Hits and misses
16 Capítulo 16
Notas iniciais
POV – America Singer
Não sei qual foi a minha reação e também não gostaria de ter visto. Só sei que fiquei trêmula instantaneamente e senti todo o sangue fugir do meu rosto. Notei que Maxon estava tenso, mas Amberly, por incrível que pareça, sorria para mim.
— Calma, querida. – ela disse, segurando a minha mão. Talvez eu esteja enganada, mas notei um pequeno sorriso nos lábios de Maxon. – Podemos conversar?
— Ahnn, claro, eu só preciso... É que o Owen está aqui, sabe? – eu me embolei com as palavras, enquanto explicava.
— Eu fico com ele, se quiser. – Maxon propôs.
— Certo, obrigada. – eu disse, e ele sorriu para mim. Entrou no quarto e encostou a porta, me deixando sozinha com Amberly no corredor.
— Onde podemos conversar? – ela perguntou, mais pra si mesma que para mim.
— Os quartos desse corredor sempre estão vagos. Acho melhor conversarmos num deles. – eu disse, e ela considerou a minha sugestão.
— Claro. – ela disse, abrindo a porta de um dos quartos ao lado do meu. Ela fez sinal para que eu entrasse. Eu ainda estava trêmula, mas entrei e fiquei em pé. Ela encostou a porta e se sentou sobre a cama, fazendo sinal para que eu me sentasse também. Eu me sentei, mas não muito perto dela.
— America, não vou fazer nada com você. Fique tranquila. – ela disse, como uma mãe que dá bronca. Eu respirei fundo e ela, de novo, segurou as minhas mãos. – Ouça, eu só quero entender vocês, está bem? Me conte como tudo aconteceu.
— Do começo? – eu perguntei, e ela assentiu.
— Sim, do começo. O que você fez quando saiu da Seleção?
— Eu fiquei um tempo sem sair. – Comecei a contar do começo, exatamente como tinha sido. – Mas eu conheci um rapaz. O Ethan, ele era o pai do Owen, Maxon deve ter te contado. – ela assentiu. – Eu achei mesmo que podia chegar a amá-lo como amo Maxon, quem sabe até mais. Mas não deu tempo. – eu senti meus olhos marejados. Ele tinha sido importante pra mim, apesar de tudo. – Ele foi diagnosticado com câncer de estômago. Morreu pouco depois. Ele era viúvo, não tinha ninguém, só o Owen. E me fez jurar que eu cuidaria de Owen como se fosse a mãe dele. Estou fazendo isso. – ela sorriu e me fez sinal para continuar. – Um tempo depois, um assistente de Maxon me enviou uma carta, dizendo que era para mim voltar ao palácio em um mês. Eu não tinha muita escolha, ele é o príncipe. Mas eu trouxe Owen, eu tenho uma promessa a cumprir. No começo, eu não queria saber de Maxon, sabe? Mas ele consegue me atrair de uma forma que ninguém mais consegue. Acabei me rendendo. Amberly, eu o amo. Não queria que fosse assim. Mas eu o amo. Por favor, me perdoe. Minha intenção nunca foi tirar a felicidade de Kriss. – eu confessei e lágrimas rolaram pelo meu rosto.
— Ah, minha querida. – ela disse e me abraçou. – Não chore, por favor, não chore. Ninguém pode te culpar por tentar ser feliz. Estou pensando em um jeito de fazer com que a Kriss sofra menos, mas vejo que não há saída. – ela disse, encarando o nada.
— Talvez... – eu disse, sem coragem para completar a frase. – Talvez seja melhor eu ir embora, majestade. A senhora tem razão, Kriss também não merece isso.
— Não, minha querida, não faça isso. Não faça isso, não troque a sua felicidade pela dela. Porque ela não faria isso, querida.
— A senhora tem razão.
— Não me chame de senhora. – ela me deu bronca, sorrindo.
— Mas então o que devemos fazer?
— Bom, Kriss sairá magoada de qualquer forma. Mas, como eu disse a ela, não há dor que não possamos superar. Não renuncie a sua felicidade.
— Tem razão. Obrigada, Amberly. – eu disse, a abraçando.
— Mãe, lembra? – ela sorriu para mim, e eu a olhei, sorrindo também.
— Sim, mãe. – ela disse e nós duas rimos.
— Eu queria conhecer Owen. Já que agora ele vai viver aqui e tudo mais. – ela disse, mudando de assunto.
— Ah, claro, claro que sim! Vamos lá! – eu a puxei pela mão, e entramos de volta no quarto. Ela arqueou as sobrancelhas ao ver o enorme arranjo, e deu uma pequena risada ao ler o nome do filho escrito ali. Maxon agora estava onde eu estava antes, brincando com Owen.
— Ei, meu amor. – eu disse, chamando sua atenção. – Trouxe alguém pra te conhecer. – ele me olhou e veio até mim.
— Quem é ela, mamãe? – ele perguntou, como se Amberly não estivesse aqui, e ela sorriu mais ainda ao ouvi-lo me chamar de mamãe.
— Ela. – eu apontei para Amberly. – é a mamãe dele. – eu apontei para Maxon.
— Ahh. – ele disse, e parou por um segundo para pensar. – Então ela. – ele apontou, imitando meu gesto. – é rainha? — nós três rimos.
— É sim, meu amor. Que tal dar um abraço bem gostoso nela? – eu sugeri, e ele abriu os bracinhos. Amberly, que até então estava de pé, se agachou e ele logo a envolveu com seus bracinhos. Percebi que ela estava radiante, até porque não convivia com nenhuma criança.
— E o que você faz aqui? – Owen perguntou, como um mini-adulto. Amberly riu novamente.
— Eu vim brincar um pouquinho com você. Posso? – ela perguntou, ainda agachada. Owen me olhou, como se pedisse permissão.
— Fala que pode, filho. – eu sorri, e acariciei seus cabelos.
— Pode. Vem. – ele disse e a puxou pela mão até perto da sacada, onde ele estava brincando. – Vou te ensinar. – ele pegou dois blocos, um amarelo e um vermelho, encaixou-os e mostrou pra ela. – Viu? Assim.
— Entendi. E o que vamos construir?
— Um palácio. Grandão igual esse! – ele disse, gesticulando. Ela riu e começou o trabalho.
Maxon me puxou pro canto, de forma que Owen e Amberly não nos ouvissem.
— Como foi? – ele perguntou, curioso.
— Melhor do que eu esperava. – eu confessei, e ele me abraçou.
— Menos mal.
— Obrigada pelas flores. Eu amei.
— Era pra ser um arranjo mais alto. – ele disse, mal humorado.
— Que nada. Está perfeito.
— Que bom que você gostou. – ele disse e me puxou para um beijo. Enquanto nos beijávamos, porém, Amberly pigarreou. Nos soltamos, rindo. Felizmente, Owen não tinha percebido.
— E agora, o que vamos fazer? – perguntei, preocupada.
— Bem, pelo menos agora temos o apoio dela.
— É, isso me deixa mais aliviada. – confessei.
— Não se preocupe com nada. É meu problema, eu resolvo, está bem?
— Não, é nosso problema. – eu disse e ele me olhou de cara feia. – Ok, está bem. – nós rimos.
Amberly ficou um bom tempo brincando com Owen. Quando as meninas voltaram, não sabiam onde esconder a cara. Uma coisa era atender a porta para Maxon, outra era tê-lo no mesmo ambiente, e pior: com a rainha. Mas Amberly foi muito amável com elas, como sempre, pedindo que trouxessem um chá para nós. Depois de tomarmos o chá, ela saiu, se despedindo de mim e de Owen com um abraço caloroso, e levando Maxon com ela.
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