Hoje eu quero beber sozinho

1 Hoje eu quero beber sozinho - oneshot


Notas iniciais
Essa fic foi feita para um desafio de imagens, mas eu confesso que pensei no casal primeiro e catei a imagem depois XD Fazia tempo que eu queria juntar esses dois. Tenho para mim que o Shaka é tão ou mais sacana que o Milo, ele só não dá pinta.

O título é um trocadilho com o filme "hoje eu quero voltar sozinho", tirando o ambiente estudantil, as semelhanças terminam por aí (foi pura falta de criatividade XD).

Beijo para o povo do forum Yaoi Saints e agradecimento especial a Aislyn Youko por ter betado a fic.

“Vira! Vira! Vira!”

Sob a torcida exaltada o jovem virou a sexta dose de vodka. Bateu a base do vidro vazio contra o tampo de madeira, anunciando sua vitória. Ou assim pensava ele.

- Rá! Quero ver superar essa budinha.

À frente do grego estava seu rival, um estudante de intercâmbio que há poucos meses dera entrada na universidade. O loiro de olhos azuis desafiava qualquer estereótipo que se tem dos indianos, mas o rapaz afirmava e reafirmava sua orientalidade. Shaka era um jovem inteligente e misterioso, não se misturava com os outros alunos e, de fato, não parecia se esforçar para tal. A curiosidade com o novo aluno não tardou a se transformar em brincadeira e, posteriormente, em chacota. O indiano, por sua vez, não se melindrava com as piadinhas sobre sua aparência, ignorava os comentários ofensivos sobre uma suposta ascendência britânica imperialista, entre outras ofensas. Shaka irritava os demais não por ser diferente, mas por ser indiferente. Era tido como metido e arrogante, pois seu ar de auto-suficiência e olhar extremamente crítico davam a impressão de que ele menosprezava os demais. Inevitavelmente, com o tempo, assim como tudo a que não é dado corda, Shaka perdeu a graça. Os colegas de sala não se davam ao trabalho de alfinetar o loiro exótico, de ofendê-lo, muito menos de tentar uma amizade. O indiano virou parte do cenário da sala 102, assim como as mesas e as cadeiras. Relevante apenas aos professores, orgulhosos do aluno nota 10. Passado o furor das primeiras semanas da chegada do indiano, a vida universitária seguia normal e cotidiana. Ninguém se importava mais.

Quase ninguém.

- Se dá por vencido, bundinha?

Milo era o cara mais popular da universidade. Loiro, safado, malandro e gato. Ele também era divertido e de riso fácil. Todos queriam ser amigo do grego de cabelos revoltos e cacheados. Todas as garotas queriam ir para a sua cama, por mais que negassem em público sujeitar-se ser usada por tal cafajeste. O grego era o maior festeiro e, curiosamente, a maior nota da turma. Boatos diziam que ele trepava com os professores para garantir a melhor avaliação. Contudo, embora a notícia não fosse totalmente infundada, Milo era de fato muito sagaz e suas notas estavam alinhadas com sua capacidade cognitiva. Porém, era uma incógnita como o jovem conseguia farrear e estudar tanto ao mesmo tempo. Ninguém conseguia acompanhar seu ritmo, independentemente da modalidade. Milo era sempre o centro das atenções em todas as situações, a não ser quando Shaka apareceu de paraquedas na faculdade, atiçando a curiosidade de todos e fundamentando as conversas de corredor. Milo, como sempre, não perdeu a oportunidade de estar inteirado do assunto do momento, e como líder da turma, foi o primeiro a ir sondar o indiano. Mostrou-se muito solícito com o novato, querendo enturmá-lo. Ofereceu anotações das aulas que o colega perdera, deu seu contato telefônico para ajudá-lo a se ambientar no novo país.

“Eu agradeço, mas não preciso de sua ajuda. Tenho tudo sobre controle”. Foi essa a resposta do oriental, que sequer tirou os olhos do livro que folheava para responder à oferta. Isso, para o grego, foi a morte. Com o passar dos dias, Milo foi percebendo que essa era uma prática recorrente. Shaka nunca olhava para si. Nunca! Verdade que ele muito pouco prestava atenção nas outras pessoas ao seu redor. A exceção era um garoto de cabelos coloridos e visual exótico com quem ele trocava algumas palavras durante os intervalos. Foi a partir daí que Milo começou a implicar com Shaka. O grego não se fez de rogado em transformar, rapidamente, comentários espirituosos em alfinetadas explícitas e, posteriormente, em bullying sistêmico. Mas o indiano nem se coçava com isso; era como se o grego nem existisse. E ignorar a existência de Milo Demiris era algo inaceitável!

Qual não foi a surpresa do grego ao ver o indiano, tão antissocial, na festa dos calouros! Logo ele, tão reservado e pouco relacionado. Não foi difícil descobrir que o indiano deu as caras por convite de Mu. Contudo, foi difícil acreditar que o colorido não precisou fazer qualquer esforço para convencê-lo a ir, além de dizer a data e o local.

Durante a festa, Shaka mostrou a mesma postura que tinha em sala de aula. Ficava no seu canto, sem se preocupar em interagir com os demais. A diferença era que ele portava uma latinha de cerveja em uma das mãos e, no lugar dos livros, tinha um pratinho cheio de corações de galinha, costela de porco e pão de alho. A picanha e demais cortes de vaca ele se negava a comer por restrições religiosas. O churrasqueiro, por sua vez, não entendia que religião era aquela que dispensava uma boa picanha, maminha e linguiça. O indiano, obviamente, não se dava ao trabalho de explicar. E, assim como no cotidiano de aula, Shaka não olhou sequer uma vez para Milo, que alternava entre as mais diversas funções: DJ, bartender, goleador do time que jogava no campinho do clube...

Escorpiano de nascimento e venenoso por opção, Milo vinha alimentando o ressentimento pelo indiano há mais de um mês. Ninguém que convivia com ele, entretanto, saberia identificar essa picuinha. O grego era frio e dissimulado, ele estava esperando a oportunidade ideal para que o budinha — apelido que ele próprio inventara para o oriental — tivesse o que merecia por ignorá-lo.

***

Ao final da tarde, os jovens, já bastante alcoolizados, inventaram de fazer uma brincadeira que aumentaria ainda mais o teor etílico nas correntes sanguíneas. Era essa oportunidade que Milo esperava. Queria que o indiano passasse vergonha, e ele tinha certeza que Shaka iria amarelar, recusando-se a participar da brincadeira que consistia em virar a maior quantidade de copos de tequila. Para seu infortúnio, Shaka foi o primeiro a pegar um copinho e se sentar à mesa dos competidores, apesar dos apelos de Mu para que não participasse de um jogo tão estúpido.

***

Metade dos concorrentes pediu arrego logo na primeira rodada. Aqueles rapazes e moças já haviam ingerido as mais variadas cervejas e destilados; a brincadeira da tequila foi apenas o gatilho para que eles começassem a rejeitar os litros de álcool que haviam consumido. Na terceira rodada, Camus saiu. Na quarta, Aiolia vomitou em cima de Shura. Na quinta, Máscara da Morte quis tirar a roupa e foi arrastado à força por Afrodite para fora do clube. Na sexta rodada, só restavam três participantes: dois rapazes e uma garota.

Frente a frente com seu inimigo, Milo esqueceu a terceira jogadora. Estava pouco ligando para vencer o vira-vira, seu único objetivo era humilhar o indiano. E lá estava ele cara-a-cara com seu desafeto.

Cara-a-cara...

Milo se dera conta: era a primeira vez que Shaka estava olhando para si.

***

Que azul era aquele? Será que era lente? Impossível qualquer ser humano ter uma íris de tão perfeito ciano. Impossível qualquer ser humano ter cílios tão espessos que mais parecem leques a abanar aqueles orbes lânguidos. Impossível Milo nunca ter reparado neles antes. Estava hipnotizado; não conseguia desviar o olhar de obra tão perfeita. Poderia ficar horas imerso naquele oceano paradisíaco não fosse, forçosamente, privado de sua magnífica visão. As pálpebras do indiano se contraíram, escondendo os olhos azuis, e seu rosto torceu numa careta quando a tequila desceu-lhe garganta abaixo. Shaka bateu o copo na mesa e encheu outro, virando-o em seguida. A plateia urrou animada com a dose dupla do indiano; um claro desafio ao grego.

- Sua vez – Shaka falou seco, como se tivesse bebido um copo d’água.

Sua expressão era lívida e calma, mas Milo podia perceber o deboche em seu olhar. Desafiado, o grego pulou a vez da terceira competidora e pegou a garrafa de tequila, decidido a matar a bebida no gargalo e, com isso, demonstrar sua superioridade. Deu um gole. O segundo, não desceu. A vista escureceu e Milo cambaleou, mas ainda conservava os sentidos.

- É melhor você desistir antes que entre em coma alcoólico. Dá pra ver que você não aguenta.

Ora, o comentário passou dos limites do fair play e Milo rspondeu à altura:

- Seu filho da puta! Eu vou te arrebentar!

Irado, o grego partiu pra cima do indiano, mesmo a provocação não tendo vindo dele. Contudo, Milo estava muito alcoolizado e, em vez de acertar um golpe no oriental, caiu de bunda no chão. O riso foi geral e a humilhação, momentânea. Uma vez que Milo não conseguiu se levantar, os demais voltaram suas atenções para o jogo. O grego foi dado como derrotado e, para decidir o vencedor, a rodada final era virar uma garrafa inteira. Shaka conseguiu virar metade do José Cuervo. Foi quando se deu por vencido. Todos parabenizaram a vencedora que, merecidamente, teve como prêmio uma dança sensual realizada pelo calouro de sua preferência. Foi difícil convencer Saori a deixar o namorado fazer um lap dance para Shina. Mas o jogo de virar é sagrado e, como calouro, Seiya era obrigado a fazer o que a vencedora da brincadeira queria.

A festa seguia normalmente, como toda comemoração universitária: bebidas, pegação, música alta, vômitos, algumas batidas policiais e fortalecimento de amizades. A farra poderia continuar até o amanhecer, mas o clube em que a festa era realizada tinha hora para fechar. A maioria das pessoas já tinha ido embora, ou já estavam a caminho de ir. Mu fora de carona com Aldebaran, que, apesar de morar longe do colorido, insistiu que não seria trabalho algum levá-lo de carro até sua residência. Shaka morava no caminho, mas recusou a carona, sendo um dos últimos a ir embora.

Milo continuava no chão.

- Alguém vai levá-lo pra casa? – o indiano perguntou, apontando para o corpo inerte.

- Deixa ele aí – Saga respondeu, rindo abertamente.

- Sério; ninguém vai levar ele pra casa? O clube vai fechar com ele aqui dentro – o indiano olhava em volta, mas só restara o pessoal mais louco da classe.

- Foda-se! Quem manda ser otário? Se tá com pena, então leva você!

Shaka revirou os olhos com a falta de consideração daquelas pessoas. Eles iam mesmo largar o amigo dormindo no chão do clube. Também, não podia se esperar muito daquele bondinho da marola. E sabe-se o que mais além da marola. Eles não conseguiam cuidar de si mesmos, muito menos do desacordado. Sem alternativa, o indiano resolveu pegar um táxi e levar Milo pra casa.

- Onde ele mora? – perguntou, mas não obteve resposta. Os remanescentes da festa já estavam em outro plano astral.

Sem alternativa, Shaka levou o colega para a sua própria casa.

***

Foi difícil erguer o grego do chão. No caminho para a residência do indiano, Milo foi acordando aos poucos, mas ainda se mostrava confuso e desorientado. Shaka conseguiu tirar o escorpiano do taxi e levá-lo até o apartamento que ele dividia com mais duas pessoas. Ali as coisas foram mais fáceis, pois um de seus amigos apareceu para ajudar o indiano a levar Milo até o quarto.

- É melhor dar um banho nele – sugeriu o outro rapaz.

A sugestão foi aceita e os amigos colocaram Milo debaixo do chuveiro com roupa e tudo. No mesmo instante que a água gelada bateu em seu corpo, Milo despertou.

- Caralho! Que porra é essa?! – berrou, confuso e indignado a ter seu corpo agarrado por um loiro e um moreno. – Onde estou? O que vocês estão fazendo comigo, seus merdas?

Foi um sacrifício acalmar o escorpiano e fazê-lo entender o que estava acontecendo. A água gelada cumpriu sua função e trouxe alguma sobriedade para o grego. Certo de que poderia tomar banho sozinho, convenceu os outros dois a dá-lo alguma privacidade. Shaka separou um pijama o visitante e foi preparar um chá de gengibre – receita infalível para tirar a bebedeira. Quando voltou para o quarto trazendo a xícara fumegante, encontrou Milo sentado na cama, vestindo apenas a calça do pijama. Não estava muito frio, mas não é de bom tom ficar com o peito desnudo na casa de um estranho. De qualquer forma, Shaka não esquentava com essas coisas, já estava acostumado com Ikki andando só de cueca pela casa. Mas Milo não era Ikki.

- Beba isso para não acordar de ressaca amanhã – entregou a porcelana sob o olhar desconfiado do colega.

- Espero que não esteja envenenado – alfinetou, e, vendo a expressão confusa do indiano, completou: — Ah, não se faça de desentendido.

O indiano enrugou a testa com o comentário.

- Do que está falando?

- Ora... – Milo deixou um sorriso de escárnio escapar. – É óbvio que a gente não vai com a cara um do outro. Não sei por que você está me ajudando, fingindo ser meu amigo.

- Eu te ajudei porque era a única pessoa disposta a fazer isso quando você precisava. Não tenho qualquer inimizade por você, Milo – afirmou o indiano. — E, até agora, não tinha percebido que você não gostava de mim.

O grego quase engasgou com o chá. Tossiu algumas vezes antes de conseguir responder ao loiro budista. Se é que poderia responder. Shaka o encarava intensamente. Novamente aquela imensidão de ciano que parecia penetrar a alma do escorpiano e lhe tirar a reação. Estava completamente desarmado pelas palavras do oriental.

- Está brincando comigo? Você me ignora o tempo todo! – o grego respondeu, após recuperar a compostura.

Shaka enrugou a testa mais uma vez.

- Eu? Todas as vezes que você falou comigo eu te respondi.

- Você me dava fora todas as vezes!

- Eu não te dava fora. Acontece que sou muito assertivo e sincero. Você entendeu tudo errado.

Milo esfregou os cabelos, por pouco não arrancou alguns fios.

- E como você explica o fato de nunca prestar atenção em mim, não importa o que faça! Nem quando eu te provocava, zuava com a sua cara, te ofendia... Você me ignorava completamente, sequer olhava pra minha cara! Vai dizer que isso também é ser assertivo? – o grego desabafou tudo que o perturbava; sua respiração chegou a ficar ofegante. — Do que você está rindo?

Em contrapartida, Shaka exibia um sorrisinho divertido nos lábios. Era a primeira vez que Milo via o indiano sorrir.

- Mu tinha razão... Você estava mesmo desesperado pra chamar minha atenção.

- Idiota! – Milo avançou no anfitrião, segurando-o pela gola da camisa num gesto ameaçador. – Por que eu ia querer a atenção de um merda como você?

- Segundo o Mu, porque você gosta de mim.

O outro soltou uma gargalhada forçada.

- Você acha mesmo que eu ia me interessar por você, budinha?

- Por que não? Eu sou bonito, inteligente, agradável...

O grego piscou os olhos algumas vezes. Talvez aquilo fosse uma alucinação e ele ainda estivesse em coma alcoólico, pois os dois definitivamente não estavam falando da mesma pessoa.

- Agradável? Você só pode estar...

- Tudo bem – Shaka interrompeu a fala do colega. — Eu acho você bonito também.

Aquilo realmente pegou Milo de surpresa. Óbvio que ele sabia que era bonito, mas foi estranho escutar aquilo de Shaka, ainda mais de forma tão natural e sincera. Não era um elogio; aquilo soou mais como uma palavra de conforto. E agora tinha aquela sensação de quentura a subir-lhe as bochechas. Milo não ia admitir aquilo! O escorpião rei não corava para ninguém!

- Escuta aqui seu indiano do Paraguai! Eu não...

Foi interrompido novamente, mas dessa vez não foram palavras, e sim os lábios do indiano que calaram os seus. Shaka inclinou o rosto, começando um beijo suave, mas de forma alguma relutante. A princípio, Milo ficou sem reação. A situação era surreal demais, e ele precisou de algum tempo para dar-se conta de aquilo estava realmente acontecendo. Que os lábios de Shaka estavam roçando no seu. Que a língua do loiro buscava passagem pela sua boca. Que os dedos compridos puxavam-no pela cintura. “Que safado! – pensou o escorpiano. O indiano estava se saindo um belo de um santinho do pau oco. E Milo não estava oferecendo qualquer resistência.

Os dedos soltaram a gola da camisa e migraram para o pescoço do indiano. Ele não ia admitir perder para o oriental no quesito “safadeza”. O beijo se tornou mais intenso, os toques mais ousados, e em questão de segundos eles estavam se pegando na cama. As mechas cacheadas foram agarradas com força. O pescoço, perfumado de sândalo, foi atacado por chupões e mordidas. A blusa do oriental não ficou muito tempo em seu corpo, e o torso esguio passou a ser marcado pelas unhas afiadas do grego. Este, por sua vez, tinha a calça de flanela invadida por dedinhos curiosos. As pernas se entrelaçavam. As coxas roçavam nos falos um do outro, provocando ainda mais a excitação latente. Shaka necessitava um toque mais direto, então, enfiou a mão por debaixo do tecido da calça para agarrar o membro do amante. Milo soltou um gemido com a masturbação que recebeu. O indiano possuía dedos muito habilidosos, se continuasse com aquela brincadeira faria o outro gozar. O grego quis retribuiu, mas sua competência não era manual.

Shaka sentiu o peso do outro cair sobre si e ser imprensado contra o colchão. Milo correu os lábios pelo peitoral do loiro, distribuindo beijos molhados, então alcançou um mamilo. Provocou com a língua aquele pedaço de pele que se eriçava ao seu toque. Depois, prestou a mesma atenção ao outro mamilo, arrancando gemidos e palavras em hindi. As carícias continuaram pelo abdômen do oriental; a trilha de beijos prosseguindo até seu destino final. Milo abriu o zíper da calça do indiano e arrancou-lhe a peça juntamente com a roupa de baixo. O corpo do outro ficou totalmente exposto para deleite do grego, que colocou o membro do amante inteiro em sua boca. Essa, sim, era sua especialidade. Chupava com gosto e intensidade, fazendo uma felação gostosa e molhada. A saliva escorria pelo ventre do indiano, que movia o quadril em direção ao rosto do parceiro. Contudo, seu prazer foi interrompido quando o grego se afastou.

- Tá com pressa? – provocou, arrancando uma expressão contrariada do oriental.

Milo deu uma risada sacana enquanto se livrava da calça de flanela, então voltou a se deitar sobre o amante. Em uma nova sessão de beijos e afagos, ele tentou se meter entre as pernas do indiano.

- Espera... – Shaka desviou-se do membro que apontava para sua parte mais íntima.

- Você que começou isso. Agora quer se fazer de difícil? – reclamou o escorpiano.

- Eu não vou fazer sem camisinha.

O indiano era muito responsável com sua saúde, além disso, conhecia a fama do grego e não iria correr o risco de pegar uma doença. Procurou na gaveta da mesinha de cabeceira, mas não achou nada. Milo, por sua vez, estava ficando impaciente.

- Vamos fazer sem. Eu estou limpo – tentou convencer o amante distribuindo beijos pelas suas costas.

- ‘ louco? – mas os beijos não superaram a razão.

Shaka saiu debaixo do grego e, usando um travesseiro para cobrir sua ereção, foi até a porta do quarto gritar por ajuda.

- Ikki! Tem camisinha? ... – o que o moreno respondia era audível apenas para o amigo indiano. – Pergunta se o Shun tem! ... Mas é claro que ele faz essas coisas!... Obrigado Shun!

Shaka agarrou um pacotinho no ar e fechou a porta. Do outro cômodo pôde-se ouvir algo como “surra de cinto” e “pato assado”.

- Que sorte! – abriu o pacotinho com um sorriso. – As do Shun são de melhor qualidade.

- Ei, o que você acha que ‘tá fazendo? – contestou Milo ao ver o outro desenrolando a borracha no próprio membro. – Você ‘tá doido se acha que vai comer minha bunda!

- Deixa de frescura. Todo mundo sabe que você deu pro Camus – falou sem dar muita importância para a falsa indignação do outro.

- Isso é mentir...!

Milo falava demais; logo, o indiano sentia-se na obrigação de fazê-lo calar a boca com seus lábios. Os dedos compridos desceram pelo peitoral e pela barriga esculpida do grego, alcançaram o ventre e brincaram com os pelos pubianos. E continuaram sua descida rumo ao períneo, massageando aquela parte sensível e depois...

- Seu tarado! Eu não deixei você mexer aí – resmungou, ao ter sua entrada sondada pelo indicador do indiano.

Shaka deu uma risada divertida.

- Não reclama. Eu sei que tá gostoso.

Levou dois dedos à boca e lubrificou com a saliva, então voltou àquele ponto rosado que pedia por si. Introduziu o indicador sem dificuldade, localizando rapidamente o ponto sensível dentro do outro. Logo abriu passagem para o segundo dígito. Habilidosamente, o virginiano massageava o interior do grego, que se contorcia na cama graças àqueles dedinhos mágicos.

- Caralho! Me come logo, seu viado!

O escorpiano era muito escandaloso.

- Você é tão chulo, Milo – mas isso divertia o oriental.

Atendendo ao pedido do amante, Shaka posicionou-se entre as coxas grossas e encaixou o membro, iniciando a penetração. O canal se contraia ao redor de seu falo a cada centímetro que este avançava no interior do outro. O indiano não conteve o gemido: Milo era inesperadamente apertado. Quando se enfiou por completo, começou as estocadas sem dar tempo para que o outro se acostumasse ao volume. Ondulava o quadril em um ritmo cadenciado, tocando fundo o amante; tocando-o em toda a sua extensão.

- Ahhh... Seu puto! Para de me tratar que nem uma mocinha e mete com força.

Shaka deu uma risada gostosa.

- Quem está com pressa agora?

- Vá à merda! – em um movimento rápido, Milo jogou o peso de seu corpo e inverteu as posições, subindo no parceiro. – Eu vou te mostrar como é que se fode!

Com um sorriso malicioso nos lábios, o grego começou uma cavalgada despudorada em cima do indiano. Subia e descia em movimentos frenéticos, fazendo seu interior ser impalado com tudo. Então, rebolava safado, roçando as nádegas nos testículos do amante. Essa brincadeira continuou por longos minutos. Entre beijos e carícias, os gemidos se somavam e as respirações se misturavam. Shaka falava baixezas em sua língua natal, o que excitava ainda mais o grego, apesar deste não entender uma palavra sequer de híndi. Ambos estavam beirando o seu limite. Milo aumentou a velocidade da cavalgada. Prestes a explodir com aquele sobe e desce frenético em seu membro, Shaka agarrou o falo do amante, masturbando-o na mesma intensidade. O barulho da cama e os urros de prazer podiam ser ouvidos pelos demais moradores da casa, mas os amantes pouco se importavam se estavam incomodando alguém. Para eles, a única coisa que importava era a sensação maravilhosa que não conseguiam mais conter dentro de si. Assim, ambos explodiram no corpo um do outro: Shaka, inundando o interior do grego com seu sêmen, e Milo, sujando o torso do indiano com o fluido quente e viscoso. Os dois tombaram na cama, ofegantes e entorpecidos. Não trocaram uma palavra sequer, apenas se beijaram. Sentiram o gosto um do outro mais uma vez, então trocaram um olhar significativo.

- Mu tinha razão. Eu meio que sou a fim de você – admitiu o escorpiano, mais para si mesmo do que para o oriental.

- Nas palavras dele era “tesão contido”. E isso incluía a mim também.

- Bem, de agora em diante eu não vou conter mais nada – falou o grego, fitando os místicos olhos azuis.

- E de agora em diante eu não vou mais te ignorar de propósito.

- Rá! Eu sabia! – exclamou, realizado por ter arrancado a confissão.

Após a promessa mútua, os jovens caíram no sono. No dia seguinte, o chá de gengibre não deu conta de segurar a ressaca de Milo, e este teve que tomar outros tantos chás que não faziam efeito algum. Na faculdade, o cotidiano estudantil prosseguiu como era de costume: Shaka centrado nos livros, desligado de tudo e de todos; Milo falando pelos cotovelos, almejando ser o centro das atenções. E os dois trocando beijos e abraços nos intervalos das aulas e pelos corredores do campus.

Ao contrário do que se possa imaginar, o namoro dos dois não foi surpresa para ninguém. Com o passar dos meses Milo foi ficando mais calmo, e Shaka, mais sociável. Era visível que os dois se complementavam, e não havia pessoa em sã consciência que ousasse dizer o contrário.

Notas finais
*Jose Cuervo é uma marca de Tequila.

Então gente, o que acharam? Eu particularmente achei fofo colocar o Ikki como amigo do Shaka. Nessa fic eu imagino eles com uma relação de brother mesmo, sem pegação. Também imagino o Shun saindo as escondidas no meio da noite pra ir dar uma espiadinha na movimentação do quarto ao lado XD.

uashsuah Virginianos ♥

Sobre o Milo uke... Ele não é exatamente uke, acho que ele e shaka alternam no dia a dia. Mas nessa situação ficou melhor encaixado o Shakito de ativo, e bem acho q ele o é com mais frequência.

Comentem, reclamem, me xinguem...XD O importante é se manifestar!

Bjssssssssssssssssss

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!