Hoje a Noite Não tem Luar
1 I - Não sei onde ela está.
“Só mais um pouco, ela deve estar por perto.”
“Não, ela não me deixou sozinho.”
“Ela vai aparecer.”
Peguei o telefone mais uma vez — havia mais de quatro horas que eu a estava esperando. Inconscientemente, peguei a pulseira dela que estava guardada no bolso da minha calça. Ela prometeu que estaria aqui, não é? Nem que fosse para pegar sua pulseira de volta. Mas e se ela nem gostasse tanto? E se foi apenas uma brincadeira o que ela fez? E se foi um sonho?
Não, não foi um sonho. Balancei a cabeça afastando quaisquer outras perguntas que pudessem aparecer na minha mente que me faria sentir louco. Olhei mais uma vez a hora e faltavam 15 minutos para meia-noite.
Respirei profundamente. As pálpebras já pesavam, o cansaço batia e a felicidade dos casais que estavam ali perto me incomodava profundamente. Junto, ainda vinha um sentimento de abandono e, principalmente, de duvida.
“Ela viria?”
Era oficial, eu precisava ir embora. Porém, havia uma pitada de esperança que gritava “ela chegará a qualquer momento, não se vá” e me impedia de partir.
Mas era mentira. Eu sabia, eu sei. Já havia procurado por todos os cantos. Levantei-me do banco onde estava a esperando. Naquele exato momento, o que eu mais queria era ouvir a voz dela implorando para que eu ficasse, enquanto sentia o calor das mãos dela nas minhas, se desculpando pelo atraso. Pelo atrasado de, hum, cinco horas. Bem, naquele exato momento, eu só queria me encontrar com ela. Aquele grito de esperança ficava cada vez mais silencioso até que, de repente, outro pensamento veio à tona.
“Não sei onde ela está.”
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