Estamos dentro do castelo, mas não como queríamos.

Fomos jogados em uma espécie de sala com correntes, mesas e cadeiras.

Meu arco e minha aljava de flechas, assim com a espada e a adaga de Cassiel, foram tomadas.

O plano não saiu como o esperado.

Queríamos apenas entrar, pegar a Freya e sair. Na minha cabeça era tudo muito simples.

Ainda não tivemos nem mesmo algum sinal de vida vindo dela.

Escuto alguns passos.

Um homem entra na sala, está acompanhado por muitos outros. Um senhor de idade. Vestindo um sobretudo social de cor verde-musgo e uma gravata dourada. Em seu braço está uma braçadeira vermelha com um cristal de neve negro estampado.

Tenho a sensação de estar em frente a uma versão medieval do próprio Hitler.

Ele se aproxima. Olha em meus olhos como quem olha para um inseto nojento.

Não abre a boca.

Acerta-me no rosto com uma tapa com as costas da mão.

O lugar está latejando. Dói.

Cassiel tenta avançar para cima dele, mas é agredido pelos homens que o acompanham.

Somos pegos a força e amarrados às correntes na parede.

Ele tira uma pequena lâmina de um bolso interno.

— Onde estão os filhos de Ys? — pergunta.

Tenho certeza de que já ouvi esse nome.

Sim...

Ys, O dragão de gelo.

O que ele quer dizer com “os filhos de Ys”?

Estaria ele falando do povo de Nevasca?

Não respondo sua pergunta.

Ele passa a lâmina em meu rosto bem devagar.

Esta ardendo.

Tenho vontade de gritar.

Não grito.

— Não precisa se segurar... Pode gritar.

*