Hold

1 Capítulo I - Vazio


Notas iniciais
Com carinho,

Era uma vida normal, monótona, a velha rotina de Escola, estagio e treino, sim, por incrível que pareça eu adorava esportes, para ser mais preciso o Judô. Me chamo Tomas, mas acostumei com todos me chamando de Tom, sempre fui gordinho, nem alto nem baixo, sempre fui bem social, conhecia todo mundo da escola e sempre fiz questão de falar com todo mundo, era difícil não gostar de alguém, era meados de 2013, ultimo ano do Ensino Médio, ficava com um carinha mais velho ( nem tanto ) mas que era bem vida loca, particularmente, eu também era, vivia em calouradas, privês em casa de gente que nem conhecia, e aqueles famosos churrascos, me envolvi cedo com bebidas, nunca fui alcoólico mas descobri rápido que dois copos de vinho eram suficientes pra me deixar mais pra lá do quê pra cá.

Leo era o carinha que eu ficava, ele era o tipicamente gostoso, nunca gostei de bombados e definidos, preferia aquelas barriguinhas mais cheinhas, Leo era um cara bacana, eu sabia que ele não valia n-a-d-a, eu sabia que ele tinha eu e mais outros 500 contatinhos, mas eu gostava de estar com ele, e nos relacionávamos a um tempo, era uma quinta-feira, as noites ficava com a casa só para mim, momento perfeito pra curtir o Leo.

-Bem que você podia ir lá pra casa Tom. – Leo estava deitado só de bermuda jeans, sem camisa, havia algumas tatuagens no peito que não me lembro mais.

-Leo, não... parece coisa de namorado, então, não! Eu sei que isso não vai da certo, agora cuida, já ta tarde e todo mundo chega já já. – Eu estava sentado na cama, só de cueca box, vendo o corpo do Leo, havíamos acabado de transar e como sempre, tinha sido ótimo, mas parecia aqueles filmes pornô, éramos selvagens, mas tudo parecia muito vazio, os gemidos, o tesão, não sei explicar.

Leo foi embora, fui com ele até a parada de ônibus a uma quadra de casa, quando voltei Sam estava na calçada com uma cara de “ eu sei seus pecados e vim te julgar”, Sam era meu melhor amigo, meu irmão, quase adotado, ele era de Goiânia e veio para Fortaleza ( Sim, moro em Fortaleza, esqueci de dizer) por causa de um garoto, morou com ele, porém depois de um tempo começou a ser maltratado, desde então morava em um ap dividido com duas mulheres insuportáveis, acabava que ele vivia na minha casa e eu preferia assim, detestava pensar nele com fome ou algo do tipo, Sam tinha os cabelos lisos em uma forma de topete, era magro e pouco mais alto que eu.

- Tom não acredito que você tava com aquele menino uai. – Sam falava em um tom de raiva, ele conhecia bem como era o Leo.

Fui abrindo a porta e entrando em casa acompanhado dele, fomos indo direto pro meu quarto, um erro, Sam viu a cama bagunçada.

-EU NÃO ACREDITO TOMAS, VOU DA NA SUA CARA. -Sam tinha as mãos na cintura e falava alto mesmo, frisando o caps lock na fala.

Meu quarto era bem grande, tinha duas camas de solteiro, meu irmão mais novo dormia comigo porém ele criou coragem de dormir em seu próprio quarto, e minha mãe deixou a cama antiga para o Sam, já que quase todas as noites ele dormia na minha casa.

Sam se deitou na sua respectiva cama, cansado, era estudante de Eng. Civil e estagiava no outro período para poder se sustentar, seus pais obviamente não apoiavam a estadia dele no Ceará e nem ajudavam o suficiente, Sam não era assumido para os pais o que complicava mais ainda.

-Para né, agora me conta, que história é essa sua com a Lana??? – Falei enquanto arrumava minha cama e sentava olhando pra ele. Sam tinha um curioso caso com uma menina, mesmo sendo gay, ele se dizia feliz quando estava com ela, porém quando saíamos juntos ele ficava com rapazes.

-Nem sei Tom, eu gosto dela e tal, mas... Enfim, você viu que vai ter calourada na sexta? Vamos né? O grupo todo disse que vai. – Sam já estava todo animadinho, e o pior, eu também.

- Pede minha mãe, ela confia em ti, se eu pedir... – Naquela época meus pais não gostavam muito que eu saísse para locais com bebidas, porém eu era tipicamente o “ filho esforçado que trabalhava desde cedo” e ficavam com aquela culpa de negar diversão, coisa que acabava aproveitando.

Passamos um bom tempo conversando, olhava para o feed do meu Instagram quando. “@ comentou sua foto: mas que fofo!” , vi a notificação e cliquei no perfil o nome era Marlon, e era lindo, tinha uma barba cheia bem preenchida (Barba? Amo, Tenho? Nem um pouco)

Marlon tinha os cabelos grandes e lisos, pretos, não chegava ao ombro mas era caído, tinha uma tatuagem no braço, e rapidamente stalkeei e curti quase o feed todo, afinal, só pensava em “ ele é muito lindo pra mim”

Desliguei a internet, voltei a conversar com o Sam até tarde, e apaguei de sono.

É incrível a sensação de que quando você dorme a noção de tempo foi de uma piscada, você nunca dorme o suficiente, sempre acorda com aquela moleza, aquela vontade de abraçar a cama e dizer não para o relógio.

Quando peguei meu celular, liguei a internet, meu celular vibrava como se fosse ligação, mas eram notificações do Instagram, quando abri, Marlon. Havia curtido só todas as minhas fotos, aquele sorriso involuntário brotou no rosto, e uma sensação estranha me possuiu rapidamente, e acordei daquele transe com Sam se levantando da cama, coisa que fiz também, eu entrava no estágio as 8h e morava relativamente perto.

No caminho para o trabalho, meu celular vibrou mais uma vez “Só digo uma coisa, quero essa blusa”. Decidi entrar naquela brincadeira e respondi “@marlon123 a pessoa já chega querendo minhas coisas!” . Ficava estranhamente bobo com a situação, mais uma vibração.

“Ah, vai, só uma blusa, imagina se fosse um beijo? Kkk”

“@marlon123 olha a proposta...”

Sempre fui um cara que não sabia chegar em outros rapazes, a não ser por influência alcoólica, e aquela conversa me dava uma sensação boa, me peguei olhando para a janela do ônibus vendo as lojas passarem, e o sorriso lá.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.