Quinn:

Depois da minha saída do hospital, tive que me readaptar à minha nova rotina. Não foi tão difícil quanto eu achei que seria, todos me apoiaram e me ajudaram e à cada dia que passa eu dou mais valor ao Glee Club e percebo que, quando o ano acabar, vou sentir muita falta de todos eles, tudo será diferente pois terei mais responsabilidades, muito mais do que quando eu tive a Beth.

Mas nos últimos dias eu tenho sentido um apoio muito forte do Joe. Ele me traz uma paz indescritível, talvez seja pelo fato de ele ser tão religioso e tão puro. Ou talvez porque eu esteja realmente me apaixonando por ele, mesmo que eu não tenha ‘planejado’ me apaixonar por ninguém. Mas creio que ele seja uma exceção à regra.

Quando eu saio da sala de aula, vejo Joe em seu armário. Fico observando em silêncio e chego a conclusão de que ele é perfeito... Pra mim. Ele me vê e vem em minha direção.

— Olá Quinn, tudo bem?

É incrível como eu fico nervosa quando ele me olha nos olhos.

— Sim, estou melhor a cada dia que passa. Sabe, Joe eu ando pensando muito no dia em que eu acordei do coma. Até hoje você não me disse como tudo aconteceu.

— Não acho que valha a pena contar, afinal o que importa é que você está aqui, no meio do todos nós novamente.

— Tudo bem, mas é que... Ah, enfim, deixa pra lá.

— Tenho que ir pra aula, a gente se vê por aí.

Ele me passou a impressão de que ficou nervoso com a minha pergunta. Rachel me disse que ele chorou no hospital; sei que ele é mais sensível que os outros meninos, mas ele deve estar sentindo alguma coisa que não quer me contar e vai ser muito difícil de descobrir.

Joe:

Depois que a Quinn voltou, tudo ficou melhor. Fico muito feliz em saber que ela está bem e que está por perto. Tento não pensar tanto nela, mas é impossível, ela é uma parte mim. Não sei como em tão pouco tempo ela se transformou em uma pessoa indispensável pra mim. Mas sei que não posso fazer nada a respeito.

Não tenho direito de dizer a ela que gosto dela mais do que ela possa imaginar, ela tem muitos problemas pra resolver até o final do ano, tem a faculdade, não quero ser mais um problema.

Quando eu a vejo é como se ela fosse um anjo, como se ela fosse o MEU anjo. Como se houvesse nós dois, em um raio de 1000 Km. E a pior (ou melhor) parte disso tudo? É que eu nunca senti isso por ninguém, aliás, nunca senti nada parecido.

Quando saio da sala, eu a vejo parada, me olhando. Fico tentando adivinhar o que ele pensa ao me ver.

Ela me pergunta o que aconteceu na noite em que ela acordou, no hospital. Penso rápido e acho melhor não dizer nada, melhor deixar tudo como está, evita maiores futuros problemas.

Antes de entrar na sala de aula, encontro o Sam.

— Hey , que cara é essa?

— Nada, só estava pensando longe.

— Olha, eu percebi que desde dia em que a Quinn se recuperou, você anda meio ‘longe’. Tá tudo bem, mesmo?

— Sim, é que... Eu acho melhor não complicar as coisas, sabe? Tenho que ir.

Não gosto de falar dos meus sentimentos pra qualquer pessoa, a única Pessoa pra quem eu falo é Deus, e mais ninguém.

Sei que o Sam não é uma má pessoa, mas ainda não me sinto a vontade pra conversar com ele sobre esse tipo de coisa e ele já tem seus próprios problemas com o que se preocupar, não preciso importuná-lo com isso.

Sam:

Ando procurando me distrair dos meus pensamentos sobre a Mercedes. Não nos falamos há algum tempo e acho que está sendo melhor pra nós dois assim. Talvez ela não precise mais de mim, mas eu ainda preciso muito dela, ela faz muita falta no meu dia a dia, em tudo o que eu faço. E, vê-la aparentemente feliz, me deixa ainda pior. Me faz ver que, sem mim, a vida dela continua a mesma, enquanto eu fico sofrendo pelos cantos.

Por isso, ultimamente eu ando procurando ajudar meus amigos, seja da maneira que for. E, eu percebi que o Joe anda diferente desde que a Quinn voltou ao colégio. Não soube o que aconteceu no hospital na noite em que ela acordou, mas com certeza foi algo que mexeu muito com ele.

Joe ainda está muito fechado, talvez por ser o aluno novo e ter que se adaptar, mas vê-lo pensativo e isolado desse jeito anda me deixando um tanto quanto incomodado.

Pergunto à ele o que está acontecendo e ele só me dá respostas vazias, acredito que ele ouviria a Mercedes, mas meu orgulho não me deixa ir falar com ela.

Talvez ele ouça o Mr. Shue.

— Mr. Shue? – Bato na porta e entro em sua sala.

— Sim, Sam, sente-se. Algum problema?

— Digamos que sim, mas não é comigo, acredito que seja com Joe. Ele anda se isolando e me parece que tem algo a ver com a volta da Quinn.

— Olha, ele ainda está se adaptando, é difícil pra ele essa rotina do colégio. Mas o que a Quinn teria a ver com isso?

— Não sei, ele não me diz nada... E ela também não.

— Pode ser só coincidência. Se houver algum problema, ele virá falar conosco, está bem?

Não fiquei muito satisfeito com a opinião do Mr. Shue. Ele raramente percebe quando alguma coisa está acontecendo, a menos que seja descaradamente perceptível.

Vou fazer Joe se sentir mais a vontade pra conversar comigo.

Joe:

Eu só preciso ficar sozinho. Aliás, sozinho não, eu e Deus. A sós. É difícil quando parece que todos estão me observando ou tentando adivinhar o que eu estou pensando.

Talvez o melhor que eu tenha a fazer é voltar a estudar em casa, protegido.

Vou pensar melhor sobre isso e, amanhã falarei com todos. Devo uma satisfação à eles que me acolheram ao Glee Club.

Notas finais
Depois de algum tempinho sem novos capítulos, estamos de volta HAHA. Espero que gostem; comentários e sugestões são bem-vindos. -A