Notas iniciais
Como o título diz, é só uma introdução, o Prólogo e o primeiro capítulo já são a história em si. Espero que gostem e dê para matar um pouquinho da saudade de nossa Gina.

- MÃE – Gina Potter ouviu o mesmo grito pela quinquagésima vez desde que acordou, o que foi duas horas atrás. Dessa vez era seu filho do meio, Alvo, o mais parecido com o pai da prole de três. Olhou para a mala de James, o mais velho e a cópia do avô – pai de Harry -, e suspirou. Alvo havia arrumado suas coisas há uma semana, e revisado, ansioso, as anotações que a tia Hermione havia feito para ele todos os dias depois. Mas James não. Nem se lembrara, se ela, Gina, não arrumasse as malas do filho, ele se vestiria de lençóis em Hogwarts.

Com tanta coisa de James cuidadosamente dobrada sobre sua cama, Gina se recusava a resolver outro problema dos filhos, que Harry resolvesse dessa vez.

- Harry – gritou para o marido que fazia a barba no banheiro do quarto deles. – Resolve isso para mim, por favor, eu tenho que terminar de aprontar as malas do James que ele deixou para a última hora.

- Mas, Gina... – Harry começou a protestar, segurando a lâmina perto do rosto para enfatizar o fato de faltar à metade do rosto para barbear, com o olhar irônico que sempre fazia com que Gina tivesse vontade de lançar o sua melhor azaração. Ao perceber o olhar da esposa, que geralmente garantia encrenca, Harry se calou.

Ao invés disso, fechou a cara e saiu do quarto deles do jeito que estava e andou pisando duro, feito um adolescente, até o quarto dos meninos, onde Alvo ainda chamava pela mãe. “O que é que está acontecendo aqui?”, Gina ouviu Harry perguntar com voz firme. Não gritando, Harry nunca gritava.

Gina terminou de arrumar as malas de James e Harry não havia voltado ainda, o que a deixou preocupada. Arrastou as pesadas malas para fora do quarto e as deixou perto da escada, para enfeitiçá-las mais tarde, então foi até o quarto dos meninos, onde encontrou Harry e Alvo remexendo no álbum de fotos de Harry e James roncando alto bem na cama ao lado. Resolveu não incomodá-los, queria que Harry cuidasse de seu menino para variar, pois ele tinha trabalhado tanto com Neville e os outros membros da Armada de Dumbledore que mal parara em casa.

Suspirando, tentou afastar esses pensamentos de sua cabeça. Mas era inevitável coma chegada tão iminente daquele ano letivo em Hogwarts. O primeiro ano de seu filho e suas duas afilhadas na escola, Rose, filha de Ron e Hermione, e Evangeline, filha desaparecida da Luna.Tinha muitos motivos para comemorar, mas também tinha esse pesar enorme no coração, pois sua afilhada não iria para Hogwarts. Todos até acreditavam que a menina estava morta. Mas não ela. Gina tinha muita fé que a menina estava viva, e vivia repetindo isso para a amiga, Luna, que estava perdendo a fé.

Luna havia perdido a visão e desenvolvido uma fobia enorme de pessoas que ela não conhecia, vivia encolhida num canto escuro de Hogwarts, se recusando a conviver com todos, até com seu marido e dois filhos. Era uma tristeza para os amigos dela assistirem àquilo. Por isso se empenharam em procurar a menina desaparecida ainda bebê, segundo Luna, sequestrada por anjos. Por anos eles procuraram e nenhuma pista encontraram, então abandonaram a busca até recentemente, quando Luna teve outro ataque e começou a chamar pelo nome da filha. Neville implorou aos amigos que o ajudasse,pois não aguentava mais ver a esposa daquele jeito.

- Mamãe, posso comer mais um sapo de chocolate? – sua filha mais nova, Lily, interrompeu seus pensamentos sombrios. Graças aos céus, não sabia como Neville lidava com isso todos os dias. Ela se focava em seus filhos para tentar esquecer a dor dos amigos e da sua própria. Era o que faria naquele momento.

- Pode, filha, mas é o último permitiu, mesmo a filha tendo comido doze desde o café da manhã. – Harry, Alvo, James, andem logo, meninos, nós não podemos nos atrasar.

Enfeitiçou as malas e as levou até o carro, enquanto Harry, os meninos e Lily corriam para tomar seus lugares. Em uma hora, dois dos seus filhos estariam indo para Hogwarts, e ela, seu marido e sua filha estariam acenando para o trem que sumia de vista.