lábios, ficando ainda mais proeminente quando vi a carranca que estampava o rosto de Yoongi, o cenho franzido e lábios puxados em desgosto.
— Então quer dizer que você só veio até aqui porque Hoseok mandou? – indagou com os braços cruzados no peito, sua postura claramente defensiva como se tivesse sido ofendido de alguma maneira. Rapidamente neguei com a cabeça, temendo causar algum mal entendido com a minha péssima escolha de palavras.
— Não, óbvio que não! Hyung me mandou ir pra casa descansar, mas eu vim até aqui porque quis. – respondi com um sorriso acanhado que esperava ser o suficiente pra dissipar sua raiva, e por incrível que pareça funcionou. Yoongi bufou, desviando o olhar e resmungando algo ininteligível com a voz baixa e rouca, mas sua postura relaxou visivelmente.
— Bom, pelo menos Hoseok tem razão numa coisa. Você precisa descansar e recuperar todas as suas energias agora, praticar mais só te prejudicaria.
— Eu sei, mas... – interrompi-me, sabendo perfeitamente bem que estava sendo um bebê chorão que só sabia repetir a mesma coisa como um disco quebrado, mas não podia evitar. A pressão sobre meus ombros era demais pra suportar. – Preciso ser perfeito amanhã se quiser impressionar os fãs de J-Hope e deixá-lo orgulhoso. Não posso errar um passo sequer.
— Agora que disse, me dei conta de que não vi a coreografia completa ainda. – disse Yoongi com um ar pensativo, recostando-se preguiçosamente no sofá enquanto sustentava o olhar fixo no meu. – O que acha de me dar um show particular, aqui e agora? Isso te faria se sentir melhor?
Peguei-me contemplando a pergunta de Yoongi, analisando as opções. Por um lado sentia-me envergonhado e autoconsciente com a mera ideia de dançar ali no meio da sala com apenas Yoongi de audiência, mas ao mesmo tempo poderia aproveitar aquela oportunidade pra treinar uma última vez e quem sabe aquietar minha mente sobre o assunto. Concordei timidamente alguns segundos depois, já que não existia exatamente uma decisão a ser feita, então Yoongi pediu licença para buscar o laptop no quarto e retornou para a sala com o mesmo aberto e ligado em seus braços, o player de música pronto pra tomar vida ao meu sinal.
Assim que o instrumental forte e sensual do contrabaixo ecoou pelo recinto, fechei os olhos e deixei que meu corpo se movesse por conta própria enquanto era embalado pela música, os movimentos decorados e tão naturais quanto respirar à essa altura. Tomei certo orgulho ao perceber que não hesitava por nem mesmo um segundo ao executar os passos com graça e fluidez, a coreografia tendo um viés mais contemporâneo do que urbano devido à musicalidade da canção. Sabia que não havia dançado por muito tempo pois a faixa não era tão extensa assim, mas quando finalmente chegou ao fim e pude abrir meus olhos, deparei-me com Yoongi sentado esparramado no sofá com o laptop no colo e olhos famintos.
— O que achou? – perguntei com a respiração ofegante, sentindo-me estranhamente vulnerável sob seu olhar.
— O que achei? – repetiu, seus olhos não deixando os meus por nem um instante. – Acho que não terá problema algum em capturar a atenção de todos se movendo desse jeito. Acho até que estou com um pouco de ciúmes. Hoseok teve o privilégio de vê-lo assim mais vezes do que eu, isso não é justo.
— Hyung, pare. – pedi, escondendo o rosto nas mãos e sentindo minhas bochechas quentes contra minhas palmas.
— Estou falando sério, Jimin. Você dança muito bem, não sei porque se preocupa tanto. Sua forma de dançar é até superior a de Hoseok, diria. – assegurou-me num tom sério e levemente afetuoso que não deixava espaços pra brincadeiras, mas mesmo assim era difícil acreditar em suas palavras. Eu, melhor dançarino do que Hoseok? Sem chance.
— Você só está dizendo isso por dizer. – acusei de forma fraca, apreensivo sob seu olhar intenso, mexendo nervosamente na barra da camiseta apenas pra ter algo com o que me ocupar.
— Não estou, não. – Yoongi sacudiu a cabeça em negação com o cenho franzido, indignado por não acreditar em si. – Você precisa parar de duvidar tanto de si mesmo, Sunshine. Você é ótimo no que faz e sabe muito bem disso.
— Você realmente acha isso? – perguntei, recebendo um aceno positivo em resposta. – Eu já não tenho tanta certeza... – admiti com a voz fraca, coçando a nuca num gesto nervoso enquanto o via suspirar e pousar o notebook sobre a mesa de centro à sua frente, esticando ambos os braços nas laterais de seu corpo num claro convite pra um abraço.
— Venha cá, eu tenho algo que vai te fazer relaxar num instante. – pediu, sorrindo quando aproximei-me com passos contidos e hesitantes.
— E o que seria isso? – perguntei inocentemente conforme me sentava novamente ao seu lado, com uma curiosidade genuína que Yoongi pareceu interpretar de outra forma, pois tão logo a questão escapara de minha boca e seus lábios foram puxados num sorriso sugestivo e cheio de malícia, aproximando-se dos meus a cada batida de nossos corações enquanto mantinha nossos olhares presos um no outro sem falhar.
— Meus beijos. – respondeu num sussurro contra meus lábios antes de capturá-los num ósculo lento e apaixonado, quase preguiçoso de certa maneira mas que cumpria muito bem a função de enxotar o bando de pensamentos duvidosos e erráticos que sobrevoavam minha cabeça e deixar minha mente focada em nada mais além de sua presença à minha frente e do toque suave de sua boca contra a minha.
Os beijos de Yoongi eram tão inebriantes que nunca falhavam em me deixar sem fôlego, reduzindo-me a uma poça no chão aos seus pés, maleável e submisso sob seus toques. O loiro me mantinha seguramente preso contra seu corpo com um de seus braços envolvendo minha cintura enquanto a outra mão encontrara seu caminho até minha nuca, afundando seus dedos finos nos fios curtos que havia ali e usando-os para direcionar o ósculo como bem entendesse. Com um suspiro veio a realização de que poderia perder a noção de tempo e espaço naquele beijo, e então soube que o mais velho tinha razão: seus lábios tinham um poder maior do que pensava, e dentro de segundos já estava completamente relaxado, pensamentos duvidosos e angustiados completamente esquecidos.
A posição, entretanto, era um pouco incômoda; como estávamos sentados um ao lado do outro, nossos troncos estavam torcidos num ângulo desconfortável, nossas pernas brigando por espaço. Então, numa tentativa de buscar conforto e sem prestar muita atenção nas insinuações e consequências dos meus atos, coloquei-me sentado em seu colo com os joelhos sobre o estofado e rodeando sua cintura, levando-o comigo e o colocando na posição que queria sem descolar nossos lábios. Juro que não tinha segundas intenções com aquele gesto, mas quando relaxei e sentei sobre suas coxas e as mãos de Yoongi imediatamente encontraram minha cintura e a apertaram, não pude conter um gemido baixo. A posição que agora nos encontrávamos me lembrava muito aquela de várias noites atrás, no silêncio e conforto do quarto escuro de Yoongi, onde tivemos nossa primeira experiência sexual – ainda que de forma invertida. Desde aquela noite nenhum de nós avançou nesse departamento – o fiasco da nossa última noite juntos onde eu estava bêbado demais pra manter minhas mãos pra mim mesmo não contava – mas a atual situação me fazia querer recuperar o tempo perdido.
Foi desse modo que me vi – hesitante, tentativamente – fazendo o menor dos movimentos da minha pélvis contra a sua, tão pequeno que poderia passar despercebido. Porém não foi isso que aconteceu, claro que não. No mesmo instante que nossos membros ainda meio adormecidos fizeram contato, um ruído que mais parecia um rosnado irrompeu do fundo da garganta do mais velho e de repente deparei-me com meu lábio inferior, já bastante abusado e inchado de beijos preso entre seus dentes, causando uma dor gostosa e arrancando-me um longo sibilo em protesto.
Sua reação, ao invés de me afugentar, só me incentivou a repetir o gesto. Dessa vez fui ousado em meus movimentos, deixando claras minhas intenções com minha ereção cada vez mais evidente. Afundei ambas as mãos em seus cabelos loiros conforme rebolava com vigor em seu colo e nossos beijos ficavam cada vez mais desesperados e desleixados, todos lábios inchados e úmidos de saliva, línguas travando batalhas dentro de nossas bocas e respirações ofegantes que se misturavam e confundiam. Eu poderia me embriagar apenas com a sensação de ter seu corpo colado com o meu, nossas pélvis criando uma fricção agonizante e ao mesmo tempo deliciosa, nossas línguas entrelaçadas e causando uma verdadeira bagunça; poderia ficar bêbado com o gosto de seus lábios, o calor de sua pele, a firmeza e ternura de seus toques. Entretanto, o que realmente fez com que perdesse a sobriedade foi a sensação de ter as mãos de Yoongi deixando minha cintura e deslizando até minhas nádegas, instalando-se ali como se as possuíssem e apertando o músculo com avidez.
— Ah—Yoongi. – deixei seu nome escapar ao redor de um gemido contra seus lábios, o gesto demonstrando uma dominância e possessividade que me deixavam fraco. Eu não possuía barreiras pra me defender de Min Yoongi, então qualquer coisa que fizesse, o mínimo toque que fosse, me reduziria a gemidos entrecortados e um desejo incontrolável.
Minha reação somada com a voracidade redobrada com a qual roçava meu membro no seu pareceram encorajar o mais velho a prosseguir, repetindo o mesmo ato porém dessa vez por dentro da calça. Mesmo com um pouco de dificuldade, visto que minha calça jeans não deixava muito espaço extra pra suas mãos, Yoongi não deixou-se vencer ao esgueirar os dedos pelo cós da mesma e em seguida pela barra da cueca. O contato de pele contra pele, suas palmas em contato direto com minhas nádegas despertou em mim uma curiosidade que raramente tive na vida. De repente me vi miando e choramingando entre beijos conforme as mãos delicadas de Yoongi massageavam minha bunda e no processo ajudava a aumentar ainda mais a fricção que nossas ereções faziam juntas, mas também me vi desejando um outro tipo de contato. Um contato exploratório, mais íntimo, um contato que me fazia corar só de pensar sobre.
Entretanto, uma vez que a ideia se instalara em minha mente nada a tirava de lá. O desejo de ser tocado onde jamais fui tocado antes era tamanho que peguei-me inclinando meu tronco na direção dele sem perceber, colando meu peito ao seu e interrompendo o beijo pra afundar o rosto na curvatura de seu pescoço. O que não havia percebido até então – pelo menos não de forma consciente, mas talvez meu corpo soubesse exatamente o que estava fazendo – era o fato de que aquela nova posição dava ao loiro acesso irrestrito à minha bunda, arrebitada no ar como uma oferenda. Pra minha felicidade e alívio, Yoongi pareceu entender o recado e resolveu salvar minha dignidade ao dar exatamente o que pedia, mesmo que tivesse muita vergonha pra pedi-lo em voz alta.
Apenas uma de suas mãos começou a se mover, deslizando pela extensão de pele macia antes do seu dedo médio encontrar a fenda formada pela junção dos dois globos, alisando a pele sensível algumas vezes enquanto a outra se mantinha firme numa das nádegas, segurando-a no lugar para dar-lhe mais espaço e acesso. A essa altura meus quadris já haviam cessado todo e qualquer movimento, a antecipação forte o bastante pra me fazer prender a respiração, agarrar a frente de sua camiseta com punhos de ferro e fechar os olhos com força. Mesmo que soubesse o que esperar quando senti seu dedo deslizando fenda abaixo para onde realmente o queria, nada me prepararia para o ganido surpreso que soltei ao sentir a ponta gelada do mesmo contra minha entrada.
O toque não passava de uma mera sugestão, algo suave, exploratório, quase sutil de certa forma, e desaparecera imediatamente ao som da minha surpresa. Mas eu não queria que desaparecesse. Eu queria que continuasse. – Yoongi, por favor. Faça... faça de novo. – implorei, sussurrando contra seu pescoço, meu hálito quente fazendo sua pele arrepiar-se. Não precisei dizer duas vezes antes de Yoongi acatar o pedido, acariciando o anel de músculos com uma suavidade e doçura que me trazia choramingos aos lábios e fisgadas dentro das calças.
— Porra, Jimin. Você é—é tão... – Yoongi interrompeu sua linha de raciocínio assim que sentiu meus lábios acoplarem-se à pele macia e imaculada de seu pescoço, minha língua trabalhando em conjunto com eles para formar as mais lindas marcas, o vermelho que logo se tornaria roxo contrastando maravilhosamente bem com sua pele pálida. O gemido que emitiu foi o suficiente pra botar meus quadris em ação mais uma vez, ainda que num ritmo muito mais contido que o anterior.
Não saberia dizer quanto tempo passamos naquele vai-e-vem enlouquecedor, com os dedos de Yoongi me provocando por trás enquanto nossos membros eretos faziam contato pela frente. Quase todas as sensações eram novas pra mim e não consegui me controlar ao distribuir inúmeras rosas pela pele do mais velho, sorrindo quando parei pra admirar um trabalho bem feito. Yoongi inacreditavelmente cooperava de bom grado, tombando a cabeça no encosto do sofá e deixando o pescoço exposto para que o pintasse com ainda mais botões vermelhos. Apenas quando chupei outra marca logo abaixo do osso que unia sua mandíbula ao resto do crânio, lambendo a ferida pra amenizar a dor, deslizando a língua até o lóbulo de sua orelha e prendendo-o entre os dentes de forma provocativa em seguida, foi que Yoongi mostrou-se impaciente pela primeira vez. A mão que antes segurava minha nádega no lugar foi parar na frente das minhas calças, seus dedos atrapalhados lutando contra o botão e o zíper da mesma numa tentativa desesperada de abri-la.
O gemido que soltei em seu ouvido quando sua mão finalmente obteve sucesso e me apalpou sobre o tecido da cueca não poderia ser descrito como um som produzido por humanos. A sensação de ter seus quadris contra os meus era uma coisa, mas ter sua mão em contato direto e deliberado com a minha ereção – ainda que com uma mísera barreira entre eles – era outra completamente diferente. Sem pensar muito no assunto ou me preocupar com coisas frívolas como dignidade, comecei a esfregar meu pênis contra sua palma, alcançando o ritmo antes estabelecido. Contudo, não sei se por achar a posição desconfortável ou ser incapaz de manter a atenção em dois lugares ao mesmo tempo, Yoongi tirou a mão que antes usava pra provocar minha entrada de dentro das minhas calças e afastou-me de si, empurrando-me levemente para que estivesse sentado mais sobre seus joelhos do que suas coxas; antes que pudesse reclamar pela falta de contato, o loiro usou a mesma mão para puxar a barra da camiseta que usava até a altura de minhas axilas e pôs-se a atacar toda a expansão de meu peito com os lábios, dando à área o mesmo tratamento que dei ao seu pescoço e clavícula, a mão que tinha sobre minha ereção afagando a mesma num ritmo constante e enlouquecedor.
— Yoong-gi—ah! – tudo que saía agora de meus lábios eram gemidos entrecortados misturados com variantes de seu nome, o prazer sendo uma sensação tão nova e intensa que me fizera perder até a capacidade de fala. Eu não pensava que aquilo poderia ficar melhor, pelo menos não até o loiro abocanhar um de meus mamilos e assaltá-lo de forma impiedosa com a língua ao mesmo tempo em que enfiava a mão dentro da minha cueca e fechava os dedos ao redor da minha ereção. Não consegui conter um gemido alto e obsceno diante do prazer intenso, minhas mãos segurando-se nos ombros de Yoongi como se minha vida dependesse daquilo antes de uma ideia maliciosa provocada por uma curiosidade inocente instalar-se na minha mente e obrigar-me a deslizar uma delas por seu tronco até encontrar a frente de suas calças de moletom, onde sua ereção era ainda mais visível do que a minha. – Y-Yoongi—hyung, por favor... por favor, deixe-me tocá-lo também.
Yoongi literalmente grunhiu ao ouvir meu pedido em tom de choro, o som animalesco e tão territorialista que enviou novas ondas de prazer e excitação para meu membro que pulsava em sua mão. O mais velho descolou seus lábios do meu mamilo com um som molhado que era estranhamente sexy, recostando-se no sofá com um sorriso ao mesmo tempo predador e preguiçoso, como se me desafiasse a tomar o que queria por conta própria. Vergonha e humilhação imediatamente se fizeram presentes no rubor de minhas bochechas, mas o modo como seus dedos finos e pálidos ainda fechados ao redor do meu membro o masturbavam com movimentos lentos e fracos não me deixava dar por vencido. Com propósito renovado, ousei enganchar os dedos no cós de sua calça e puxá-la pra baixo juntamente com a cueca, incitando Yoongi a elevar os quadris brevemente pra facilitar o trabalho e libertar seu membro de dentro de seu confinamento.
Não vou negar que dediquei um momento a apenas observar o falo pulsante que fora revelado diante de mim – seu tamanho e grossura, os poucos pelos pubianos que adornavam sua base, a coroa inchada e rosada que pingava pré-gozo a cada poucos segundos –, antes de envolvê-lo com a mão trêmula e tentativa. Yoongi sibilou com o primeiro contato, mordendo os lábios para impedir que mais sons lhe escapassem, mas minha inexperiência ficara evidente quando congelei no lugar, sem saber o que fazer. Era óbvio que já havia me masturbado antes, inúmeras vezes até, mas nunca antes tinha feito o mesmo por outra pessoa. Havia algo de diferente ali, algo relacionado com o ângulo estranho ou talvez com o fato de estar tocando outra pele que não a minha que me impedia de prosseguir. Percebendo meu embaraço, Yoongi pousou sua mão livre sobre a minha e guiou-me gentilmente por seu membro, pela extensão da cabeça à base e de volta à cabeça, sua outra mão nunca deixando o meu próprio.
— Ngh—assim, continue assim, baby. – os gemidos fracos e contidos de Yoongi eram todo o incentivo que precisava, dando-me coragem pra continuar a masturbá-lo sem ajuda e ousadia suficiente pra aumentar o ritmo, soltando meus próprios gemidos incontidos quando a mão do mais velho começou a pegar velocidade para equiparar-se com a minha, tirando meu membro de dentro do confinamento da cueca a fim de ter mais acesso e conforto.
Quanto mais rápido Yoongi me masturbava, mais perdido eu ficava em meio às sensações, falhando miseravelmente em acompanhá-lo e até mesmo perdendo o ritmo vez ou outra, os movimentos de meu pulso erráticos e desleixados. Eu não queria desapontá-lo dessa maneira, principalmente porque essa era a primeira vez que podia tocar Yoongi de forma tão íntima, mas o ritmo implacável que sua mão estabelecera em meu pênis não deixava espaço para me preocupar com mais nada além de seu toque sobre mim. Então o loiro, percebendo minha inabilidade para multitarefar quando estava tão próximo do orgasmo, enxotou minha mão com um tapa e tomou ambas as ereções na sua, causando-me um arrepio por toda a espinha e fazendo-me engasgar com um gemido entalado na garganta pelo choque de ter seu falo se esfregando contra o meu sem barreiras ou impedimentos, apenas pele na pele, criando uma sensação indescritível que me deixava muito mais próximo do céu.
O esforço de ter que segurar dois pênis com apenas uma mão não permitia o uso de muita velocidade, mas a firmeza do aperto e a fricção de ambos os membros compensava qualquer perda, se não fosse até mais prazeroso. Sem que me desse conta inclinei novamente meu tronco de encontro ao seu, gemendo obscenidades em seu ouvido com os dedos de uma mão fincados nos fios curtos de sua nuca enquanto a outra agarrava seu ombro como se fosse um bote salva-vidas, prendendo sua mão juntamente com ambos os membros entre nossos abdomes e movendo meus quadris em busca de alívio. Quando a mão livre de Yoongi encontrou novamente o caminho pra minha entrada sem aviso o prazer foi demais pra suportar – liberei meu sêmen com um gemido agudo que poderia ser confundido com um grito, deixando que o orgasmo me tomasse em ondas de eletricidade que causavam tremores por todo meu corpo, seu produto morno e viscoso sujando tanto minha barriga quanto a camiseta e mão de Yoongi, que continuava a nos bombear em conjunto até que eu estivesse sensível demais e ele fosse obrigado a terminar sozinho, masturbando-se num ritmo furioso até gozar com um grunhido e um xingamento seguido do meu nome.
— Puta merda, Jimin. Isso foi... – pausou, deixando o restante da frase subentendido enquanto lutávamos pra recuperar nosso fôlego. Eu nos mantinha na mesma posição, com minha testa colada na dele e os braços rodeando seus ombros num abraço cansado e preguiçoso, apenas aproveitando o êxtase pós-orgasmo antes que a quantidade absurda de fluidos corporais começasse a incomodar: as peles úmidas de suor e os cabelos não muito melhores, os membros já flácidos pegajosos do gozo que explodira e se espalhara por toda e qualquer superfície que podia alcançar, sujando nossos troncos, queixos e principalmente a mão de Yoongi, que jazia desajeitada sobre minha coxa com a palma pra cima, segurando a maior parte do líquido ali.
— Maravilhoso? Divino? Sensacional? – sugeri, ouvindo-o soltar aquela risada rouca que nunca falhava em me fazer rir junto. Yoongi murmurou em concordância, levando a mão limpa até minha nuca e conduzindo-me para diminuir a curta distância até seus lábios, iniciando um beijo doce e satisfeito antes de suspirar contra meus lábios.
— Você está bem? – a pergunta me pegou desprevenido, então franzi o cenho sem entender seu intuito e ergui uma sobrancelha pedindo silenciosamente que elaborasse a questão. – É só que... foi tudo tão rápido. Não consegui nem pensar no que estava fazendo. Espero não ter ultrapassado nenhum limite.
— Yoongi, eu sinceramente pensei que havíamos passado dessa fase. – disse em forma de reprimenda, o tom sério e cenho ainda mais franzido do que antes. – Quantas vezes vou ter que dizer que me sinto da mesma forma? Você não fez nada que eu não quisesse fazer. Depois me diz que sou eu que preciso parar de duvidar de mim mesmo, aish.
— Ok, desculpe, me desculpe. – pediu entre risos, eliminando a ruguinha indignada que havia entre minhas sobrancelhas com um beijo antes de recostar-se no sofá com um sorriso acanhado e olhos afetuosos. – Pelo menos consegui te distrair?
— Me distrair? Você conseguiu fazer muito mais do que isso. – disse, deixando meu corpo cair contra o seu exausto e acabado em forma de brincadeira, soltando risinhos quando senti a mão que não estava suja de gozo entrar em contato com a minha nádega num tapa.
— Yah, não vá dormir agora. Nós ainda temos que nos limpar. – resmungou, tentando me tirar de cima de si com um grunhido irritado. – Anda, Jimin. Preciso lavar a mão antes que essa porra seque e fique ainda mais nojenta do que já é.
Ri da sua irritação e do seu aparente incômodo com fluídos corporais secando contra sua pele, saindo do seu colo com pernas bambas antes de segui-lo banheiro adentro usando seus ombros de apoio, deixando que ele nos limpasse com uma toalha de rosto úmida depois de lavar bem as mãos. Quando voltamos pra sala, nos jogando sobre o sofá com um sentimento de alegria e saciedade, meu corpo meio deitado sobre o seu com minha cabeça aninhada em seu peito e nossas pernas entrelaçadas, pude ouvir o ritmo descompassado de seu coração contra meu ouvido conforme desenhava padrões aleatórios nas minhas costas com a ponta dos dedos, o ar ao nosso redor adquirindo um teor tenso antes do loiro respirar fundo e pigarrear pra chamar minha atenção.
— Jimin... posso te perguntar uma coisa? Você não precisa responder se não quiser. – acrescentou de última hora, quase como se arrependesse de fazer a pergunta assim que saíra de seus lábios, o nervosismo evidente na voz.
— Manda. – encorajei-o, achando toda aquela hesitação muito suspeita. Yoongi sempre foi o tipo de falar o que lhe passava pela cabeça sem medir as palavras, então só podia especular que tipo de pergunta era essa que o havia deixado tão apreensivo.
— Você ainda é virgem, não é? – ok, eu não estava nem um pouco preparado pra aquele tipo de pergunta. Porém, se servia de consolo, aparentemente nem Yoongi estava. Principalmente porque o rubor que tomara conta da sua face era tão forte – se não mais – que o meu.
— Oh—hm—e-eu... – gaguejei, atrapalhando-me todo, sem saber o que fazer com as mãos ou pra onde olhar. Por fim, decidi afundar meu rosto na curva onde seu pescoço encontrava o ombro e onde as várias marcas que deixei em meu caminho já começavam a escurecer, segurando as costas de sua camisa nos punhos e puxando-o mais pra perto da tentativa de me esconder por completo. – Foi minha punheta horrível que me denunciou, não foi?
— Não! Não foi isso... ok, talvez. – respondeu entre risos mal contidos, gargalhando de verdade quando o atingi no braço com um soco indignado. – Não, agora falando sério, não foi mesmo. Eu já tinha minhas suspeitas, pra falar a verdade. Só nunca tive confirmação. – assegurou-me com um encolher de ombros, acariciando minha nuca e costas com movimentos lentos e constantes, trazendo-me conforto com o mais simples dos gestos. – Mas acho difícil de acreditar que nunca teve nenhuma experiência sexual até agora. Você nunca namorou?
— Bem... é uma história meio complicada. – admiti, envergonhado, enquanto me reajustava no sofá pra encarar o teto. – Sabe, desde criança eu sempre me interessei por garotos. E você deve imaginar que não era nada fácil arrumar um namoradinho na escola quando se é também um garoto. Principalmente um garoto baixinho, rechonchudo e que tinha metade do rosto coberto por um óculos fundo de garrafa.
— Não muito diferente do Park Jimin de hoje, então. – ouvi Yoongi brincar com o tom de voz divertido antes de desferir-lhe um tapa revoltado no peito, mandando-o calar a boca. O loiro então desculpou-se entre risadas, o que tornava minha raiva muito difícil de ser mantida no momento. – Perdão, estou sendo injusto. Você não é mais rechonchudo. Só suas bochechas. E seus dedos. – por fim calei-o com um olhar tão afiado que poderia lhe cortar, e o maldito ainda tinha a audácia de sorrir e parecer apologético. – Pode continuar.
— Isso é sério, ok? Eu costumava ter ataques de pânico constantes por causa das gozações que sofria quando mais novo. Enfim. – continuei com um pigarro forçado, um claro sinal de que não aceitaria ser interrompido com comentários engraçadinhos mais uma vez. – Eu já tive alguns namorados, claro, nada muito sério, mas... nunca tive curiosidade pra ir além dos beijos com nenhum deles. Não como tenho com você. – erroneamente arrisquei um olhar na direção do mais velho após minha embaraçosa confissão, e me arrependi imediatamente. Yoongi tinha os olhos fixos em mim, a expressão indecifrável que parecia uma mistura de orgulho, vergonha e desejo, a ponta de suas orelhas tão rosadas quanto minhas bochechas.
— Bom, e-eu... fico feliz de ouvir isso. Isso... i-isso é bom... eu acho. Não, não acho. Eu sei. Ugh, o que estou dizendo? Aish. Merda. Posso começar de novo? – não podia negar que era divertido ver Yoongi atrapalhar-se todo com as palavras, chegava até a ser reconfortante saber que eu não era o único motivo de piada nesse relacionamento. Dei-lhe permissão para reformular a frase sem tentar esconder meu divertimento, as risadas caindo livres de meus lábios como cascata. – O que eu quis dizer foi que também nunca senti tanta atração por alguém como sinto por você. Quer dizer, eu nunca me impus rótulos ou coisa parecida, mas... também nunca fui pra cama com outro homem, então acho que podemos dizer que nós dois somos virgens, de certa forma.
Eu sabia que as palavras de Yoongi eram ditas apenas na intenção de me tranquilizar, porque sabia que ele não era virgem de maneira alguma. Eu acreditava quando dizia que nunca havia se deitado com outro homem, mas sabia que já havia se deitado com mulheres – principalmente depois daquele episódio tantos meses atrás com Jia seminua no seu apartamento, o que inclusive me levou a crer que os dois estavam num relacionamento. Mas não podia deixar de me sentir grato pela tentativa, nem que fosse apenas por suas intenções. Yoongi poderia ser infinitamente mais experiente do que eu no quesito sexo, mas sabia também que ele não usaria isso contra mim quando o momento chegasse.
— Obrigado. É bom saber que eu não sou o único que não tem ideia do que está fazendo aqui. – brinquei, rindo envergonhado enquanto tentava ao máximo não encontrar seus olhos. Toda aquela conversa era embaraçosa demais, e eu não queria nada além de afundar meu rosto em sua clavícula e me esconder ali pra sempre.
— Hey, não se preocupe, Sunshine. – disse, chamando minha atenção com a voz mais afetuosa que já ouvi saindo de seus lábios, afagando meus cabelos com os dedos enquanto me obrigava a olhar pra si. – Eu nunca farei nada que você não queira, sabe disso, certo? Se você quiser esperar, se achar que estamos indo rápido demais, ou se a qualquer momento mudar de ideia, é só dizer que paramos tudo na hora, ok? Eu sei o quanto a nossa primeira vez é importante. A minha não foi tão memorável assim, por isso vou me certificar de que a sua não seja nada abaixo de perfeita.
— Você... você realmente faria isso? – perguntei, mais de forma retórica do que outra coisa, porque estranhamente sabia que suas palavras eram verdadeiras. O sentimento de amor e devoção que as envolvia não poderia ser forjado nem pelo melhor mentiroso do mundo.
— Mas é claro! Que tipo de na—homem eu seria se não o fizesse? – Yoongi pode até ter se corrigido a tempo, gaguejando levemente antes de se recuperar como se nada tivesse acontecido, mas eu sabia qual era a palavra que quase escapara de seus lábios, e o rubor que se alastrara por sua face só comprovava minhas teorias: namorado. Que tipo de namorado eu seria, era o que o loiro realmente queria dizer. Então era isso que nós éramos? Namorados?
Deixei que o sorriso puxasse meus lábios sem impedimentos, iluminando toda minha face com a mais pura e incontida felicidade ao brincar com a ideia na minha mente e testar a palavra na minha língua. – Não sei que tipo de namorado você seria, mas sei o tipo que você é. – brinquei, sorrindo ao ver o rubor se intensificar em suas bochechas mas Yoongi permanecer calado, nem apreciando ou condenando minha escolha de palavras antes de roubar-lhe um beijo intenso e apaixonado sem aviso prévio. – Simplesmente o melhor.
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