Acordo.

Bocejo. Esfrego os olhos. Levanto.

Gorudo não está no quarto.

Deixou um manto e uma pequena bota para que eu pudesse vestir.

Visto-a.

Vou até a janela. Ainda é cedo. A neve não está caindo, mas está bastante frio.

Saio do quarto.

Vou até a cozinha.

Tem pão quente e Amarelado sobre a mesa.

Como e bebo.

Gorudo não está em casa.

Saio um pouco e caminho pela cidade.

Alguns homens cortam lenha. São todos parecidos. Longos cabelos e barba grande. Suponho que seja para amenizar o frio.

Mulheres tratam alguns animais capturados. Separam o couro, carne e ossos.

Crianças brincam na neve. Não têm barbas, porém seus cabelos já estão bem maiores que o normal.

Todos usam roupas de frio.

Param de brincar quando me veem. Correm em direção as mulheres e dão puxões em suas roupas.

Apontam para mim.

As mulheres param seus afazeres e me encaram. Os homens fazem a mesma coisa quando me veem.

Ignoro-os e continuo andando.

Meus pés afundam um pouco na neve.

Têm um pequeno poço no centro da cidade. Provavelmente não o utilizam. A água deve estar congelada.

Sento na beirada.

Estou um pouco pensativa. Tudo aconteceu muito rápido. Rápido demais.

Me pergunto como eu vim parar aqui. Me pergunto mais ainda se conseguirei sair.

A única pista que tenho até agora é uma profecia que nem sei se é real.

Na verdade, não sei nem se realmente posso confiar nessas pessoas.

Gorudo me salvou. Ele merece um voto de confiança. Mas, os outros também merecem esse voto?

Não sei.

Minha vida na Alemanha não era a melhor de todas.

Detesto a escola.

Sou perseguida simplesmente por ser mais branca que os outros?

Sou albina. Isso não é um defeito.

As brincadeiras são irritantes.

Não tenho muitos amigos.

Meu pai pega muito no meu pé. Porém, eu já estava acostumada com tudo aquilo.

As pessoas aqui também me olham como se eu fosse de outro mundo.

Bem, segundo o velho, eu sou mesmo.

Só quero voltar pra casa.

Olho para frente. Duas pessoas vêm em minha direção. Estão encapuzados.

Um deles é alto e acima do peso. Tenho certeza que é o Gorudo. O outro é magro e um pouco mais baixo. Sei que não é o velho.

Gorudo está com um arco na mão e uma aljava de fechas nas costas. O outro tem o que parece ser uma espada na cintura. Ambos arrastam junto um cervo, deixando uma pequena trilha de sangue na neve.

— Trouxe carne fresca! — grita o mais gordo.

Sem dúvida alguma é o Gorudo.

Largam o cervo e continuam andando.

As mulheres andam até a caça morta e a arrasta para junto dos outros animais capturados.

— Vejo que está usando o manto que deixei para você. — diz, retirando o capuz. — Gostou?

— Sim. — digo.

Encaro o outro.

Ele se mantem quieto.

— Este é Cassiel.

— Olá. — digo.

Ele se mantem quieto. Parece não ser alguém de falar muito. Vejo também que não tem barba. E, que seu cabelo é levemente mais curto que o dos outros homens. Também arriscaria dizer que ele tem a mesma idade que eu. Dezessete anos.

— Quando partiremos? — pergunto.

— Agora mesmo. — responde Gorudo.

— E o velho?

— Teve alguns problemas de ultima hora. Cassiel irá em seu lugar. — diz. — Vamos enquanto é cedo. Será uma longa caminhada.

*