Histórias de amor
17 Temos uma discussão tempestuosa
Notas iniciais
Percy já estava acostumado com eventos surpreendentes estragando seu dia.
Mas daquela vez, ele ousadamente pensava com certa agressividade que era impossível alguém estragar seu dia, pois ele já estava completamente arruinado.
Era para ser o melhor dos tempos, enquanto fazia suas malas para ir ao acampamento meio-sangue lembrou-se melancólico que até poucos dias atrás estava contente em poder reencontrar seus amigos sem nenhuma grande profecia os atormentando pela primeira vez.
E também pela primeira vez sua mãe não levaria somente a ele para o acampamento meio-sangue, a caminho estava uma poderosa semideusa, que calhava de ser namorada de Percy: Annabeth Chase era quem atormentava seus pensamentos enquanto ele jogava as roupas do verão com certa violência dentro da mala.
Enquanto amassava camisa por camisa ele se lembrava cada vez mais nervoso dos acontecimentos, e só pensava como sua namorada era a garota mais cabeça dura, teimosa e absurdamente orgulhosa que já havia conhecido.
—Percy? — sua mãe de forma acolhedora colocou a cabeça para dentro da porta do seu quarto — Annabeth bateu o interfone mas diz que não vai subir, está tudo pronto?
Ele desejava que sua mãe não tivesse oferecido carona a ela, não estava preparado para vê-la ainda. Apenas balançou a cabeça, afirmando. Sally juntou as sobrancelhas tentando decifrar o que poderia estar acontecendo, ele tinha olheiras no rosto, como quem não dormiu, e sua expressão estava fechada como aconteceu raras vezes. Tão fechada que Sally reconheceu ser um daqueles momentos, que, como Poseidon, ele não estaria apto a compartilhar nada.
Quando sua mãe fechou a porta silenciosamente, ele fechou a mala, a foto de Annabeth estava na cabeceira da sua cama. Ela parecia feliz sentada no píer do acampamento meio-sangue, agora ele achava improvável ter a oportunidade de vivenciar aquela cena no dia. Talvez por toda a semana, talvez... Ele não queria pensar nisso.
Fechou a mala com rapidez, o barulho do zíper o fazendo ter lapsos sobre a discussão.
Ao contrário dele, Annabeth fez suas malas com antecedência, então quando ele abriu a porta do apartamento no dia anterior, uma quente sexta feira, ela fechava suas malas e bolsas com agilidade.
—Uau, você demorou — disse ela, jogando seus fios bagunçados com um sopro para fora dos olhos. Percy tentou sorrir, mesmo apreensivo por ter notícias surpreendentes a caminho — Vamos Percy, me ajude aqui. Eu não o chamei para ficar me encarando.
Ela apontou para os móveis e as caixas de papelão por todo o apartamento, que dali a poucos dias estaria totalmente vazio; iria para o acampamento meio-sangue, e de lá para São Francisco, onde viveria pelos próximos anos junto com seu namorado.
Pelo menos era seu planejamento até o momento, e ela não era de falhar com seus planos.
Percy pegou as caixas mais pesadas, levando-as para as pilhas junto com outras. Deu mais uma olhadela para sua namorada: O cabelo esvoaçado e solto, as calças de flanela de pijama assim como a blusa sujas de poeira, e ela estava radiante.
Não conseguiria esconder nada dela.
—Recebi uma visita ontem — ele disse, olhando para a caixa que tinha acabado de colocar na pilha. Annabeth subiu o olhar meio distraída, uma caneta hidrocor em suas mãos enquanto legendava as caixas.
—É mesmo? — seu tom era tão distraído quanto sua linguagem corporal, mas isto não fez Percy hesitar.
—Sim... Meu pai... Ele foi até o apartamento.
Annabeth congelou. Percy não encontrava com seu pai em particular desde a grande profecia de Cronos. Ao contrário dos bons modos, os pais divinos raramente visitavam seus filhos.
Ela se levantou, adotando sua postura que Percy conhecia como altamente receosa.
—E então? — ela cruzou os braços — O que ele disse?
Percy olhou para os próprios pés, trocando o peso do corpo.
—Ele me chamou para passar uma temporada com ele... — e então suspirou numa pausa — Ele sabe que estou me formando e... Você sabe que o reino dele foi todo destruído no ano passado, e com toda a esquizofrenia de Gaia tudo está sendo resolvido agora e ...
Annabeth estava impaciente.
—Uma temporada? O que seria isso? Dias, semanas... Anos? — ela cruzou os braços — O que você define como uma temporada?
Percy a encarou; ele percebeu que Annabeth estava começando a iniciar o tom de briga que faria aquilo tudo escalar rapidamente.
—Não foi especificado — ele se aproximou enquanto falava- Você sabe que eu vou te visitar o tempo todo, é óbvio que serão pouc-
—Não, não, não
Annabeth o parou com a mão em seu peito, não queria que ele se aproximasse, não queria que ele tornasse aquilo menor do que era, como ele sempre fazia. Ela se afastou, andando até as janelas nervosa.
—Eu posso saber qual o dia da ida? Porque se você está aqui me avisando é porque claramente já disse sim
Percy corou fortemente, mas agora Annabeth estava sendo totalmente afiada em suas palavras, e ele nunca aceitou desaforos com facilidade.
—Eu te avisei porque eu aviso sobre tudo que acontece comigo. Não é como se eu fosse esconder uma conversa dessas de você! E não, eu não aceitei ainda.
—Ainda? — Annabeth cruzou os braços de novo — Então a pergunta é a mesma, qual o dia da ida? Por quanto tempo pretende ficar? Pelo jeito acabou todo o planejamento de passarmos o último verão juntos no acampamento — ela parou, pensando em choque que se ele ficasse mais tempo... — Talvez até da Universidade! Se as tarefas lá forem do seu gosto.
Percy, se possível, começou a ficar ainda mais nervoso que Annabeth. Talvez pelo fato dela estar deixando tudo pior do que deveria, ou talvez porque existia um fundo de verdade em tudo que ela dizia. Ele estava pensando se não seria o caso de adiar o seu semestre em São Francisco e...
—Se for para você ficar meses fora me avise logo, é só isso — ela disse, o maxilar congelado como fazia quando estava nervosa — Eu só não entendo porque você ficaria o ano todo se esforçando para entrar na Universidade se num estalo de dedos... Eu sei que você é um grande herói e grandes missões aparecerão sempre, mas eu esperava que você desistisse de algumas delas.
Não era porque seu tom de voz era calmo que ela estava menos afiada, se possível, Percy preferiria que ela gritasse com ele. Ele se aproximou sem querer, e dessa vez ela não se afastou.
—Você não sabe como é observar Tritão e cada criatura me olhar como se eu fosse uma barata amassada porque eu nunca estive lá. Você sabe que isso também é uma parte importante de quem sou e que eu ligo para o que acontece no Mar... Eu... — ele não sabia o que dizer, não esperava ter que explicar tal coisa para Annabeth. Seu tom não estava no mesmo que o dela, apenas magoado, mas isso não a deteve.
—Você é impossível, Percy — ela disse — Como vamos planejar qualquer coisa se você se desfaz facilmente por qualquer oportunidade de estar em ação.
—Você sabe que não sou assim e não deveria me julgar tanto por pensar! Você não pensaria duas vezes se sua mãe te chamasse para qualquer tarefa absurda! — ele abriu os braços — Se ela mandasse você arquitetar um prédio de cabeça pra baixo por meses você faria!
—Você sabe que isso não é verdade! Eu nunca, nunca... — ela bufou, nervosa — Isso não é sobre mim, até porque eu estou aqui, de malas prontas, seguindo a sua ideia de irmos para uma cidade romana! E ao contrário de você, eu não tenho uma tatuagem marcada no braço, mas estou indo, não é?!
Percy deu um passo para trás.
—Espera- seus olhos agora estavam tempestuosos e assustadores — Em algum momento eu te forcei a fazer isso? Se é tão sacrifício para você...
—Não distorça as minhas palavras!
—Eu não preciso distorcer elas! — Percy falou mais alto que de costume, o que lhe deixou automaticamente receoso. Ele não queria gritar com Annabeth, mas ela era...Os dois se entreolharam, o tom mais alto fez Annabeth dar um passo para trás. A voz dele retumbava como um trovão e seu instinto meio-sangue a fazia gritar "Perigo!" no fundo da sua mente. Ele, para a surpresa de Annabeth, continuou:
—Isso não é sobre mim, e sequer sobre eu ficar mais distante! Isso é sobre você, sobre o seu planejamento, sobre os seus planos. Porque saiam de baixo se tudo não for exatamente do jeito que a Annabeth quer!
Annabeth sentiu seus olhos marejaram, ela não queria mais continuar aquela conversa. Se ele não entendia o porquê dela estar chateada... Ela cruzou os braços.
—Se eu sou tão controladora e péssima, e se tudo é sobre mim, pode ir embora. Não se dê ao trabalho de me avisar sobre nada, porque eu pelo jeito não me importo com mais nada a não ser eu mesma!
Os dois estavam a poucos centímetros de distância, o olhar eletrificado de Annabeth fazendo Percy ter mistos de sentimento entre a raiva e algum tipo de magnetismo, a parte mais louca era que por mais que suas palavras o mandassem ir embora, seus olhos diziam algo totalmente diferente.
Ainda sim, ele decidiu não desrespeitar sua vontade, e apenas disse:
—Desculpa por falar mais alto do que deveria — então se virou, e Annabeth observou a porta bater com força sem conseguir mover um só músculo.
Percy piscou, a lembrança da discussão se tornando cada vez mais dolorosa. Ele ficou a noite inteira sem conseguir dormir refletindo sobre cada detalhe daquela discussão, ponderando se as palavras de Annabeth tinham um peso maior, e apenas o vislumbre de tal possibilidade era tão dolorosa que ele afastava o pensamento imediatamente.
Saiu do quarto com a mala nos ombros, Paul percebeu que seus cabelos estavam ainda mais bagunçados que o normal. Deu um beijo na testa da sua irmã, por quem não veria por muito tempo, e Paul abriu a boca para falar alguma coisa, pois não estava acostumado a ver seu enteado tão cabisbaixo, mas Sally atrás dele negou com a cabeça.
Quando chegaram no saguão, Annabeth lá estava, em uma rara ocasião seus cabelos estavam soltos em cachos desorganizados, a blusa do acampamento meio-sangue amarrotada, a mochila de lado enquanto suas pernas estavam cruzadas. Sally imediatamente entendeu que havia algum problema entre os dois ao ver o rosto de Annabeth tão abatido quanto o do seu filho.
Ao se aproximarem, eles não falaram uma palavra sequer, mas trocaram olhares intensos que só foram interrompidos quando Sally pigarreou.
—Acho melhor acelerarmos, o tempo estava ensolarado mas agora pode chover a qualquer momento — ela falava com sua voz doce enquanto olhava alternativamente para os dois: Percy ajeitando a alça da mala e Annabeth amarrando os cadarços já amarrados.
Andar até o Prius foi tenso para Percy, ele não queria olhar no rosto de Annabeth, mas ao mesmo tempo instintivamente se pegava tentando observá-la, o que logo colocou como prioridade em sua mente para não fazer.
—Porque vocês dois não ficam lá atrás? Deixem as malas aqui na frente — Sally olhou para Percy, que em súplica dizia "Mãe, por favor" mas Sally ignorou.
Então eles se sentaram cada um num canto do carro, e Annabeth se sentiu obrigada a não ficar em silêncio enquanto Sally acelerava pelas ruas de Nova York.
—Como está Estelle? — as duas se entreolharam pelo retrovisor, claramente Sally estava tentando retirar alguma informação dos seus olhos, mas distraidamente sorriu e respondeu em bom ânimo.
—Muito bagunceira! Acho que vai ter o mesmo gênio do irmão — Percy sorriu sem dentes, agora tamborilando os dedos na porta do carro. Annabeth olhou para ele por um instante e depois para sua mãe.
—Vai ser de um gênio difícil então — murmurrou, olhando para a janela.
Percy revirou os olhos, ele tinha um gênio difícil? Ela, que era a pessoa mais...
—Mãe, você poderia colocar uma música? Eu adoro aquela rádio do Bronx — Sally assentiu, girando o rádio até colocar na estação correta.
Annabeth olhou para Percy com um olhar mortal, ele sabia que ela odiava aquela rádio; mas automaticamente entendeu que ele estava tentando provar um ponto, e ela não iria se demonstrar controladora pedindo para trocar de música. Os dois trocaram sorrisos irônicos.
A música era realmente péssima, o que não havia cooperado para o clima nada agradável no carro. Um trovão retumbou ao fundo, confirmando as previsões de Sally que iria chover a qualquer momento.
Na saída de Nova York, ouviram mais um trovão retumbar e a chuva começar, que era muito maior do que haviam imaginado.
Raios serpenteavam pelo céu tempestuoso e o trânsito da saída da ilha de Manhattan começou a ficar caótico, a apreensão tomou conta de Percy que não gostava da ideia de estar parado no trânsito com outra semideusa poderosa e sua mãe.
Quando chegaram numa estrada mais campestre parecia que a chuva poderia melhorar se não fosse um baque no carro, e as rodas cantassem enquanto Sally tentava sair da estrada. Percy e Annabeth olharam para trás, parecia que tinham atropelado algo no meio do caminho, e que aquele algo não estava nenhum pouco morto.
Percy pensou rápido, como fazia quando estava em missão. Saiu do carro imediatamente, contracorrente em suas mãos. Annabeth logo o seguiu e ficou boquiaberta.
—Deuses, Percy! Aquilo é... — ele assentiu — Um lestrigão! Na auto-estrada! Que raios...
Annabeth ouviu um raio estalar ao fundo, e decidiu que não iria falar mais nada. Os dois se entreolharam enquanto a criatura se aproximava ao longe, estava óbvio o que teriam que fazer. Percy abriu a porta do carro.
—Mãe, estamos a poucos quilômetros do acampamento, eu e Annabeth encontramos um táxi. Vá embora, é o melhor que podemos fazer para te proteger. Um lestrigão é... — ele olhou para frente de novo, mesmo com a chuva e sendo uma criatura lenta, agora ele podia vê-lo com facilidade — É um monstro bem forte.
—Percy, você...
—Mãe! — interrompeu ele — Você tem que voltar para Estelle, eu sei me cuidar. Agora vai!
Sally arregalou os olhos, mas assentiu enquanto via Percy pegar a sua mochila e de Annabeth.
Ela já estava com seu boné e a espada de osso de dragão em mãos quando viu Sally acelerar para longe, se virou para Percy apreensiva.
—Percy, o que vamos fazer? Da última vez Tyson... — ele respirou fundo, assentindo. Tyson era o que tinha salvado o dia.
—Vou me esforçar para controlar a água da chuva, pegue contracorrente e tente atacá-lo em dois pontos enquanto eu o distraio — ela assentiu, parecia um bom plano. Os dois correram para fora da estrada e viraram uma pequena rua de terra que os fazia dispersar do caminho do acampamento.
Mesmo assim, parecia correto retirar o monstro do meio do trânsito.
Sem as bolas de fogo e seus companheiros do time de queimada, Percy esperava que aquele lestrigão fosse mais fácil de vencer.
Como sempre, suas expectativas sempre se frustraram.
—Você! Eu já ganhei uma partida de queimada, lembra? Agora o tempo está péssimo para uma revanche!
A criatura de quase dois metros de altura abriu um sorriso amarelo, e fez Percy dar um passo para trás e bater numa árvore naquela estradinha de terra.
—Sem ciclope! — disse o monstro, aproximando-se e tentando agarrá-lo pelos braços, Percy desviou numa cambalhota mas o tapa do lestrigão foi tão forte que a árvore caiu para o lado.
De fato, pensou Percy melancolicamente, sem Tyson.
Mesmo assim, se concentrou, conseguiu distraí-lo com alguns jatos de água em sua cara. Era tudo que conseguia fazer, e estava pensando aonde raios estava Annabeth quando viu que pedaços da árvore estavam se mexendo sozinho.
—Annabeth? — chamou, enquanto o monstro se recuperava de um afogamento com uma tosse forte.
—Aqui, droga — Percy viu mais um pedaço da árvore se mexendo, e então entendeu. Caiu encima dela. Ele deu três passos para trás.
—Jogue contracorrente para mim! — ordenou, então viu sua caneta ser jogada no ar e pegou com a mão direita.
O lestrigão se recuperou assim que ele destampou contracorrente, e no tempo dele ter sua cabeça amassada pelas duas mãos do monstro conseguiu desferir um golpe contra seu braço, fazendo-o agonizar de dor.
Como na primeira vez que se encontraram, o lestrigão usava uma clava coberta de espinhos, o que não foi nenhum pouco divertido de receber um golpe em um dos braços. Mas Percy cerrou os dentes e ignorou a dor, pois há poucos metros atrás dele Annabeth estava presa numa árvore pesada, e ele precisava retirá-la dali.
Respirou fundo, concentrando-se com maior foco e tentou concentrar a água da chuva, quando a clave passou a poucos centímetros do seu corpo, um jato maior de água fez o monstro ser pego de surpresa de lado e cambalear caindo no chão.
Percy correu até ele e lá viu sua deixa, mesmo desnorteado o monstro cravou a clave no braço já machucado de Percy, e o golpe que já estava como alvo o meio da testa daquele monstro foi na verdade interrompido, contracorrente estatelando-se há metros de distância.
O filho de Poseidon arregalou os olhos, sentindo seu braço se desarticular, quando o monstro parou de engasgar e olhou de novo para ele com um sorriso, sua expressão congelou e ele virou pó.
Annabeth apareceu com o boné em suas mãos, a espada do osso de dragão na mão esquerda e sua perna num estado lamentável.
Ela se arrastou até Percy, que estava com seu bíceps coberto de espinhos.
—Você está bem? — Annabeth perguntou, ele próprio tirou os espinhos do braço, cerrando os dentes de dor.
—Estou — falou apenas, o tom seco fazendo a filha de Atena se lembrar que não estavam bem um com o outro.
Ela olhou em volta, a chuva parecia um dilúvio, raios e trovões encheram o céu e tudo que queria era estar no acampamento meio-sangue e seu clima perfeito.
—Não vamos conseguir ir andando ou chamar qualquer táxi num tempo desses- Annabeth disse olhando para frente, na direção da auto estrada que dava para o acampamento. Percy assentiu, rangendo de dor ao colocar sua mochila no ombro do braço machucado.
Então olhou para trás, e percebeu que no fundo da estradinha parecia ter alguma casa.
—Vamos ver se conseguimos algo ali — ele disse, apontando para lá naquela estradinha de terra cheia de árvores. Sem plano melhor, Annabeth concordou e os dois andaram cerca de 50 passos até observarem que a casa era claramente um albergue de beira de estrada.
Annabeth e Percy se entreolharam e num acordo silencioso decidiram entrar.
Ao passarem da soleira, se viram num hall com as paredes e o chão em madeira polida. Sempre desconfiaram de soluções muito fáceis para seus problemas, mas felizmente a dona na recepção parecia absurdamente normal.
—Que chuva, não? — disse ela, fechando a janelinha ao lado de seu balcão. Ela os olhou distraidamente, como se acontecesse sempre de dois jovens ensopados darem as caras por ali — Se quiserem esperar a chuva passar, sentem-se e fiquem à vontade, mas acho que não vai passar tão rápido — ela olhou novamente para a janela — A previsão é de que chova até amanhã.
Percy assentiu, estaria brincando com a sorte se não aproveitasse o fato que existia um albergue tão aconchegante disponível, e depois da luta que teve não se sentia na condição de andar.
—Você teria um quarto disponível? — perguntou ele, e Annabeth arregalou os olhos e abriu a boca, mas fechou logo em seguida. A dona deu uma risadinha enquanto pegava uma chave com o número escrito "18" no chaveiro.
Percy pegou a chave das suas mãos, a dona informou que era a suíte no segundo andar. Ele se virou para Annabeth, que tinha uma expressão vazia e a convidou para subir timidamente. Ela pensava se não era o caso de esperar a chuva passar, a última coisa que queria era estar tão próxima dele. Mas sua perna latejava e ela mal conseguia dar dois passos sozinha.
Então se levantou, e mesmo contra seu orgulho se aproximou de Percy e os dois foram andando até a escada.
—Consegue subir? — ele perguntou e ela assentiu, mas quando deu um passo sua perna logo falhou e ela perdeu o equilíbrio.
Percy a pegou pela cintura instintivamente para ajudar, e sentiu como se volts percorrerem seu corpo e os dois se entreolharam, mas logo desviaram e subiram os degraus com alguma dificuldade.
Quando abriram a porta, Annabeth sentiu seu coração perder o compasso. Não era luxuoso, mas era aconchegante, uma bela cama de casal e um outro cômodo ao fundo que era o banheiro, uma televisão acoplada que não parecia utilizada. O cômodo era todo em madeira menos a janela, que tinha uma bela vista da parte de trás do albergue: árvores num belo jardim de fundo.
Percy também sentiu algo estranho ao ficar ali, contemplando um lugar que deveria ser romântico. Annabeth andou até a cama e abriu sua mochila, se agradeceu por ter néctar e bebeu um pouco do seu cantil, ofereceu o resto para Percy, que pegou sem sequer agradecer. Ele foi até a janela e ficou olhando as árvores, sem saber o que dizer. Definitivamente aquele intenso silêncio não era agradável, mas os dois eram teimosos demais para ceder.
Quando sua perna parecia melhor, Annabeth se levantou e foi até o banheiro, que ela analisou tendo um box e uma banheira, uma bela pia em mármore. Respirou fundo enquanto se olhava no espelho. Estava péssima, o cabelo molhado e colado no rosto, olheiras fundas pois não conseguiu dormir de tão triste e incômoda que ficou com a discussão do último dia.
Quando voltou para o quarto, Percy não estava mais na janela. Na beirada da cama fazia sozinho o curativo do seu braço, agora sem sua camisa ela percebeu que tinha profundos cortes no bíceps e ombro direito. Sua expressão estava dura como mármore. Ela engoliu em seco e se aproximou.
Não falou nada, mas pegou um pouco do curativo, embebedou em néctar e fez um trabalho muito melhor do que ele próprio estava. Annabeth não pode deixar de observar seus olhos, que sempre foram charmosas órbitas verdes como a água cristalina do mar, mas com aquela expressão severa se tornaram bastante intimidadores.
Quando ela terminou o curativo, Percy piscou como se estivesse hipnotizado, e se recompôs do que seria para ele uma recaída, porque estava a ponto de beijá-la se não fosse sua personalidade desafiadora. Mesmo assim, falou num sussurro:
—E a sua perna?
—Ah — Annabeth analisou rapidamente o quão roxa estava — Está tudo bem, é só…
—Você ainda tem o ferimento no tornozelo, foi na mesma perna? — ela assentiu. Foi a vez dele de pegar algodão e colocar um pouco de néctar — É melhor você tirar o short
Annabeth corou, abrindo a boca para protestar se não fosse o próprio tom do seu namorado. Mesmo sendo palavras de sugestão, ele não parecia deixá-la ter outra escolha. Olhando para o lado todo o momento, ela desabotoou o short e o abaixou.
Percy mal olhou para ela, o que a deixou com o orgulho ferido, e se concentrou em passar o algodão por toda sua perna, fazendo-a se sentir imediatamente melhor. Sem dizer mais nada, se virou e jogou todos os curativos no lixo do banheiro. Talvez fosse a sua falta de atenção, talvez o fato que Annabeth não estava acostumada em ver seu namorado tão sério e intimidador, mas aquilo fez com que uma nuvem de sentimentos de ódio enchessem seu peito, e quando ele voltou ela disse quase sem querer:
—Uau, você não precisa ir embora para ser distante — Percy a olhou, e pela primeira vez ela se sentiu intimidada por ele.
—O que você quer que eu diga?
—Você não precisa dizer nada — levantando-se com dificuldade Annabeth fingiu ter algo a procurar na mochila — Claramente não temos nada a dizer um ao outro.
Ele abriu a boca para falar, mas deu uma risada irônica.
—Você quer que eu me desculpe por não fazer tudo do seu jeito? — ela olhou para ele, os cabelos negros bagunçados e o corpo completamente suado e molhado pela luta e pela chuva, seu rosto com traços divinos a deixando, agora entendia… Frustrada. Foi a vez dela de rir ironicamente.
—É, porque isso é realmente sobre o meu defeito mortal — ela fechou a mala praticamente num soco, aproximando-se em seguida. Percy sentiu o corpo dela aproximar como uma aura quente, a vontade de odiá-la não se transformando bem em ódio, os lábios pareciam deliciosos até mesmo brava — Não é sobre eu não querer ficar longe de…
Ela negou com a cabeça, foi a vez de Percy se aproximar.
—Ficar longe de quê? — perguntou num sussurro, Annabeth foi com o torso para frente pela proximidade. Ela sabia que também era sobre seu defeito mortal, e não queria não ser sábia o suficiente para não fazer aquilo que deveria: ceder.
-De você, óbvio — ela olhou para a janela, então não esperava quando sentiu a mão pesada dele no seu rosto, a língua dele com agressividade a beijando enquanto a aproximava puxando seus cabelos.
Annabeth praticamente se desfez nele, sentindo suas pernas bambearem enquanto os braços pesados do seu namorado contornavam sua cintura. Eles não pararam de se beijar enquanto retiravam o que restava das roupas um do outro com rapidez.
Os dois brigaram pelo controle, Percy apertava sua cintura enquanto aproximava seus quadris, beijando seus ombros até sua orelha, e ela revirou os olhos enquanto arranhava suas costas, jogando-o contra a cama com um olhar intenso, do mesmo tom de raiva da briga anterior.
Sentado na ponta da cama, ele a puxou pela cintura e abaixou sua calcinha, introduzindo dois dedos enquanto via um dos joelhos dela se apoiarem na cama, as pernas tremendo pela fraqueza da luta.
Ela revirou os olhos, sentindo os longos dedos dele freneticamente atingirem seu ponto G e esfregarem seu clítoris, abriu a boca para ofegar algo enquanto olhava diretamente nos olhos dele, que ainda estavam intensos e bravos, mas daquela vez sem a frustrar nenhum pouco.
Ela apertou os dois braços dele quando veio, o peito subindo e descendo fortemente. Percy rangeu de dor pelo ferimento, e toda a expressão brava dela se desfez de uma só vez.
—Deuses, desculpe-me , eu… — ele assentiu a jogando para o lado da cama, deu um sorriso ao ver sua expressão preocupada, os olhos transbordando compaixão.
—Estou bem — ele disse, agora sorrindo sem querer. Os dois se entreolharam, e disseram ao mesmo tempo:
—Desculpa, eu…
—Não, foi minha culpa
—Você sabe que eu nunca…
—Eu te amo
Eles sorriram, Annabeth ainda ofegante pelo toque recente. Seu sorriso cresceu enquanto ela massageava os cabelos dele.
—Você é impossível — dessa vez, seu tom era apenas amigável — Não acredito que me fez ouvir aquela música horrível por quase uma hora.
Ele gargalhou, o que fez todo o corpo de Annabeth se derreter em paixão. Por fim, ele respirou fundo.
—Minha energia está esgotada — ele disse — Vem aqui.
Ele a ajudou a se levantar, levando-a até o banheiro. Annabeth lembrou-se que a água normalmente renovava suas energias, mas ficou surpresa ao vê-lo encher a banheira, chamando-a para tomar um banho de chuveiro com ele antes.
Quando os dois sentiram a água quente massagear suas costas, Annabeth olhou para ele e sentiu que deveria conversar apropriadamente.
—Eu amei, de verdade, a ideia de irmos para São Francisco — Percy só conseguia pensar em quão bonita ela estava, os cabelos molhados passados para trás e aqueles olhos cinza como órbitas chamativas, a água percorrendo seu seus ombros e a barriga…
—Eu sei disso — respondeu, massageando sua bochecha com o dedão, a mão na sua nuca. Annabeth fechou os olhos, e os dois na mesma hora tiveram a ideia de juntar os corpos, beijando-se de novo. Annabeth se apoiou na parede gelada, sentindo as mãos dele a penderem para cima. Sem delongas, ele a penetrou com força, fazendo-a abrir a boca e semicerrar os olhos, os gemidos abafados pelo chuveiro.
As mãos dela foram para suas costas largas e musculosas, a água caía nelas como se fosse simplesmente certo. E de fato, aquilo o revigorava, porque ele não parou mesmo depois dela chamá-lo num fio de voz, gozando.
—Percy… — ela chamou, quase desesperada, quando o sentia apenas a penetrar com mais força, os músculos dos braços retesando e a interrompendo com um beijo que ela pensou honestamente que iria perder toda a força do corpo.
Ali dentro, era como se ela fosse sua presa, ele puxou seu cabelo e não parou de penetrá-la com força, não se importando com quantas vezes ela o avisou que estava vindo. E ele próprio, não estava.
Ela se afastou dele depois de incontáveis minutos se desfalecendo, agachou-se no boxe, e pela primeira vez Percy a viu ajoelhada na sua frente, olhando para ele como se pudesse comê-lo com o olhar, e chupá-lo como se mandasse nele, massageando suas coxas, observando-o encostar-se na parede, as pernas se enfraquecendo, ele gozando quando a viu colocá-lo todo na boca, masturbando-o com veemência em seguida.
—Deuses, Annabeth… — ela sorriu, e ele não queria que acabasse. Fechou o registro do chuveiro, saindo do boxe a puxando para dentro da banheira, agora cheia.
Emergir na água o fez se recompôr rápido, e Annabeth observou risonha ele se endurecer de novo, o corpo completamente seco, o que era estranho e divertido ao mesmo tempo.
Os dois se entreolharam cada um no canto da sua banheira, e Percy disse:
—Já respondi meu pai, vou ficar lá apenas algumas semanas — ela abriu a boca, chocada. Sabia que aquele convite não era de apenas semanas, e não esperava que ele recusasse.
—Você tem que estar aonde acha certo, aonde seu coração mandar — mesmo quebrando seu coração, ela sabia que era o certo a se dizer. Ele sorriu, aproximando seu torso do dela e seu rosto a poucos centímetros.
—Você realmente acha que meu coração me levaria para algum lugar diferente de onde você estiver?
Annabeth sentiu seus olhos marejar, observando os dele que estavam apenas felizes.
—Eu te odeio, cabeça de algas.
—Também te amo — ele respondeu, beijando seu nariz — Agora, eu queria muito, mesmo… Beijar cada parte do seu corpo.
Ela negou com a cabeça, mas ria. Ele sussurrou que tinha um truque para mostrá-la, enquanto beijava sua nuca e a parte atrás da sua orelha, fazendo cada pelo dela se arrepiar. Annabeth arqueou a sobrancelha, curiosa.
E então ele a penetrou, agora com mais cuidado e carinho, vagarosamente, sentindo cada parte dela o apertar. Annabeth se forçou a não fechar os olhos, pois a visão de cada músculo dele enquanto a penetrava era boa demais para se perder, o abdômen retesando, os braços se apoiando na beirada da banheira. Cada parte do seu corpo parecia mais reluzente agora imerso em água.
E então, Percy mostrou seu truque, e Annabeth perdeu o fôlego e quase engasgou, ele fez um jato com a água da banheira, a pressão da água massageando seu clítoris enquanto ele a penetrava com vagarosidade. Ela revirou os olhos e tombou a cabeça para trás, e ouviu a risada de seu namorado enquanto o xingou de todos os nomes possíveis.
—Perseu Jackson — ela gemeu com raiva, fazendo ele sorrir de satisfação. Suas pernas tremiam, apoiadas nas beiradas da banheira, enquanto ele a penetrava completamente, seu clítoris pulsando pela pressão da água.
Quando ele apertou seu pescoço, ela sentia que iria para as nuvens. Ela se agradeceu com fervor por deixar a rivalidade de sua mãe de lado e namorar um filho de Poseidon, e Percy sentia seu peito inflar pelo ego, vendo a poderosa Annabeth Chase se desfalecendo na sua frente.
Quando ela decidiu passar suas pernas envolta do quadril dele, agora intensificando os movimentos, os dois sabiam que não aguentariam muito mais, ele encostou a testa na dela, os dois gemendo enquanto sentiam o bem estar do orgasmo ao mesmo tempo, fazendo os mamilos de Annabeth ficarem sensíveis e os músculos dele se enfraquecerem, os dois pulsando um no outro.
—Deuses, Annabeth — ele iria a elogiar, mas ela o parou com a mão.
—Não fala nada, eu… — ela negou com a cabeça — Eu te proíbo de se afastar de mim e me deixar na abstinência disso.
Ele riu, sentando-se novamente na beirada da banheira e sentindo o corpo dela se apoiar no dele, os mamilos duros dela no seu peitoral. Ele queria continuar e continuar, mas sabia que sua namorada não estava com tanta energia quanto ele, então apenas beijou seus lábios e disse:
—Brigue comigo apenas se formos para terminar sempre assim — ela sorriu, concordando.
Com certeza, pensou Annabeth, ela chutaria seu defeito mortal e cederia quantas vezes fosse preciso se a recompensa fosse aquela.
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