Notas iniciais
Boa Leitura!

— Você já sabe que desde o dia do desfile Joshua ficou encantado com a Hanna, então, a procurava em todos os cantos, mas em segredo, ele havia começado a fazer cavalgadas por vários lugares das redondezas, pois tinha esperanças de encontrá-la.– olhou-a. – E daí em um certo dia acabou achando-a, a garota, coitada nem ao menos se lembrava dele. – sorriu divertido. – Depois de encontrar Hanna, Joshua começou a visitá-la, então eles tinham longas conversar, mas tudo isso sem ninguém saber. – passou a língua nos lábios. – Mas teve um dia que Lewis, seu irmão viu os dois, ele não gostou nada de saber que o príncipe vinha fazendo visitas frequentes para sua irmã. – deu uma pausa. – Mesmo Lewis dizendo que não queria que ela se encontrasse com Joshua, Hanna continuou, já estava apaixonada por ele e pelo que ela conta ele também.

— É uma história e tanto, neh? – comentou. – Parece mais aquelas histórias de contos de fadas. – disse pensativa. – Lembro mais ou menos que meu avô me contava histórias desse livro quase todas as noites. – olhou para uma das paredes. – Mas não sabia que era real.

— Sim... – concordou. – Ele chegou a dizer que falou algumas coisas para você, mas que o principal não teve coragem.

— E o que é o principal? – encarou-o séria.

— Bom... – coçou a nuca. – Isso eu não posso te dizer agora. – continuou cauteloso, Charlotte fez menção de falar algo, mas Harry colocou seu dedo indicador em seus lábios impedindo-a de falar e prosseguiu. – Você primeiro precisa ler este livro, pois só assim vai conseguir entender tudo o que precisa ser feito e porquê. – olhou-a nos olhos de forma firme. – Tá bom? – tirou o dedo de sua boca.

— Tá bom, tá bom! – revirou os olhos. – Já que esse é o único jeito de saber. – bufou descontente.

...

A chuva continuava firme, não tinha dado nenhuma trégua, as gotas fortes batiam contra o telhado e paredes daquela velha casa da árvore. Charlotte havia retornado a leitura do diário, tinha descoberto ao longo da leitura que Joshua estava prometido a uma princesa de um reino vizinho. Mas também leu que o mesmo estava disposto a renunciar o noivado para ficar com Hanna, inclusive seu pai, o rei, estava ciente dos planos do filho, apesar de não concordar com a situação. Eleanor, mãe de Freya (sua prometida), descobriu tudo e então começou a mexer seus pauzinhos. Aquela mulher de olhos horripilantes, como era descrita por Hanna teve a audácia de ir em sua casa tirar satisfações com a garota.

Charlotte ficou inconformada com os insultos ditos a Hanna.

— Mas que horror. – falou em voz alta. – E agora, o que vai acontecer? – perguntou olhando para o rapaz ao seu lado, o qual não lhe deu atenção. – Harry! – o chamou, mas o rapaz continuava lendo, deu um sacolejo no ombro dele, que despertou confuso:

—O quê? Onde? – perguntou Harry olhando para os lados. Esteve tão entretido na leitura daquele livro misterioso que havia encontrado no porão, que nem percebeu que a garota tinha falado com ele.

— Calma, – riu do garoto. – É que eu te fiz uma pergunta.

—Ah! Me desculpe! Não tinha percebido. – coçou a nuca sem jeito. – O que era mesmo?

— É que eu li aqui... – apontou para o diário em seu colo e contou a Harry o quanto estava indignada com a atitude de Eleanor e perguntou ao mesmo o que iria acontecer.

— Bom... – coçou a nuca novamente. – Ela não vai parar de atormentar a Hanna, pois quer que sua filha se case com Joshua a todo custo e não vai tolerar que uma camponesa tome o lugar de sua filha. – deu uma pausa. – Mas não é só isso... – olhou-a fixamente.

— O que quer dizer com isso? – indagou, mas o rapaz não desviou o olhar e permaneceu calado. – Em, Harry, me diga? – insistiu.

— Mais a frente você vai entender. – voltou sua atenção ao livro.

— Ah! Fala sério! – comentou zangada. – Você realmente não vai me contar?

— Charlotte, – disse com uma voz cansada. – você precisa ler... – a garota o interrompeu:

— Mas acontece, que estou ficando cansada de ler, e mais ler. – confessou. – Eu quero saber logo o que vai acontecer e onde eu entro nisso tudo. – fechou o diário com força. – Será que é muito difícil você me contar?

Harry encostou a cabeça na parede e fechou os olhos respirando fundo, pelo jeito seria mais difícil do que ele havia imaginado. Charlotte é muito ansiosa, às vezes preguiçosa e sem contar que é um pouco mimada, na verdade muito mimada às vezes. Mas tá certo já que ela prefere ouvir do que ler...

— Tudo bem. – disse ainda com os olhos fechados. – Já que prefere assim. – abriu os olhos e a fitou sério.

— Fala logo. – apressou-o ansiosa.

— Eleanor de alguma forma fez com que Hanna fosse acusada de feitiçaria, você sabe, naquela época pessoas que eram consideradas feiticeiras recebiam como punição uma morte dolorosa, elas eram queimadas em praça pública.

Charlotte abria e fechava a boca várias vezes, mas nada dizia Harry podia ver que seus olhos estavam cheio d'água. O rapaz apenas suspirou, então passou os braços pelos ombros da garota trazendo-a para mais perto de si.

O silêncio reinava entre eles, Harry achou melhor não dizer nenhuma palavra, podia sentir as lágrimas da garota molharem sua camiseta. O rapaz sabia que não seria fácil, ainda mais depois que ela soubesse toda a história...