Hitchhiker

1 I've been waitin' all night, lookin' for you headl


Os faróis passavam sem parar pelos olhos de Ginny Weasley, ela não sabia exatamente como se comportar estando ali, sozinha. A avenida estava mais movimentada que nunca e o encontro que ela tanto esperou para acontecer com o cara que ela estava a um tempo gostando foi um desastre, um desastre tão grande que o cara simplesmente a deixou no canto de uma avenida movimentada, sem dizer nada, e foi embora.

A ruiva não sabia exatamente o que fazer naquele lugar, seu celular estava sem bateria e ela tinha certeza que ninguém a encontraria no meio do nada, então ela decidiu andar. Foi nesse momento que agradeceu por não ter escolhido os saltos que estava com tanta dúvida se colocaria ou não. Ela andou por um bom tempo e a avenida simplesmente não acabava. Porque fomos escolher um lugar tão longe? Era o pensamento que não saia de sua cabeça por nem um segundo. Ela andava pelo contra-fluxo da avenida então os olhos começaram a arder por conta dos faróis altos que vinham em sua direção, mesmo que estivesse no acostamento não adiantava muita coisa.

De repente a luz aumentou, ela tinha certeza que vinha um carro bem a sua frente então levantou o rosto e pode ver um carro não muito grande e não muito novo parando não muito longe de onde ela andava. A garota revirou os olhos e tinha certeza que não ia ser nada bom o que estava prestes a acontecer, mas continuou andando.

— Ginny? — a voz a chamou enquanto ela passava pelo carro — Ginny Weasley? — ela reconhecia aquela voz de uns anos atrás, tinha certeza que conhecia. Abaixou um pouco para poder ver quem era pela janela e encontrou o moreno de óculos redondos e olhos verdes a encarando. Harry Potter. Ela sabia que reconhecia aquela voz.

◘◘◘

— Ginny Weasley, a maior jogadora de vôlei da escola! — a voz de Harry apareceu enquanto a ruiva guardava seus livros do último período para finalmente conseguir ir pra casa. Ela abriu um sorriso no mesmo momento.

— Harry Potter, o segundo maior jogador de vôlei da escola! — ela virou depois de fechar seu armário e encostou no armário, olhando para Harry que estava próximo até demais da ruiva. Aquilo poderia deixar qualquer um desconfortável, mas não Ginny. Ela jamais se renderia a qualquer galanteador que passasse por ela. Principalmente quando todas as garotas se derretem pelo “tão querido” Harry Potter,

— Ouch, essa doeu, Weasley! — ele disse com a mão no peito fingindo drama, o que a fez rir. Potter se aproximou um pouco mais de Ginny e encostou a mão no armário ao lado da ruiva, levantando uma das sobrancelhas — No fim das contas você morre de amores por esse segundo maior jogador, pode falar!

Os olhos da ruiva reviraram de novo, só que dessa vez ela sabia que no fundo era verdade, Potter mexia com ela de um jeito que jamais ninguém havia mexido, e aquilo a deixava confusa demais. Ela passou por baixo do braço de Harry se afastando.

— Bem que você queria, Potter! Mas quem sabe nos seus sonhos isso pode se tornar realidade! — ela riu enquanto se afastava. O garoto mais velho era um amor antigo de Ginny Weasley, mas ela jamais poderia admitir pra ele, ainda mais agora que ele estava se formando e provavelmente nunca mais a veria.

◘◘◘

— Harry Potter! — a ruiva passava a mão no cabelo em uma tentativa falha de tentar parecer mais arrumada, abriu um sorriso esperançoso, há muito tempo não olhava naqueles olhos e aquilo tornou tudo tão melhor de repente. Por um momento ela havia esquecido completamente o que havia acontecido e que havia resultado em ela estar ali, naquele lugar, encontrando com aquele que sempre mexeu com o seu coração e ela nunca conseguiu admitir.

— O que aconteceu? Porque está andando no meio do nada? E ainda por cima sozinha. — os olhos dele tinham verdadeira preocupação, ele desligou o carro mas não tirou as mãos do volante. Os carros passavam em uma velocidade tão alta que fazia o carro de Harry tremer um pouco com o vento.

— Ah… Vamos apenas dizer que foi um encontro que deu errado. — a ruiva colocou uma mexa de seu cabelo atrás da orelha e deu um sorriso desanimado, lembrando dos acontecimentos daquela noite.

— Errado é pouco, você tá no meio do nada. É perigoso, você sabe. — o coração de Ginny se aqueceu ainda mais ao olhar nos olhos de Harry e ver a preocupação genuína do garoto com ela — Entra, eu te deixo em casa — ele disse sinalizando com a cabeça para ela entrar no banco do carona do carro, e foi o que ela fez sem pensar duas vezes, contornou o carro e esperou o momento que os carros pararam de passar para poder entrar e se deparar com Harry a encarando ainda com aqueles olhos.

— Eu to bem, pode ficar tranquilo — ela deu um sorriso tentando acalmá-lo, mas não fez muito efeito. Ele não se movimentou, continuou olhando para ela e apenas ajeitou o óculos que havia caído um pouco. — Faz muito tempo… Que não nos vemos. — ela tentou mudar de assunto para ver se fazia algum efeito e ela quebrasse aquela parede de gelo que se formou no meio dos dois, e funcionou.

— Realmente… As coisas mudaram muito depois do colegial. — ele encarou a avenida e finalmente ligou o carro, dando partida para o caminho da casa de Ginny. — Você está… Quer dizer, continua, linda… — ele olhou de relance para Ginny com um sorriso no rosto e logo depois colocou os olhos novamente no trânsito, franzindo um pouco as sobrancelhas ao se concentrar.

— Ah! Obrigada – ela disse sentindo as bochechas corarem e virando o rosto para que ele não pudesse ver. — Mas sim, realmente muita coisa mudou. Fiquei sabendo que você entrou para a polícia! — ela sentiu o rosto voltando ao normal e virou para sorrir novamente para Potter, que não tirou os olhos da rua para falar.

— Sim, estou trabalhando como policial mas não vejo a hora de me tornar detetive! — ele falava com certo entusiasmo o que fez a garota sorrir ainda mais, ela sentia um certo orgulho de ouvir isso mas não sabia exatamente o porquê.

A conversa foi se fazendo e Ginny descobriu muitas coisas sobre Harry naquele momento. Ele queria se tornar um detetive de homicídios, disse que era mais emocionante e que tudo que ele mais queria era emoção. Também descobriu que ele estava, ainda, solteiro. Era algo que surpreendia a ruiva sempre, porque o garoto tinha uma beleza estonteante, e não tinha como ele estar sozinho ao não ser que fosse por opção. Ginny também falou um pouco dela e como seguiu a carreira como jogadora de vôlei e treinava loucamente sempre que podia para entrar no time tão esperado dos sonhos. Ela contou sobre o desastre que foi o encontro e depois de simplesmente ter aceitado tudo o que aconteceu eles riram juntos.

Ela se surpreendeu quando eles finalmente pararam na porta da casa de Weasley e ele deu um suspiro apontando para a mesma.

— Parece que chegamos. — ele disse desanimado, havia gostado da conversa e não queria que ela tivesse acabado, não sabia se a ruiva teria percebido mas ele pegou o caminho mais longo para não precisar acabar com a conversa logo.

— Parece que sim. — Ginny disse sem se mover, ela mantinha os olhos para a frente onde havia uma árvore tão antiga que ela nem se lembrava se já tinha visto a rua sem aquela árvore. Ela sabia que ao entrar em casa teria que dar de frente com os irmãos e contar o desastre que havia sido o encontro, ou apenas ignorar todos eles e ir direto ao seu quarto e se jogar na cama. Ter Fred, George e Ron ainda na mesma casa que ela era irritante e ela só queria um momento de paz, e era isso que ela estava tendo naquele momento.

Harry começou a batucar calmamente os dedos no volante percebendo que a ruiva não queria sair do seu carro tão cedo, ele olhou no relógio e pode ver que não estava assim tão tarde, marcava exatamente 11:00 p.m. e era uma sexta a noite, provavelmente não faria nada amanhã de qualquer jeito.

— Você quer… fazer alguma coisa? — ele disse com timidez, e olhando para os dedos que não pararam de batucar o volante constantemente.

— Eu adoraria fazer alguma coisa — o sorriso se fez no rosto de Ginny imediatamente, e aumentou ainda mais ao ver o sorriso no rosto de Potter, era estranho que depois de tantos anos ela ainda pensava nele na mesma forma que pensava a anos atrás.

◘◘◘

— Eu não aguento mais essa merda toda! — Ginny pode ouvir os gritos de Harry do lado de fora do vestiário masculino, e tudo que a garota queria era invadir aquele vestiário e dizer que tudo ficaria bem — Se nós não ganharmos essa merda por minha causa… — ela não conseguiu ouvir o resto porque Luna a chamava do outro lado do corredor.

— Estou indo! — ela disse para a amiga e tentou focar novamente na conversa dentro do vestiário, mas não conseguiu ouvir mais nada. Pelo jeito havia acabado.

A ruiva tomou um susto quando de repente Potter estava do seu lado com um sorriso debochado no rosto.

— Ouvindo por trás das portas, Weasley? — ele encostou na parede ao seu lado e semicerrou os olhos com um ar malicioso.

— Eu não estava ouvindo nada. Estava apenas… — ela olhou para os lados tentando encontrar alguma desculpa mas nada veio a sua mente. Então ela viu a melhor amiga, Luna Lovegood do outro lado do corredor com um sorriso esperando pacientemente pela amiga — Eu tenho que ir, minha amiga já está sem nenhuma paciência e me chamou várias vezes já.

Harry olhou para Luna do outro lado do corredor e viu a loira olhando para o nada enquanto apenas sorria, ele deu uma risada baixa enquanto balançava a cabeça e encarou Weasley com o mesmo sorriso no rosto, aquele debochado que ela amava.

— Se você diz… — ele deu de ombros e se afastou, mas no momento que ia dar o segundo passo sentiu uma mão prendendo seu pulso.

— Você está bem? Eu… Ouvi seus gritos e fiquei preocupada — os olhos dela demonstravam uma verdadeira preocupação, e ela pode ver que ele percebeu porque desfez o sorriso na hora e deu mais uma vez de ombros.

— Eu vou ficar, não se preocupe — ele deu uma piscadela para ela.

— Eu me preocupo com você, Potter… — as palavras saíram como um murmúrio e fez com que o sorriso de Harry voltasse imediatamente. Ele se aproximou de Ginny e colocou a mão no rosto dela, aquilo a paralisou por um instante, o toque dele era diferente. Claro que eles já haviam se tocado antes, eles estão no mesmo time. Harry é o melhor amigo de Ron, o irmão de Ginny. Mas daquela vez era diferente, o toque era mais suave, era quase como… o amor em si.

— Eu agradeço por se preocupar, Ginny. — a voz dele saiu suave, quase como seu toque — Mas eu estou bem, vai ficar tudo bem. Eu só preciso decidir o que fazer do meu futuro — ele tirou a mão do rosto dela e foi como se puxasse ela de volta pro chão, foi até… doído. — Você ainda tem um tempo pra pensar nisso, mas é uma merda ter que decidir o futuro assim, tão rápido.

— Você vai conseguir ser tudo o que quiser, Potter — ela sorriu depois de pigarrear — Eu tenho certeza disso! — ela olhou para Luna que acenou pra ela novamente e tirou uma risada da ruiva — Eu preciso mesmo ir, Luna não é impaciente mas não quero a deixar esperando.

O movimento seguinte foi o que mais impressionou Ginny, foi o que ela menos esperava, ele inclinou o corpo levemente para frente e deu um beijo em sua bochecha fazendo com que as duas corassem no exato momento de seu toque.

— Se cuida, Weasley! — foram as últimas palavras que ele disse pra ela naquele momento, com um sorriso desanimado no rosto e se afastando enquanto coçava atrás da cabeça.

◘◘◘

Eles chegam no café que já se preparavam para fechar e Harry saiu antes do carro e conversou por uns minutos com um homem que Ginny não reconhecia. Ele deu um sorriso e se animou chegando perto da janela do carro e abaixando para falar com a garota.

— Eles vão esperar mais 30 minutos pra fechar, então podemos aproveitar um café pelo menos. — ele sorriu para a ruiva e sinalizou para ela sair do carro — Vamos?

— Com certeza! — ela sorriu enquanto saia do carro e fazia a volta encontrando-se com Harry na frente do café, onde tinha uma mesinha do lado de fora que foi o lugar perfeito para os dois sentarem. O homem que Harry estava a pouco tempo conversando veio atendê-los com um sorriso no rosto que parecia ser verdadeiro por mais que tivesse que ficar mais meia hora trabalhando.

Harry pediu um café preto puro e Ginny pediu um capuccino, fazendo com que o homem fosse rápido para o lado de dentro do café para trazer o mais rápido possível seus pedidos, e deixando os dois sozinhos novamente.

— Obrigada pelo convite, Potter. Precisava de alguma coisa que fizesse minha noite ser menos conturbada. — ela sorriu colocando uma mexa do cabelo ruivo para trás da orelha e fazendo com que Harry se inclinasse um pouco sobre a mesa.

— Posso te contar uma coisa? — ele falou baixo como se estivesse prestes a contar um segredo para a garota, que concordou imediatamente com a cabeça e inclinou um pouco o corpo pra frente — Eu tinha uma queda por você no colegial. — ele disse fazendo Ginny paralizar de um jeito que não acontecia a muito tempo. Ela deu uma risada nervosa depois que Harry perguntou se estava tudo bem e encostou novamente na cadeira.

— Uma queda? Por mim? Mas eu era mais nova que você e nunca fui muito ajeitada, Potter. — ela continuou rindo de nervoso enquanto passava os dedos pelos cabelos ruivos.

— Acho que era o que eu mais gostava em você. Não você ser mais nova! — ele disse quando ela fez uma careta — Mas o fato de você não se importar com aparência ou com o que as pessoas pensassem de você. — ele cruzou os braços no peito e ficou a encarando — Eu também sempre gostei do fato de que você era uma das únicas garotas que não ficava dando em cima de mim constantemente. — ele disse dando um sorriso convencido. Ginny sabia que ele estava brincando.

— Ah é? — ela disse se arrumando na cadeira um pouco mais interessada — Bom, talvez eu tivesse sim uma queda por você naquela época, mas não era corajosa o suficiente pra admitir. — ela disse da boca pra fora mas realmente querendo dizer cada uma daquelas palavras de verdade.

— Sério? — ele perguntou interessado levantando as sobrancelhas, fazendo com que Ginny se contraísse um pouco de timidez.

— Talvez… — ela sorriu e viu o homem que havia os atendido anteriormente voltar com o café preto e o capuccino em uma bandeja, ele serviu os dois rapidamente e voltou para dentro, fazendo com que Harry colocasse um dos cotovelos na mesa e apoiasse sua cabeça na mão olhando para Ginny com as sobrancelhas levantadas esperando uma resposta mais elaborada. — Eu gostava de você, Potter. Mas pra mim você nunca me viu desse jeito, sem contar que quando nos aproximamos você já estava pra se formar e… — ele deu uma risada baixa fazendo com que ela parasse de falar. — Algum problema?

— Nenhum. — ele disse com um sorriso divertido — É só engraçado que você pensava isso, sendo que eu pensava o mesmo. E no fim das contas, aqui estamos nós. — ele passou a mão no cabelo bagunçando o mesmo e levou o café até os lábios dando um longo gole.

— Você teve outras namoradas, depois do colégio, não? — ela disse com curiosidade no olhar.

— Na verdade, não. Não foi meu foco por um bom tempo — ele deu de ombros e encarou Ginny. — Não até agora, pelo menos. — aquilo a fez sorrir.

Ela deu um longo gole em seu capuccino enquanto percebia que Potter não parava de a encarar nem um segundo, o que foi a deixando cada vez mais tímida, mas como sempre, Ginny Weasley não deixava aquilo transparecer, colocou a xícara em cima da mesa e foi direto ao ponto.

— Porque exatamente me chamou aqui, Potter? — ela levantou uma sobrancelha — Não deve ter sido apenas para falar de uma paixonite que você tinha por mim quando estudávamos juntos.

— Você nunca deixa de ser marrenta, não é Weasley? — o moreno deu uma risada baixa e levou novamente a xícara aos lábios, dando um sorriso depois de um último gole em seu café — Realmente, não foi apenas pra falar isso. Não sei se você sabe mas voltei a morar com os meus tios — ele deu um sorriso desanimado, Ginny sabia o quanto ele sofreu enquanto morou com os tios no colegial — Isso significa que estarei mais perto, e posso te ver mais vezes… Caso você queira. — ele deu um sorriso debochado, aquele sorriso que ele sempre usava quando dava em cima de Ginny antigamente, aquele sorriso que ela tanto sentiu falta.

— Eu posso pensar no seu caso, Potter. — ela jogou os cabelos para o lado e cruzou as pernas enquanto encarava Harry com um semblante pensativo mas logo abriu um sorriso — Claro que eu quero, Potter!

Naquele momento ele colocou a mão em cima da mesa por cima da dela, que já estava pousada ali a um tempo, aquilo fez o coração de Ginny parar por um instante, ela não conseguia acreditar que ele estava ali, que aquilo estava acontecendo, que ele sentia por ela a mesma coisa que ela guardou pra si por tanto tempo, com medo de simplesmente não ser recíproco.

Eles conversaram mais um pouco até a ruiva acabar seu cappuccino e logo foram para o carro novamente, onde Harry levou ela novamente até sua casa e parou o carro na porta. Como mais cedo, ela não saiu de imediato, ficou um tempo olhando para a mesma árvore que havia encarado da última vez e antes que pudesse dizer alguma coisa virou para Harry e ele estava ali, tão próximo, com aqueles olhos nos dela, aquele cheiro que ela não sentia a tanto tempo, ela não sabia se era exatamente o que devia ser feito naquele momento, mas apenas juntou seus lábios no dele em um beijo que fazia todo o sentido do mundo, um beijo que fora aguardado por tantos e tantos anos e que estava finalmente ali, cheio de sentimentos e saudade. O garoto se surpreendeu por um instante, não que ele não esperava que ela o beijasse, mas ele não imaginava que seria tão bom, que aquele simples beijo fosse mexer com ele daquela maneira.

Quando seus lábios se separaram, eles mantiveram os olhos fechados por um tempo, apenas sentindo a presença do outro, sem falar nada, com as testas encostadas e um toque delicado do moreno no rosto da ruiva. Foi ela que finalmente quebrou o silêncio depois de alguns minutos.

— Então boa noite, Potter! — ela disse suavemente, para não quebrar aquele momento, se afastando dele e abrindo a porta pra sair do carro. Ele a observou andar até a porta da frente de sua casa e virar umas duas vezes com um sorriso no rosto.

Mas aquela não fora a primeira vez que eles se beijaram.

◘◘◘

A festa estava cansativa, Ginny queria apenas sair daquele inferno ambulante que era as pessoas indesejáveis da sua escola. Malfoy e seus minions transformavam a casa da ruiva em algum tipo de parque de diversões inútil que ela não conseguia entender, e nem mesmo Fred e George conseguiam fazer com que o garoto se comportasse. Ela revirou os olhos ao ver Ron se juntar aos garotos em uma competição esquisita de quem beberia mais cerveja e quando foi dar as costas para sair do aposento trombou com alguém. Abriu a boca para xingar quando viu os olhos verdes por trás do óculos redondo e o sorriso debochado no rosto de Potter.

— Não precisa me bater Weasley, prometo que não foi por querer! — a frase saiu em um tom de brincadeira, o que fez Ginny dar uma pequena risada enquanto balançava a cabeça.

— Não vou te bater, pelo menos não enquanto você não se tornar um idiota como aqueles — ela disse apontando para os garotos que bebiam sem parar.

— Eles são idiotas mas são boas pessoas, e beber não é assim tão ruim. Já tentou? — ele disse apontando o copo que estava em sua mão para a ruiva que fez uma careta imediata ao ver a cor vermelha do líquido que estava dentro do copo — Vamos, prove! Eu tenho certeza que você vai gostar — ele insistiu mais um pouco até a ruiva ceder dando um gole naquele líquido e fazendo outra careta, dessa vez por causa do gosto.

— Como vocês podem gostar de algo assim? — ela riu enquanto dava mais um gole, fazendo com que Harry risse de imediato.

— Faz parte da atividade social que é festejar, Weasley — ele deu de ombros enquanto andava até a mesa de bebidas e enchia outro como para si mesmo, vendo que perdeu o seu para a ruiva. — E de vez em quando faz bem beber pra aproveitar um pouco melhor o que está a nossa volta — por um momento Ginny achou que aquilo tivesse sido uma cantada, mas logo virou o líquido que estava em seu copo o que fez que ela sentisse uma pequena tontura e risse novamente.

Foi assim que Ginny Weasley ficou bêbada pela primeira vez, os dois beberam enquanto conversavam e criticavam as pessoas ao seu redor em meio de risadas e cantadas que vinham de Potter, mas a ruiva estava confusa demais pra saber se eram ou mesmo real. No fim da noite, quando a cada já estava quase vazia e Ron dormia no sofá, os dois sentaram um de frente pro outro no chão e se deixaram levar pelo momento, beijaram-se por tanto tempo que acabaram pegando no sono abraçados naquele mesmo lugar.

A ruiva acordou no dia seguinte sozinha, deitada no chão e com uma casa completamente bagunçada para arrumar. Tinha uma memória vaga do que poderia ter acontecido na noite seguinte, mas não pensou muito naquilo porque tinha certeza que só podia ter sido da cabeça dela, e a ressaca não a deixava pensar muito sobre.

Aquela noite sim, fora a primeira vez que Harry Potter e Ginny Weasley se beijaram.

◘◘◘

“Bom dia, ruiva” era o que dizia a mensagem de texto que Potter a mandou assim que acordou, era simples mas enchia seu coração de uma maneira que ela não sabia explicar. Eles passaram o dia todo conversando por mensagens, enquanto ela tomava seu café, enquanto ia para o treino, depois do treino, sem nenhum segundo de descanso, e aquilo a deixava tão feliz, tão completa.

Ron já sabia a um tempo que o melhor amigo estava de volta, sempre conversava com ele quando podia mas ainda não haviam se visto, aquilo deixava Ginny se sentindo mais especial do que deveria. Ela tinha visto Harry na noite anterior e não havia falado nada para os irmãos, fez uma cara de surpresa quando Ron falou na mesa de jantar que o melhor amigo estava de volta e que queria visitar sua família.

— Harry pode ficar aqui se quiser, você sabe não? Quanto tempo ele quiser! — fora o que Molly, sua mãe havia dito, aquilo deixava Ginny levemente ansiosa, ela mal havia o beijado uma vez e só queria fazer de novo, e de novo.

O dia seguinte passou do mesmo jeito, os dois conversaram o dia todo e no fim de seu treino Harry ligou para ela e ficaram quase por uma hora conversando sobre qualquer coisa, sempre com algumas indiretas soltadas sobre quando iriam se ver novamente. Ela não sabia, mas Ron já havia convidado o garoto para o jantar na casa dos Weasley e ele a surpreenderia, não fazia ideia de qual seria a reação da ruiva, mas só queria ver sua cara quando ele chegasse aquela noite.

A campainha tocou e Ginny olhou para a porta com dúvida, contou os integrantes da casa e viu que não faltava ninguém, foi até a porta e atendeu a mesma deixando a boca se abrir levemente ao ver Potter na porta, com um sorriso no rosto.

— Surpresa! — ele sussurrou dando uma piscadela

— Harry, meu querido! — a voz veio de trás de Ginny, que abriu mais a porta e deixou sua mãe passar e dar um abraço no garoto, e retribuia o abraço com um certo afeto.

Eles não se falaram muito no jantar, Ginny não havia falado pra família sobre o que estava acontecendo entre os dois e Harry sabia disso, então a tratou como a trataria se eles tivessem se vendo pela primeira vez depois de sua volta, puxando alguns assuntos e sorrindo sempre que podia para a garota. Ele passou a noite lá, ia dormir no quarto de Ron como sempre fazia quando dormiam lá e eram mais novos. Só que dessa vez seria diferente.

Eram quase 3 horas da manhã e a ruiva simplesmente não conseguia fechar os olhos, uma memória de uma das festas que havia feito em casa não parava de passar por sua cabeça e ela não conseguia entender porque não lembrava de algumas coisas. Claro, ela havia bebido, mas tinha certeza que não fora tanto assim. Ela levantou de sua cama e colocou as pantufas antes de abrir a porta e se deparar com Potter parado na frente da mesma com a mão pra cima pronto para bater.

— Harry? Você não é sonâmbulo, é? — ela riu olhando para o garoto que estava com uma expressão sem graça em frente a ela.

— Não… Eu só… — ele coçou atrás da cabeça e olhou pra baixo rapidamente, levantando o olhar para ela devagar — Eu não conseguia parar de pensar em você. — as palavras vieram como um carinho para Ginny, ainda mais porque era o mesmo motivo de ela não conseguir dormir. O sorriso se alargou em seu rosto e ela deu um passo para o lado fazendo sinal para Harry entrar em seu quarto.

— Então somos dois, porque eu também não consigo parar de pensar em você. — ela disse depois de fechar a porta e encostando na mesma. A aproximação de Harry foi rápida e ele a tomou em um beijo caloroso, que fez cada centímetro do corpo da ruiva se arrepiar. Eles se beijaram por um longo tempo sem retomar a respiração, até que eles se separaram por algum tempo e ficaram ali, sem dizer nada, como naquela noite no carro, eles sabiam que não precisavam falar nada.

As mãos de Harry foram guiando Ginny até sua cama, onde ele a deitou calmamente e ficou por cima da ruiva, retomando agora com um beijo mais calmo, mas não menos caloroso, não com menos paixão, não com menos amor. Ela sabia ali, os dois sabiam, que aquilo era verdadeiro.

Aquela não fora a primeira vez que ela dormiu nos braços dele, mas foi a primeira vez que eles realmente se amaram, a primeira vez que eles se conectaram como jamais haviam se conectado com alguém.

Foi naquela noite que Ginny Weasley descobriu o quanto amava Harry Potter.

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