Hogwarts e o Fundador Esquecido
11 Capítulo 11 – Não Fui Eu! Só Falta Provar.
Notas iniciais
POV – Heloise Bennett
“Nada pode estragar minha felicidade” pensei depois do jogo contra a Grifinória. Nós tinha acabado de derrotar um dos melhores times de Quadribol da escola, alguns dias antes eu tinha finalmente completado minha transformação – um lindo cisne branco, cujo a marca era uma fina linha cinza no pescoço – e para completar Minerva havia dito que graças ao meus genes eu poderia, se continuasse treinando, me transformar em QUALQUER COISA. Em resumo felicidade e realização eram meus sobrenomes no momento. Nem mesmo me lembrava dos ataques e da briga que tive com Bryan.
Estava comemorando com o pessoal da Lufa-Lufa a vitoria quando Ethan apareceu e me “raptou” para podermos ficar sozinhos um pouco.
Depois de percorremos vários corredores e passagens, finalmente achamos uma sala de aula vazia e bem escondida. Ethan trancou a porta com um feitiço e começou a me beijar com ardor. Como It tinha quase o dobro do meu tamanho, na verdade ele era bem maior do que a maioria dos meninos que eu conheci, conseguiu me suspender fácil com um braço só enquanto a outra mão estava entrelaçada em meus cabelos me puxando para si o quanto podia. Entrelacei meus dedos pelos cabelos curtos dele e ofegante selei nossos lábios. Ethan me colocou de volta no chão e sorriu. Seus olhos brilhavam e pareciam sólidos de hesitação.
– Parabéns pelo jogo – disse sorrindo. Dei um passo para trás, o rosto dele estavam um pouco vermelho e aposto que o meu também. Ethan me estendeu um saco com varinhas de alcaçuz. Peguei o embrulho sorrindo.
– Obrigada – coloquei o saco em cima de uma das mesas e me sentei no tampo de outra. Ethan caminhou até mim e parou na minha frente. – Recebi uma carta da minha mãe esses dias – contei.
– E o que dizia? – ele perguntou sentando na cadeira a minha frente.
– Que ela estava feliz por ter mais de um mês que não recebe uma reclamação sobre mim. E que gostou de saber que você é o meu novo namorado.
– Não sabia que você tinha contado para ela – Ethan parecia mais interessado em brincar com os meus dedos que estavam em cima da minha coxa do que na carta.
– Eu não contei. Minerva contou. Enfim ela disse que gosta muito de você e que aprova nosso relacionamento, porém que não esperava por isso.
– Ninguém esperava por isso Heloise.
– Ela também perguntou o que sentimos um pelo outro – continuei baixo e sentindo meu rosto esquentar mais.
– E o que você respondeu? – perguntou me fitando.
Hesitei – Ainda não respondi – confessei.
Ethan me puxou levemente para que eu levantasse da mesa, eu o fiz e ele me conduziu levemente para me sentar de lado em seu colo.
– Heloise eu sei que você não me ama. Pelo menos não desse jeito – tentei interrompe-lo, mas Ethan colocou um dedo em meus lábios me silenciando – Deixa eu falar. Eu não vou cobrar isso de você, já te disse varias vezes que sei no que estou me metendo. Você é minha melhor e mais antiga amiga e te fazer feliz para mim já é o suficiente. Eu te faço feliz?
– Sim, muito – falei sincera.
Ethan começou a me beijar, porém eu o parei.
– Ethan, você me ama?
– Da mesma forma como você me ama – ele respondeu rindo.
– Obrigada pela sinceridade.
– Ganho alguma coisa por ser sincero? – um sorriso travesso brincou em seus lábios e foi minha vez de beijá-lo com toda vontade enquanto sentia as mãos dele passearem pelo meu corpo.
Já era de noite quando voltei para o salão comunal Lufino, ainda estava perdida pensando na minha tarde com It. No beijo dele, na sensação das suas mãos... Quando Bianca entrou como uma tempestade no dormitório.
– Oi amiga! – exclamei sorrindo.
Bianca parecia perdida em pensamentos e demorou um segundo a mais para me responder.
– Oi – murmurou.
– Está tudo bem?
– Ahn? Ah sim – ela deu um sorriso forçado – E você como está?
– Muito bem – respondi abrindo um sorriso de orelha a orelha.
– Heloise – ela hesitou, caminhou até a minha cama e se sentou na beirada – o que aconteceu entre você e Bryan? Por que vocês começaram com essas picuinhas? – Bianca me fitava séria e pude ver que essa duvida a estava corroendo.
– Eu não sei bem – falei sincera – eu e ele... Eu quis ser amiga dele, mas não deu certo. Eu simplesmente não consigo entendê-lo e isso me incomoda.
– Mas, você sempre se deu bem com todo mundo, até mesmo com ele. Sua implicância com Bryan parece que começou no dia que ele e eu nos beijamos.
– E que eu achei o beijo de vocês meio precipitado – “que desculpa mais esfarrapada” pensei assim que acabei de falar. Bianca me estudou. – Bia, ta mesmo tudo bem? – perguntei pegando a mão dela.
– Tá sim – ela respondeu soltando a mão e se afastou.
Nos dias que se passaram Bianca foi se afastando de mim. Como eu não sabia o que estava acontecendo tentava ser mais civilizada o possível com Bryan, nós até mantínhamos conversas amigáveis sem que um acabasse tentando azarar o outro. O problema era que sempre que eu chegava perto de Bryan, Bianca fechava a cara e armava uma tromba do tamanho do mundo. E para completar ela vivia grudada com Patty e Liz, as gêmeas que no começo do ano pareciam legais, mas agora me olhavam como se eu fosse a reencarnação do próprio lorde das trevas. Ou seja, eu não podia ficar perto de Bryan porque isso chateava Bianca e não podia ficar perto de Bianca porque ela vivia com Bryan e as gêmeas psicóticas.
Por causa disso tudo, eu tinha muito tempo livre. Verdade que eu passava boa parte desse tempo com Ethan, mas por vezes o loiro tinha que fazer trabalhos enormes que ele sempre deixava para ultima hora e me deixava sozinha.
Então tive uma idéia muito boa, como o jogo contra a Corvinal seria dali a três semana resolvi reservar o campo o máximo o possível para treinar, a minha equipe achou isso muito legal no começo, entretanto depois de uma semana treinando quase todo dia embaixo de chuvas fortíssimas eles começaram a querer me matar. Eu contava com Philip e Grace para acalmar o pessoal. Eles pareciam os únicos que entendiam minha enorme necessidade de derrotar Bryan... quer dizer a Corvinal.
Então entre treinos, reclamações, aulas e aliviar o estresse com Ethan os dias foram passando. Mais um ataque foi registrado, dessa vez um Lufino do primeiro ano, Hogwarts fora citada no Profeta Diário sobre ameaça de fechar ou ter as aulas suspensas, porém como os alunos atacados não haviam morrido e estava se recuperando bem, apesar de ainda estarem meios loucos, Minerva estava conseguindo segurar as pontas e manter a escola aberta. E como a diretora queria que a escola mantivesse a aparência de normalidade os jogos de quadribol não foram cancelados.
Por isso como previsto e marcado no primeiro sábado de novembro eu estava em um dos vestiários da quadra com toda a minha equipe.
– É isso ai galera. Chegou o grande dia... – comecei o meu discurso, mas Philip me cortou.
– Estamos treinando que nem loucos há semanas, Heloise. – falou firme. Olhei para os meus companheiros que sorriam.
– Confio em vocês pessoal! – falei e o time deu um grito de “uhull” animado antes de entrarmos em campo.
O tempo lá fora estava horrível, apesar de ainda não estar chovendo, pesadas nuvens negras dominavam o céu e um vento frio soprava gelando até meus ossos. Apertei bem as veste de quadribol e arrumei os óculos de proteção. Como em todos os jogos anteriores, deixei meu cabelo curto para que ele não entrasse no meu campo de visão durante o jogo.
Caminhei na frente do time até o meio do campo. Avistei Bryan parado ao lado de Dilan, o capitão corvino. Bryan me encarava de uma forma estranha, apesar de estarmos agindo de forma mais civilizada ainda não nós bicávamos, o encarei de volta e reparei que sua vassoura não era mais a Nimbus Preto que vi na torre de Astronomia, mas sim uma Firebolt exatamente como a minha. Senti meu sangue ferver, aquilo era o mesmo que declarar guerra em minha opinião.
– Srta. Bennett... Srta. Bennett... Heloise! – ouvi Lola me chamando e olhei para ela perdida. — Entendeu tudo que eu disse? – ela perguntou meio impaciente e revirando os olhos.
– Sim... sim – falei sem ter idéia do que ela estava falando.
Mais uma vez Lola revirou os olhos – capitães apertem as mãos!
Apertei a mão de Dilan e montei em minha vassoura. Lola apitou e todos levantaram vôo. Vi as equipes tomarem posições em ambos os lados do campo enquanto Bryan subia como um jato. Subi atrás dele e parei ao seu lado.
– Vassoura legal, pena que ela não vai compensar a falta de talento. – provoquei.
Bryan deu um sorriso cínico – Isso tudo é medo?
– Perguntou o menino que comprou uma vassoura nova para inflar ainda mais o eco.
Apontei a vassoura para baixo e desci, fiz a minha meia transformação para ficar mais leve e acelerei o máximo que a vassoura permitia, dei algumas voltas no campo a tal velocidade que as pessoas na arquibancada e as torres pareciam apenas borrões. Vi que Bryan também usava os truques dele, estava com os pés no cabo da vassoura e segurando a ponta dela enquanto olhava ao redor com os olhos de falcão. Tentei ignorá-lo e continuei a dar as minhas voltas, logo avistei o pomo alguns dezenas de metros do meu lado e fui atrás dele, mas Bryan também o viu e desceu veloz. Eu acelerei ao máximo, Bryan nem mesmo montado na vassoura estava, ele caia em queda livre segurando a vassoura ao lado do corpo. Nós íamos colidir e mesmo sabendo disso não desaceleramos. Já estamos a poucos metros um do outro, e poucos metros do pomo quando a minúscula bola subiu em disparada. Puxei a vassoura abruptamente para cima e tive que dar uma pequena pirueta para não cair, Bryan montou na vassoura que estava livre em sua mão e fez um grande esforço para não colidir com o chão. Depois nós dois começamos a subir emparelhados. Enquanto subíamos reparei que toda a atenção estava em nós, até as equipes tinham parado para nos assistir. Não ligamos, apenas continuamos a subir, passamos das nuvens e senti minhas vestes começarem a se molhar e grudar em meu corpo me deixando com um frio descomunal, porém continuei subindo com Bryan ainda ao meu lado. Abaixo de nós tudo sumiu, a platéia, as equipe, Lola. Estávamos tão alto que não víamos nada a não ser um ao outro e o pomo.
Eu estava alguns poucos centímetros a frente de Bryan, estiquei a mão, ele também, deixei meus ossos mais leves e passei um pouco mais a sua frente. Faltava muito pouco para eu consegui pegar o pomo. Olhei por cima do ombro para ver a cara de Bryan e vi sua vassoura oscilar de uma forma estranha. Pensei que ele tivesse tentando me distrair então desviei o olhar e voltei a atenção para o pomo. Quando peguei a bolinha olhei para Bryan com um sorriso de vitoria no rosto, mas ele não olhava para mim e sim para a cauda de sua vassoura. A vassoura oscilou mais duas vezes e então sua cauda explodiu em chamas e Bryan começou a cair.
Apontei minha vassoura para baixo e comecei a descer, mas ele ia em queda livre numa velocidade assustadora. Peguei minha varinha que estava escondida no interior das minhas vestes. Tentei pensar em algum feitiço para desacelerar a queda, mas nada a vinha a minha mente.
– Transforme-se – gritei, porém acho que ele não ouviu e mesmo que tivesse escutado não tinha como ele se transformar sem se concentrar. Apontei a varinha para Bryan – Wigardium Leviosa! – disse já que aquele fora o único feitiço que veio a minha mente. Mas o menino era pesado demais e estava muito rápido eu só consegui desacelerá-lo um pouco mesmo assim se ele continuasse caindo daquele jeito ia virar patê. Bryan pegou a própria varinha e apontou para o chão que ficava cada vez mais próximo. Ele disse algo que não ouvi por causa do vento, porém vi um jato saindo de sua varinha e batendo no chão.
Bryan bateu no chão com a lateral do corpo em um baque surdo. Pousei ao seu lado e corri ao seu encontro. Ele estava inconsciente. Comecei a examiná-lo como minha mãe me ensinou uma vez.
Perna direita e braço direito quebrados, provavelmente algumas costelas também quebradas, cortes e esfoliações por rosto e corpo. Eu teria continuado o exame, mas os professores chegaram e levaram Bryan em algumas macas conjuradas.
Os teria seguidos, porém fui cercada pelas equipes e por Lola que queria saber o que houve. Resumi tudo o mais rápido o possível, pois estava louca para ir á enfermaria ver como Bryan estava. Quando acabei de contar reparei que Lola me lançava um olhar de desconfiança. Não liguei e ia começar a sair do campo quando a treinadora segurou meu braço e disse a plenos pulmões.
– A equipe de quadribol da Lufa-Lufa está desclassificada, pois sua capitã quebrou as regras ao entrar em campo portanto uma varinha!
Meu cérebro travou em conflito eu queria protestar e argumentar, entretanto estava preocupada com Bryan e queria muito vê-lo.
– Se eu não tivesse com a varinha Bryan estaria morto agora! – falei séria e sai do campo empurrando e esbarrando em qualquer um que entrava na minha frente.
Caminhei cega de raiva e preocupação, meus passos eram rápidos e rígidos. Entrei na enfermaria com um rompante, vi algumas pessoas ao redor de uma cama e fui até lá.
Bryan ainda estava desacordado, mas os cortes em seu rosto haviam sumido.
– Ele vai ficar bem? – perguntei quando vi a curandeira Linda se aproximando.
– Como se você estivesse mesmo preocupada – falou alguém atrás de mim.
Olhei ao meu redor para ver quem estava ali. Bianca, Patty, Liz, Dilan e mais uma menina com o uniforme corvino. Quem tinha falado fora Bianca.
– Claro que eu estou preocupada – falei me afastando da cama de Bryan.
– Ah ta bom Heloise. Como se não tivesse sido você que o atacou! – ela me acusou com frieza e eu senti como se tivesse levado um soco no estomago. Reparei que os outros também em encaravam como se concordassem com ela.
– Eu não fiz isso... Não fui eu! – tentei me defender.
– A vassoura dele é uma das mais seguras do mundo e é igual a sua. Você é a única na escola que deve conhecer o sistema de segurança da Firebolt a ponto de sabotá-lo. – argumentou Dilan. Senti meus olhos se encherem d’água.
– Não fui eu. Eu tentei salvá-lo!
– Tentou salvá-lo? Ninguém estava lá em cima, além de vocês, Heloise! – me atacou Bianca com raiva na voz – vocês dois vinham brigando a toa há semanas. E eu fui idiota demais para não perceber o motivo! Você estava com ciúmes porque Bryan escolheu a mim ao invés de você!
As palavras de Bianca me atingiam como facas. Senti as lagrimas escorrerem pelo meu rosto.
– Bia, por favor não faz isso – supliquei.
– Nunca mais fala comigo Heloise. E fica longe do meu namorado! – ela praticamente rosnou. Senti como se o chão não existisse mais. Parecia que um buraco tinha se aberto no meu peito.
Bryan havia sofrido um acidente horrível e quase morrerá e agora eu tinha perdido minha melhor amiga.
Soluços subiam pelo meu peito me sufocando. Senti alguém passar os braços pelos meus ombros e me tirar da enfermaria. Só vi que se tratava de Ethan quando já havíamos percorrido alguns corredores.
– It, você acredita em mim né? Acredita que não fui – perguntei entre soluções.
– Claro que acredito em você, anjo! – ele me abraçou apertado. Enterrei a cabeça em seu peito largo e encharquei a frente de suas veste.
Não sei como Ethan me levou até lá, mas quando dei por mim estava na sala da professora Gina. Ele me sentou em uma cadeira a frente da mesa da professora.
Gina não disse nada. Me serviu uma xícara de chá e perguntou a Ethan se ele podia nos deixar a sós, ele hesitou, mas por fim me deu um beijo na testa e saiu.
Tomei o chá e me acalmei um pouco. Gina se sentou em sua cadeira e me analisou.
– Esta mais calma? – perguntou depois de algum tempo.
– Sim – respondi baixo
– Tem certeza?
– Sim
– Heloise, eu sei que você deve estar cansada emocionalmente, mas será que pode me dizer o que aconteceu?
Respirei fundo e contei para Gina tudo exatamente como me lembrava. Ela escutou sem me interromper nem uma vez e quanto acabei de falar ela fechou os olhos, pensativa por um momento.
– A senhora acredita em mim né? – perguntei quebrando o silencio.
– Acredito – ela confirmou sem hesitar o que me fez sorrir – mas tem que entender que ninguém pode testemunhar a seu favor. Bryan é o filho do ministro e isso provavelmente vai virar uma investigação, ainda mais com os outros ataques que aconteceram antes.
Assim que Gina falou sobre os ataques anteriores tive uma espécie de estalo.
– Você acha que quem fez isso a Bryan foi o mesmo que atacou os outros?
– Talvez, mas isso significaria afirmar que a vassoura foi alterada antes do jogo.
Cocei o queixo pensativa – Estranho... – murmurei.
– O que é estranho?
– Os ataques, eu reparei em dois patrões distintos.
– E quais foram esses patrões? – Gina parecia verdadeiramente curiosa.
– Os ataques acontecem em um dia especifico da semana, sempre as quintas-feiras. E os atacados são todos sangues-puros.
Mais uma vez Gina ficou pensativa por alguns momentos.
– Mas hoje não é quinta – observou por fim.
– Tem razão, não é – fiz silencio por um segundo – Gina, você tem um suspeito?
Ela suspirou – Quanto tudo isso começou lembrei-me de algo que aconteceu comigo a muitos anos atrás, mas tinha alguma coisa diferente. Conversei muito com Hermione, meu irmão e meu marido, entretanto não conseguimos pensar em ninguém – ela disse frustrada.
– Eu queria muito descobri quem fez isso.
– Eu também criança… — Gina fez uma pausa antes de continuar — Heloise, mais uma coisa. Você deve tomar muito cuidado, as pessoas vão achar que você é a responsável pelos ataques por causa do que houve a Bryan. Você tem que ser forte. Eu sei que você consegui.
Concordei com um aceno de cabeça e sai da sala de Gina sem saber se estava melhor ou pior que antes.
A semana ia se passando de forma lenta e torturante. Bianca, Patrícia e Elizabeth, pararam de falar completamente comigo. O que era muito ruim já que nos 4 dividíamos o dormitório.
As pessoas me olhavam torto e me evitavam e Bianca não me deixava visitar Bryan, que ainda estava na enfermaria, e eu só tinha noticias dele quanto Ethan perguntava para Dilan e me repassava, mas isso também era raro.
Na quinta-feira eu já não agüentava mais a angustia que estava me consumindo há dias. Bia, Patty e Liz haviam sumido juntas depois da janta e como eu estava sozinha no dormitório peguei minha capa da invisibilidade e sai de fininho.
Caminhei silenciosamente até a enfermaria, por sorte a porta não estava trancada apesar da hora, entrei fui ate a cama de Bryan que estava cercada por cortinas.
Quando cheguei perto da cama tirei a capa e coloquei a mão na testa do menino que dormia profundamente, estranhei o fato da pele dele estar muito quente, verifiquei se alguma de suas feridas estavam infeccionadas, mas todas estão secas e limpas. Ao lado da cama havia um copo com um liquido transparente.
Peguei o copo e o levei ate o nariz tinha um cheiro azedo e forte diferente de qualquer poção que minha mãe já havia me mostrado. Coloquei a mão em Bryan e vi que sua temperatura tinha aumentado ainda mais e seus olhos estavam se movimentando freneticamente sobre as pálpebras fechadas.
Se eu chamasse alguém, quem quer que fosse, isso iria me gerar problemas, mas não liguei para aquilo. Corri até a cabine de Linda e bati com força.
A curandeira, que não tinha mais de 30 anos, abriu a porta assustada. Linda estava vestida com um pijama folgado e tinha os cabelos negros presos em um coque frouxo.
– Heloise? – ela disse me estudando
– Srta. Linda tem algo errado com o Bryan – disse a puxando até o cubículo do corvino.
Ela o examinou e depois viu o copo em sua cabeceira.
– Você que deu isso a ele? – perguntou cheirando a borda do copo como eu havia feito.
– Não... Eu – comecei a me explicar, mas ela me ignorou e sai a passos rápidos. Voltou 5 minutos depois com outro copo. A ajudei há levantar um pouco Bryan e o obrigar a beber o liquido.
Assim que acabou de beber suas pálpebras pararem de tremer e ele começou a suar. Linda o deitou novamente.
– O que houve? – ela perguntou e eu resumi os acontecimentos da noite – Heloise você salvou a vida de Bryan pela segunda vez essa semana, mas se alguém te pegar aqui a culpa desse atentado vai cair sobre você. Então volte para o dormitório e finja que nada aconteceu.
– Ele vai ficar bem? – perguntei.
– Sim vai. Irei trancar a porta assim que você sai e amanhã quando ele acordar, se estive se sentindo bem, darei alta a ele.
Concordei com um aceno de cabeça, fiz um pequeno carinho nos cabelos de Bryan e sai da enfermaria coberta pela capa da invisibilidade, pensando em quem tinha atacado Bryan duas vezes em apenas uma semana.
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