Hogo Heiwa ai
3 Capítulo 3 - Resfriado
Capitulo 3
Acordei assustado em meu quarto, o ventilador girava lentamente no canto e eu fiquei sentado na cama tentando entender como fui parar ali. Fiquei parado por uns segundos até que me lembrei:
– A é! Eu desmaiei na escola...
Me levantei e fui até a porta, a abri, no corredor não tinha ninguém e todas as luzes estavam apagadas, pensei enquanto estava parado na porta:
– Como foi que voltei para casa?...
Comecei a andar no corredor escuro até a escada, enquanto falava em tom alto:
– Pai...? Tem alguém em casa?...
Comecei a descer a escada lentamente. Só fui perceber isso agora, mas ainda me sentia tonto e minha cabeça doía. Quando cheguei ao primeiro andar, percebi que o ventilador também estava ligado, mas as luzes e a televisão desligadas.
Andei até o meio da sala, parei e virei meu pescoço para a cozinha. Perto da pia, avia uma garota parada, uma menina com cabelo curto, usava óculos e era totalmente reta. Ela estava mordendo um picolé de uva e me olhando com uma expressão sem animo, a primeira coisa que pensei:
– Quem é?!
Antes que eu pudesse perguntar algo a aquela misteriosa garota, ouvi passos no assoalho de madeira da casa, vindo do banheiro, e uma voz feminina gritando:
– Naomi-chan!!!
A garota chegou até a sala e me encarou, eu a reconheci na hora:
– Mitsuko-san?!
Mitsuko-san se assustou dando alguns passos para trás, falando:
– M-Masao- kun?!
Ela corou um pouco, mas continuou falando:
– É-é... Você já acordou...
Eu apenas concordei:
– S-sim...
Estávamos na sala, eu, Mitsuko-san e a garota misteriosa. Quando então me explicaram a situação. Começando por Mitsuko-san:
– É-é... Você se lembra que desmaiou na escola não é?
Eu respondi:
– S-sim, lembro...
Mitsuko-san continuou:
– Então, depois daquilo eu e Fuyuki-kun te levamos para a enfermaria.
– A enfermeira disse que você estava resfriado e...
Nesta hora pensei:
– Ah... foi a chuva do outro dia...
Mitsuko-san prosseguiu:
– Quando fomos falar com Yui-sensei, ela tentou ligar para sua casa, para seus pais te buscarem e tratarem de você...
– Mas ninguém atendia ao telefone...
Olhei para o telefone e a casa, me lembrando:
– Meu pai ainda não chegou em casa...
Continuando com a explicação:
– Yui-sensei acabou te trazendo no carro dela, e por consequência, eu e Fuyuki-kun viemos juntos...
– Só que quando chegamos aqui ninguém estava em casa, então a professora acabou sugerindo:
“- Já que ninguém está em casa, você poderia cuidar dele Misaki-chan? Você também Fuyuki-kun.
Ryuu respondeu na mesma hora:
– Bom, eu não me importo...
Misaki corou mas no final acabou concordando”
Ela então riu colocando a mão na nuca e disse:
– E-então é por isso que estamos aqui... Hahaha
Eu apenas pensei:
– Aquela maldita professora...
Acabei me lembrando e então perguntei a Mitsuko-san, apontando para a menina desconhecida:
– É-é, e quem é ela?
Mitsuko-san se lembrou e então disse:
– Ah! Está é Naomi Nobuko, uma amiga que chamei para ajudar, ela estuda no mesmo colégio que agente...
– Naomi-chan, este é Masao Makoto de quem lê falei...
Eu olhei para ela e então cumprimentei:
– P-prazer.
Ela deu uma mordida no picolé de uva e respondeu sem nenhum sentimento:
– Prazer.
Achei estranho. O ambiente ficou em um silencio estranho por alguns instantes, minha cabeça ainda doía. Mitsuko-san estava um pouco corada e olhava para baixo, enquanto Nobuko-san continuava lambendo o picolé de uva. Eu apenas pensei:
– Que situação é essa?!
Me lembrei e perguntei a Mitsuko-san:
– Ah! Ryuu, onde ele está?
Ela respondeu:
– Ele disse que ia comprar algumas coisas na loja de conveniência, depois viria pra cá...
Neste mesmo instante a porta principal da casa bateu, Ryuu avia chegado gritando:
– Cheguei! Trouxe melancia, alguém anima brincar d-
Ele parou de falar quando me viu na sala, então disse:
– Makoto! Você por aqui?
Eu gritei de volta para ele:
– Você esqueceu o porquê de ter vindo até aqui?! Além do mais, esta é a minha casa...
Ele apenas resmungou:
– Ah... Relaxa... Relaxa...
Ryuu chegou perto das garotas e então falou:
– Aceitam melancia? Está bem doce...
Mitsuko-san sorriu e disse:
– A-a... Obrigada
Nobuko-san ô ignorou, ela não parava de me encarar.
Eu, um tanto desconfortável, me levantei falando:
– É-é... Vocês aceitam alguma cois-
Fui interrompido por uma tontura que me fez apoiar na mesa e quase cair de novo. Mitsuko-san se assustou correndo até mim e me segurando, depois falou:
– Você ainda está resfriado, vá para a cama!
Ela me segurou pelo braço e começamos a caminhar até meu quarto, enquanto isso Ryuu murmurou enquanto nos olhava:
– Mitsuko-san é bem carinhosa em...
Ryuu não tinha percebido a presença de Nobuko-san na sala, quando ele a viu, pensou:
– Ãhn...? Quem é essa?
Ele a encarou e disse:
– Prazer! Sou Fuyuki Ryuu!
Ela o olhou, com a mesma expressão despreocupada, e sem responder, deu mais uma mordida no picolé de uva.
Ryuu apenas pensou:
– Êh?
Já no meu quarto, Mitsuko-san me colocou na cama enquanto eu dizia:
– Obrigado.
Sentado na cama, eu olhei para o relógio e então perguntei a Mitsuko-san:
– Que dia é hoje?
Ela respondeu:
– Quinta, por quê?
Eu me assuntei:
– Quinta? Mas eu desmaiei na quarta, então como...
Ela riu e então disse:
– Você dormiu este tempo todo.
Eu olhei para o relógio, e ele marcava 11h30.
Mitsuko-san avisou:
– Melhor você se deitar.
Eu a olhei e perguntei:
– Quem ficou aqui este tempo todo?
Ela respondeu despreocupada:
– Fuyuki-kun, por quê?
Eu olhei para a janela que estava aberta e tinha vista para o céu ensolarado, e então disse:
– Não, por nada...
Depois que me deitei, ela pegou o termômetro para medir minha temperatura. No visor apareceram “37,9”. Ela então me cobriu enquanto dizia:
– É uma febre baixa, mas tente dormir.
Eu fechei os olhos de pouco a pouco, e acabei pegando no sono. Minha cabeça girava e doía infernalmente, eu via luzes e clarões, meu corpo estava quente e eu não parava de suar por causa da febre, fiquei nesta situação por algumas horas. Quando o relógio marcou 14h00, eu estava acordando, me sentia bem melhor. Nesta hora, ouvi alguém batendo na porta, então disse:
– Entre!
Quando a porta abriu, Mitsuko-san entrou carregando uma bandeja, e Ryuu uma garrafa de refrigerante. Ela disse:
– Fizemos um pouco de Okayu!
Colocaram a bandeja no meu colo, o Okayu tinha uma aparência suave e bonita. Peguei o garfo e provei, estava realmente saboroso, então falei:
– Delicioso!
Nesta hora Mitsuko-san ficou corada e murmurou:
– V-você acha mesmo?
Eu fiquei sem entender um pouco, até que percebi o que tinha falado, então perguntei com vergonha:
– F-foi você que fez Mitsuko-san?
Ela não respondeu, apenas acenou “sim” com a cabeça. Eu fiquei a olhando com vergonha, e quando percebi, Ryuu estava do lado, quase rindo, enquanto fazia uma expressão irritante.
Eu voltei a comer o Okayu, a cada garfada eu sentia minha força e sentidos voltando, estava realmente bom! Ryuu estava procurando coisas pelo meu quarto, enquanto gritava:
– Uou! Você tem o novo disco do On Ok Rock? Meu deus tem até um pôster, ei, você consegue um desses para mim? Caramba, tem mangá também. Meu deus! Aquilo é o volume um de Fullmetal? É muito difícil achar isso hoje em dia...
Ryuu continuava olhando coisas do meu quarto, até que eu disse:
– Ei! Para de bisbilhotar!
Mitsuko-san estava rindo, quando lembrou-se e me ofereceu:
– Ah! Você quer um pouco de refrigerante Masao-kun?
Eu respondi:
– Ah sim! Obrigado!
Ela me serviu um copo de refrigerante de limão, que estava gelado.
Ryuu, carregando vários mangás e CD’s , veio até mim e disse:
– Ei, eu trouxe uma coisa para você também.
Eu apenas perguntei:
– Ãhn? O que?
Ele disse:
– Espera ai!
Ryuu saiu correndo pelo corredor quase caindo na escada, eu pensei:
– Ei, minhas coisas...
Mitsuko-san estava rindo baixo do meu lado, eu já estava nas ultimas colheradas do Okayu. Então disse:
– Ei... Mitsuko-san...
Ela me olhou e respondeu:
– Sim?
Eu agradeci:
– Obrigado!
Ela corou e perguntou:
– Pelo o que?
Eu olhei para o Okayu e a respondi:
– Bem... Eu não sinto isso há algum tempo... hahaha.
Ela em dúvida me perguntou:
– Não sente o que?
Eu dei um pequeno sorriso e disse:
– Ãhnn... Este cuidado... É meio novo para mim...
Ela olhou para o Okayu e para o meu rosto, depois disse:
– Tudo bem! Não tem problema, enquanto eu puder ajudar, estarei aqui... Ao seu lado.
Eu a encarei, depois que me olhou, ela corou instantaneamente, enquanto pensava:
–ÃHN?! O que eu disse?!
Ryuu chegou correndo no quarto nesta hora, trazendo um prato com dois pedaços de melancia, e me entregou. Eu sem entender, apenas olhei para ele. Ryuu então disse:
– Ai está! O que eu trouxe para você!
Eu olhei para os dois pedaços e o respondi:
– Ah, obrigado...
Ele então gritou:
– Então! Você não tem problema em eu pegar isso tudo aqui emprestado né?!
Eu gritei para ele:
– Então você queria era isso?!
Mitsuko-san riu e disse:
– Bom, durma mais um pouco Masao-kun, vamos prepara mais alguma coisa para o jantar.
Me deitei e voltei a dormir, peguei no sono facilmente e os sintomas anteriores pararam. Minha cabeça e corpo estavam mais frios, o Okayu provavelmente ajudou. Acordei normalmente e me sentei na cama. Agora o relógio marcava 18h, eu estava completamente bem, o resfriado avia sumido.
Levantei e comecei a andar até a sala, Nobuko-san estava na mesa, assistindo a televisão sozinha. Eu fui até ela e fiquei parado ao seu lado, sem saber o que dizer. Até que ela quebrou o clima pesado dizendo:
– Ôh! Já acordou?
Foi uma surpresa, as primeiras palavras dela com sentido. Acabei respondendo:
–Ah, sim. Obrigado por se preocupar.
Ela voltou os olhos para a televisão dizendo sem nenhuma expressão:
– Não que eu me importe.
Eu fiquei sem saber como reagir, até que por surpresa, ela foi um pouco educada:
– Sente-se, quer um pouco de chá?
Eu me sentei sem muita preocupação, ela serviu um pouco de chá para mim em uma xicara. Eu olhei para o copo, e avia um talho boiando no chá*. Era chá verde, me deu um pouco mais de energia.
Enquanto eu bebia, ela murmurou:
– Então...
Eu olhei para ela por um instante:
– Foi você que deu o fora na Misaki não foi?
Cuspi todo o chá que estava na minha boca, assustado eu olhei para ela perguntando:
– Ãhn...? Como você sabe?
Ela me olhou com raiva, e então falou:
– Quem você acha que ficou enxugando as lágrimas dela naquela noite?!
Eu voltei murmurando:
– Ah...Sim...
Voltei a beber o chá pensando:
– Ela chorou? Mas... Eu... Então, por que ela me ajudou tanto hoje...?
Nobuko-san continuava assistindo a televisão, quando eu disse:
– A-acho que... dar um fora não é bem o que aconteceu...
Ela olhou para mim com a mesma expressão de antes. Eu continuei:
– Não foi como dar o fora... Foi mais como um... Desabafo...
Ela abriu os olhos um pouco mais, e então murmurou:
–Ôôh...
– O que você quer dizer com isso?
Eu expliquei um pouco mais calmo:
– O que ela me disse naquele dia... De certa forma me ajudou... Eu meio que sou grato a ela...
Ela fechou os olhos até a metade e disse:
– Mas isso não muda o fato que você deu o fora nela.
Eu apenas continuei:
– O que quero dizer é que ela é diferente!
Nobuko-san perguntou:
– Como assim?
Eu apenas a respondi:
– Ela foi mais honesta.
Me lembrei das demais garotas que fizeram o mesmo que a Mitsuko-san, o desfecho da confissão sempre foi o mesmo, mas a diferença é que as outras se afastaram, nunca mais tentaram falar comigo, me evitavam. E sempre que iam se confessar, apontavam aparência e imagem como as coisas mais importantes.
Antes que eu pudesse explicar tudo isso para Nobuko-san, Mitsuko-san e Ryuu chegaram.
Eu me apoiei no assoalho olhando para a porta, quando disse:
–Ah! Bem vindos!
Mitsuko-san veio andando, carregando duas sacolas dizendo:
– Oh, você já está de pé? Como se sente?
Eu me levantei enquanto dizia:
– Estou completamente bem, obrigado pela preocupação.
Ela sorriu e disse:
– Ainda bem.
– Compramos algumas coisas, vou preparar o jantar.
Eu concordei.
– Tudo bem.
Mitsuko-san passou por mim, olhei para Ryuu que veio até mim falando:
– Eae, como se sente?
Eu o cumprimentei respondendo:
– Muito bem.
Ele riu e disse:
– Sortudo você em? Tendo duas garotas em casa assim...
Eu o respondi:
– Ãhn...? Como assim? E você está aqui também.
Ele começou a rir e passou por mim sem falar nada, decidi ignorar.
Fui ate a cozinha, Mitsuko-san estava separando os ingredientes, quando perguntei:
– O que vai fazer?
Ela riu enquanto pegava os legumes:
– Curry!
Eu peguei a faca e disse sorrindo:
– Ok! Vou te ajudar.
Ela me perguntou:
– Ãhn...? Tem certeza? Você estava de cama ate agora a pouco...
Eu apenas expliquei:
– Estou bem, deixe-me ajuda-la.
Começamos a preparar o Curry. Ela picava os legumes enquanto eu cozinhava a carne. Olhamos para a sala, Ryuu estava entusiasmado enquanto falava com Nobuko-san, que continuava com a expressão despreocupada de antes, ignorando completamente Ryuu.
Mitsuko-san perguntou:
– Você já conversou com a Naomi-chan?
Eu engoli a saliva que estava na boca e depois a respondi:
– Eu acho que ela não gosta muito de mim...
Mitsuko-san então questionou:
– Ãhn? Por quê?
Antes que eu pudesse responder, a panela começou a ferver e deu um estouro, assustando a nos dois, Ryuu também chegou resmungando:
– Ei, qual o problema daquela garota? Ela não me da um pingo de atenção...
Eu dei uma pequena risada e Mitsuko-san explicou:
– Ela é assim, não parece, mas ela se importa muito com os outros.
Eu pensei:
– Sério? Não parece...
Servimos então o Curry mais tarde, comemos os quatro na mesa, com a televisão e o ventilador ligados do lado. Aquele momento, aquele instante, a noite daquela Quinta Feira, foi a primeira vez dês de muito tempo que eu não me sentia tão aconchegado, o Curry estava realmente bom, a risada de Mitsuko-san e de Ryuu eram animadoras, até mesmo a presença de Nobuko-san estava me alegrando.
Eu não percebia, mas Nobuko-san olhava graciosamente Mitsuko-san rindo, apreciava toda aquela comida na mesa. Ela percebeu como eu o tão caloroso que aquele momento era.
Depois que terminamos de comer, tiramos na sorte quem lavaria os pratos, eu e Nobuko-san perdemos. A situação não era das melhores, eu sozinho com ela na cozinha.
Eu lavava os pratos e ela os enxugava, ficamos nesse processo por alguns minutos. Até que ela começou a olhar para mim e depois para a sala, onde Mitsuko-san e Ryuu estavam.
Ela pegou um prato, e começou a murmurar:
– Acho que não tem tanto problema assim...
Eu á percebi falando e reagi:
– Oi?
Ela então prosseguiu:
– Não acho que tenha problema em as coisas continuarem do jeito que estão.
Eu a continuava encarando, então perguntei:
– Como assim?
Ela me explicou:
– Misaki... Ela está feliz...
Eu olhei para Mitsuko-san, Nobuko-san continou:
– Eu a conheço... Ela está muito feliz...
Eu perguntei:
– Pelo o que?
Nobuko-san respondeu:
– Por você... Pelo visto, mesmo tendo sido rejeitada, continuar ao seu lado ainda a faz feliz...
Eu continuei olhando para Mitsuko-san na sala, ela estava alegre.
Nobuko-san deu um pequeno sorriso dizendo:
– Então eu acho que tudo bem...
Eu a olhei pensando:
– Talvez ela realmente seja uma boa pessoa...
No mesmo instante ela me olhou com uma expressão aterrorizante, me ameaçando:
– Mas se você a fizer chorar novamente, o farei atravessar o rio Estige antes da hora!
Eu virei meu rosto novamente para frente pensando:
– É... Deixa pra lá...
– Que medo...
Um som interrompeu o momento, chamando atenção até de Mitsuko-san e Ryuu, “[Paaf!]”.
Nobuko-san estava olhando para o chão com uma expressão despreocupada murmurando:
– Opa.
Avia um prato quebrado no chão, ela o deixará cair. Então pensei:
– Ela é desajeitada também...
Todos estavam na porta, estavam para ir embora, eu disse a todos:
– Muito obrigado por tudo.
Mitsuko-san me respondeu saindo:
– Não tem problema, se precisar é só chamar.
Nobuko-san se curvou e saiu. Ryuu apenas disse:
– Bom, se forem vir mais garotas, me chame, até.
Eu o olhei sem animo, até que saiu.
Fechei a porta, me virei para o interior da casa, que agora estava vazia e sem animo. Abri um sorriso e caminhei até a varanda. Sentei-me e fiquei olhando as estrelas, enquanto pensava:
– É... Isso foi realmente divertido... Espero que aconteça mais vezes...
A brisa batia no meu rosto me refrescando, sentia o cheiro das cerejeiras que cercavam a região. Eu estava alegre, há muito tempo não sentia isso. Tudo que eu tinha vivido nos últimos anos parecia um passado bem distante.
Meu pensamento foi interrompido por uma batida, que vinha da cerca, no final no quintal. Eu um tanto assustado, fui caminhando ate lá devagar. Ouvi uma voz feminina:
– Ei...
– Ei... Garoto do onigiri!
Eu cheguei perto e olhei através da cerca, reconheci a menina na hora:
– Masumi-san?!
Aika sorriu e disse:
– Ei! Garoto do onigiri!
Eu perguntei pensando:
– O que você está fazendo aqui? Garoto do onigiri?
Ela olhou para a esquerda um pouco corada e então perguntou:
– E-eu...
– E-e-eu... Eu posso dormir aqui?!
Ela me encarava, com os olhos bem abertos, eram azuis e brilhavam com o reflexo da lua. Pensei:
– Ãhn...?
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