Hold My Hand
15 Um castelo de cartas no vendaval
Notas iniciais
Gorda's POV
Gustavo mal havia parado a moto quando eu saltei da mesma, em poucos segundos estava na entrada do enorme hospital. Eu odiava hospitais, aquele em especial. Eu já havia perdido uma pessoa que amava naquele mesmo local e não estava disposta a perder outra. Vi a sombra de Gustavo me acompanhando. Esperei pacientemente por nossas identificações, a mulher da recepção parecia enrolar propositalmente, e se não fosse o olhar de repreenda de Gustavo eu teria entrado no balcão e feito eu mesma minhas identificações. Quando ela finalmente me entregou eu me dirigi ao elevador, eu não conseguia falar, eu sentia muita coisa ao mesmo tempo. Gustavo apertou o botão do andar indicado e quando as portas se fecharam ele olhou pra mim e me abraçou.
- Respire fundo — ele falou e eu por algum motivo obedeci- agora fique calma, a tia está bem.
A porta do elevador se abriu e eu disparei pelo corredor, de longe vi a sombra de meu irmão, ele estava sentado no sofá com a cabeça baixa, e senti meu coração falhar uma batida.
- Bro! — eu disse e ele se levantou bem a tempo de me abraçar quando me joguei em seus braços. Ele me apertou em seus braços e deu um beijo em minha testa- cadê ela?
- Já está melhor, foi fazer um último exame, aparentemente foi a diabetes E a pressão. Agora está tudo sobre controle, descupa te ligar mas...
- fica quieto! Eu te mataria se não tivesse me ligado!- eu me forcei sorrir agora mais calma — posso ver ela?
- Tem que esperar ela voltar dos exames...- ele disse e me pareceu cansado
- você comeu ?- eu perguntei
- Não desde antes de trazer ela pra cá....- ele respondeu com uma cara de quem só percebeu que não havia feito nada agora.
- Vai pra casa descansar- eu disse sorrindo
- Não Lisa, vai que...
- Você já disse que ela está melhor, eu passo a noite aqui com ela, e qualquer coisa eu te ligo. — eu sorri
- tá, eu reciso mesmo dormir um pouco. Mas qualquer coisa, qualquer mesmo me ligue, e no caso de não acontecer nada , me ligue no mínimo a cada hora certo?- ele disse e eu ri de sua preocupação.
- Relaxa Vinícius, eu fico aqui com ela- Gustavo disse, fiz uma careta, eu não queria explorá-lo — e não reclame gorda.
- Certo, Obrigado Gustavo. Por tudo.
Meu irmão foi embora e eu me deixei cair na poltrona. Fechei os olhos e respirei fundo, havia uma parte de mim que nesse momento respirava alviada. Minha mãe estava bem, era tudo o que importava. Ou pelo menos era tudo que deveria importar. Mas havia uma parte, uma parte maior do que eu imaginava que ainda estava doendo. A parte que queria loucamente estar com os meninos ainda. O que será que estaríamos fazendo? Não importa, eu estaria feliz. É claro que eu tentava não me importar com essa estúpida parte, afinal era pra ter durado apenas horas e acabou durando dois dias então eu deveria simplesmente aceitar os fatos.
- Aposto que eles estão preocupados — a voz de Gustavo me despertou
- Qual é, a única coisa que eles devem pensar sobre mim, isso se eles ainda lembrarm que existo é que sou pirada, cê viu o jeito que eu saí ?
Eu e Gustavo ficamos conversando algum tempo até que uma enfermeira veio me chamar. Fiz o Gustavo se passar por meu noivo para poder entrar na sala comigo, mamãe estava dormindo. E pelo que a mulher disse ficaria assim até amanhã pela manhã. Então eu e Gustavo demos um jeito pra podermos dormir os dois no quarto. Depois de muita enrolação e blábláblá nós finalmente conseguimos permissão por eu ser menor da idade e ele não. Nos ajeitamos no minúsculo sofá e ficamos conversando. Guga logo dormiu, eu sabia que meu amigo estava cansado, então fiquei ali sozinha com meus pensamentos. Olhei para minha mãe adormecida e dei um meio sorriso. Aquilo era injusto. Era injusto que uma pessoa tão maravilhosa passasse por tanta coisa difícil. Era injusto, todas as coisas que já haviam acontecido cam a minha pequena família. Era injusto que quando ela acordasse não houvesse ninguém com flores ao lado dela, que fosse sorrir e lhe selar os lábios dizendo que havia ficado preocupado. Era injusto a forma como as pessoas olhavam torto para a deficiência do meu irmão. Era injusto que eu tivesse que me afastar tão derrepente dos meninos. Ai caralho, quando foi que deixei eles tomarem conta dos meus pensamentos assim? Tudo bem que eu acreditava em sonhos que viram realidade, mas tudo tem limites. O que eu queria? Que Louis Tomlinson se apaixonasse por mim? Por favor né Elisa....Eu não consegui dormir aquela noite, pensamentos rondaram a minha mente a cada segundo e tudo que vinha na mente quando eu fechava os olhos eram os momentos que havia passado com Louis no palco. De alguma forma que eu não sabia explicar qual era, quando olhei para a janela já estava de manhã. Continuei ali, esperando que minha mãe ou Gustavo acordassem, mas o barulho que escutei veio da porta, a cabeça de meu irmão apareceu.
- bom dia pirralha — ele sorriu e fez uma cara maliciosa ao ver que Gustavo me abraçava.
- Vá se foder.- eu respondi enquanto tentava levantar da cama sem acordar Gustavo.
Saí do quarto ao mesmo tempo que a enfermeira entrava para checar algumas coisas, meu irmão me abraçou.
- Trouxe roupas pra você, tem um hotel aqui na frente, cê pode ir lá se quiser, a Gi tá lá mas ela não liga. — ele me entregou uma mochila e eu ri — o que? Pelo menos a gente não se agarra no hospital.
- Cala a boca, como se você não soubesse que o Gustavo é só meu amigo — revirei os olhos enquanto ele voltava para o quarto rindo.
Me dirigi ao hotel rapidamente, em parte pelo frio imenso que estava do lado de fora, percebi todo mundo olhando para a minha roupa, em parte porque queria estar lá quando mamãe acordasse. Minha cunhada dormia tranquilamente. Entrei voando no banheiro, eu preferia não prestar atenção nos detalhes espalhados pelo quarto. Tomei um banho relaxante e me senti aquecida. Lavei os cabelos e ainda enrolei um pouquinho para sair da água quente. Coloquei a roupa que meu irmão havia trazido me surpreendendo que ele tivesse escolhido sozinho. Dei bom dia para a minha cunhada que ainda estava sonolenta na cama e atravessei a rua correndo. Quando cheguei ao quarto meu irmão disse que Gustavo tinha saído para atender uma ligação em inglês, eu estranhei, mas devia ser alguma coisa do trabalho dele. Dei pulinhos ridículos ao saber que minha mãe estava se trocando para irmos pra casa. Minutos depois meu amigo apareceu com uma cara estranha de quem fazia arte.
- O que foi Guga?- eu falei quando ele olhou estranho para meu irmão e os dois riram.
- Nada...- ele falou e eu serrei os olhos- NADA GORDA!
- cala a boca, isso é um hospital!- eu revirei os olhos e continuei encarando ele
- era trabalho, achoq ue vou viajar de novo- ele pareceu animado. Tudo indicava que a carreira dele de DJ estava dando certo.
- Que bom Gu! Pra onde dessa vez?- perguntei.
- Ainda não falaram...
Minha mãe logo saiu do quarto e eu me senti feliz por sair daquele lugar, achei estranho meu irmão insistir para pegarmos um táxi pois aparentemente ele tinha pressa de chegar em casa. O trânsito por um milagre estava ótimo, assim chegamos em casa mais rápido do que eu esperava. Minha mãe me obrigou a contar cada detalhe do fim de semana. Quando o táxi parou na porta de minha casa duas coisas estranhas aconteceram, primeiro eu notei um carro luxuoso que atráia olhares de todos na rua parado na porta da minha casa, e depois eu senti meu estômago fugir da minha barriga e meu coração parar de bater ao reconhecer quem estava ali naquele carro, os cinco meninos do One Direction sorriam em minha direção.
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