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1 Capítulo 1
Notas iniciais
Um dia normal, num colégio normal. Era tudo que eu esperava para o meu primeiro dia de aula no colégio Ouran. Nada saiu como esperado.
Me acordei às 6:00hrs. Não muito ansiosa. Tomei banho e me vesti rapidamente, indo tomar meu café da manhã em família, como todos os dias.
Meu pai, como sempre atrasado, corria de um lado pro outro, procurando as chaves do carro. Minha mãe estava terminando de pôr a comida na mesa, e meu irmão estava coçando os olhos de sono, pois tinha acabado de acordar.
Me sentei à mesa e esperei que fizessem o mesmo. Por mais atrasado que meu pai estivesse, ele nunca perderia um café da manhã em família, minha mãe nunca o perdoaria. Pode até parecer estranho, mas isso era realmente importante para ela.
Terminei de comer e fui para a frente da casa esperar minha mãe para podermos sair, vi meu pai correndo desesperado mais uma vez, chamando meu irmão, que seria levado por ele.
Entrei no carro ao ver minha mãe chegando, coloquei meus fones de ouvido e me desliguei um pouco do fato de eu estar em uma cidade desconhecida que desde ontem se tornou meu novo lar.
Suspirei ao ver o colégio, pois era extremamente diferente do que eu imaginara. Ouvi tantos elogios de minha mãe que comecei a achar que se era bom demais pra ela, eu sairia prejudicada.
Eu já odiava o fato de ter de ir no primeiro dia de aula sem farda, passei a odiá-lo ainda mais quando me vi única em meio a uma multidão de fardados.
Meus planos ao chegar foram procurar a secretaria para entregar uns papéis que faltaram da matrícula e ir direto para a sala, me isolar na última cadeira da última fila torcendo para que nenhum idiota popular quisesse ser meu amigo.
Meus planos se saíram bem, exceto a parte do idiota.
Logo que cheguei na sala dei de cara com uma menina loira, dos olhos castanhos. Me sentei no lugar desejado e ela se sentou na minha frente para conversar.
–– Oi novata, meu nome é Ashley, e o seu?
–– Meu chamo Mei, prazer em conhecê-la.
–– Ah, o prazer é meu! –– disse ela com um enorme sorriso estampado no rosto.
–– Você também é novata? –– perguntei
–– Não, estudo aqui desde a quinta série.
*Nota: eu estou no primeiro ano do ensino médio.
–– Hum...
–– Eu vou te apresentar algumas pessoas... Vamos!
–– Está certo, obrigada! –– por mais que não quisesse conhecer ninguém, achei sua atitude legal.
–– Esse aqui é o Matt, meu namorado. –– ela apontou para um menino de cabelos pretos, dos olhos bem azuis.
–– Ah... Oi Matt! –– dei um leve sorriso, ele retribuiu.
–– Essa aqui é a Mei.
–– Hum.. Nome bonito o seu, nunca tinha visto.
–– É... meus pais são fissurados em tudo que for japonês, por isso escolheram esse nome. Depois de morarem três anos lá.
–– Ah, legal... Depois a gente te mostra o japinha que tem aqui na sala, acho que ele vai gostar de você. –– Dei apenas uma risada leve como retribuição e fui conhecer os outros da sala.
Para não me deixar sozinha, Ashley continuou sentada em minha frente durante as aulas e também passou o intervalo comigo. E só pra constar, ela não é o idiota da qual estava falando.
No meio da primeira aula chegou um novo aluno. Todos se viraram em sua direção quando ele já estava entrando e fomos obrigados a ouvir a professora reclamando e dizendo que ele só pôde entrar pois nos primeiros dias há maior tolerância.
Ao saber que tinha um japa em minha sala eu meio que fiquei feliz, afinal eu amo japas. Mas eu não fui com a cara dele assim que o vi.
Ele era extremamente branco, dos cabelos pretos e os olhos puxados, como qualquer outro japonês. Mas ele tinha uma arrogância que me deu nojo. A sensação que senti ao vê-lo não foi nada prazerosa, e com o tempo descobri que o julguei certo até demais.
Fiquei encarando-o por alguns minutos, sem nem ao menos perceber o que estava fazendo. Ele olhou pra mim, deu um leve sorriso, sem retribuição, e sentou-se com um grupo de amigos que demonstravam uma grande felicidade ao recebê-lo.
Balancei a cabeça um pouco zonza, eu realmente me desliguei por um tempo. Ashley se virou e me perguntou:
–– E aí, o que você achou dele?
–– Nada demais... Ele até que é bonitinho... Cara, que dor de cabeça me deu agora.
Ela riu, provavelmente pensando que eu estava tentando fugir do assunto.
–– Por que você não vai até a enfermaria tomar um remédio?
–– Não precisa, eu trouxe. Só preciso pegar água.
Ela se virou novamente, para prestar atenção na aula e eu fui até o professor.
Tomei meu remédio e voltei, ignorando as pessoas que me encaravam e até comentavam sobre o meu tamanho. Eu sou realmente muito baixinha.
Pra você esse pode ser um dia qualquer na escola, mas pra mim não. No meu outro colégio assim que cheguei ninguém veio falar comigo, e eu também não fui falar com ninguém. Passei o resto do tempo que estudei lá sozinha, minha única amiga era a minha vizinha. Quando me mudei perdi contato com ela, porque odeio celulares e computadores. Se ela quiser, estou disposta a conversar por cartas.
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