Hocus Pocus
12 Capítulo 12
O príncipe e o sapo
O caminho até o centro de Acapulco nunca foi tão comprido. Para piorar nossa situação, se isso fosse possível, havia ainda um acidente no meio do caminho. Um louco dirigindo em alta velocidade encontrou um poste em sua frente e mandou um carro para o ferro velho. Parecia que ninguém se ferira gravemente, mas que o estrago foi grande, isso foi. Meu estômago estava embrulhado, mas não era por causa do feitiço. Eu queria ver Dongwan. Ele tinha razão ao dizer que estávamos possuídos, eu só não costumava acreditar nessas coisas.
Consuelo encostou o carro na porta do Las Fuentes e um manobrista sorridente apareceu, falando um espanhol muito rápido, se oferecendo para estacionar. Mandei ela entregar as chaves, dinheiro para pagar qualquer coisa eu tinha de sobra. Queria entrar correndo e ver os rapazes... ver Dongwan. Tá, confesso que eu estava chata, quase beirando ao insuportável. Mas poxa, eu ainda não tinha percebido que estava apaixonada, apenas sabia que sentia por ele uma atração incontrolável.
_Posso ajudar os senhores? – Uma recepcionista nos barrou na entrada.
_Vamos ao bar. – Eu estava impaciente.
_Têm ingressos?
_Que ingressos? – Consuelo estranhou.
_Hoje estão se apresentando Enrique Iglesias e banda... só entram com ingresso. Se quiserem podem adquirir na recepção.
Olhei para Hyesung, frustrada. Ele pegou o celular e ligou para Minwoo. Estávamos no meio do saguão, e ele descobriu que os quatro amigos tinham reservado um quarto. Aliás, o quarto. Eles tinham escolhido a suíte master, e aquela nem eu conhecia. Era algo de extraordinário... tinha sauna, piscina e bar privado. Eles achavam que estavam em festa, só podia.
_Dongwan não está com vocês??? – Foi o que ouvi Hyesung falar. Ele falava e eu só ouvia as vozes das pessoas no saguão. Mas tocou no nome de Dongwan, eu despertei. – Como assim?? Ah, ele está no saguão? Nós estamos no saguão, o que ele está fazendo aqui?
Como se tudo já não estivesse cinematográfico, antes de Minwoo responder a Hyesung no celular, pudemos ouvir uma voz atrás de nós.
_Porque queria esperar vocês. – O sorriso devastador de Hyesung apareceu diante de mim. Era Dongwan... senti um alívio tremendo. – Queria esperar você. – Ele disse, olhando para mim. Caminhei até ele, ficamos muito próximos.
_Dongwan...
_Pst... não precisa falar, agora.
Eu já estava entregue aos impulsos descompassados do meu corpo mesmo, e não havia nada que eu quisesse mais do que beijar Dongwan. Ele me segurou com toda força, e nem se importou que estávamos no meio do hotel mais chique de Acapulco. Antigamente, eu costumava ponderar tudo racionalmente; não tinha namorados porque eles tinham que ter muita coisa para me atrair. Via homens bonitos, mas que eram só bonitos. Eu queria sentimento, queria que ele me despertasse um interesse oculto. E nada mais ficou oculto depois que eu conheci Dongwan... chutei a bandeira do racionalismo, detonei qualquer concepção de ceticismo, derrubei todas as barreiras do meu moralismo. Ele era lindo, era gostoso, me fazia sorrir, me fazia sentir coisas diferentes, me fazia sentir uma... mulher.
_Fiquei com tanto medo que... – eu tentei falar. Ele segurou meus lábios com os dedos. Consuelo e Hyesung eram meros expectadores.
_Não fale. Deixe eu olhar para você... achei que não conseguiria chegar aqui.
_Aham... – Hyesung resolveu interromper. – Casalzinho, melhor subirmos. Já é quase dia, estou cansado e precisamos dormir.
_Si, temos até as dez horas da manhã para descansarmos. – Consuelo falou, olhando o relógio.
_Por que? – Dongwan quis saber.
_Porque é um contra feitiço... acontece de dia! E tem que ser ao meio dia, no Monte Cuervos. Roberto estará lá para nos ajudar.
_Quem é Roberto? – Hyesung ficou curioso.
_Um mago.
Consuelo respondeu sorrindo, e as caras de Dongwan e Hyesung foram cômicas. Bem, só faltava mesmo um mago naquela história toda... Subimos para a tal suíte master e tentamos todos nos acomodar. Havia bastante espaço, apesar de não haver camas para todos. Consuelo, a que falava espanhol melhor, ligou para a recepção e pediu colchões.
Também foi interessante ver Eric, Minwoo e Andy. Eles tinham acreditado em Dongwan, mas ainda era complicado para eles pensarem que os amigos estavam de corpo trocado. E ao me ver entrar no quarto, percebi que Minwoo se encolheu. Eu era nada mais que um fantasma para eles, afinal todos me viram morta. E era pedir demais que acreditassem na volta dos mortos-vivos. Tentamos todos dormir, pois Consuelo estava de guardiã do horário, e avisou diversas vezes que tínhamos hora certa para chegar ao Monte Cuervos. E eu que já não suportava mais ouvir aquele nome!
Quando os primeiros raios de sol entraram pela janela do quarto, abri os olhos involuntariamente. Eu era mesmo ínsone, e dormir um dia a menos não me fazia diferença. Ao meu lado na cama, estava Dongwan. Lindo, adormecido como um bebê. Eu e Consuelo ocupávamos camas, pois éramos mulheres. Eles eram cavalheiros, e disputaram árduamente as duas outras camas. Sobrou o chão para Dongwan, Minwoo e Andy. Mas Dongwan estava ali, dormindo ao meu lado. Curioso...
_Dongwan? – Perguntei, falando bem baixinho. Beijei-lhe o ombro, sentindo o seu perfume.
_Ahm... o que foi?
_O que está fazendo em minha cama?
Dongwan espreguiçou-se e bocejou. Olhou em volta tentando se situar e depois me encarou.
_Eu não conseguia dormir... desculpe se te incomodei.
_Não me incomodou. A cama é grande. Você... quero dizer, nós... apenas dormimos?
_Sim... apenas dormimos. – Dongwan deu uma gargalhada. – Mas não foi por minha vontade. É que me recuso a continuar com você nesse corpo de Shin Hyesung.
Sorri para ele, pulei da cama e decidi acordar a todos. Ainda eram nove horas, mas dava tempo para tomar um bom café da manhã e ir com calma até o lugar do contra-feitiço. Fiz o favor de acordar todo mundo, mesmo com os protestos dos rapazes. Quase precisei de um guindaste para retirar Dongwan da cama. Mas em poucos minutos, todos estavam prontos para comer alguma coisa. Mesmo com o calor mexicano ao qual eles não estavam acostumados, proibi que tomassem banho. Não era hora para higiene pessoal, e sim para manutenção da sanidade mental.
Obviamente, não cabia tanta gente no meu carro, e precisamos dar um jeito de chegarmos até o vilarejo de Consuelo. Ela poderia ter chamado a mãe e pedido ajuda, mas não seria possível. Segundo ela, a mãe jamais aceitaria que ela havia mexido no livro dos feitiços, e a colocaria de castigo. E as mães mandavam nos filhos por muito tempo, no México. Consuelo era prudente. Ela achou melhor ligar para Roberto.
_Você vai ligar para o... mago? – Andy achava difícil de acreditar.
_Vou, ué.... ele tem carro!
_E... vamos até um lugar onde se faz feitiços no carro de um... mago. E depois vamos trocar Hyesung e Dongwan de corpos. Juro que preciso escrever uma biografia. – Eric ria.
Por nossa sorte, Roberto podia nos pegar. Eu ri bastante antes dele chegar, e os rapazes não entenderam a razão. Foi só olhar para o “carro” de Roberto para entenderem o motivo das minhas gargalhadas: ele tinha um Chevrolet velho, amarelo, barulhento, que mais parecia uma loja ambulante do que um meio de locomoção. De imediato, todos se recusaram a entrar no carro. Era muito indiscreto, e eles estavam acostumados a luxo. Muito luxo. Mas não havia outra solução, no meu carro só cabiam 4.
A caminho do Monte Cuervos, pisei no acelerador como não fazia há tempos. Comigo estavam Consuelo, Dongwan e Hyesung. Os que precisavam chegar mais cedo, pensava eu. Não entendia nada de feitiços, passei o trajeto perguntando a Consuelo o que aconteceria ao chegar lá, se eu veria sangue ou animais mortos. Ela, gentilmente, ignorou-me a viagem inteira. É, eu era mesmo bastante tapada no assunto.
O sol ardia no céu e eu suava como nunca ao parar o carro no ponto mais alto do Monte Cuervos. Teríamos que encarar alguns metros à pé, com todo aquele calor infernal. Novamente, os rapazes quiseram recusar nossa proposta.
_Subir isso à pé? – Minwoo pareceu não acreditar.
_Nem pensar! Estou suando, fedendo, sujo de poeira... não ando nem um centímetro à pé! – Eric protestou.
_Só podem estar brincando! – Andy olhou para o topo do monte.
_Deve ter outra solução... não, Debby? – Quis saber Dongwan.
_Não. Vamos subir, e rápido. Já é quase meio-dia. – Consuelo determinou.
No alto do monte, pudemos ver várias pedras rabiscadas e outras quiquilharias que demonstravam ser realmente um lugar onde pessoas realizavam... trabalhos. Eu, ainda meio cética, fiquei querendo entender para que tantas tralhas para uma coisa que não funcionava. Era só olhar para o lado para ver o quanto eu estava errada!!! Roberto e Consuelo foram para um canto com a cópia do contra feitiço, e ficamos os outros olhando, feito bobos. Não entendia o dialeto que eles falavam, e os rapazes entendiam nada de espanhol. Hyesung e Dongwan foram colocados no meio de várias pedras que continham escritos. Roberto muniu-se de alguns pós coloridos e fedorentos e começou a falar alto, em tom ameaçador. Andy, Eric e Minwoo aproximaram-se; Dongwan e Hyesung fecharam os olhos quando o céu começou a ficar turvo e escuro. Uma nuvem negra começou a se formar sobre o Monte Cuervos, enquanto Consuelo jogava “ingredientes” na roda onde estavam Hyesung e Dongwan. Pode-se ouvir trovoadas antes que um vento nos arrebatasse e jogasse todos no chão, de forma violenta.
Tive medo de abrir os olhos, mas o céu estava limpo novamente. O sol recomeçou a cozinhar os mortais na Terra, e o vento havia parado totalmente. Olhei em volta e todos começavam a se levantar. O corpo que pertencia a Kim Dongwan olhava para as próprias mãos. Os demais não sabiam o que pensar. Eu me aproximei dele, dedos cruzados, desejando ardentemente que tudo estivesse normal.
_Debby? – Ele me olhou curioso. – Eu... pareço eu mesmo?
_Sim... – dei um largo sorriso e o abracei, instintivamente – você parece você mesmo.
Certos que o pesadelo acabara, descemos o Monte Cuervos aliviados, sorridentes, suados. Levei todos para minha casa, assim poderíamos aproveitar e tomar banho, além de comer alguma coisa. Mas as coisas não tinham mesmo que dar certo para mim. Não fazia nem meia hora que estávamos sentados na cozinha, aguardando o almoço que eu havia pedido, quando a casa foi invadida. Policiais falando alto e rápido arrombaram a porta da frente, jogaram bombas de gás e nos cercaram, fazendo com que nos “entregássemos”, sem nem saber que crime tínhamos cometido. Junto da polícia, a mãe de Consuelo, minha mãe, Brad, o produtor do Shinhwa e mais um circo de jornalistas e fotógrafos. O inferno havia voltado.
Fomos levados para a delegacia local, interrogados e liberados. Eu era a morta que estava viva, então Dongwan e Hyesung não haviam cometido crime algum. Inventei uma história fantástica de catalepsia, e, como eu estudava ciências, não foi difícil convencer a todos que eu pedira que me trouxessem ao México para ser estudada. Era uma conversa mais convincente do que o feitiço de Consuelo. Só Dolores não acreditou na gente; ela tinha certeza que havíamos ido ao Monte Cuervos e realizado algo proibido. Como Consuelo previa, foi condenada ao perverso castigo de não assistir às rodas de feitiçaria por 2 meses. Cruel...
No entanto, depois que saí da delegacia eu não pude mais ver Dongwan. Eles o haviam levado, e eu não sabia para onde. Era a primeira vez que eu teria a chance de estar com ele depois do feitiço; eu teria a oportunidade de saciar todas as vontades que surgiram em mim como veneno, mas não pude. Eles o tiraram de mim; aquilo foi cruel. Voltei para casa tendo que aturar minha mãe e seus chiliques, Brad reclamando que sua família era completamente louca, que ele não tinha um minuto de paz; e Bob e Luke com suas travessuras. Voltei para a vida normal, e ela era, definitivamente, chata.
Em poucos dias, tudo que eu considerava estável revirou-se, transformando minha vida em algo que eu jamais poderia imaginar. Como disse no início, é uma história fantástica. Não somente pela questão da magia, mas porque foi capaz de quebrar credos e destruir minha descrença em tudo. Eu jamais poderia dizer novamente que não acreditava em feitiços. Ou em magia. Ou em qualquer asneira que Consuelo falasse. Eu também não podia mais dizer que talvez acreditasse em Deus; eu havia rezado diversas vezes. E tudo deu quase certo. Dongwan voltou a ser Dongwan, e eu voltei a ser Débora Mendes, a estudante de ciências em uma faculdade mexicana.
Isso se não fosse por um porém. Eu estava completamente apaixonada por Kim Dongwan, e o fato de ele ser intocável não me faria mudar de idéia. Eu passei a vê-lo em cada lugar que ia, em cada rosto que via, em cada pessoa que falava comigo. Ele estava impregnado em mim como se não pudesse sair mais. Não bastava lavar o corpo, ele não ia embora com a água e o sabão. Mas eu era somente uma fã que havia causado uma grande confusão, e nada mais. Bem, era como eu pensava.
Conformei-me com minha sina. Os dias que se seguiram foram mornos e sem graça, apesar do calor natural de Acapulco. Minha história ficou famosa... fui procurada por diversas pessoas interessadas em escrever uma matéria, um livro. Nem pensei naquilo, eu escreveria um livro sozinha! Ninguém se apoderaria da minha história com o Shinhwa; era minha, única, por mais dolorosa e inimaginável que fosse. Brad e mamãe continuaram nas suas vidinhas, ele andando de um lugar para outro com suas produções e ela garimpando a sociedade.
Consuelo ainda cumpria seu castigo quando nos encontramos na faculdade. Era uma tarde quente e abafada, e fazia mais de uma semana que não nos falávamos. Desde o dia do contra-feitiço. Ela me olhou ressabiada, mas se aproximou sorrindo.
_Chica! Como estás?
_Nada bem.
_O que houve?
_Sinto saudades de Dongwan. – Confessei. Não via motivos em mentir, estava tudo muito mais público do que eu gostaria que estivesse.
_Bem... por que não liga para ele?
_Não sei o telefone dele! E, além do mais... o que vou dizer? Afinal, eu sou uma encrenca ambulante, isso é o que ele deve pensar.
Consuelo balançou a cabeça e me convidou para ir comer alguma coisa. Eu não estava frequentando muito a minha casa desde que tudo aconteceu; minha mãe sempre me olhando como se eu tivesse renascido. Ela nunca acreditou no feitiço... eu tinha que ter puxado meu ceticismo de algum lugar. E os meninos morriam de medo quando eu me aproximava, pois eles tinham me visto... morta. Eu era o novo zumbi, frankenstein, o que eles quisessem denominar.
Fomos até a lanchonete mais popular de Acapulco, que seria os melhores hamburgeres. Se eu não podia ter Dongwan, ia comer até ficar obesa. Não conseguiria, era magra de ruim, mas tentaria. Comeria até passar mal, ou mudaria de nome. Sentei-me no balcão e olhei para as garrafas de gin tônica e rum que saltitavam das prateleiras. Desejei embebedar-me até vomitar, mas ainda eram 5 da tarde. Eu ainda não tinha virado alcóolatra. Um rapazinho franzino se aproximou de mim com um bloquinho nas mãos, para anotar o pedido.
_Um sanduíche com bastante maionese e uma Cola Light. – Eu pedi. Consuelo foi ao banheiro, tinha uma mania terrível de banheiros! – Melhor, traz o sanduíche que eu mesma coloco a maionese.
_O mesmo para mim.
Meus ouvidos me traíram e eu ouvi uma voz que deseja há dias. Tive medo de virar os olhos e me desapontar, mas a curiosidade foi mais forte. Ao meu lado estava sentado Dongwan, vestindo uma camiseta de turista azul “cheguei” cheia de palmeiras e solzinhos, usando óculos escuros e um boné. Fiquei sem palavras, completamente abobada. O que ele fazia ali, eu não tinha a menor noção. Mas não pude deixar de perceber que era a mesma situação em que nos encontramos no hotel, em Seul.
_Dongwan... – Eu desengasguei.
_Que coincidência encontrar você por aqui. – Ele brincou. Sorriu para mim e fiquei zonza. Senti o chão se abrir, e não mergulhei nas profundezas por muito pouco.
_Coincidência? – Fiquei confusa.
_Bem... é a segunda vez que nos encontramos. Não acredito muito em coincidências, deve ser coisa do destino. Acho que você tem que aceitar meu convite para jantar.
_Mas vamos comer, agora. E... que conversa sem pé nem cabeça é essa?
Dongwan tirou os óculos e me olhou. Arregalei os olhos.
_Uns dias atrás, conheci uma garota em um bar. Ela me tratou como se não me conhecesse, e eu gostei daquilo. Não tivemos a oportunidade de nos conhecermos direito... Shin Hyesung se intrometeu na história e atrapalhou tudo. Acho que ficamos devendo, um ao outro, mais uma oportunidade.
_Dongwan, eu... como você pode ser assim? Depois de tudo que eu causei, depois de...
_Psssst... – ele me calou com os dedos. – Façamos o seguinte: eu atravessei o oceano para jantar com você. Você deixa eu te levar para algum lugar e depois vemos como fica.
_Tá bom... eu acho. Fazer o que... vamos cancelar o sanduíche?
_Claro que não. O que eu ia fazer sem maionese?
Caímos na gargalhada, e Dongwan me beijou suavemente nos lábios. Depois, recuou. Ele não queria precipitar nada; nossa “relação” começou sob muita pressão e aquilo não costumava ser bom. Deixei que tudo acontecesse como ele planejou: a maionese, o jantar... Mesmo sabendo que eu me sentia um sapo bem gordo e feio depois de tudo que aconteceu com aquele feitiço maldito, e Dongwan era um príncipe encantado, perfeito demais para ser de verdade. Afinal, em todo conto de fadas os tem um príncipe e um sapo, não é verdade?
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