Hoje lembrei do teu amor | Drarry.
2 Lembrei do teu calor.
Draco lembrava perfeitamente daquela noite.
Não porque tivesse acontecido algo extraordinário.
Talvez fosse justamente o contrário.
Era uma noite comum.
E agora ele daria qualquer coisa para ter uma noite comum com Harry novamente.
Quando chegou à casa dele, encontrou-o na cozinha.
Harry estava de costas, concentrado demais em uma travessa de lasanha e reclamando sozinho porque alguma coisa não parecia ter saído conforme esperava.
— Você sabe que conversar com a comida não vai melhorar o gosto, não sabe?
Harry se assustou.
— Draco!
— Boa noite para você também.
Harry virou-se e abriu um sorriso.
Aquela imagem ficou gravada na memória de Draco com uma nitidez cruel.
O cabelo completamente bagunçado.
A camiseta velha.
Uma mancha de molho próxima ao pulso.
E aquele sorriso.
Casa.
Era essa a palavra.
Durante muito tempo, Draco acreditara que casa fosse a Mansão Malfoy.
Depois descobriu que casa poderia ser uma cozinha pequena, uma lasanha ligeiramente queimada e Harry Potter sorrindo para ele.
— Está horrível? — perguntou Harry.
Draco observou a travessa.
— Esteticamente?
— Draco.
— Bastante.
Harry pegou um pano de prato e atirou nele.
Draco riu.
— Mas estou disposto a correr o risco.
— Que generoso.
Draco se aproximou por trás enquanto Harry voltava sua atenção para a bancada.
Passou os braços pela cintura dele.
Harry relaxou imediatamente contra seu corpo.
— Dia ruim? — perguntou.
Draco enterrou o rosto em seu pescoço.
— Péssimo.
Harry virou a cabeça o suficiente para conseguir beijar sua têmpora.
— Quer falar sobre isso?
Draco pensou.
— Não.
— Quer jantar?
— Talvez depois.
Harry percebeu o tom.
— Draco...
O beijo no pescoço interrompeu qualquer tentativa de protesto.
— Dray...
Harry tentou falar novamente enquanto Draco distribuía beijos por sua pele.
— O jantar...
— Pode esperar.
— Eu passei horas fazendo isso.
— Péssima decisão.
Harry riu.
Virou-se entre os braços dele e o beijou.
Em algum momento, alguém esbarrou na bancada.
Depois houve um barulho.
A travessa atingiu o chão.
Harry afastou a boca da dele.
— A lasanha!
Draco olhou rapidamente para o desastre espalhado pelo piso.
— Trágico.
— Draco!
— Amanhã fazemos outra.
— Você não sabe cozinhar.
— Você também aparentemente não.
Harry abriu a boca, indignado.
Draco o beijou novamente antes que pudesse responder.
As taças acabaram no chão pouco depois.
As roupas também.
E quando chegaram ao banheiro, esbarrando pelo corredor e rindo entre um beijo e outro, Draco já não conseguia lembrar por que tivera um dia ruim.
O espelho ficou coberto de vapor.
Harry escreveu alguma coisa nele com a ponta do dedo.
Draco tentou ler.
— O que é isso?
Harry bloqueou sua visão com o corpo.
— Nada.
— Potter.
— Nada!
— Saia da frente.
— Não.
Draco conseguiu segurá-lo pela cintura e afastá-lo, apesar dos protestos.
No vidro embaçado havia apenas duas palavras.
Draco idiota.
Ele ficou em silêncio.
Harry começou a rir.
— Você é muito maduro.
— Eu sei.
Draco passou o dedo pelo espelho e escreveu logo abaixo:
Harry também.
— Isso nem faz sentido.
— Faz para mim.
Harry empurrou seu ombro.
Draco o puxou novamente para perto.
E, entre o vapor, a água quente e a risada de Harry, esqueceu o mundo inteiro do lado de fora.
♦
No escritório da Mansão, Draco fechou os olhos.
Não sentia falta apenas dos beijos.
Do corpo de Harry.
Do desejo.
Sentia falta da lasanha queimada.
Do pano de prato voando em sua direção.
Das discussões inúteis.
Da escova de dentes ao lado da sua.
De entrar em um lugar e saber que Harry estaria ali.
Sentia falta de casa.
A pena voltou ao pergaminho.
Escreveu sobre o calor.
Sobre o banheiro embaçado.
Sobre a comida esquecida.
Sobre roupas espalhadas pelo chão.
Mas, antes de continuar, acrescentou uma frase que não existia em nenhuma música.
"Sinto falta até da sua lasanha horrível."
Draco encarou aquilo por alguns segundos.
E riu pela primeira vez naquela noite.
Foi uma risada pequena.
Quase triste.
Mas foi uma risada.
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