Hogwarts Mystery
2 Capítulo 2 - Azul e Preto se Encontram
Notas iniciais
Deus, eu senti falta de trens. Eles são muito mais legais e confortáveis do que Pó de Flu. Você pode descansar, aproveitar as paisagens, comer e não se preocupar com as suas roupas ficando empoeiradas.
Rowan senta-se ao meu lado no vagão, falando sem parar sobre o seu livro preferido do momento: Hogwarts, Uma História. Aparentemente, Rowan é ainda mais nerd do que eu, e isso é bastante confortador. Passamos todas as oito horas da nossa agradável viagem de Londres para a Escócia falando sobre tudo, comendo bolos de caldeirão e discutindo sobre quais serão nossas matérias favoritas.
— Eu acho que vou amar História da Magia. Ouvi dizer que o professor é um fantasma! Não é incrível? – ela diz com a voz aguda de empolgação.
— Bom, acho que vou amar Poções. – digo. – Eu já vi minha avó fazendo poções incríveis e eu acho fantástico.
— Mas eu ouvi dizer que o professor de Poções é meio taciturno. Ele dá aula em Hogwarts faz alguns anos só, mas já tem uma bela de uma reputação. Têm rumores de que ele é um Comensal da Morte. – ela diz, sombria. – Ouvi dizer que ele era da Sonserina e que ele só favorece os Sonserinos. Não sei como vamos conseguir pontos com ele.
— Credo, Rowan. Obrigada pela animação. – eu rio, revirando os olhos. – Tenho certeza que vamos sobreviver ao nosso terrível mestre de poções.
O resto da viagem é divertida e serena, com muitas risadas e conversas. Quando a noite cai sobre o trem, vestimos nossas vestes e esperamos o trem finalmente parar.
Somos esperados na estação pelo maior homem que já vi na vida. Ele parece ter mais de três metros de altura, com cabelos espessos e bagunçados, barba preta e pequenos olhos pretos que parecem besouros.
— Bem vindos, alunos. Por favor, todos os primeiranistas me sigam té os barcos. – ele diz com uma voz profunda e doce.
Rowan enrosca o braço no meu, parecendo muito empolgada e saltitando como uma lebre. Chegamos a um grande conjunto de barquinhos de madeira, lindamente flutuando sobre a superfície cristalina do grande lago. A água é tão escura que reflete a lua e as estrelas sobre nós.
— Este é o Lago Negro. Por favor, não caiam nele. A Lula Gigante não vai gostar. – ele ri e a risada dele é como um trovão.
Quando os barcos chegam do outro lado, mal consigo sentir a minha mão, porque Rowan a segurou com tanta força o trajeto inteiro, apertando-a como um marshmallow. Os barcos nos levam até um pequeno píer com uma escadaria que leva até o castelo mais incrível que já vi. No todo da escadaria está uma mulher de uns quarenta anos, com cabelos negros presos num coque apertado na nuca. Ela está usando vestes azul-noite e um chapéu pontudo, e sua aparência é austera e intimidadora.
— Boa noite, alunos. – ela diz com um sorriso suave. – Sou a Professora McGonagall. O banque iniciará em alguns momentos, mas antes que vocês possam tomar seus lugares no Salão Principal, vocês serão sorteados para suas casas. Elas são Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina. Cada casa possui sua nobre história e cada uma produziu bruxos e bruxas formidáveis. Enquanto estiverem em Hogwarts, sua casa será como sua família. Seus triunfos renderão pontos e quebrar as regras o farão perder pontos. No final do ano letivo, a casa com mais pontos recebe a Taça das Casas. A cerimônia de abertura irá iniciar brevemente. Por favor, esperem aqui.
— Pra qual casa você acha que iremos? – Rowan diz, tremendo de empolgação.
— Não sei. – confesso. – Acho que seria legal ir pra Corvinal. Sabe, como nossos avôs.
— E como seu ir... – Rowan é interrompida pela figura nobre da Professora McGonagall, que apresenta um sorriso sutil nos lábios finos.
— Estamos prontos. Sigam-me, por favor.
Rowan imediatamente engancha o braço no meu, tão forte que quase posso sentir seus batimentos cardíacos. Aperto meus lábios, respirando fundo, e sigo a Professor McGonagall junto com todos os outros alunos. Percebo que todos estão olhando uns para os outros com olhos assustados, sem fazerem ideia do que nos espera do outro lado da porta.
Todas as histórias dos meus pais, avós e do meu irmão ainda não foram capazes de suprimir meu espanto quando estramos no Salão Principal. Há bandeiras com o brasão de Hogwarts, um céu mágico estrelado sobre nossas cabeças, centenas de velas flutuantes sobre quatro longas mesas, cheias de alunos divididos de acordo com suas casas. Andamos juntos por entre as mesas da Lufa-Lufa e Corvinal, onde vários pares de olhos nos observam com curiosidade, e nos encaminhamos para a frente da mesa longa onde os professores nos aguardam.
Já consigo ver o Professor Dumbledore, com seu longo cabelo branco e sua barba ainda mais longa e mais branca, usando um chapéu pontudo e vestes de veludo cor de vinho. O lugar ao seu lado está vazio, então suponho que seja da Professora McGonagall.
Ela traz um banquinho de madeira e o posiciona na frente da mesa dos professores, em um lugar onde todos posam ver. Rowan olha para mim com apreensão. Sobre o banquinho, ela gentilmente coloca um chapéu bastante velho. Ele parece ainda mais esfiapado do que nas histórias do vovô.
— Quando eu chamar seus nomes – ela diz, desenrolando um longo rolo de pergaminho. – vocês vão colocar o chapéu sobre suas cabeças, sentarão no banquinho e serão sorteados.
O braço de Rowan enganchado no meu fica mais apertado. Se ela não soltar logo, começarei o ano letivo sem um braço. E é meu braço direito. Como vou conseguir usar a varinha com a minha mão esquerda desajeitada?
— Adaline Allen. – ela chama e eu observo uma garota baixinha com pele cor de ébano e cabelos cacheados e volumosos andar até o banquinho. McGonagall coloca o chapéu sobre a cabeça dela e esperamos em silêncio.
Leva menos de um minuto para o chapéu anunciar, em uma voz bastante empolgada:
— Corvinal!
Uma salva de aplausos repentina faz meu coração acelerar. A mesa da Corvinal é pura histeria quando a garota chamada Adaline Allen se apressa para se juntar a eles.
Eu engulo em seco. Ai. Meu. Deus. Será que eles vão me receber tão acaloradamente quando todo mundo obviamente sabe quem meu irmão é? Esse pensamento faz meu estômago se revirar e por um momento juro que vou vomitar.
Um monte de nomes é chamado antes do meu. Addison Butler... Ben Copper... Penny Haywood... Logan Johnson… Rowan Khanna.
Rowan olha pra mim completamente aterrorizada. Ela anda até o banquinho com olhos arregalados, obviamente assustada quando o chapéu toca seus cabelos longos e negros.
— Corvinal! – ele anuncia após alguns segundos.
O sorriso dela parece uma meia lua, grande e brilhante, quando ela me dá um olhar empolgado e corre para se juntar a Adaline Allen e seus companheiros da Corvinal.
Droga.
Dois meninos com sobrenomes começando com L são chamados antes de eu ouvir...
— Athena Lockhart.
Meu coração para. Eu não tenho coragem de olhar em volta. Tenho certeza que há centenas de olhares julgadores em cada canto do salão e eu não quero reconhece-los. Apenas quero estudar, me tornar uma bruxa sábia e não sair atrás de encrenca.
Ando até o banquinho, a Professora McGonagall me olhando com a testa franzida. Será que ela está se perguntando se vou ser uma encrenqueira como meu irmão?
Oh, Jacob. Por que você teve que sair procurando as Criptas Malditas?
Ela coloca o chapéu em frangalhos sobre a minha cabeça e eu espero. Uma súbita voz profunda vem do interior do chapéu, fazendo todo o meu corpo sentir frio e apreensão.
— Ah, eu vejo seus conflitos, Athena Lockhart. – o chapéu diz em uma voz de veludo. – Medo de que as pessoas a julgarão pelos erros do seu irmão, desesperada por amigos leais, ansiosamente buscando conhecimento e sabedoria. Seus demônios me lembram os de uma bruxa formidável que tive o prazer de conhecer. Você possui a coragem de uma Grifinória, a sensibilidade de uma Lufa-Lufa, a ambição de uma Sonserina... mas acho que você vai ficar melhor na CORVINAL! – ele grita para o salão.
Eu suspiro de alívio, feliz por estar na mesma casa que o meu irmão, mas um aplauso solitário me faz erguer os olhos para encarar a mesa da minha casa. Apenas Rowan está de pé, aplaudindo como louca, ignorando o silêncio vindo do resto da Corvinal.
Confesso que não estou nem um pouco surpresa.
Me junto a Rowan, lançando um sorriso triste para ela, mas a sua mão no meu ombro e um sorriso afável é o suficiente para que eu me sinta melhor. Tenho Rowan e Twilight afinal de contas. Eu não preciso que as pessoas gostem de mim ou de colegas julgadores que não estão a fim de me conhecer.
Outros vinte e dois alunos são sorteados antes da cerimônia terminar. A Corvinal ganhou catorze novos membros – doze meninas e dois meninos – e os meninos estão trocando olhares desesperados, provavelmente se perguntando como vão conseguir sobreviver no meio de tantas meninas. Um deles se chama James Lee, um menino japonês de aparência doce que foi sorteado logo antes de mim.
Um tinir vindo da Professora McGonagall gentilmente batendo um garfo contra uma taça de cristal faz todo mundo virar a cabeça para a mesa dos professores. Eu noto um homem pequenino sentado do lado dela, aparentemente sobre uma pilha de livros. Ele tem um cabelo castanho bagunçado e a barba também, mas olhos bastante gentis.
— Aquele é Fílio Flitwick, se você está se perguntando. – Rowan sussurra para mim. – É o responsável pela Corvinal e professor de Feitiços.
Sorrio, mas dentro de mim eu desejo que o Professor Flitwick não me julgue pelos erros de Jake. Farei o meu melhor para ser bem-sucedida em Feitiços e também em todas as outras disciplinas.
O Professor Dumbledore se levanta, abrindo os braços como se estivesse convidando a todos para um abraço.
— Bem vindos, bem vindos! – ele diz e a voz dele me lembra a do meu avô. – Outro ano de bruxaria e feitiçaria nos aguarda! É minha obrigação alertar os novos alunos e relembrar os antigos de que a Floresta Negra é estritamente proibida para todos os estudantes.
Professor Dumbledore olha para a mesa da Sonserina. É cedo para afirmar, mas suponho que eles não sejam muito de seguir as regras.
— Nosso mundo está em paz agora que Lorde Voldemort foi derrotado. – vejo um monte de alunos se contorcendo ao ouvir o nome de Você-Sabe-Quem. – A causa da sua derrota foi o jovem Harry Potter, filho dos famosos aurores, James e Lily Potter.
Percebo um homem jovem na mesa dos professores, parecendo completamente consternado ao ouvir aqueles nomes. Ele é alto e pálido, com um nariz de gancho e olhos muito pretos. Seus cabelos negros emolduram seu rosto de aparência severa, mal tocando seus ombros. Através do véu de raiva, ele até que é um homem bastante bonito, provavelmente com vinte e poucos anos.
— Aquele é o professor que te falei. – Rowan murmura. – O de Poções. O Comensal da Morte.
Olhando cuidadosamente para ele, ele realmente parece alguém que poderia ser um Comensal da Morte. Ele parece carregar muita escuridão dentro de si, mesmo sendo tão jovem. Me pergunto se vou conseguir ir bem em Poções se eu conseguir trespassar a cortina de sombras que o cerca.
Quando os olhos negros dele encontram os meus, um olhar carregado indistinto em sua face, eu não consigo não sustentar aquele olhar, sentindo como se ele estivesse lendo a minha mente.
— Em alguns anos o jovem Harry Potter irá se juntar a nós, mas até lá, eu espero que aproveitemos esses tempos de paz. Agora, vamos nos deliciar com este banquete incrível!
Meus olhos se arregalam quando vejo um monte de comida aparecendo magicamente bem diante dos meus olhos, cobrindo a mesa com batatas assadas, vegetais amanteigados, porco e muitas outras coisas deliciosas. Minha boca instantaneamente começa a salivar.
— Suco de abóbora, Athena? – Rowan oferece um jarro suado de suco gelado para mim.
— Não, obrigada, Rowan. – digo. – Não gosto muito de suco de abóbora.
— Não tem problema. Creio que deve ter uns dez tipos diferentes de suco pra você escolher.
A mesa da Corvinal é pura conversação sobre todos os tópicos possíveis, mas todos os primeiranistas parecem estar muito quietos. Rowan, é claro, tem a cura para isso.
— Meus pais são donos de uma fazenda de árvores que fornece madeira para os fazedores de varinha. A minha é de mogno. Do que a sua é feita? – ela pergunta para uma garota com cabelo longo e vermelho.
A garota encara Rowan com grandes olhos castanhos. Acho que não é todo dia que você conhece uma indiana tagarela que não sabe calar a boca. Dentro de mim, agradeço por Rowan ser tão faladeira.
— Hm – ela diz. – A minha é de amoreira. Tem um cheiro bem estranho.
— A minha também. – agora entendo porque Rowan escolheu este tópico. Ela sabia que seria um bom assunto para que eu pudesse me juntar à conversa. – A minha é de canela.
— Ouvi dizer que varinhas de canela são perfeitas para pessoas sensíveis. – o menino chamado James diz. – Sou James, a propósito.
— Athena Lockhart.
— Rowan Khanna.
— Tulip Karasu. – a menina ruiva diz.
— Karasu— Rowan repete. – É um sobrenome bem interessante.
— É turco – ela explica.
E é isso. Com conversas básicas sobre varinhas e origens, consigo conhecer meus companheiros Corvinais. Os mais velhos ainda não estão falando comigo, mas tudo bem, porque Rowan é minha amiga, e agora James, Tulip, Adison, Piper e muitos outros colegas cujos nomes ainda preciso memorizar parecem me olhar com olhos amigáveis agora. A barreira entre nós parece ter sido quebrada e eu verdadeiramente espero que eles não continuem a me julgar por causa do meu irmão.
Dou uma última olhadela para o meu sinistro professor de Poções.
E como vou conseguir quebrar a sua barreira?
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