Hold On 16th

5 Capítulo 4 - O segredo dos Florence.


Notas iniciais
Leitores lindos, devido ao incentivo da minha primeira review, eu voltei a escrever. Como eu não escrevia há muito tempo, o capítulo saiu 10% do que eu queria passar, mas ok, né. Espero que gostem e se assustem (MUAHAHA)e até lá embaixo.

Escrita por James


Maravilhosa! Essa é a definição perfeita daquela noite! Primeiro: "dormir" no mesmo quarto que sua paixão sempre é uma boa, independente do lugar. Ainda mais quando essa noite se passa na melhor casa em que eu já estive! Mármore, ébano, tapete persa e seda! Desde quando aquela família se tornou tão rica? Schoo nunca me disse que tinha tanto dinheiro, nem que tinha uma casa daquelas! Mas depois daquela noite, eu percebi uma coisa: Schrooder Florence tem mais segredos do que se pode imaginar. Na real, aquela família inteira tem mais segredos do que se pode imaginar. Por que diabos uma pessoa esconde que é rica? E onde diabos estavam os pais e o irmão de Schrooder? Uma coisa é manter um segredo, outra coisa é esconder um segredo.

Tudo bem, Schoo me disse que os pais dele foram viajar, mas seu irmão não estava em casa. Ok, ele deve ter saído com o Octavius e a Georgie. Mas... Eu sinto que eles têm muitas coisas a esconder. Não que eu seja sensitivo, eu só não gosto de ocultar a verdade. Talvez tenha sido por isso que eu fui expulso de casa. Bom, deixa de baboseira e vamos falar da noite na casa dos Florence.



- Schrooder, como você pôde esconder uma coisa dessas?

- Esconder o que, posso saber?

- Você é podre de rico! Tão rico que sua comida tem cheiro de cara!

- Feijão enlatado não é caro.

- Não importa, continua sendo um sacrilégio esconder tudo isso!

- Isso fez sua atração por mim aumentar, Jammie?

-CLARO!

Acho que aquela foi a palavra que estragou a noite. Ele deve ter achado que eu sou interesseiro! Se bem que ter um namorado rico não mata... Mas o problema foi que eu entreguei o jogo inteiro numa tacada só! Que tipo de pessoa declara pra paixão dela que está apaixonado por ela? Eu sou esse tipo de pessoa! Tudo bem, deve ser muito drama, mas nunca se sabe.

- Schoo, você sabe que é mentira! Você ter dinheiro ou não, não me faz gostar mais ou menos de você! Você é maravilhoso do jeito que você é!

- Desencana James, e fala logo: o que você veio fazer aqui?

- Te fazer companhia, bobo.

- Eu nunca precisei de companhia, eu poderia passar muito bem a noite sozinho.

- Quem me convidou foi você.

- Touché.

- Na verdade, eu vim porque eu não queria passar a noite com meu primo, e companhia nunca é demais. E além de tudo, a Hall... Bom, você sabe. Então deveríamos rezar por ela.

Eu posso ser ateu, mas isso não significa que eu não tenha que rezar pela minha amiga que morreu, oras. Na verdade, ela não era minha amiga... Mas quem se importa, eu estava lá com Schoo, sozinhos... E daí que ele tem uma namorada, e se diz "heterossexual"? O coração não escolhe quem se ama. Depois daquela gafe enorme, que particularmente eu não deveria ter cometido, fomos pro quarto dele. E eu me recordo exatamente do aroma que aquele lugar tinha: cheiro de homem! Não daqueles fajutos, que se passam por machos, mas adoram pegar um homem, – eu bem sei disso – mas era um cheiro de testosterona no ar! Aquilo só aumentava minha paixão pelo território alheio, mas Adão – ou Eva – comeu o fruto proibido, porque eu não poderia tentar uma mordida?

- Vou tomar banho.

Aquela voz máscula fez meus testículos derreterem. Ali que eu me dei conta de que aquela noite seria longa e ficaria na minha memória para sempre.

- Se você quiser deixar a porta aberta, eu não me importo, viu?

- Eu super te respeito, cara, mas como eu disse: pinto não é pra mim.

- Mas eu que verei o seu, não o contrário.

- Fui, James.

E ele entrou no banheiro com uma aparência de, digamos, irritado. Qual é o problema? Somos jovens, fase de novas experiências. Mas não importa, enquanto Schoo tomava seu banho relativamente longo, resolvi xeretar nas suas coisas, pois só se conhece uma pessoa depois de saber o que se tem na gaveta de cueca dela. E eu estava certo: eu não conhecia nada sobre a pessoa por qual eu estava apaixonado. Na verdade, nenhum dos 16th sabia ao certo com que estávamos nos envolvendo. Fiquei com os ouvidos atentos ao som do chuveiro, que poderia ser desligado a qualquer momento, e eu poderia ser pego no flagra, fuçando nas coisas íntimas – sim, mais íntimas do que se possa imaginar – da pessoa qual eu estava prestes a começar a conhecer.

O material escolar organizado, as roupas passadas, engomadas e guardadas nas diversas gavetas do closet da suíte do quarto de Schoo, os sapatos e tênis em uma prateleira, os livros organizados em ordem alfabética e por gênero, a cama arrumada e algumas pastas com arquivos sobre finanças e outras com as fotos e memórias de Schoo. E lógico que eu resolvi fuçar nas coisas que pareciam ter sido guardadas com tanto zelo.

Na pasta roxa, tinham contas pagas, rascunhos com contas matemáticas enlouquecedoras sobre lucros, gastos e tudo o que se pode fazer com dinheiro. Por sinal, muito dinheiro. E de onde vinha esse dinheiro? E por que essa pasta ficava guardada no quarto do filho mais velho? O Sr. e a Sra. Florence não podiam colocar no escritório, ou algo assim? Mas não, não podiam, porque aquelas contas eram todas em nome de alguém que não era conhecido, pelo menos por mim. Envolvia muito dinheiro e extratos de banco, com uma conta bancária altíssima. Eu sei que não estava fazendo certo em olhar tudo aquilo, mas era fascinante e assustador ao mesmo tempo, saber que uma pessoa poderia esconder tantos segredos. E sim, eram segredos que eu me culpo só de lembrar, pois poderiam mudar vidas.

Na pasta azul, havia fotos de um menino que parecia ser Schrooder quando era pequeno, com o mesmo tom de cabelo, a mesma cor nos olhos, o mesmo olhar encantador... O que mudava minha teoria de que ele era perfeito, eram os supostos pais que o seguravam na maioria das fotos. Não eram nada parecidos com os pais de Schrooder que eu havia conhecido, eram mais semelhantes àquele menino que sorria nas fotos do que os Florence. Na verdade, os Florence não tinham absolutamente nenhuma semelhança com Schrooder. As fotos datavam uma data em que de acordo com a idade de Schrooder não poderiam ser dele, pois foram tirados quatro anos antes do nascimento daquela figura que me parecia cada vez mais assombrosa. Schrooder sempre teve uma feição de mais velho – bem mais velho – mas eu também aparento ser mais velho do que realmente sou. Mas tudo começava a fazer sentido: Schrooder Ryan Florence não era quem ele realmente deveria ser! De acordo com os registros de contas na pasta roxa, todas foram pagas por tal de Ontario Hoss Demacci, residente em Ohio, nos Estados Unidos. Junto com as fotos, encontrei duas certidões de nascimento: a de Schrooder, nascido dia 1º de maio de 1995, filho de Anna Beth Florence e Marcus Meyer Florence, em Santa Barbara, Estados Unidos. Já a segunda certidão era do tal Ontario Hoss Demacci, nascido dia 1º de maio de 1991, filho de Tara Friedsen Demacci e de August Hoss Demacci, nascido exatamente no mesmo hospital e no mesmo horário em que constava na certidão de nascimento de Schrooder. Naquele momento eu tinha entendido tudo! Schrooder era Ontario, e ele deveria sustentar os pais biológicos que moravam em Ohio! Mas se ele conhecia os pais, por que estava no Canadá, e por que morava com os Florence? Nesse momento eu percebi que não tinha mais barulho do chuveiro, peguei as duas certidões, algumas fotos, uma das contas da pasta roxa, guardei na minha mala a tempo de Schrooder – ou Ontario – sair do banheiro. Aquela foi uma das noites da qual eu nunca esquecerei.


Notas finais
Elogios, críticas, comentários? Até o próximo capítulo - prometo que será logo logo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.