Notas iniciais
~Atualizarei com a ilustração assim que desenha-la.

Já se passaram por volta de duas semanas desde que chegamos a Alfheim. Digerir a notícia de que o povo das Planícies Geladas foram completamente dizimados ainda é difícil.

Com a morte desse povo eu estou novamente no ponto de partida.

Se eu realmente sou a garota da profecia e agora um dos povos que eu tenho que unir foi exterminado, isso só pode significar uma destas três coisas: Eu não sou a garota da profecia, a história está tomando um rumo diferente por algum motivo que eu desconheço, ou então essa tal de profecia nunca existiu.

Sinceramente, estou passando a acreditar cada vez mais nessa terceira opção.

Quanto ao treino com o arco, ele está indo muito bem.

Estou sentada em meio ao bosque. Mantenho as pernas cruzadas e as mãos sobre as coxas.

Minha respiração é lenta e profunda.

Ainda não entendi bem esse negócio de aguçar meus instintos e de me tornar independente dos meus olhos.

Somente nos últimos dois dias, já levei três picadas de cobra.

A medicina dos elfos é muito boa. Eles parecem ter muita experiência quanto à produção de remédios.

Uma coisa que venho me perguntando é como Myrddin sabia que eu encontraria os ents na Floresta Negra. Freya me contou que eles só acordam uma vez a cada cinquenta anos. Talvez seja coisa de mago e eu provavelmente não entenderia.

Sinto algo estranho se aproximando de mim. Movimento rapidamente a mão e o agarro.

Abro os olhos.

Uma cobra. Ela enrola seu corpo pelo meu braço.

Sinto-me tentada, mas não a mato.

Solto-a e ela vai embora rapidamente.

Deve ser isso que Freya chama de tornar-se independente de meus olhos.

Eu não a vi, mas sabia que ela estava lá.

Escuto aplausos. Eles vem de cima.

Olho.

Freya está sentada em um dos grossos galhos.

Ela salta.

Cai próxima a mim.

Elogia-me.

Agradeço.

Levanto-me.

Freya faz com que eu a siga.

Atravessamos o bosque e chegamos à arena.

Descemos até a área de treinamento.

Cassiel e Frey treinam com a espada.

Estão suando. Parecem bastantes cansados. Mas, seus golpes são intensos.

Freya chama a atenção do irmão, que pede que Cassiel pare de desferir golpes.

— O que deseja, irmã? — pergunta.

— Quero que a jovem treine com esse jovem. — responde.

— O que? — espanto-me.

Cassiel também parece espantado, mas não abre a boca.

Tudo é acertado.

A espada de Cassiel é substituída por uma de madeira.

Meus olhos foram vendados.

Freya avisa a Cassiel para não pegar leve. Devo me desviar de seus golpes usando meu instinto.

Tenho a sensação de que será um dia bastante dolorido.

*